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PETROBRÁS: POLUIÇÃO E MORTE DE PESCADORES NA BAÍA DE GUANABARA

Mataram mais dois pescadores da AHOMAR (grupo da Baía de Guanabara que esteve presente no Seminário sobre Racismo Ambiental na RIO+20). Informações sobre o coletivo no link abaixo. Segue a denúncia recebida por uma ativista local, a Inny.

Durante a Rio + 20 foi feita uma visita guiada à associação de pescadores em Magé junto a ambientalistas estrangeiros.  O toxi-tour acompanhado de uma delegação de visitantes internacionais foi alvo de criticas dos políticos locais e recebeu a atenção a contragosto do secretário de meio ambiente de Magé, que tentou disputar a atenção da mídia e da população. Há muita gente lutando na região. Não são somente pescadores. A Petrobras está acabando com a vida de moradores pobres que vivem da pesca e que estão bravamente resistindo. Não se esqueçam que esta região foi a mais castigada com o colossal derramamento de óleo dessa empresa de produção de sujeira que faz greenwashing e se diz sustentável. Trata-se de gente muito pobre, em um local que foi considerado o mais pobre do Rio de Janeiro, com poucos meios de defesa através dos instrumentos locais. São as vítimas do que chamamos de racismo ambiental, pois a política capitalista de desenvolvimento sustentável visa destruir todas as comunidades tradicionais que vivem da extração não predatória dos recursos naturais, geralmente populações de negros, mestiços ou brancos pobres. Eles estão matando esta gente, um a um. O toxi-tour foi realizado com a companhia dos PMs que faziam a escolta do pescador Alexandre Anderson. Porém trata-se, nós sabemos, de uma polícia corrompida, que trabalha ao estilo dos velhos jagunços para novos coronéis da insustentabilidade, portanto uma policia em quem não se pode confiar. Eles esperaram terminar a RIO+20 para matar mais dois pescadores. Este é o recado para os ativistas e para todos aqueles que resistem ao avanço do capitalismo poluidor e predatório. Estava claro que eles não iriam aceitar visitas de observadores estrangeiros assim sem dar uma resposta amarga aos elos mais fracos da população.

Página sobre racismo ambiental: http://racismoambiental.net.br/2012/06/rj-grupo-homens-do-mar-da-baia-de-guanabara-um-pescador-assassinado-e-outro-desaparecido/

Foi Alexandre Anderson, incansável lutador, que repassou as notícias revoltantes, no final da noite de ontem, domingo. Na primeira, informava que dois pescadores e lideranças do Grupo Homens do Mar estavam desaparecidos desde a noite de sexta-feira, quando haviam saído para pescar:  Almir, fundador e liderança local da AHOMAR, e Pituca, também um dos fundadores, líder e único articulador da resistência na Ilha de Paquetá. Alexandre Anderson escrevia ainda que estava indo para a praia, “organizar as buscas da noite”, e que faria novos contatos. O novo contato chegou pouco tempo depois, e nele Alexandre soltava sua revolta: Almir havia sido encontrado morto, com as mãos amarradas nas costas e marcas claras de execução. Não poderia haver dúvida quanto ao assassinato. Pituca continuava desaparecido.

Com as notícias, a mensagem desesperada: “Nos ajude! Estão matando nossos amigos! Nosso sonho! O pior é que não tem polícia em Mauá, onde moro!” Alexandre Anderson faz parte, a duras penas, do Programa de Defensores dos Direitos Humanos, depois de muitas ameaças e alguns atentados. Mal ou bem, Almir e (provavelmente) Pituca não tiveram essa “sorte”.

Nossa solidariedade para as famílias e amigos de Almir e Pituca. Que ele, pelo menos, apareça vivo, é o que desejamos. Mas é inadmissível que essa situação continue! É urgente que se faça Justiça!”

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Cubatão: estância climática para curar doenças respiratórias!!!

Cubatão é uma estância climática para curar doenças respiratórias?

