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“Para Mudar Tudo”, um projeto anarquista

A p r e s e n t a ç ã o:

Mudanças climáticas, escassez de água, crises econômicas que ameaçam nossos empregos já instáveis e precários, bem como nosso acesso a alimento, saúde e moradia: a ordem dominante é insustentável em todas as suas formas. Até mesmo os seus maiores representantes, como a mídia, políticos e empresários, admitem que são necessárias mudanças radicais. Mas por que deveríamos pedir ou esperar que essas autoridades tomem a iniciativa?

O que seria, realmente, mudar tudo? Como escolheremos caminhos diferentes?

O projeto “Para Mudar Tudo” tem como objetivo a propaganda dos pensamentos e valores libertários e radicais para pessoas que ainda não tiveram contato com essas ideias ou práticas mas que mesmo assim sentem que precisamos resistir à ordem política vigente. Ele conta com um texto introdutório ao pensamento anarquista e em linguagem acessível, levado ao público por diferentes formatos: 4 mil cópias de uma revista impressa com cerca de 50 páginas, uma versão em pdf para download, uma versão em vídeo do mesmo texto com cerca de 8 minutos para circulação na internet, posters e adesivos para serem difundidos nas ruas, espaços libertários, centros sociais, ou mesmo pregado nos quartos de jovens rebeldes. Tudo isso reunido em um site para download gratuito e livre difusão.

Todo o projeto – vídeo, texto, site – foi produzido e adaptado para cerca de 14 idiomas por coletivos locais de cada país para ser lançado ao mesmo tempo nos 5 continentes e propagar o caráter sem fronteiras e cooperativo do anarquismo. Cada versão foi também devidamente adaptada ou reescrita pelos coletivos locais para ser usada como plataforma de diálogo com indivíduos e iniciativas de cada região. Então, com exemplos, contextos, imagens e linguagens, tentamos falar da nossa realidade e propor formas de resistir às opressões existentes nela.

Nosso site tem como proposta servir de introdução a pensamentos e ações libertárias e te colocar em contato com grupos e pessoas agindo – ou que aspiram agir – para resistir e transformar a realidade em que vivemos.

Aproveite o conteúdo e fique à vontade para entrar em contato!

Conheça o projeto evisite nossa página em português: paramudartudo.com

Agradecemos pela contribuição à agência de notícias anarquistas-ana

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Parque Estadual Pedra Branca – Núcleo Camorim

Dia 25 de outubro, vésperas de segundo turno das eleições, a disciplina de História e Meio Ambiente do curso de História da UNIRIO promoveu uma visitação ao Parque Estadual Pedra Branca, núcleo Camorim, um dos últimos redutos florestais dentro da Guanabara. A visita percorreu a trilha do açúde chegando ao topo a 435 m. de altura, onde se encontra a represa que abastece a água de parte da baixada de Jacarepaguá. A construção iniciada em em 1908 demonstrava, já naquela época, o empenho de alguns conservacionistas em preservar as nascentes de água do município. Em vão, desde então, muito pouco foi feito nsse sentido e a água consumida no Rio tende a vir cada vez de mais longe. Na visita foi possível observar a transformação da paisagem da floresta secundária, à medida que íamos subindo percebe-se sua recomposição de modo mais cosnistente, tornando-se mais espessa. A área do Pedra Branca, cuja transformação em parque data e 1974, sofreu no decorrer da história com diversos ciclos de apropriação de seus recursos naturais. Pensando desde a época colonial, com o engenho do Camorim da família de Gonçalo de Sá, ainda no final do século XVI, cuja mata de encosta servia à extração da madeira necessária, principalmente, às atividades de transporte da cana por carros de boi. Fora do Parque, a capela de São Gonçalo do Amarante pertencente ao antigo engenho, de 1625, restaurada, é um bom início da visita. Num segundo momento, já sob controle dos frades beneditinos, a área passa a ter ação das culturas de subsistência de escravos e libertos, no que com o tempo foi assumindo um caráter de quilombo disperso durante o XIX e começo do XX. Bananeiras e outra plantas exóticas atestam a presença modificadora do homem non meio. No século XX a pressão sobre a mata foi principalmente feita pelos carvoeiros que produziam carvão à lenha, base do abastecimento dos fogões das casas cariocas da priemira metade do XX, quando ainda não havia a proliferação dos fogões a gás.

Os vestígios deixados pelo homem na floresta são visíveis durante a caminhada, ainda mais se o passeio for acompanhado da excelente leitura do livro As Marcas do Homem na Floresta, organizado por  Rogério Ribeiro de Oliveira, disponível em pdf: http://www.editora.vrc.puc-rio.br/docs/ebook_marcas_homem_na_floresta.pdf

 

Mais informações sobre o Pedra Branca encontram-se no guia de parques: http://www.inea.rj.gov.br/cs/groups/public/documents/document/zwew/mdi2/~edisp/inea0026328.pdf

E nas páginas do inea e da associação de amigos: http://www.parquepedrabranca.com/p/nucleo-camorim.html

Quem ainda não conhece, precisa de conhecer.

