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Projeto Ciclovida: em busca das sementes naturais.

Projeto Ciclovida: uma aventura de Inacio e Ivania, dois caboclos brasileiros que desvelam o crime cometido pelas grandes corporacoes de alimentos e agrotoxicos e pelos laboratorios de pesquisa de transgenicos contra a producao de alimentos.
Lifecycle é um documentário narrativo que segue um grupo de pequenos agricultores de Ceará numa viagem atravessando o continente da América do Sul de bicicleta, na campanha de resgate das sementes naturais. Os viajantes documentam a dominação dos agrocombustíveis no campo e o deslocamento de milhões de pequenos agricultores e comunidades indígenas.

www.Ciclovida.org

O Brasil é responsável por 12% das lavouras geneticamente modificadas no mundo. É o que mostra estudo divulgado pelo Serviço Internacional para a Agrobiotecnologia. Os viajantes documentam a dominação dos agrocombustíveis no campo e o deslocamento de milhões de pequenos agricultores e comunidades indígenas. Cultivos e matas nativas estão sendo substituídos por desertos verdes de monoculturas transgênicas onde nada mais, planta ou animal, pode sobreviver aos agrotóxicos. O documentário faz parte do projeto Ciclovida e foi produzido por Matt Feinstein e Loren Feinstein com colaborações de ativistas brasileiros.

Lifecycle foi escolhido melhor documentário na categoria conservação do Green Screen Environmental Festival Film/2010 e selecionado para o Blue Planet Film Fest em Los Angeles, EUA e Byron Bay Film Festival em Australia.

Acompanhe o blog do CAVE, em breve Lifecycle sera exibido aqui em Santos.

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KIWICHA: a planta sagrada dos Incas desafia a gigante Monsanto!

Nossa companheira Guadalupe traduziu do espanhol esta noticia que esta se espalhando pelo mundo.

Panico entre agricultores dos Estados Unidos. A transnacional de sementes transgênicas não sabe o que fazer com o amaranto (kiwicha) que vem acabando com seus cultivos de soja.

Nos Estados Unidos os agricultores estão tendo que abandonar cinco mil hectares de soja transgênica e outras cinquenta mil estão sendo gravemente ameaçadas. Esse panico se deve a uma “erva daninha”, o amaranto (conhecida no Peru como kiwicha) que decidiu opor-se a transnacional Monsanto, tristemente célebre por sua produção e comercialização de sementes transgênicas.  Em 2004 um agricultor de Atlanta comprovou que alguns brotos de amaranto resistiam ao poderoso herbicida Roundup. Os campos vítimas desta invasora “erva daninha” haviam sido semeados com grãos Roundup Ready, que continham uma semente que havia recebido um gene de resistência ao herbicida.  Desde então a situação piorou e o fenômeno se estendeu a Carolina do Sul e do Norte, Arkansas, Tennessee e Missouri. Segundo um grupo de cientistas britânicos do Centro para a Ecologia e Hidrologia, se produziu uma transferência de genes entre a planta modificada geneticamente e algumas ervas indesejáveis como o amaranto. Esta constatação contradiz as afirmacões dos defensores dos organismos geneticamente modificados(OMG): uma hibridação entre uma planta modificada geneticamente e uma planta não modificada e simplesmente “impossível”.  Segundo o genetista britânico Brian Johnson, “basta um só cruzamento  entre várias milhões de possibilidades. Uma vez criada, a nova planta possuí uma enorme vantagem seletiva e se multiplica rapidamente. O potente herbicida que se utiliza aqui, Roundup, a base de glifosato e de amônio, exerceu uma pressão enorme sobre as plantas, as quais tem aumentado ainda mais a velocidade de adaptação”. Assim, aparentemente um gene de resistência aos herbicidas deu nascimento a uma planta híbrida surgida de um salto entre um grão que se supõe que a protege e o humilde amaranto, que se torna impossível de eliminar.    A única solução e arrancar a mão as ervas daninhas, como se fazia antigamente, porem isto já não e possível dadas as enormes dimensões dos cultivos. Alem, de estar profundamente arraigadas, estas ervas são muito difíceis de arrancar por isso, simplesmente, as terras foram abandonadas.

Transgênicos suportam um efeito bumerangue

O diário inglês The Guardian publicou uma matéria de Paul Brown que revelou que os genes modificados de cereais haviam passado para plantas selvagens e criado um “super-grão” resistente aos herbicidas, algo “inconcebível” para os defensores das sementes transgênicas. Resulta divertido constatar que o amaranto, o kiwicha, considerado agora uma planta “diabólica” para a agricultura transgênica, era uma planta sagrada para os incas. E um dos alimentos mais antigos do mundo. Cada planta produz uma media de 12.000 grãos ao ano e as folhas, mais ricas em proteínas que a soja, contem vitaminas A, C e sais minerais.  Assim esse bumerangue, devolvido pela natureza a transnacional Monsanto, não só neutraliza este predador, comocoloca em seus domínios uma planta que poderia alimentar a humanidade em caso de fome. Suporta a maioria dos climas, tanto em regiões secas como nas zonas de monções e nas terras altas tropicais, e no tem problemas nem com os insetos nem com as enfermidades por isto nunca necessitará de produtos químicos.

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Sustentabilidade: a escolha libertária VI (fim)

Concluimos com a lista a seguir, a analise dos problemas trazidos ao meio ambiente pela economia capitalista contemporanea e as acoes que podemos fazer para mudar o sistema (a verdadeira sustentabilidade). Uma pequena receita do que voce pode fazer ja.