 “Observem o verde na paisagem. Respirem o ar puro, a plenos pulmões, e anotem mais esse inesperado argumento de vendas. Conheçam as oportunidades únicas na Baixada que Cubatão oferece aos bons empreendedores”.

Essas palavras são da prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), pronunciadas no início de junho durante um discurso em Barcelona, na Espanha, quando ela tentava vender a “imagem” da cidade para empresários europeus investirem no município.

Em Cubatão, como nos médios e grandes centros urbanos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, é praticamente impossível escapar dos poluentes, do trânsito carregado quase todos os dias nas estradas que cortam a cidade, das micropartículas liberadas pela queima dos combustíveis (principalmente do óleo diesel com alta concentração de enxofre), das substâncias químicas despejadas no ar pelas indústrias e atividades portuárias, entre outras fontes poluidoras.

Na Baixada Santista é muito raro não termos um parente ou conhecido que não sofre de patologias respiratórias, que resultam da poluição do ar. E na maioria das vezes quem paga o preço da má qualidade do ar são as crianças e idosos. Inclusive com a morte.

Estudos da USP (Universidade de São Paulo), estimam que a poluição do ar na região metropolitana de São Paulo provoque a morte prematura de 3.000 pessoas por ano. Alguém duvida que o mesmo não aconteça na Baixada Santista?

A prefeita de Cubatão, assim como outros políticos e grandes empresários, ainda não entendeu e percebeu que o município está saturado de indústrias pesadas, de grandes empreendimentos. Que a cidade tem que ser feita para os seres humanos, e não para as indústrias, que continuam “roubando” espaços vitais das pessoas e dos animais.

No dia 13 de julho, “A Tribuna On-line” divulgou um texto sob o título “Nível da poluição do ar em Cubatão é péssimo, segundo Respirômetro”, http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=103583&idDepartamento=5&idCategoria=5).

Que a qualidade do ar na cidade não é dos melhores não é nenhuma novidade, somente a prefeita, seus assessores e os empresários que não moram em Cubatão dizem o contrário. Nos dias mais crônicos, secos, é possível sentir a poeira no rosto e perceber as fuligens nos carros, nas folhas e outras superfícies. E se isso não bastasse, ainda tem o cheiro de produtos químicos que exalam das indústrias.

O “curioso” é que o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) da cidade costuma afirmar que 99% das fontes poluidoras estão atualmente “sob controle”. A prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), também com freqüência cita esta porcentagem. Ora, se quase 100% das fontes poluidoras estão “sob controle”, então porque é comum encontrarmos o ar de Cubatão saturado, acima do aceitável?

No dia 21 de julho, o portal da internet da Cetesb (agência ambiental estadual) apontava que o índice de qualidade do ar medido em Cubatão no Centro era “regular” e “inadequada” na Vila Industrial. Um detalhe: sabemos que os índices de medição da conivente Cetesb não são rigorosos como o dos institutos ambientais dos Estados Unidos e Europa.

A CIESP, a CETESB e a Prefeitura deveriam internalizar o passivo ambiental distribuindo máscaras antipoluição para os seres humanos que habitam e visitam Cubatão, a começar pelos futuros doentes de tuberculose catalães em busca da cura na cidade.

Edição de texto original de Moésio Rebouças por Carlo Romani.

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SOS Mata Atlantica desconvida representante caiçara de encontro na Jureia

Um dos representantes caicaras da Juréia foi “desconvidado” ao encontro da TEDX de Vila Madá que ocorreu ontem dia 26. Esta nos parece ser uma noticia alarmante e uma reclamacao pertinente do representante. Leiam sua nota contraria e a suspeita do dedo da SOS Mata Atlantica ness articulacao para fragilizar as comunidades regionais em detrimento do poder economico. O representante da Natura continua com assento cativo

Meus Car@s,

Somente hoje tive acesso a internet e para minha surpresa ainda não tive e não tivemos maiores esclarecimentos sobre essa desconfortável atitude do programa TEDX Vila Madá, em nos desconvidar para participar do próximo programa no dia 26 de maio.