Boia visita

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Earth First! Encontro 2014 nos EUA

Earth First! Encontro 2014 de Round River já começou, está acontecendo entre os dias 1 e 7 de Julho. Este ano o encontro será em Klamath-Siskiyou, região da Cascadia do Sul, perto da fronteira entre Oregon e Califórnia. As instruções são as seguintes.
O Encontro de Round River é o encontro anual da EarthFirst!, que acontece geralmente na primeira semana de Julho. A cada verão, esta semana de acampamento atrai centenas de “EarthFirst!ers” do mundo inteiro. O encontro é coordenado por um comitê voluntário e inclui workshop, técnicas de ações, debates sobre campanhas, histórias contadas, música na fogueira e reuniões com artistas e palestrantes. Este é um evento autogestionado, turbulento, coletivo e periférico. 
O site está atualizado com informações sobre workshops: http://www.earthfirst.org/
Existem dois pontos importantes atualizados pelo comitê de organização:
Sobre a cozinha:
 
A cozinha será organizada pelos nossos amigos da Semente da Paz (“Seeds of Peace”) – com algumas mudanças. A Semente irá cozinhar deliciosos e calorosos cafés de manhã e jantares. Todos os que vierem serão responsáveis pelo próprio almoço e petiscos. Os companheiros também devem trazer suas xícaras e utensílios. Isso deixará nossos chefs livres para participar das atividades durante o dia. Com o tempo livre deles, a Sementes da Paz irá realizar uma pequena série de exposições sobre logística de acampamentos e sobre como cozinhar para multidões. Nós esperamos continuar receptivos, encher a barriga das pessoas, e ainda criar mais espaço para pensar sobre comida, autossuficiência, e o que significa viver em locais selvagens.
Sobre o cuidado de crianças:
 
O evento terá um local para crianças de quinta-feira (3 de Julho), até domingo, 6 de julho, de graça, por um período de 6h entre o almoço e a janta (de meio-dia até as 18h,dependendo da agenda do workshop). Nós temos um coordenador que irá revezar os voluntários três vezes por dia. O local de crianças será voltado para pessoas entre 4 e 12 anos de idade. Pessoas mais novas serão bem vindas com os pais ou responsáveis.

Encontro Earth First 2014

Encontro Earth First 2014

Earth First! Encontro 2014 – Comitê externo
 

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Dilma, Raoni e Belo Monte

A presidente Dilma acabou de aprovar a construção de Belo Monte, a barragem que irá devastar uma grande área da Amazônia, destruíndo o Rio Xingú. O cacique Raoni chorou ao prever o futuro do povo caiapó, que será duramente afetado pela represa. Agora suas lágrimas estão inspirando milhões de pessoas a agir para impedir Belo Monte, e nós podemos ajudar a fazer a diferença. Nos dias seguintes ao anúncio, uma crescente onda de protestos varreu o país e ontem o Ministério Público Federal do Pará entrou com a 11a. ação civil criminal contra Belo Monte pelo não cumprimento de medidas prévias exigidas para preparar a região para os impactos sócio-ambientais. A pressão sobre a presidente Dilma está se intensificando e se mais brasileiros agirem, nós podemos ter um impacto importante em conseguir reverter a situação. O governo ainda pode impedir Belo Monte e desenvolver estratégias de energia alternativa sem destruir a Amazônia nem violar os direitos dos povos indígenas e ribeirinhos da região, mas isso só vai acontecer se um número suficiente de brasileiros se manifestarem. Nos próximos dias, vamos apoiar o cacique Raoni telefonando intensamente para a presidenta Dilma pedindo para ela salvar a Amazônia. Veja abaixo o número para o qual ligar e o que dizer. Depois de ligar, veja abaixo o link para compartilhar os detalhes de sua chamada com milhares de brasileiros. Estes são os números de telefone para ligar para a presidente Dilm:

(61) 3411-1225 (61) 3411-1200 (61) 3411-1201

texto repassado pela comunidade Avaaz:  http://www.avaaz.org/po/stand_with_chief_raoni/?vl

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MANIFESTO eKológico-Kultural

1º. MANIFESTO eKológico-Kultural

oikos – do grego casa, habitat, por extensão meio ambiente

kultur – do germânico, o produzido por um povo

O 1º. Manifesto eKológico-Kultural será realizado no dia 4 de junho, que antecede o Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de Junho, na sede do Sindicatos dos Metalúrgicos da Baixada Santista, av. Ana Costa, no. 55, Santos.

* Um dia para BOTAR A BOCA NO TROMBONE , e lutar vigorosamente e sem descanso contra o aumento dos ataques ao Meio Ambiente e à Vida!!!

* Num momento CRUCIAL, em que, mais que nunca, os (des)Governos Federal , Estadual e municipal transformaram-se em gabinetes de despacho e filiais dos INTERESSES COMERCIAIS dos destruidores da natureza, das comunidades humanas e da saúde em geral!

Estes são os Eixos de Lutas dos movimentos ecológicos, sociais e populares:

1 – Contra o novo CÓDIGO FLORESTAL proposto pelo deputado Aldo Rebello, do “PC do Dem”… É a legalização da destruição dos últimos recursos florestais e hídricos!

2 – Contra a REPRESA DE BELO MONTE, que destruirá um amplo território do Amazonas, com seus recursos naturais, aldeamentos indígenas e população ribeirinha – e que foi um dos motivos da realização da Eco-92 no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

3 – Contra a perseguição e GENOCÍDIO DOS ÍNDIOS GUARANI-KAIOWÁS, no Mato Grosso do Sul, que já é considerado o mais massivo atentado permanente à vida indígena nas Américas, superando inclusive o dos Mapuche no Chile e dos Zapatistas no sul do México…

4 – Contra o criminoso DESMATAMENTO do Amazonas, que aumentou 23% nas últimas semanas…

5 – Contra os planos do Governo de construir VÁRIAS USINAS NUCLEARES NO BRASIL, mesmo depois do desastre de Fukushima, no Japão. Pelo fechamento das usinas de Angra.