Compre menos e nao compre descartaveis

Nao compre em grandes redes de hipermercados

Compre no pequeno comercio local

Ande a pe, de bicicleta, de transporte coletivo

Conheca o fornecedor dos produtos alimenticios

Assim que for possivel mude para uma cidade menor e se fixe nela

Procure lazer na natureza e no convivio com as pessoas, poupe seu dinheiro

Poupando mais pode-se trabalhar menos

Trabalhando menos temos mais tempo para levar uma vida sustentavel

Fuja dos espacos privados ocupe os espacos publicos

Nao caia no conto da tecnologia use seus equipamentos ate o limite

Nao reclame dos outros e nao diga que nao tem jeito. Sua acao e importante.

Informe-se, propague estas ideias, desperte e liberte quem esta viciado na teia do consumo

Recursos

Apesar do termo, a palavra “recursos” indica uma visão do meio ambiente voltada para sua transformação ou utilização, desde que observada do ponto de vista utilitário para a espécie humana: é possível um uso dos recursos que não comprometa nem degrade o meio ambiente. O modelo atual os usa enquanto têm viabilidade econômica e, portanto, muito além do limite de uso que permitiria manter as potencialidades desses recursos. Isso é favorecido pela falta de controle das comunidades locais sobre seus próprios recursos e da gestão empresarial deles. A gestão dos recursos no mundo atual é delicada. Eles estão em contínua redução, em estado de alteração, insuficientes para garantir o consumo e a sobrevivência de uma população mundial em contínuo crescimento. Colocar os recursos existentes em relação direta com as comunidades locais, desenvolvendo uma gestão coletiva e definindo o consumo em função de sua disponibilidade, mostra-se, não somente um modo de manter a diversidade cultural e ambiental como permite também seu uso de modo sustentável.

Reutilização

Para permitir a manutenção da cota de mercado inútil e super-dimensionada em relação às necessidades este modelo sustentou, através da comunicação de marketing, técnica e científica, a vantagem do novo sobre o usado. Objetos e materiais usados assumiram um valor menor, de reuso; são rapidamente considerados obsoletos e tornam-se resíduos. Essa é uma incrível perda de riqueza e energia e a criação de um problema, aquele do descarte. Da mobília doméstica ao vestuário, passando por automóveis e apetrechos, os objetos respondem a uma imaginação abstrata estimulada pelo mercado. Reusar, recuperar quer dizer adaptar o novo projeto ao existente, quer dizer condicionar o futuro ao presente.

Resíduos

A quantidade de resíduos a serem descartados deveria ser mínima. Os objetos deveriam ser usados, recuperados, reusados até serem reciclados. Sus quantidade deveria ser reduzida às reais necessidades e somente uma pequena parte deveria tornar-se resíduo e dos resíduos somente uma pequena parte seria descartada definitivamente.

Sustentabilidade

As alterações no meio ambiente começaram a ser percebidas de modo alargado desde o começo dos anos setenta, as políticas internacionais, comunitárias e frequentemente as nacionais indicaram as prioridades para sua solução desde a passagem dos oitenta para os noventa, o termo sustentabilidade aparece constantemente na mídia, mas as condições ambientais pioraram exponencialmente. As condições ambientais e sociais do planeta mostram que o modelo atualmente praticado não tem a capacidade de resolver os problemas encontrados. As soluções sustentáveis são aquelas que conservam e recuperam o meio ambiente, reduzindo os desperdícios e o consumo dos recursos naturais, reduzindo os descartes de resíduos. Isso é sustentabilidade.

Supermercados-hipermercados-shoppings

Instrumento para a venda de coisas inúteis a baixo preço. Em alguns casos os produtos são assim descartáveis que eles deveriam pagar para os clientes o custo do despejo do resíduo. A concentração das vendas está conectada à concentração da distribuição e da produção. São instrumentos para a concentração de riquezas e aumento do poder no embate com a comunidade onde eles impõem suas atividades. Isso desestrutura o tecido social tornando-o dependente dos macro-investimentos das corporações. A verdadeira economia não é comprar tantos produtos descartáveis, mas comprar menos, comprar de quem a gente já conhece, de quem tem capacidade para produzir aquela mercadoria, de quem trabalha nas proximidades.

O Capitalismo mata!!!

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Sustentabilidade: a escolha libertária IV

Continuamos nossa série para um mundo verdadeiramente sustentável. Não se preocupe, isso não é para já, mas se quisermos num futuro não tão distante continuar vivendo na Terra sem ter que exterminar alguns bilhões de habitantes (como os tecno-fascistas do poder global já planejam) estas práticas devem ser adotadas. Nos chamam de loucos, utópicos, que queremos voltar a ser índios. Não. As propostas apresentadas são o resultado da mais ampla capacidade humana de convívio ambientalmente harmônico. Por isso junte-se a nós: PARA SALVAR O PLANETA É PRECISO DESTRUIR O CAPITALISMO.

Eficiência (aumento da)

Termo definido em âmbito industrial com base na demanda de parte da sociedade para reduzir os efeitos negativos da produção e em relação à crise do petróleo dos anos setenta e da consequente necessidade de reduzir o consumo de energia. A eficiência prevê que as mercadorias sejam substituídas por outras em um contínuo melhoramento da eficiência (requisitada também pelas regras de qualidade dos produtos). Dessa maneira, “novas” mercadorias substituem “velhas” mercadorias, com a mesma função e com as antigas ainda funcionando. O uso instrumental desse conceito permitiu o aumento de novos segmentos de mercado (as pessoas compram mais vezes o mesmo produto em níveis de eficiência sempre superiores) demandando, porém, uma enorme quantidade de energia e produzindo paralelamente uma enorme quantidade de resíduos e dejetos. Dado que o aumento da eficiência vem qualificado sobre cada unidade de produto, a vantagem da melhor eficiência alcançada com o melhoramento do produto, é absorvido e ultrapassado pela desvantagem do aumento da quantidade de produtos em uso. Não cair na armadilha da pseudo eficiência, nem nos juízos de qualidade sobre as mercadorias nem em sua aquisição; manter as mercadorias pelo tempo mais longo possível verificando sua efetiva funcionalidade em função de suas necessidades. A melhor eficiência é a redução do consumo de mercadorias.

