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A Ecologia Social dos camponeses mexicanos

“Prêmio Nobel de Ecologia para agricultor mexicano”: esta a materia que nos foi enviada pela companheira Guadalupe Barcena e nos faz refletir e perguntar: Por que fatos como este nao sao noticiados pela grande midia. Este, mais um exemplo de que os trabalhadores quando podem, sabem se organizar e produzir por eles mesmos.

Poucos sabem, mas existe um prêmio “Nobel” de Ecologia. Este ano quem o ganhou foi Jesús León Santos, de 42 anos, um camponês indígena mexicano que realizou nos últimos 25 anos um excepcional trabalho de reflorestamento em sua região de Oaxaca, México. O nome da recompensa é “Prêmio Ambiental Goldman” (www.goldmanprize.org/theprize/about_espanol)

Até agora foi outorgado a defensores do meio ambiente de 72 países. Em 1991, o ganhou a africana Wangari Maathai, que logo depois obteve o Prêmio Nobel da Paz, em 2004.

Para Jésus, foi dado porque, quando ele tinha 18 anos, decidiu mudar a paisagem onde vivia na Mixteca alta, a “terra do sol”. Aquele parecia um panorama lunar: campos ermos e poeirentos, desprovidos de arvoredo, sem água e sem frutos. Tinha-se que percorrer grandes distâncias em busca de água e de lenha. Quase todos os jovens emigravam para nunca mais voltar, fugindo de semelhantes paragens e dessa vida tão dura. Com outros companheiros do lugar, Jésus León fixou-se o objetivo de reverdejar os campos. E decidiu recorrer a umas técnicas agrícolas pré-colombianas que lhe ensinaram alguns indígenas guatemaltecos para converter terras áridas em zonas de cultivo e matas.

Como levar esse projeto adiante? Fazendo reviver uma ferramenta indígena também esquecida: o tequio, o trabalho comunitário remunerado. Reuniu umas 400 famílias de 12 municípios, criou o Centro de Desenvolvimento Integral Camponês da Mixteca (Cedicam), e juntos, com recursos econômicos limitadíssimos, lançaram-se na grande batalha contra o principal culpado da deterioração: a erosão.

Nessa região Mixteca existem mais de 50.000 hectares que perderam uns cinco metros de altura de solo desde o século XVI. A criação intensiva de cabras, o sobre-pastoreio e a indústria de produção de cal que havia estabelecido a Colônia deterioram a zona. O uso do arado de ferro e o corte intensivo de árvores para a construção dos imponentes templos dominicanos contribuíram definitivamente para a desertificação. Jésus León e seus amigos impulsionaram um programa de reflorestamento. A pá e picareta cavaram valetas-trincheiras para reter água das escassas chuvas, semearam árvores em pequenos viveiros, trouxeram adubo e plantaram barreiras vivas para impedir a fuga da terra fértil.

Tudo isso favoreceu a recarga do aquífero. Logo, em um esforço titânico, plantaram ao redor de quatro milhões de árvores em espécies nativas, aclimatadas ao calor e parcas em absorção de água. Depois se fixaram na meta de conseguir, pra as comunidades indígenas e camponesas, a soberania alimentar. Eles desenvolveram um sistema de agricultura sustentável e orgânica, sem uso de pesticidas, graças ao resgate e conservação das sementes nativas de milho, cereal originário dessa região. Semeando, sobretudo uma variedade muito própria da zona, o cajete, que é uma das mais resistentes à seca. Planta-se entre fevereiro e março, que é a época mais seca do ano, com muito pouca umidade no solo, porém quando chegam as chuvas crescem rapidamente.

Ao cabo de um quarto de século, o milagre se produziu. Hoje a Mixteca alta est’a restaurada. Voltou a verdejar. Surgiram mananciais com mais água. H’a árvores e alimentos. E a gente já não emigra mais. Atualmente Jésus León e seus amigos lutam contra os transgênicos, e semeiam 200.000 árvores por ano. A cada dia eles fazem retroceder a linha da desertificação. Com a madeira das ‘arvores se pode resgatar uma atividade artesanal que estava desaparecendo: a elaboração, em oficinas familiares, de jogos de madeira e utensílios de uso cotidiano. Ademais, se enterraram em lugares estratégicos cisternas de concreto armado, de mais de 10.000 litros de capacidade, que também recolhem a água da chuva para regar as estufas familiares de orgânicos.

O exemplo de Jésus León é agora imitado por várias comunidades vizinhas, que também criaram viveiros comunitários e organizam temporariamente plantações maciças. Em um mundo onde as notícias, com frequência, são negativas e deprimentes, esta história exemplar passou despercebida.

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Texto original em espanhol de Georgina Valdovinos Navarro

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Arquivado em Agricultura familiar, Agricultura organica, cooperativismo, Ecologia Social, relacao ser humano / natureza