6 – Contra a permissividade dos TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS NA AGRICULTURA E PECUÁRIA brasileira, cujos componentes cancerígenos estão proibidos em boa parte dos países, principalmente na Europa.

7 – Contra a especulação desmedida e desmensurada das construtoras em conluio com prefeituras “caixa dois”, que estão DEVASTANDO O LITORAL E MATA ATLÂNTICA! Pela defesa dos MANGUEZAIS e reversão da POLUIÇÃO DA ÁGUA!

8 –  Contra a verticalisação da cidade de Santos e o avanço dos interesses economicos em direção `a area continental e `as areas de proteção ambiental da cidade.

Estes são os GRITOS que legitimam a convocação do 1º. Manifesto eKológico-Kultural da Baixada Santista!

– auto-convocado em “Rede Rolante” – em reuniões físicas e virtuais – pela Verde-América, Aliança pela Ecologia Social (A.Eko-Sol), CAVE (Coletivo Alternativa Verde) , entre outros, incluindo artistas e ativistas. Com o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de Santos e Região, Centro de Estudantes de Santos e Baixada .

      O QUE ROLA NO DIA 4 DE JUNHO:

–  a partir das 13:00 hrs., até as 22:30 hrs., apresentação das bandas e violeiros: Antonio do Pinho e banda Pau-a-Pique, Vicente Lapa e os Globalmente Aquecidos, Marcel Moai e os Pícaros, Chiapas Livre, Esquadrão Preto Velho, Maracatu Quiloa, Casa de Ervas, Vapaa, Trid e Futuráfrica.

– RADIO-ATIVIDADE: coordena Maryana, estudantes da FACOS e outros cursos de jornalismo. Também Rádio da Juventude de S.Vicente.

– poetas, pintura mural coletiva (ao estilo naif chiapaneco), intervenções artística, Guerrilha Sound System

– STANDS: Guaranis do litoral, Verde-América (gravuras zapatistas e de Barcelona), Projeto Banho Quente na Vila dos Pescadores (Luciana e grupo de estudos Chico Mendes, da Federal do Jardim Casqueiro, Cubatão), Instituto Kaa Oby, Reserva Bertioga (Agenda 21), Instituto Taffarello de Terapias Holísticas e Apicultura, produtos orgânicos da terra, Concidadania, ACPO (Assoc. de Combate aos Produtos Organoclorados – pó-da-China), estudantes de Biologia Marinha da UNISANTA,  fotografias, etc.

– VIDEOS NO TELÃO: flashs do evento, Agro-ecologia no Amazonas, Aldeia Piaçaguera (Peruíbe), México Rebelde, A Outra Campanha (zapatistas), 4ª. Guerra Mundial (do Fórum Social Mundial), A Última Hora (Leonardo Di Caprio), Amazonas em Chamas (a vida de Chico Mendes), A Floresta das Esmeraldas (John Boorman), Brincando nos Campos do Senhor (Hector Babenco), Terra

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SOS Mata Atlantica desconvida representante caiçara de encontro na Jureia

Um dos representantes caicaras da Juréia foi “desconvidado” ao encontro da TEDX de Vila Madá que ocorreu ontem dia 26. Esta nos parece ser uma noticia alarmante e uma reclamacao pertinente do representante. Leiam sua nota contraria e a suspeita do dedo da SOS Mata Atlantica ness articulacao para fragilizar as comunidades regionais em detrimento do poder economico. O representante da Natura continua com assento cativo

Meus Car@s,

Somente hoje tive acesso a internet e para minha surpresa ainda não tive e não tivemos maiores esclarecimentos sobre essa desconfortável atitude do programa TEDX Vila Madá, em nos desconvidar para participar do próximo programa no dia 26 de maio.

Assim que recebi o telefonema do desconvite, questionei se os demais participantes também seriam desconvidados, a resposta foi que somente eu deixaria de participar do programa, os demais como Ailton Krenak, o professor da UNICAMP, representante da NATURA e o Voluntário da SOS permaneceriam, confesso que fiquei um tanto confuso, mas este fato só veio confirmar o que já sabíamos e agora temos certeza que foi intervenção da SOS Mata Atlântica.  Então entendemos que continuam boicotando nossas comunidades, é muita visibilidade para quem eles querem que viva na escuridão, esquecidos, a margem. Esse tipo de boicote vem ocorrendo a mais de 20 anos, o discurso é um, mas a prática é outra, como sabemos essa entidade vive de mentira e tem medo, quando quem fala a verdade pode estar no mesmo espaço de visibilidade. Nossa luta é por justiça social,queremos nosso território de volta, cometeram um erro e não reconhecem esse erro, não sentam juntos para dialogar com nossas comunidades e chegar num consenso, nem reconhecem que erraram para tentar corrigir .

A SOS Mata Atlântica nasceu na década de 80, exatamente  quando criaram a Estação Ecológica de Juréia Itatins, sempre foi contra as comunidades da Juréia, este é um dos motivos de não avançarmos na conquista do nosso território, pois defendem a Mata Atlântica e pra eles, nós  somos uma ameaça, só que como bem sabemos  para plantar pinus e eucalipto é necessário retirar a vegetação primaria, é assim que age,  o presidente da SOS mata Atlântica, sendo o maior Plantador de eucalipto do Estado do Paraná. A sustentabilidade que pregam é para eles mesmos.

Não desistiremos de contar nossa história e sempre que tivermos oportunidade denunciaremos essa farsa que vive a SOS e outras ONGs que se utilizam da vulnerabilidade das comunidades e do meio ambiente, para se promoverem e enriquecerem.