Equilíbrio

A quase totalidade dos assentamentos humanos não está em equilíbrio com o meio ambiente; consomem uma quantidade de energia superior àquela disponível localmente, emitem contaminantes de diferentes tipos e em quantidades superiores à capacidade de recuperação dos ecossistemas. O conjunto dos assentamentos humanos e da atividade planetária consome recursos e produz emissões em quantidades superiores à capacidade de suporte do planeta. A situação encontra-se em total desiquilíbrio tanto localmente quanto globalmente. O futuro dos ecossistemas naturais está comprometido ,mas também o futuro da vida humana que depende da natureza para viver. O risco de colapso aumenta com o tempo e com a manutenção das características do modelo econômico e social praticado e o crescimento exponencial dele. Recolocar em equilíbrio os assentamentos humanos com os recursos utilizados em escala local, conectando os consumos aos recursos naturais realmente disponíveis, diversificando-os em função das características dos lugares e, portanto, de sua produtividade, surge como um elemento indispensável para pensar em um futuro planeta sustentável.

Esgotamento dos solos

Assentamentos agropecuários e infraestruturas agrícolas se expandem ocupando todos os terrenos. As áreas ocupadas perdem suas potencialidades ecológicas, não são biologicamente produtivas. As áreas ocupadas tornam-se desertos dentro de ecossistemas que tem todo outro tipo de capacidades, áreas de difícil recuperação natural, que permanecem desflorestadas no tempo e são diretamente responsáveis pelo aquecimento global. Essa condição agrava-se quando ocorre nos territórios que tenham maior produtividade agrícola. As grandes quantidades de solo.

Especialização dos espaços

Os espaços físicos do planeta são utilizados para a produção de alimentos, sob gestão das grandes corporações de produção e distribuição do agronegócio de modo especializado. Em um lugar se produz soja, no outro trigo. A monocultura destrói as comunidades locais criando um mercado que elas não podem controlar, limitam sua autonomia alimentar, as empobrecem tecnicamente e culturalmente, fazendo com que desapareçam nessa reconfiguração do processo distributivo global. A recusa das áreas especializadas de produção é a garantia da autonomia das comunidades locais. As multiculturas, a manutenção das capacidades técnicas gerais e das produções específicas de cada lugar, não somente ajudam a sociedade, como também conservam a diversidade biológica e a qualidade ambiental.

Fontes renováveis

O uso da energia de fontes renováveis deve ser acompanhado da contínua diminuição das emissões das fontes não renováveis e de uma significativa redução do consumo.

Frear a velocidade

Fazer menos coisas, diminuir a velocidade da vida pode ajudar a aumentar a consciência do que se faz. Provavelmente aumentaria a possibilidade de que os processos decisórios sejam participativos, com certeza reduziria o consumo de recursos e a quantidade de emissões.

Globalização

É um mecanismo inventado e sustentado pelas maiores corporações econômicas para aumentar as trocas, concentrar a produção e a gestão do mercado, e fazer crescer exponencialmente os lucros. A globalização é defendida por intelectuais que, ignorando a condição de desastre em curso, a consideram como o modelo de crescimento cultural e social do planeta. Globalização é o não lugar, onde o indivíduo não tem peso, onde o indivíduo, padronizado, interpreta o papel de máquina, onde a comunidade não existe, onde existe um governo econômico que dita as regras sociais. Não comprar produtos globalizados, não utilizar soluções globalizadas, prestar atenção às capacidades produtivas locais, às características sociais das mercadorias , às comunidades.

Habitar

A cultura contemporânea desestruturou o sentido desta palavra parcelando a atividade que compõem uma jornada: uma zona onde se dorme, uma onde se trabalha, outra onde nos divertimos, etc.: a completude da habitação se perdeu com o desenvolvimento das ações produtivas e comerciais (aquisição e consumo). Os territórios são ignorados, não há ligação com eles, desconhecemos o meio ambiente e as pessoas que nos cercam, nem ao menos aquela consciência simples e eficaz do próprio lugar que tinham as culturas tradicionais. Os lugares são pré-fabricados pelos interesses econômicos (vejam os centros comerciais, os hipermercados, as salas multiuso, etc.) e são padronizados à imagem do comércio da atualidade. Neles os indivíduos tem somente a função de compradores d mercadorias, mas não podem contribuir para sua construção e para o seu uso. Desse modo não moramos mais nos lugares porque não existe mais uma relação com o espaço em que vivemos. Participar ativamente da definição dos espaços construídos, recusar as compras nos centros comerciais, nos hipermercados, recusar a cadeia produtiva que uniformiza a alimentação, a arquitetura dos espaços, o próprio espaço de vida, é a luta a ser empreendida.

Iluminação

O planeta é muito iluminado de modo artificial; a noite desapareceu nas cidades. Reduzir a iluminação, (re)escurecer a noite.

Indústria

Sistema produtivo que precisa de uma profunda revisão ambiental e social. A partir da redefinição da real necessidade das mercadorias, da relação geográfica entre os lugares de produção e de uso, da redução do deslocamento das mercadorias. A indústria é uma modalidade produtiva que não precisamos abandonar, desde que suas finalidades sejam realocadas do domínio econômico para o domínio social e ambiental.