Assim que recebi o telefonema do desconvite, questionei se os demais participantes também seriam desconvidados, a resposta foi que somente eu deixaria de participar do programa, os demais como Ailton Krenak, o professor da UNICAMP, representante da NATURA e o Voluntário da SOS permaneceriam, confesso que fiquei um tanto confuso, mas este fato só veio confirmar o que já sabíamos e agora temos certeza que foi intervenção da SOS Mata Atlântica.  Então entendemos que continuam boicotando nossas comunidades, é muita visibilidade para quem eles querem que viva na escuridão, esquecidos, a margem. Esse tipo de boicote vem ocorrendo a mais de 20 anos, o discurso é um, mas a prática é outra, como sabemos essa entidade vive de mentira e tem medo, quando quem fala a verdade pode estar no mesmo espaço de visibilidade. Nossa luta é por justiça social,queremos nosso território de volta, cometeram um erro e não reconhecem esse erro, não sentam juntos para dialogar com nossas comunidades e chegar num consenso, nem reconhecem que erraram para tentar corrigir .

A SOS Mata Atlântica nasceu na década de 80, exatamente  quando criaram a Estação Ecológica de Juréia Itatins, sempre foi contra as comunidades da Juréia, este é um dos motivos de não avançarmos na conquista do nosso território, pois defendem a Mata Atlântica e pra eles, nós  somos uma ameaça, só que como bem sabemos  para plantar pinus e eucalipto é necessário retirar a vegetação primaria, é assim que age,  o presidente da SOS mata Atlântica, sendo o maior Plantador de eucalipto do Estado do Paraná. A sustentabilidade que pregam é para eles mesmos.

Não desistiremos de contar nossa história e sempre que tivermos oportunidade denunciaremos essa farsa que vive a SOS e outras ONGs que se utilizam da vulnerabilidade das comunidades e do meio ambiente, para se promoverem e enriquecerem.

 Dauro Marcos do Prado, Caiçara.

Presidente da União dos Moradores da Juréia

Sócio Fundador da Associação dos Jovens da Juréia

Representante das comunidades Caiçaras- Comissão Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais

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Cubatão!!! Verde no marketing e no outdoor; Preta e cinza no ar e na agua.

Vídeo mostra flagrante de indústria em Cubatão lançando no ar fumaça preta

Nesta terça-feira, 5 de abril, às 17 horas, a Companhia Brasileiro de Estireno, instalada na Avenida Nove de Abril, ao lado do Rio Cubatão, lançou por mais de 20 minutos uma fumaça preta no ar de Cubatão. Um forte odor químico também exalava da indústria. Assistir o flagrante no video abaixo:

Esse vídeo foi gravado de um celular, desde o Poliesportivo Roberto Dick, no centro de Cubatão. As imagens não são de boa qualidade, contudo, explicitam a emissão de gases tóxicos na atmosfera do município. A seguir, a foto da torre de onde partiu a emissão da fumaça negra.

Companhia Brasileira de Estireno - fumaca preta

A Companhia Brasileiro de Estireno está na lista das 100 maiores indústrias emissoras de CO2 no Estado de São Paulo.

Reportagem enviada por Moésio Rebouças.

ATE QUANDO A CETESB VAI CONTINUAR AFIRMANDO QUE A QUALIDADE DO AR EM CUBATAO ‘E BOA?

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CETESB: para que interesses voce trabalha?

Com certeza nao ‘e para a povo, para a cidadania, para o meio ambiente ou para o saneamento. Entao, atende ao interesse de quem? Sera o interesse das corporacoes poluidoras, do estado corrupto e conivente, da expansao do mercado ao custo da poluicao da terra, dos rios, das aguas, do mar… Lembramos que na decada de 1990, quando aumentou a consciencia ambiental no pais e as leis combateram os conglomerados poluidores mais poderosos, ate que a CETESB, em alguns momentos, se posicionou a favor da populacao e dos interesses da maioria da sociedade. Mas, nos ultimos dez anos, a CETESB e os demais orgaos pseudoambientais do Estado, ja nao tem o menor pudor. E o pior de tudo nesse retrocesso ambiental em andamento e que o custo a ser pago por todos nos sera absurdamente maior do que as esmolas de multinhas cobradas e sonegadas. Leiam a seguir a noticia enviada pelo Moesio