 Dauro Marcos do Prado, Caiçara.

Presidente da União dos Moradores da Juréia

Sócio Fundador da Associação dos Jovens da Juréia

Representante das comunidades Caiçaras- Comissão Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais

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Projeto Ciclovida: em busca das sementes naturais.

Projeto Ciclovida: uma aventura de Inacio e Ivania, dois caboclos brasileiros que desvelam o crime cometido pelas grandes corporacoes de alimentos e agrotoxicos e pelos laboratorios de pesquisa de transgenicos contra a producao de alimentos.
Lifecycle é um documentário narrativo que segue um grupo de pequenos agricultores de Ceará numa viagem atravessando o continente da América do Sul de bicicleta, na campanha de resgate das sementes naturais. Os viajantes documentam a dominação dos agrocombustíveis no campo e o deslocamento de milhões de pequenos agricultores e comunidades indígenas.

www.Ciclovida.org

O Brasil é responsável por 12% das lavouras geneticamente modificadas no mundo. É o que mostra estudo divulgado pelo Serviço Internacional para a Agrobiotecnologia. Os viajantes documentam a dominação dos agrocombustíveis no campo e o deslocamento de milhões de pequenos agricultores e comunidades indígenas. Cultivos e matas nativas estão sendo substituídos por desertos verdes de monoculturas transgênicas onde nada mais, planta ou animal, pode sobreviver aos agrotóxicos. O documentário faz parte do projeto Ciclovida e foi produzido por Matt Feinstein e Loren Feinstein com colaborações de ativistas brasileiros.

Lifecycle foi escolhido melhor documentário na categoria conservação do Green Screen Environmental Festival Film/2010 e selecionado para o Blue Planet Film Fest em Los Angeles, EUA e Byron Bay Film Festival em Australia.

Acompanhe o blog do CAVE, em breve Lifecycle sera exibido aqui em Santos.

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Sustentabilidade: a escolha libertária VI (fim)

Concluimos com a lista a seguir, a analise dos problemas trazidos ao meio ambiente pela economia capitalista contemporanea e as acoes que podemos fazer para mudar o sistema (a verdadeira sustentabilidade). Uma pequena receita do que voce pode fazer ja.

Compre menos e nao compre descartaveis

Nao compre em grandes redes de hipermercados

Compre no pequeno comercio local

Ande a pe, de bicicleta, de transporte coletivo

Conheca o fornecedor dos produtos alimenticios

Assim que for possivel mude para uma cidade menor e se fixe nela

Procure lazer na natureza e no convivio com as pessoas, poupe seu dinheiro

Poupando mais pode-se trabalhar menos

Trabalhando menos temos mais tempo para levar uma vida sustentavel

Fuja dos espacos privados ocupe os espacos publicos

Nao caia no conto da tecnologia use seus equipamentos ate o limite

Nao reclame dos outros e nao diga que nao tem jeito. Sua acao e importante.

Informe-se, propague estas ideias, desperte e liberte quem esta viciado na teia do consumo

Recursos

Apesar do termo, a palavra “recursos” indica uma visão do meio ambiente voltada para sua transformação ou utilização, desde que observada do ponto de vista utilitário para a espécie humana: é possível um uso dos recursos que não comprometa nem degrade o meio ambiente. O modelo atual os usa enquanto têm viabilidade econômica e, portanto, muito além do limite de uso que permitiria manter as potencialidades desses recursos. Isso é favorecido pela falta de controle das comunidades locais sobre seus próprios recursos e da gestão empresarial deles. A gestão dos recursos no mundo atual é delicada. Eles estão em contínua redução, em estado de alteração, insuficientes para garantir o consumo e a sobrevivência de uma população mundial em contínuo crescimento. Colocar os recursos existentes em relação direta com as comunidades locais, desenvolvendo uma gestão coletiva e definindo o consumo em função de sua disponibilidade, mostra-se, não somente um modo de manter a diversidade cultural e ambiental como permite também seu uso de modo sustentável.

Reutilização

Para permitir a manutenção da cota de mercado inútil e super-dimensionada em relação às necessidades este modelo sustentou, através da comunicação de marketing, técnica e científica, a vantagem do novo sobre o usado. Objetos e materiais usados assumiram um valor menor, de reuso; são rapidamente considerados obsoletos e tornam-se resíduos. Essa é uma incrível perda de riqueza e energia e a criação de um problema, aquele do descarte. Da mobília doméstica ao vestuário, passando por automóveis e apetrechos, os objetos respondem a uma imaginação abstrata estimulada pelo mercado. Reusar, recuperar quer dizer adaptar o novo projeto ao existente, quer dizer condicionar o futuro ao presente.

Resíduos

A quantidade de resíduos a serem descartados deveria ser mínima. Os objetos deveriam ser usados, recuperados, reusados até serem reciclados. Sus quantidade deveria ser reduzida às reais necessidades e somente uma pequena parte deveria tornar-se resíduo e dos resíduos somente uma pequena parte seria descartada definitivamente.

Sustentabilidade

As alterações no meio ambiente começaram a ser percebidas de modo alargado desde o começo dos anos setenta, as políticas internacionais, comunitárias e frequentemente as nacionais indicaram as prioridades para sua solução desde a passagem dos oitenta para os noventa, o termo sustentabilidade aparece constantemente na mídia, mas as condições ambientais pioraram exponencialmente. As condições ambientais e sociais do planeta mostram que o modelo atualmente praticado não tem a capacidade de resolver os problemas encontrados. As soluções sustentáveis são aquelas que conservam e recuperam o meio ambiente, reduzindo os desperdícios e o consumo dos recursos naturais, reduzindo os descartes de resíduos. Isso é sustentabilidade.