Industrialização

O objetivo da industrialização não é o de produzir mercadorias, mas o de gerar lucros: as mercadorias são excedentes, os processos produtivos poluidores e socialmente desestruturados, a qualidade dos produtos é reduzida, a duração predefinida é limitada. A industrialização é o principal fundamento do mercado global e produz resíduos como se fossem mercadorias. A industrialização da sociedade levou a modelos de organização social da vida que seguem os mesmos critérios estabelecidos pela produção na indústria: divisão por etapas, fraccionamento das contribuições individuais, desconhecimento do processo como um todo, controles de qualidade auto-referenciados e setoriais. Precisamos desindustrializar as nossas mentes e utilizar somente os produtos industriais que sirvam e garantam a qualidade ambiental e social desejadas sem sermos reféns da cultura industrial.

Infraestrutura

Se quisermos aumentar a mobilidade das mercadorias e das pessoas, privilegiando os deslocamentos, não é necessário discutir o aumento da infraestrutura. Dado que não existe um limite estabelecido para a satisfação humana, nem para quão rápido se façam os percursos, nem para a quantidade de deslocamentos feitos, torna-se evidente que, perseguindo este modelo, as infraestruturas nunca serão suficientes. A cada aumento da infraestrutura existente corresponde sempre uma maior dependência delas. Por exemplo, a construção de rodovias facilita o uso de automóveis e portanto leva ao contínuo aumento da mobilidade sobre rodas (particular e de carga), das emissões de poluentes, dos consumos de energia, das alterações no meio ambiente, dos danos à saúde dos cidadãos e favorecerá o parcelamento dos assentamentos humanos e a concentração da produção. A atual mobilidade humana é exagerada e é gerada pela especulação imobiliária (que obriga as pessoas de menor renda a distanciarem-se das cidades já consolidadas) e pelo deslocamento das mercadorias (cuja produção sendo concentrada necessita de ser transportada para os locais onde os monopólios levaram à falência os pequenos produtores locais). Opor-se ao aumento da infraestrutura (em particular àquela rodoviária e aeroportuária, além dos trens de alta velocidade) quer dizer opor-se ao modelo econômico produtivo e de ocupação, limitando seu desenvolvimento.

Inovações tecnológicas

O novo assumiu um valor positivo absoluto. No marketing das mercadorias tornou-se um valor favorável independentemente da real qualidade do produto. A consideração positiva sobre o que é novo aplica-se indistintamente a todas as ações e produtos da sociedade contemporânea com tal intensidade que inovação tornou-se um tema de interesse prioritário. A inovação útil é aquela que melhora a qualidade ambiental e social das ações, dos processos, dos produtos valorizando não somente os efeitos com a totalidade da ação efetuada. É necessário enfrentar o tema da inovação com toda a crítica disponível para se verificar quais as reais vantagens que um modelo novo tem, sem sermos entusiastas per si da novidade, conscientes de que atrás desse entusiasmo induzido se escondem os problemas que a inovação tecnológica traz.

Extraído de http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

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Sustentabilidade: a escolha libertária III

Para aqueles que acham que os anarquistas somente fazem críticas, continuamos com nossa série de ações de A a Z a serem empreendidas para garantir um mundo equilibrado, responsável, igualitário, livre e sustentável.

Carne e combustíveis

É um dado conhecido que em cada passagem da cadeia alimentar grande parte da energia não é transferida para o elo seguinte: por exemplo, cada porco produz cinquenta quilogramas de proteínas consumindo setecentos e cinquenta quilogramas de proteínas vegetais. Resumindo,para produzir carne nas quantidades consumidas atualmente é utilizada uma quantidade de alimentos vegetais que sozinhos serviriam com folga às necessidades alimentícias de todos os habitantes do planeta. O aumento do consumo de carne portanto tem implicado , além das modificações do panorama agroflorestal e social de muitos países, o desperdício de potencialidades nutritivas enormes. A produção de combustíveis vegetais, caso mais recente, segue pelo mesmo caminho: além de aumentar o preço dos cereais em todos os mercados, colocando em dificuldade os consumidores mais pobres e somente trazendo vantagens para os produtores mais ricos, implica no uso de alimentos para a combustão, perdendo nessa transformação uma enorme quantidade de energia. Usar a produção agrícola somente para alimentação, reduzir a cadeia proteica, é a garantia de utilizar ao máximo as potencialidades dos ecossistemas naturais e da energia nelas existente.

Casas nos subúrbios

Modelo de urbanização que prevê a residência em locais afastados com uma casa de dimensões maiores do que o necessário, jardim, com todas as estruturas que as possibilidades econômicas permitem, e o trabalho na cidade. Um desperdício ambiental enorme, em termos de consumo de recursos, e de consumo energético para os deslocamentos. Para respirar um ar mais puro se percorre dezenas de quilômetros de carro, poluindo, uma das causas das alterações na atmosfera, diretamente provocadas pelo afastamento dos centros urbanos. Frequentemente não é uma escolha (as casas custam menos quanto mais distantes estão do centro) mas se fosse uma escolha seria ambientalmente e socialmente nociva. Deveríamos trabalhar no lugar e na comunidade em que se reside e permanecermos ali.

Causa-efeito

O modelo econômico e social praticado intervêm somente sobre os efeitos; dessa maneira, não faz autocrítica, nem modifica os comportamentos já consolidados criando novas mercadorias e ampliando o mercado existente; intervir nas causas obrigaria ao contrário, a uma mudança das práticas comuns e a uma redução na oferta de mercadorias. Cada ação eficaz voltada para a sustentabilidade trabalha sobre as causas e no caso, simultaneamente, para a redução dos efeitos.

Comunidade

Restabelecer as relações diretas entre os indivíduos e os recursos locais é o meio para reequilibrar a relação entre a população e o meio ambiente. Os indivíduos não tem consciência dos efeitos negativos que o seu comportamento produz em outros lugares; nem compreendem a importância da gestão adequada dos recursos existentes em seu território. Para refazer as relações deve-se sustentar a economia local, não sucumbir ao mercado global, e ampliar o espaço para a capacidade técnica e criativa dos indivíduos. O lugar social onde isso pode ocorrer são as comunidades de indivíduos, entendo isso como comunidades geográficas ou territoriais, autogestionadas, culturalmente homogêneas, mas não fechadas, economicamente e socialmente autônomas, capazes de administrar diretamente, em comum acordo, e de modo sustentável os recursos e o meio ambiente.