Petrobras recebe multa irrisória por vazamento de óleo no Rio Cubatão

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) aplicou  no último dia 21 de janeiro uma multa irrisória à RPBC (Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão), da Petrobras, em cerca de R$ 140 mil, por um vazamento de óleo na estação de tratamento de efluentes da RPBC  no Rio Cubatão, Baixada Santista. O acidente aconteceu provavelmente por falta de manutenção e limpeza do reservatório de decantação de resíduos oleosos.

Com isso, dezenas de petroleiros passaram a trabalhar na contenção do vazamento com o uso de quatro caminhões-vácuo, barreiras absorventes e outros equipamentos e materiais. Técnicos da Cetesb também foram acionados, mas não informaram quanto óleo vazou da RPBC. Mistério.

A Petrobras já havia sido multada por episódios idênticos ocorridos em setembro e no final de dezembro de 2010. Portanto, é reincidente.

Nas três ocasiões, o acidente ocorreu por lançamento de efluente líquido oleoso proveniente do sistema de efluentes líquidos da refinaria, vindo a atingir o Rio Cubatão. Nesta última ocorrência, principalmente nos dias 15 e 16 de janeiro, películas e manchas de óleo eram vistas no corpo d’água na altura da Ponte da Avenida 9 de Abril, no centro da cidade.

Além da multa baixíssima aplicada para a Petrobras, técnicos da Cetesb de Cubatão afirmaram à imprensa: “Não é um vazamento grave nem trouxe danos à flora e à fauna”. Ou seja, mais uma vez, “autoridades ambientais” dizem que “o vazamento foi superficial e não chegou a causar danos ambientais”. Risível.

No Brasil, raramente as multas ambientais são pagas. Nos últimos dez anos, menos de 1% do valor total de multas aplicadas pelos órgãos ambientais estaduais foi pago. A “indústria dos recursos judiciais” funciona muito bem em todo território nacional.

Por outro lado, como relata alguns petroleiros, “estes casos ilustram de maneira cristalina que a excelência em Responsabilidade Social da Petrobras, além de questionável, está se transformando numa peça publicitária demagógica, convincente apenas para os institutos estrangeiros que premiam empresas que são referência em sustentabilidade com base em índices e critérios cada vez mais subjetivos e distantes da realidade”.

E acidentes como estes também explicitam que em Cubatão há pouca consciência ecológica da população, de defesa efetiva do meio ambiente. Afinal estes episódios tristes (e mais ou menos corriqueiros) são vistos com naturalidade pela sociedade, não há reação. Nesta cidade, infelizmente, ecologia é vestir uma camiseta verde, organizar um passeio no mangue, promover um cursinho de “educação ambiental” ou plantar mudas de árvores em datas pontuais. Tudo incentivado pela Prefeitura e as indústrias, dentro da conexão demagógica e marqueteira “verde”.

É incrível como as grandes empresas do pólo industrial de Cubatão continuam mandando e desmandando na cidade, cometendo crimes ambientais e saindo “bem na foto”.

Será que a prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), teria a coragem de tomar banho no Rio Cubatão, na altura da refinaria da Petrobras?

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Sustentabilidade: a escolha libertária VI (fim)

Concluimos com a lista a seguir, a analise dos problemas trazidos ao meio ambiente pela economia capitalista contemporanea e as acoes que podemos fazer para mudar o sistema (a verdadeira sustentabilidade). Uma pequena receita do que voce pode fazer ja.