Supermercados-hipermercados-shoppings

Instrumento para a venda de coisas inúteis a baixo preço. Em alguns casos os produtos são assim descartáveis que eles deveriam pagar para os clientes o custo do despejo do resíduo. A concentração das vendas está conectada à concentração da distribuição e da produção. São instrumentos para a concentração de riquezas e aumento do poder no embate com a comunidade onde eles impõem suas atividades. Isso desestrutura o tecido social tornando-o dependente dos macro-investimentos das corporações. A verdadeira economia não é comprar tantos produtos descartáveis, mas comprar menos, comprar de quem a gente já conhece, de quem tem capacidade para produzir aquela mercadoria, de quem trabalha nas proximidades.

O Capitalismo mata!!!

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Sustentabilidade: a escolha libertária V

Mais uma série de ações e medidas para reverter a degradação ambiental planetária e promover uma real sustentabilidade. Mostramos as falsas bases em que se construiu o discurso ambiental atual e a gestão ambiental corporativa.

Luxo

A sociedade de consumo induz à aquisição de mercadorias inúteis e cujos efeitos negativos no meio ambiente são gravíssimos e desnecessários. O luxo é um agravante a esta já insustentável condição. O luxo é vulgar porque é inútil. O luxo pé vulgar porque traz efeitos ambientais negativos que degradam os ecossistemas e trazem danos à saúde das pessoas. O luxo é vulgar porque demonstra, com a ignorância de quem o prático, como o mercado consegue extrair lucro de qualquer um: se os ricos não tivesse o luxo como fariam para gastar seu dinheiro?

Mercado

O mercado dos pequenos produtores, dos artesãos, das capacidades técnicas locais é bem vindo. O custo reduzido dos produtos industrializados pode ter um preço altíssimo em termos sociais e ambientais. O mercado analisa quanto que os indivíduos podem gastar desde seu nascimento e cria produtos vendáveis para todas as demandas da vida, desde os indispensáveis e necessários até as mercadorias inúteis, hiperdimensionadas e supérfluas. As corporações globais tem compreendido que talvez nunca consigam vender um automóvel ou um eletrodoméstico a todos os habitantes do planeta e portanto, trabalham para comercializar bens primários (água,grãos, etc.) ampliando assim os mercados dos produtos e dos processos industrializados e monopolísticos também sobre os mais pobres. Procurar ficar o quanto possível longe desse mercado.

Mobilidade

É um dos setores que mais contribui para as alterações climáticas do planeta e prejudica a saúde dos cidadãos. A mobilidade apresentada como sendo um elemento fundamental da liberdade individual é, ao contrário, a maior limitadora dela. O crescimento da mobilidade leva a uma configuração de assentamentos populacionais de baixa densidade e ao aumento da distância entre os lugares de residência , de trabalha, de passeio. A “liberdade” torna-se um dever: não é possível usar os serviços e os equipamentos sem se mover. Somos obrigados a nos mover. Começar a mover-se menos quando tivermos o poder da escolha (nas horas vagas), a mover-se menos para o trabalho (reduzindo os deslocamentos, otimizando os empregos), e procurar soluções de moradia coligadas às relações pessoais e o trabalho.

Meio Ambiente (natureza e sociedade)

As condições do meio ambiente estão diretamente ligadas à organização social da comunidade do entorno. As comunidades de coletores e de caçadores tem uma relação muito leve com os ecossistemas, não levam a produtividade ao colapso, mantem reduzidos o número da população, não acumulam. Uma sociedade que exalta a propriedade privada ou estatal dificilmente conseguirá garantir o uso comum dos bens e uma relação de não exploração dos ecossistemas. Uma sociedade global mercantil, autoritária, artificial, alienada como aquela definida pelo modelo econômico atualmente praticado, tem o acinte através de seus intelectuais de afirmar que a natureza é uma invenção social, valorizando-a como paisagem, domesticando-o como jardim, mas tornando-o em qualquer lugar dependendo da ação humana e valorizada somente se capaz de gerar lucro.

Normas

Nem sempre as normas ajudam a reduzir o impacto ambiental do ser humano. Ao contrário, frequentemente motivado pelas lógicas da produção definem comportamentos que são absolutamente contrários aos objetivos da qualidade ambiental. Fazem anos que se trabalha para reduzir a embalagens e contudo existem sérias normas sanitárias que obrigam os estabelecimentos a usarem embalagens descartáveis, ou, nos supermercados, previamente embalados. É essa normatização que facilita a difusão dos produtos descartáveis não penalizando-os pelos custos sociais e ambientais do descarte; é essa normatização que agilizam a industrialização definindo procedimentos para o controle de qualidade e modos de fabricação impraticáveis para os pequenos produtores e artesãos; é essa normatização que define os financiamentos para cultivos agrícolas estranhos ao meio (a soja), que regula o fornecimento de combustíveis para os veículos particulares, etc. As normas na sociedade de consumo não são criadas pelos cidadãos, nem pelos seus “representantes”, mas pelos grandes interesses corporativos cujas demandas não são pautadas pela bondade mas pela ampliação do mercado e dos lucros (privatização da água, da energia, do solo). Tenham cuidado com as normas para o meio ambiente.