Comunidade aberta e identidade

O modelo econômico contemporâneo, para permitir a comercialização das mercadorias globalmente e de modo padronizado, desestrutura as comunidades locais. A cultura local é estreitamente ligada aos lugares, no sentido de que se alimenta da estreita relação existente entre o indivíduo e o meio ambiente em que ele está inserido. O distanciamento dessa relação aumenta o impacto ambiental na comunidade no lugar onde ela está estabelecida. A manutenção de uma cultura local é a única garantia par a permanência da comunidade e das relações entre essa e o meio ambiente. Isso não implica na criação de comunidades fechadas, nem na reorganização de antigas limitações sociais para a circulação de pessoas, implica exclusivamente na oportunidade de reencontrar um equilíbrio local, de sair do mercado capitalista e de suas imposições culturais, de conservar uma identidade; e tudo isso é possível através de uma contínua e positiva, mas autônoma, troca com as comunidades externas.

Concorrência/mercado livre

O desastre ambiental é detonado por uma hiperprodução que tenta reduzir os custos e ocupar segmentos de mercado sobre outros produtores. Desse modo, se produzem mercadorias desnecessárias (como o são grande parte daquelas produzidas na sociedade de consumo) que não satisfazem os consumidores (como grande parte daquelas da sociedade de consumo) e em quantidades muitas vezes superiores ás demandas do mercado (já inchado) em razão da grande quantidade de produtores. Essa condição é uma aberração no mercado global mas poderia não o ser em níveis locais onde os produtores produzem basicamente para as comunidades onde residem em função de suas demandas (limitando dessa forma o desperdício de energia para a fabricação, distribuição e comercialização).

Consumidores

A diferença entre um indivíduo e um consumidor é definida pelo nível de crítica apresentada em relação às promoções comerciais e à quantidade de mercadorias adquiridas. Na sociedade contemporânea não ser um consumidor é muito difícil mas a mudança de comportamento é a primeira garantia para a limitação do mercado global e para a redução do “peso ambiental” de nossa presença no planeta.

Consumo

Na sociedade de consumo as mercadorias não se consomem: são reduzidas a dejetos sem serem usadas completamente. A sociedade é portanto uma sociedade de resíduos, de descarte rápido das mercadorias, de desapego sentimental em relação aos bens utilizados. Os objetos são todos diferentes mas tornam-se indiferentes a quem os usa, e vem substituídos rapidamente sem deixar memória, somente uma profunda herança física (aquela do resíduo). Reduzir as compras, reduzir o consumo de mercadorias, manter os objetos por mais tempos, reutilizar objetos, gastá-los até seu fim, consertá-los, torna-se indispensável para frear uma produtividade que não nos traz nenhum bem estar.

Crescimento

O perseguição do crescimento é substancial para este modelo econômico e cultural. A riqueza dos países e das corporações é medida em quantidade de produto bruto e pela capacidade de aumentá-lo ano após ano. Mas os mesmos critérios governam a vida dos indivíduos. O crescimento individual advém quando a condição sucessiva é quantitativamente superior àquela precedente; quando existe a possibilidade econômica são substituídas as condições materiais por outras de maior quantidade (a casa de tamanho maior, o automóvel de maior cilindrada, o computador mais potente, etc.) Pois, o ilimitado crescimento material apesar de todos os esforços tecnológicos que possam ser feitos, não é praticável pelo fato de que, ao contrário, os recursos naturais, são limitados. Além da evidente inutilidade do crescimento quantitativo é oportuno considerar que não é possível perseguir o objetivo do crescimento; existe um limite que, por mais distante, que o queiramos colocar (mas que nós aqui o entendemos como estando muito, muito próximo), ele existe e ao ser alcançado implicará no bloqueio do crescimento. É, portanto, fundamental transformar o comportamento cultural repensando não somente a vida dos indivíduos mas também aquela da produção que deveria retirar as suas vantagens da qualidade da produção e não de sua quantidade, na continuidade temporal das atividades, na manutenção de uma quantidade de produtos conectada com as reais necessidades da comunidade a que esses eles são dirigidos.

Comércio ambulante

O meio mais ecológico para permitir a distribuição das mercadorias: um número limitado de mercadorias, em um meio de transporte alcança uma população parada. A movimentação pode ser de até duas toneladas. O modelo de centros comerciais está baseado nos deslocamentos dos indivíduos em quantidades médias de uma tonelada e meia per capita (além dos deslocamentos das mercadorias para os centros comerciais) o que torna evidente ser uma modalidade de alto consumo energético, além do que socialmente seletiva (quem não tem carro, quem não quer se deslocar, quem não pode se deslocar está excluído). Agilizar o pequeno comércio ambulante porta a porta tem um alto valor ambiental.

Demolição

Uma prática de construção civil em crescente difusão prevê a demolição de edifícios, mesmo que eles ainda estejam em boas condições, e a sua substituição por edifícios novos. Através disso conseguem dar formas mais contemporâneas às construções, aumentar o valor imobiliário dos edifícios, aumentar os empréstimos, obter mais lucros. Se do ponto de vista econômico é um negócio, do ponto de vista ambiental é um dano grave. A construção necessita de energia para a produção e transporte dos materiais e para a construção dos manufaturados; essa energia é guardada pelo edifício. No momento em que ele é derrubado toda essa energia é perdida. A ela soma-se a energia para a demolição, aquela para a limpeza e aquela necessária à construção de um novo edifício. Um prática profundamente insustentável que causa efeitos deletérios e também sociais: os novos residentes raramente são os mesmos que antes lá moravam nas antigas habitações (o aumento do valor imobiliário exige preços de aluguel e de venda superiores), e no caso de serem ainda os mesmos, se encontrariam em um contexto de moradia diferente aquele conhecido por eles. Existem muitas maneiras para intervir com o fim de de aumentar a qualidade dos edifícios, a demolição deles não é uma delas.