Compre menos e nao compre descartaveis

Nao compre em grandes redes de hipermercados

Compre no pequeno comercio local

Ande a pe, de bicicleta, de transporte coletivo

Conheca o fornecedor dos produtos alimenticios

Assim que for possivel mude para uma cidade menor e se fixe nela

Procure lazer na natureza e no convivio com as pessoas, poupe seu dinheiro

Poupando mais pode-se trabalhar menos

Trabalhando menos temos mais tempo para levar uma vida sustentavel

Fuja dos espacos privados ocupe os espacos publicos

Nao caia no conto da tecnologia use seus equipamentos ate o limite

Nao reclame dos outros e nao diga que nao tem jeito. Sua acao e importante.

Informe-se, propague estas ideias, desperte e liberte quem esta viciado na teia do consumo

Recursos

Apesar do termo, a palavra “recursos” indica uma visão do meio ambiente voltada para sua transformação ou utilização, desde que observada do ponto de vista utilitário para a espécie humana: é possível um uso dos recursos que não comprometa nem degrade o meio ambiente. O modelo atual os usa enquanto têm viabilidade econômica e, portanto, muito além do limite de uso que permitiria manter as potencialidades desses recursos. Isso é favorecido pela falta de controle das comunidades locais sobre seus próprios recursos e da gestão empresarial deles. A gestão dos recursos no mundo atual é delicada. Eles estão em contínua redução, em estado de alteração, insuficientes para garantir o consumo e a sobrevivência de uma população mundial em contínuo crescimento. Colocar os recursos existentes em relação direta com as comunidades locais, desenvolvendo uma gestão coletiva e definindo o consumo em função de sua disponibilidade, mostra-se, não somente um modo de manter a diversidade cultural e ambiental como permite também seu uso de modo sustentável.

Reutilização

Para permitir a manutenção da cota de mercado inútil e super-dimensionada em relação às necessidades este modelo sustentou, através da comunicação de marketing, técnica e científica, a vantagem do novo sobre o usado. Objetos e materiais usados assumiram um valor menor, de reuso; são rapidamente considerados obsoletos e tornam-se resíduos. Essa é uma incrível perda de riqueza e energia e a criação de um problema, aquele do descarte. Da mobília doméstica ao vestuário, passando por automóveis e apetrechos, os objetos respondem a uma imaginação abstrata estimulada pelo mercado. Reusar, recuperar quer dizer adaptar o novo projeto ao existente, quer dizer condicionar o futuro ao presente.

Resíduos

A quantidade de resíduos a serem descartados deveria ser mínima. Os objetos deveriam ser usados, recuperados, reusados até serem reciclados. Sus quantidade deveria ser reduzida às reais necessidades e somente uma pequena parte deveria tornar-se resíduo e dos resíduos somente uma pequena parte seria descartada definitivamente.

Sustentabilidade

As alterações no meio ambiente começaram a ser percebidas de modo alargado desde o começo dos anos setenta, as políticas internacionais, comunitárias e frequentemente as nacionais indicaram as prioridades para sua solução desde a passagem dos oitenta para os noventa, o termo sustentabilidade aparece constantemente na mídia, mas as condições ambientais pioraram exponencialmente. As condições ambientais e sociais do planeta mostram que o modelo atualmente praticado não tem a capacidade de resolver os problemas encontrados. As soluções sustentáveis são aquelas que conservam e recuperam o meio ambiente, reduzindo os desperdícios e o consumo dos recursos naturais, reduzindo os descartes de resíduos. Isso é sustentabilidade.

Supermercados-hipermercados-shoppings

Instrumento para a venda de coisas inúteis a baixo preço. Em alguns casos os produtos são assim descartáveis que eles deveriam pagar para os clientes o custo do despejo do resíduo. A concentração das vendas está conectada à concentração da distribuição e da produção. São instrumentos para a concentração de riquezas e aumento do poder no embate com a comunidade onde eles impõem suas atividades. Isso desestrutura o tecido social tornando-o dependente dos macro-investimentos das corporações. A verdadeira economia não é comprar tantos produtos descartáveis, mas comprar menos, comprar de quem a gente já conhece, de quem tem capacidade para produzir aquela mercadoria, de quem trabalha nas proximidades.

O Capitalismo mata!!!

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Prenderam o Lucio Natureza, querem livrar o Tombo da Natureza.