OVM (Transgênicos)

Criados com a justificativa de responder às necessidades alimentares, respondem na realidade à exigência das grandes corporações produtoras em aumentarem a sua produtividade por hectare e de penetrarem no interior do mercado de sementes que atualmente é um segmento, em grande parte, ainda administrado diretamente pelos pequenos produtores. O aumento da produtividade por hectare, como sabido, não melhora as condições da alimentação do planeta, na medida em que o problema da alimentação está ligado à distribuição da produção (muitos países produzem excedentes que jogam fora), à concorrência (muitos países subsidiam os seus produtores o preço dos alimentos produzidos), à estrutura social no uso dos terrenos e portanto depende da produtividade local (as grandes urbanizações tronam as populações mais dependentes de alimentos externos). Os transgênicos não são úteis, podem ser danosos ao meio ambiente, são nocivos para as comunidades locais e para a biodiversidade natural.

Pesquisa

A maior parte da pesquisa é conduzida por entidades privadas que tem um interesse específico na definição de novas mercadorias. Da medicina até os equipamentos militares (que são os setores que mais empregam fundos de pesquisa) passando pelos cosméticos, aos transportes, à química fina e á construção civil, os sujeitos que têm maior disponibilidade econômica investem em pesquisa, não querendo esclarecer necessidades, mas somente os interesses específicos dos financiadores. Os êxitos da pesquisa não são respostas às exigências da população – mesmo porque a pesquisa se desenvolve segundo os mesmo critérios econômicos que regulam o modelo atual e definem seus limites – mas resultados que respondem ao máximo proveito do mercado promotor. Esta pesquisa é socialmente e ambientalmente útil somente em sua mínima parte. Se a pesquisa é capaz de resolver problemas então ela não pode deixar de considerar que a solução se encontra não em inventar mercadorias, mas em modificar sistemas sociais. A pesquisa qualitativa deve ser ligada aos interesses da sociedade, e em seu benefício, desenvolvendo não somente temas específicos mas trabalhando a interação entre a ciência e as formas como a sociedade vive.

Plásticos

Não existem materiais demonizáveis mas existem materiais cuja utilizarão é muita crítica do ponto de vista ambiental e social e o plástico é um destes. O plástico é derivado do petróleo que é seguramente o recurso cujo controle conduziu ao maior número de conflitos armados no último século; é um recurso em vias de se esgotar, altamente poluidor. É, portanto, um recurso social e ambiental muito negativo. O plástico é difundidíssimo pelas suas características que lhe rendem a produção muito simples, e a sua venda, devido aos custos de produção reduzidíssimos, permite a realização de lucros gigantescos. Abusamos do plástico: na construção civil, na decoração de interiores, nos objetos, nos instrumentos. Aonde se vai tem plástico em um número elevadíssimo de componentes diferentes, com aditivos de todos os tipos, tantos e tantos que nem nos é possível reconhecer o conjunto de substâncias presentes neles. Isso traz um gravíssimo problema na fase de produção (lançamento de resíduos contaminantes, risco de incêndio) e também em sua fase de descarte. O plástico além de tudo permite que grande parte dessa produção seja do tipo use e jogue fora, o que aumenta exponencialmente a quantidade de resíduos recicláveis. Reduzir a presença do plástico, assim como de todos os materiais poluidores, somente para suas funções absolutamente necessárias e indispensáveis leva à libertação de uma submissão, à retomada de soluções técnicas locais, à eliminação de uma grande quantidade de dejetos.

Produtos descartáveis

Uma das maiores aberrações da atualidade. Injustificada e incompreensível. Qual a vantagem que temos individualmente com um produto descartável? A possibilidade de não lavar louça, toalhas? E para os aparelhos de barbear? E para os isqueiros? Simplifica a ação? Mas qual é a dificuldade em recarregar um isqueiro? E que incomodo traz ir ao mercado com a nossa própria sacola? É ao contrário a busca pelo desapego em relação ao objeto e a redução de sua identidade específica que está na base da sociedade de consumo. Todos os objetos devem ser equivalentes de modo a poderem ser jogados fora e recomprados, geralmente o mesmo produto, para aumentar o mercado. O enorme custo em termos ambientais e econômicos do descarte desses materiais não justifica as frágeis vantagens de seu uso. Não usar produtos descartáveis.

População

O número de pessoas sobre a terra está em contínuo aumento. O aumento da população altera as relações com os recursos naturais. Em muitas áreas do planeta os habitantes são em quantidade muito superior às potencialidades dos lugares o que provoca limitações na produtividade alimentar dos territórios aráveis. A densidade aumenta, o espaço individual diminui, os espaços naturais começam a escassear tanto em quantidade como em qualidade, os comportamentos são sempre mais regulamentados, a produção torna-se industrializada. Uma demagogia política incentiva a reprodução sem necessidade, haja vista a quantidade de pessoas já existentes, e altera as relações entre as escolhas individuais, o prazer, o bem estar e a consciência coletiva. Podemos apontar alguns fatores que levaram ao aumento populacional desenfreado: o modelo econômico que quer a ampliação do mercado, as religiões que aumentam seus adeptos, as nações que engrandecem com o número de habitantes. Interesses, dogmas, medos, nada disto está ligado ao bem individual e coletivo.

Poupança

O dinheiro poupado tem um impacto ambiental menor do que aquele gerado pelo acúmulo de mercadorias. Enquanto a economia anterior à sociedade de consumo era baseada na poupança, a atual está empenhando todas as disponibilidades dos indivíduos na aquisição de bens, mesmo que se endividando para o futuro e comprando mercadorias inúteis. As mercadorias por um lado tornaram-se instrumento para extrair riqueza e por outro para acumulá-la: as duas são um desastre para o meio ambiente.