Distribuição

A mobilidade das mercadorias é uma das características do modelo do mercado global. As produções concentradas substituem as produções locais através de um custo menor obtido com o incremento da quantidade produzida e pela localização das unidades produtivas em territórios onde os controles ambientais são reduzidos e o custo da mão de obra é barato. Os custos ambientais e sociais conexos são enormes para o consumo de energia e as emissões relativas à hiperprodução e ao transporte, sem contar a total desestruturação do antigo aparelho produtivo local. Esta condição torna-se ainda mais grave quando é realizada no setor do agronegócio. Comer alimentos produzidos em territórios próximos, além de evitar o deslocamento das mercadorias e reduzir os consumos energéticos, fortalece economicamente as comunidades locais.

Desenvolvimento

O único desenvolvimento possível não é o econômico, é o cultural que não consome mercadorias nem polui a natureza.

Extraído de http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

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Sustentabilidade: a escolha libertária II

Um mundo ambientalmente sustentável é possível. Não essa sustentabilidade da Cosipa, da Carbocloro, da Cubatão verde, das montadoras de veículos, da Petrobrás, da Bandeira azul do Tombo, do Porto de Santos, da fabricação de ISO 14.000, de EIA-Rimas falsificados, de IBAMA e CETESB que nada tem de ambientais, assim como os cursos de Ciências Ambientais de onde saem esses pseudo técnicos. Não estamos falando desse BESTEIROL verde a que um conluio de capitalistas, arrivistas, falsos defensores do meio ambiente, a serviço de seu próprio enriquecimento submergiram toda a luta ambientalista das décadas de 1970 e 1980. Sustentabilidade é autogestão, controle da vida pelos próprios indivíduos, luta contínua contras as corporações, repensar completamente a existência, torná-la menos individualista mais coletiva. A sustentabilidade não é uma palavra do vocabulário capitalista pois ela implica em coletividade, comunidade, cooperação, controle dos recursos pela população. De A a Z apresentaremos as pautas para a verdadeira sustentabilidade:

Adaptação às mudanças climáticas

A compreensão de que as mudanças climáticas em curso determinam profundas transformações aos ecossistemas naturais evidenciam a necessidade de se adaptar o uso às novas condições do planeta. A tomada de consciência das mudanças e das causas antrópicas que as determinaram deveria implicar na revisão dos modos de uso e não na privatização dos sistemas para obter a mesma produtividade. O uso intensivo dos sistemas naturais é acompanhado de uma condição de desequilíbrio do sistema e portanto de um incremento do risco de colapso. As adequações, quer dizer, as intervenções capazes de reduzir os efeitos das mudanças climáticas, podem ser positivas se comportam consigo um repensar sobre os erros cometidos e se não forem meros paliativos, sem a remoção das causas que determinaram as modificações climáticas.

Adequação dos espaços urbanos

Os habitantes adequam o espaço de suas habitações e teriam direito de adaptar às suas modalidades de vida os espaços de seus assentamentos. Atualmente os habitantes sofrem um tipo de organização urbana definida pela especulação imobiliária e, eventualmente, por um tipo de planejamento urbano em que não está previsto a ação ativa e direta do cidadão. Retomar essa delegação que a sociedade industrializada inicialmente e aquela de consumo atualmente cederam aos técnicos, recuperando a possibilidade de intervenção do cidadão e da comunidade, sem causar danos ao meio ambiente e incomodo às pessoas, deveria ser um aspecto positivo da cultura de uma nova sociedade.

Artesanato

O trabalho artesanal permite uma gestão melhor do processo produtivo pelo indivíduo. Além de tudo, é uma modalidade que permite a permanência de uma capacitação técnica no interior da comunidade. Essa capacitação possibilita a construção e a manutenção de manufaturados em modo mais autônomo. O artesanato é caraterístico dos lugares e portanto está em harmonia com os recursos e as culturas locais, adaptando as transformações técnicas ao modelo do lugar. A difusão de uma cultura artesanal permite a redução da penetração do comércio corporativo global.

Autoprodução energética

Os megaprojetos de geração de energia, mesmo aqueles de fontes renováveis, concentram a produção, e portanto, o lucro, e retiram as comunidades locais da gestão de um aspecto fundamental da própria existência. Permitem o monopólio, a predefinição dos preços, mas principalmente implicam em um enorme desperdício de energia na distribuição e sobreprodução (que existe ainda que recolocada na rede). Realizar projetos locais, mesmo que individuais, (mini hidrelétricas, mini eólicas, biomassas, térmicas, solares, etc.) torna possível a redução dos impactos ambientais, o controle dos empreendimentos, a gestão direta dos custos e dos consumos pela própria comunidade.

Autoprodução de alimentos

Produzir diretamente o próprio alimento ou dirigir-se a quem o produz localmente reduz o mercado da alimentação industrializada, torna possível a autonomia alimentar dos territórios e comunidades, aumenta a possibilidade de controlar diretamente a qualidade dos produtos, gera trabalhos. Constitui uma forte ligação entre as comunidades e as áreas produtoras a ajuda a compreender a centralidade do equilíbrio entre o uso e a conservação das potencialidades naturais. Sustentar a autoprodução agrícola, participar e utilizar circuitos comerciais autogestionados.

Autoconstrução

A capacidade de construir e adaptar os espaços onde morar é inerente ao ser humano. Delegar totalmente esta prática a terceiros, não participar da construção e manutenção do próprio meio ambiente limita as potencialidades humanas e inibe a qualidade de vida. Os indivíduos podem contribuir diretamente ou indiretamente na definição do espaço físico onde moram, conscientes da necessidade de se trabalhar de modo a reduzir os efeitos negativos e diminuir o dano causado ao meio ambiente devido ao uso e à transformação do mesmo. Participar de processos de autoconstrução, construir a casa por si próprios ou ainda reformar as autoconstruções já existentes.

Automóveis

A cada dia grande parte dos cidadãos do mundo e entupida com uma obsessiva publicidade de veículos particulares sobre rodas. Se não existisse essa publicidade constante quase que certamente seriam vendidos muito menos automóveis, a nossa sociedade não seria automóvel-cêntrica, não teríamos problemas de poluição urbana, etc. etc. No modelo atual a mobilidade individual sobre rodas aparece para muitos territórios como algo indispensável e insubstituível (se pensarmos aos assentamentos distantes de casas espalhados por todos os lados). Mas não é assim. Podem ser organizadas muitas outras modalidades de transporte a partir daquele individual a motor (motocicletas de pequena cilindrada) bicicletas ou outros que possam ser usados em percursos de menor distancia ou recorrer a carros de uso comum, de menor cilindrada e de dimensões menores. Pode-se fazer isso já, sem muito sacrifício, sem mudar as regras que existem: quem não que fazer individualmente essa mudança, quem possui como escolha de vida ter carros de grande cilindrada, de grande dimensão, novos é um indivíduo dono de uma cultura autoritária, poluidora e socialmente danosa.

Extraído de: http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm



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A Ecologia Social dos camponeses mexicanos

“Prêmio Nobel de Ecologia para agricultor mexicano”: esta a materia que nos foi enviada pela companheira Guadalupe Barcena e nos faz refletir e perguntar: Por que fatos como este nao sao noticiados pela grande midia. Este, mais um exemplo de que os trabalhadores quando podem, sabem se organizar e produzir por eles mesmos.

Poucos sabem, mas existe um prêmio “Nobel” de Ecologia. Este ano quem o ganhou foi Jesús León Santos, de 42 anos, um camponês indígena mexicano que realizou nos últimos 25 anos um excepcional trabalho de reflorestamento em sua região de Oaxaca, México. O nome da recompensa é “Prêmio Ambiental Goldman” (www.goldmanprize.org/theprize/about_espanol)

Até agora foi outorgado a defensores do meio ambiente de 72 países. Em 1991, o ganhou a africana Wangari Maathai, que logo depois obteve o Prêmio Nobel da Paz, em 2004.

Para Jésus, foi dado porque, quando ele tinha 18 anos, decidiu mudar a paisagem onde vivia na Mixteca alta, a “terra do sol”. Aquele parecia um panorama lunar: campos ermos e poeirentos, desprovidos de arvoredo, sem água e sem frutos. Tinha-se que percorrer grandes distâncias em busca de água e de lenha. Quase todos os jovens emigravam para nunca mais voltar, fugindo de semelhantes paragens e dessa vida tão dura. Com outros companheiros do lugar, Jésus León fixou-se o objetivo de reverdejar os campos. E decidiu recorrer a umas técnicas agrícolas pré-colombianas que lhe ensinaram alguns indígenas guatemaltecos para converter terras áridas em zonas de cultivo e matas.

Como levar esse projeto adiante? Fazendo reviver uma ferramenta indígena também esquecida: o tequio, o trabalho comunitário remunerado. Reuniu umas 400 famílias de 12 municípios, criou o Centro de Desenvolvimento Integral Camponês da Mixteca (Cedicam), e juntos, com recursos econômicos limitadíssimos, lançaram-se na grande batalha contra o principal culpado da deterioração: a erosão.

Nessa região Mixteca existem mais de 50.000 hectares que perderam uns cinco metros de altura de solo desde o século XVI. A criação intensiva de cabras, o sobre-pastoreio e a indústria de produção de cal que havia estabelecido a Colônia deterioram a zona. O uso do arado de ferro e o corte intensivo de árvores para a construção dos imponentes templos dominicanos contribuíram definitivamente para a desertificação. Jésus León e seus amigos impulsionaram um programa de reflorestamento. A pá e picareta cavaram valetas-trincheiras para reter água das escassas chuvas, semearam árvores em pequenos viveiros, trouxeram adubo e plantaram barreiras vivas para impedir a fuga da terra fértil.

Tudo isso favoreceu a recarga do aquífero. Logo, em um esforço titânico, plantaram ao redor de quatro milhões de árvores em espécies nativas, aclimatadas ao calor e parcas em absorção de água. Depois se fixaram na meta de conseguir, pra as comunidades indígenas e camponesas, a soberania alimentar. Eles desenvolveram um sistema de agricultura sustentável e orgânica, sem uso de pesticidas, graças ao resgate e conservação das sementes nativas de milho, cereal originário dessa região. Semeando, sobretudo uma variedade muito própria da zona, o cajete, que é uma das mais resistentes à seca. Planta-se entre fevereiro e março, que é a época mais seca do ano, com muito pouca umidade no solo, porém quando chegam as chuvas crescem rapidamente.

Ao cabo de um quarto de século, o milagre se produziu. Hoje a Mixteca alta est’a restaurada. Voltou a verdejar. Surgiram mananciais com mais água. H’a árvores e alimentos. E a gente já não emigra mais. Atualmente Jésus León e seus amigos lutam contra os transgênicos, e semeiam 200.000 árvores por ano. A cada dia eles fazem retroceder a linha da desertificação. Com a madeira das ‘arvores se pode resgatar uma atividade artesanal que estava desaparecendo: a elaboração, em oficinas familiares, de jogos de madeira e utensílios de uso cotidiano. Ademais, se enterraram em lugares estratégicos cisternas de concreto armado, de mais de 10.000 litros de capacidade, que também recolhem a água da chuva para regar as estufas familiares de orgânicos.