Qualidade/quantidade

Faz tempo que se tende a reduzir a estratégia de sustentabilidade ao aumento da eficiência das ações praticadas. A razão em curso diz que se um automóvel atual polui significativamente menos do que um carro de quarenta anos atrás, as condições do planeta tendem a melhorar. Mas ,um automóvel de quarenta anos atrás andava muito menos quilômetros por ano do que um atual, tinha uma vida muito mais longa (e, portanto, usava ao máximo a energia que lhe foi gasta durante a construção), e fazia parte de um parque automotivo que era uma parcela mínima do atual. O aumento da qualidade das mercadorias é condição necessária mas não suficiente para a solução de nossos problemas. A ela tem que ser aplicada uma significativa redução da quantidade de mercadorias.

Tradução de Carlo Romani.

Leia na íntegra em http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

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Sustentabilidade: a escolha libertária IV

Continuamos nossa série para um mundo verdadeiramente sustentável. Não se preocupe, isso não é para já, mas se quisermos num futuro não tão distante continuar vivendo na Terra sem ter que exterminar alguns bilhões de habitantes (como os tecno-fascistas do poder global já planejam) estas práticas devem ser adotadas. Nos chamam de loucos, utópicos, que queremos voltar a ser índios. Não. As propostas apresentadas são o resultado da mais ampla capacidade humana de convívio ambientalmente harmônico. Por isso junte-se a nós: PARA SALVAR O PLANETA É PRECISO DESTRUIR O CAPITALISMO.

Eficiência (aumento da)

Termo definido em âmbito industrial com base na demanda de parte da sociedade para reduzir os efeitos negativos da produção e em relação à crise do petróleo dos anos setenta e da consequente necessidade de reduzir o consumo de energia. A eficiência prevê que as mercadorias sejam substituídas por outras em um contínuo melhoramento da eficiência (requisitada também pelas regras de qualidade dos produtos). Dessa maneira, “novas” mercadorias substituem “velhas” mercadorias, com a mesma função e com as antigas ainda funcionando. O uso instrumental desse conceito permitiu o aumento de novos segmentos de mercado (as pessoas compram mais vezes o mesmo produto em níveis de eficiência sempre superiores) demandando, porém, uma enorme quantidade de energia e produzindo paralelamente uma enorme quantidade de resíduos e dejetos. Dado que o aumento da eficiência vem qualificado sobre cada unidade de produto, a vantagem da melhor eficiência alcançada com o melhoramento do produto, é absorvido e ultrapassado pela desvantagem do aumento da quantidade de produtos em uso. Não cair na armadilha da pseudo eficiência, nem nos juízos de qualidade sobre as mercadorias nem em sua aquisição; manter as mercadorias pelo tempo mais longo possível verificando sua efetiva funcionalidade em função de suas necessidades. A melhor eficiência é a redução do consumo de mercadorias.

Equilíbrio

A quase totalidade dos assentamentos humanos não está em equilíbrio com o meio ambiente; consomem uma quantidade de energia superior àquela disponível localmente, emitem contaminantes de diferentes tipos e em quantidades superiores à capacidade de recuperação dos ecossistemas. O conjunto dos assentamentos humanos e da atividade planetária consome recursos e produz emissões em quantidades superiores à capacidade de suporte do planeta. A situação encontra-se em total desiquilíbrio tanto localmente quanto globalmente. O futuro dos ecossistemas naturais está comprometido ,mas também o futuro da vida humana que depende da natureza para viver. O risco de colapso aumenta com o tempo e com a manutenção das características do modelo econômico e social praticado e o crescimento exponencial dele. Recolocar em equilíbrio os assentamentos humanos com os recursos utilizados em escala local, conectando os consumos aos recursos naturais realmente disponíveis, diversificando-os em função das características dos lugares e, portanto, de sua produtividade, surge como um elemento indispensável para pensar em um futuro planeta sustentável.

Esgotamento dos solos

Assentamentos agropecuários e infraestruturas agrícolas se expandem ocupando todos os terrenos. As áreas ocupadas perdem suas potencialidades ecológicas, não são biologicamente produtivas. As áreas ocupadas tornam-se desertos dentro de ecossistemas que tem todo outro tipo de capacidades, áreas de difícil recuperação natural, que permanecem desflorestadas no tempo e são diretamente responsáveis pelo aquecimento global. Essa condição agrava-se quando ocorre nos territórios que tenham maior produtividade agrícola. As grandes quantidades de solo.

Especialização dos espaços

Os espaços físicos do planeta são utilizados para a produção de alimentos, sob gestão das grandes corporações de produção e distribuição do agronegócio de modo especializado. Em um lugar se produz soja, no outro trigo. A monocultura destrói as comunidades locais criando um mercado que elas não podem controlar, limitam sua autonomia alimentar, as empobrecem tecnicamente e culturalmente, fazendo com que desapareçam nessa reconfiguração do processo distributivo global. A recusa das áreas especializadas de produção é a garantia da autonomia das comunidades locais. As multiculturas, a manutenção das capacidades técnicas gerais e das produções específicas de cada lugar, não somente ajudam a sociedade, como também conservam a diversidade biológica e a qualidade ambiental.

Fontes renováveis

O uso da energia de fontes renováveis deve ser acompanhado da contínua diminuição das emissões das fontes não renováveis e de uma significativa redução do consumo.

Frear a velocidade

Fazer menos coisas, diminuir a velocidade da vida pode ajudar a aumentar a consciência do que se faz. Provavelmente aumentaria a possibilidade de que os processos decisórios sejam participativos, com certeza reduziria o consumo de recursos e a quantidade de emissões.

Globalização

É um mecanismo inventado e sustentado pelas maiores corporações econômicas para aumentar as trocas, concentrar a produção e a gestão do mercado, e fazer crescer exponencialmente os lucros. A globalização é defendida por intelectuais que, ignorando a condição de desastre em curso, a consideram como o modelo de crescimento cultural e social do planeta. Globalização é o não lugar, onde o indivíduo não tem peso, onde o indivíduo, padronizado, interpreta o papel de máquina, onde a comunidade não existe, onde existe um governo econômico que dita as regras sociais. Não comprar produtos globalizados, não utilizar soluções globalizadas, prestar atenção às capacidades produtivas locais, às características sociais das mercadorias , às comunidades.

Habitar

A cultura contemporânea desestruturou o sentido desta palavra parcelando a atividade que compõem uma jornada: uma zona onde se dorme, uma onde se trabalha, outra onde nos divertimos, etc.: a completude da habitação se perdeu com o desenvolvimento das ações produtivas e comerciais (aquisição e consumo). Os territórios são ignorados, não há ligação com eles, desconhecemos o meio ambiente e as pessoas que nos cercam, nem ao menos aquela consciência simples e eficaz do próprio lugar que tinham as culturas tradicionais. Os lugares são pré-fabricados pelos interesses econômicos (vejam os centros comerciais, os hipermercados, as salas multiuso, etc.) e são padronizados à imagem do comércio da atualidade. Neles os indivíduos tem somente a função de compradores d mercadorias, mas não podem contribuir para sua construção e para o seu uso. Desse modo não moramos mais nos lugares porque não existe mais uma relação com o espaço em que vivemos. Participar ativamente da definição dos espaços construídos, recusar as compras nos centros comerciais, nos hipermercados, recusar a cadeia produtiva que uniformiza a alimentação, a arquitetura dos espaços, o próprio espaço de vida, é a luta a ser empreendida.

Iluminação

O planeta é muito iluminado de modo artificial; a noite desapareceu nas cidades. Reduzir a iluminação, (re)escurecer a noite.

Indústria

Sistema produtivo que precisa de uma profunda revisão ambiental e social. A partir da redefinição da real necessidade das mercadorias, da relação geográfica entre os lugares de produção e de uso, da redução do deslocamento das mercadorias. A indústria é uma modalidade produtiva que não precisamos abandonar, desde que suas finalidades sejam realocadas do domínio econômico para o domínio social e ambiental.

Industrialização

O objetivo da industrialização não é o de produzir mercadorias, mas o de gerar lucros: as mercadorias são excedentes, os processos produtivos poluidores e socialmente desestruturados, a qualidade dos produtos é reduzida, a duração predefinida é limitada. A industrialização é o principal fundamento do mercado global e produz resíduos como se fossem mercadorias. A industrialização da sociedade levou a modelos de organização social da vida que seguem os mesmos critérios estabelecidos pela produção na indústria: divisão por etapas, fraccionamento das contribuições individuais, desconhecimento do processo como um todo, controles de qualidade auto-referenciados e setoriais. Precisamos desindustrializar as nossas mentes e utilizar somente os produtos industriais que sirvam e garantam a qualidade ambiental e social desejadas sem sermos reféns da cultura industrial.

Infraestrutura

Se quisermos aumentar a mobilidade das mercadorias e das pessoas, privilegiando os deslocamentos, não é necessário discutir o aumento da infraestrutura. Dado que não existe um limite estabelecido para a satisfação humana, nem para quão rápido se façam os percursos, nem para a quantidade de deslocamentos feitos, torna-se evidente que, perseguindo este modelo, as infraestruturas nunca serão suficientes. A cada aumento da infraestrutura existente corresponde sempre uma maior dependência delas. Por exemplo, a construção de rodovias facilita o uso de automóveis e portanto leva ao contínuo aumento da mobilidade sobre rodas (particular e de carga), das emissões de poluentes, dos consumos de energia, das alterações no meio ambiente, dos danos à saúde dos cidadãos e favorecerá o parcelamento dos assentamentos humanos e a concentração da produção. A atual mobilidade humana é exagerada e é gerada pela especulação imobiliária (que obriga as pessoas de menor renda a distanciarem-se das cidades já consolidadas) e pelo deslocamento das mercadorias (cuja produção sendo concentrada necessita de ser transportada para os locais onde os monopólios levaram à falência os pequenos produtores locais). Opor-se ao aumento da infraestrutura (em particular àquela rodoviária e aeroportuária, além dos trens de alta velocidade) quer dizer opor-se ao modelo econômico produtivo e de ocupação, limitando seu desenvolvimento.

Inovações tecnológicas

O novo assumiu um valor positivo absoluto. No marketing das mercadorias tornou-se um valor favorável independentemente da real qualidade do produto. A consideração positiva sobre o que é novo aplica-se indistintamente a todas as ações e produtos da sociedade contemporânea com tal intensidade que inovação tornou-se um tema de interesse prioritário. A inovação útil é aquela que melhora a qualidade ambiental e social das ações, dos processos, dos produtos valorizando não somente os efeitos com a totalidade da ação efetuada. É necessário enfrentar o tema da inovação com toda a crítica disponível para se verificar quais as reais vantagens que um modelo novo tem, sem sermos entusiastas per si da novidade, conscientes de que atrás desse entusiasmo induzido se escondem os problemas que a inovação tecnológica traz.

Extraído de http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

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