O exemplo de Jésus León é agora imitado por várias comunidades vizinhas, que também criaram viveiros comunitários e organizam temporariamente plantações maciças. Em um mundo onde as notícias, com frequência, são negativas e deprimentes, esta história exemplar passou despercebida.

AS REDES DE COMUNICAÇÃO SO INFORMAM O QUE INTERESSA AO CAPITAL!

Texto original em espanhol de Georgina Valdovinos Navarro

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Carne: a floresta sangra na carne!

Esta semana que passou fomos brindados com a aprovação do novo Código Florestal brasileiro que permite, em linhas gerais, a significativa diminuição da reserva de mata legal nas propriedades agrícolas e o aumento do desmatamento (leia a noticia no Painel do Leitor) 

 http://eziobazzo.blogspot.com/2010/07/reforma-do-codigo-florestal-ou-uma-ode.html

Muitos argumentaram que o governo tenta legalizar e manter sob controle algo que vinha sendo feito ilegalmente pelos empreendedores contrariados em seus interesses e quase sem nenhuma fiscalização. Bom, mas pensando desse modo, poderíamos usar o mesmo argumento para permitir o assassinato de mulheres. Afinal o Bruno, o Misael e tantos outros homens contrariados em seus interesses mataram brutalmente suas amantes porque o governo não tornou legal a morte das mulheres; se já o tivesse feito, pelo menos elas teriam tido uma morte mais tranquila.

No centro do interesse corporativo brasileiro encontra-se o agro-negócio . Um negócio global gigantesco que envolve os produtores da monocultura, da criação intensiva, dos agrotóxicos, das sementes transgênicas, das indústrias químicas, das grandes redes de supermercado, da logística internacional de distribuição (ferroviária, rodoviária e naval) e dos mega-portos, entre o que lembramos aqui. Afinal com tanto crescimento econômico no Brasil trazido pelas exportações de commodities, a comitiva Lula e cia. não pode fazer por menos: vamos retribuir aos grandes capitalistas, afinal já dizia o Cardosão do troca-troca, é dando que se recebe. Escrever isto hoje em dia, num tempo de absoluta prostração da maior parte da sociedade capturada em quase todos os seus segmentos pelo BURROCRACIA, tornou-se jogar palavras ao vento. Porém, o registro se faz necessário para a posteridade.

No vídeo Carne, nossa companheira Cristina Dunaeva registrou imagens aéreas da devastação em Rondônia causada pela pecuária e em Mato Grosso pela soja. O desmatamento não impacta somente a floresta. A erosão destrói as nascentes, a poluição atinge as comunidades indígenas e o resultado final dessas atividades nos alcança também aqui. As imagens da EMBRAPORT iniciando as obras de seu terminal portuário no estuário de Santos, destruindo o pouco mangue que resta e transformando radicalmente a vida da comunidade de pescadores da Ilha Diana, que será engolida pelo empreendimento. Por trás do EMBRAPORT, o grupo COIMEX, um dos maiores conglomerados de distribuição de exportação de grãos pelo mundo afora. Assistam e vejam como tudo está interligado.

http://www.youtube.com/watch?v=7UK51K_m09I

 

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O futuro do homem e o dominio da natureza

Alguns companheiros participaram do debate sobre anarquismo anti-especista que aconteceu sábado 26 de julho na Casa de Família. Apos uma excelente apresentação inicial sobre o tema e a defesa dos direitos dos animais e da alimentação vegetariana, o debate abriu-se para uma discussão sobre as formas de luta anti-autoritária (uma forma individual e coletiva de praticas de autonomia e reação à sociedade capitalista e estatista). O debate também abordou a necessidade de se combater a formação dos monopólios de produção e distribuição de alimentos nas mãos de poucas corporações (em toda sua cadeia produtiva, desde os insumos de agrotóxicos e sementes transgênicas ate a comercialização nos grandes centros varejistas urbanos) como forma de integrar as lutas anti-autoritarias a uma luta anti-sistemica.

O companheiro Pablo fala sobre o uso do MINHOCÁRIO como forma de alfabetização ecológica. Leia o texto a seguir e assista o VIDEO abaixo sobre a oficina pratica com crianças no Jardim Botanico Chico Mendes, de Santos.

O minhocário como técnica pedagógica possibilita uma abordagem com enésimas linhas de fuga. A primeira é a própria minhoca tanto pela sua morfologia como sua interação com o ambiente. A segunda é como bioindicador pois um solo com minhocas demonstra que o mesmo é fértil . A terceira é o seu papel na compostagem e as implicações de suas utilizações tanto a nível domestico como comunitário. A quarta é a serapilheira e toda a abordagem nos ciclos bioenergéticos o que fica implícito com a presença de cogumelos. A quinta é a terra produzida no processo que ganha caracteristícas únicas advindas do humus produzido pela minhoca. A sexta  são todas as outras relacionadas com interações com o manuseamento  da terra, da minhoca, dos ovos de minhoca, do composto, das hifas e de todos os odores. Através desta atividade abre-se um caminho para a importância da ação direta como única estratégia para a solução das problematícas ambientais e possibilita o encontro  do humano com a mãe natureza .

Para um aprofundamento dessa questão da relação estabelecida entre o homem e a natureza e do continuo distanciamento do ser humano em relação ao ambiental natural com sua transformação pela tecnologia, convidamos a ler o texto abaixo que discute essa relação em uma perspectiva histórica, comparando a civilização ocidental atual a civilizações de outros tempos como a Tupi e a grega antiga.

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