Foto de Lucio Natureza por Christina Apolinario

O Lúcio Natureza, ambientalista notório da Praia do Tombo, foi preso por um tenente e mais dois soldados há mais ou menos duas semanas atrás sob a acusação de tráfico de drogas. Até a redação deste texto, segundo as informações passadas pelo José Antônio, ele continuava na carceragem de Vicente de Carvalho. Coincidentemente, a prisão do Lúcio ocorre no mesmo momento em que a Praia do Tombo está para receber a certificação ambiental da Bandeira Azul (o que significa dizer que, alem de outras coisas, a praia teria 100 % de esgoto tratado, nada é lançado ao mar: será verdade isso?). Curiosamente, o Lúcio Natureza mantêm o projeto de educação ambiental “É só reciclar” nessa praia, catando lixo e utilizando anti-degradantes. Fotografias do projeto podem ser vistas no endereço:

http://liberteseupensamento.blogspot.com/

Reproduzimos abaixo a matéria escrita por Christina Apolinário em abril de 2009.

A praia do Tombo, mais especificamente o canto chamado pelos locais de ‘Bostrô’, abriga um projeto de grande relevância para a cidade, porém ainda carente de apoio das instituições públicas e privadas. O projeto ‘É só reciclar’ surpreende turistas e moradores da cidade do Guarujá e vem de encontro com as necessidades educacionais na área de meio ambiente. No ano de 2002 algumas pessoas, moradores da cidade e profissionais de vários segmentos da sociedade santamarense, sentiram a necessidade de transformar o canto da praia – na época freqüentado por marginais, delinqüentes que praticavam atos ilícitos e usuários de drogas – em um lugar viável à visitação turística. Foi ali criado o museu, pelos esforços pessoais dos senhores Lúcio Vasconcelos e Ubiratan Vasconcelos, moradores e freqüentadores da praia do Tombo.

Naquele canto onde hoje está instalada a primeira exposição a céu aberto de anti degradantes lançados ao mar – diga-se de passagem, primeira do mundo – havia uma moradia que foi demolida. Por muito tempo os destroços de tais casas ficaram entulhados, esquecidos na praia, causando transtorno a moradores e freqüentadores que se viam diante do escancarado consumo de drogas e da presença de meliantes a fim de praticar atos criminosos, e que utilizavam o local, abandonado, para tal objetivo. “Cansei de ver crianças muito pequenas consumindo drogas nesse canto, por causa do abandono, lugares abandonados são propícios às atividades ilícitas.” Afirmou Lúcio. Angustiados com a situação e presenciando sempre cenas chocantes e constrangedoras, os senhores Lúcio e Ubiratan tiveram a idéia de transformar o abandono em oportunidade. Grande parte de areia foi colocada sobre os destroços urbanos e ali, sobre a destruição, iniciou-se um trabalho de preservação da vida. “O que pudemos fazer sem dinheiro, nós fizemos.” Lembrou Lúcio, figura lúdica com suas longas barbas brancas.

Todos os dias pela manhã Lúcio caminha pela praia recolhendo o lixo trazido pelas marés: papel de doces, cigarros, latas, escovas de dente, roupas, sacolas, tampinhas de garrafas, sapatos, capacetes, e tudo mais que é lançado ao mar e vai parar nas praias do nosso litoral. Uma infinidade de coisas que, quem freqüenta praia, se pasma ao ver no mar.

A singela exposição criada sem recursos, mas com muita criatividade, atraiu a curiosidade das pessoas e principalmente das crianças, que visitam constantemente o local gratuitamente. Todos os dias, o Sr. Lúcio recebe os visitantes e durante a temporada de verão, cerca de 800 pessoas passam lá por dia, número registrado em livro de assinatura. “Arrumo todos os dias, pois o vento e a chuva acabam desarrumando o posicionamento dos artigos expostos. Abro as 10 para visitas e sempre nesse horário tem gente esperando na entrada. Principalmente as crianças, mas muitas vezes, com o grande número de visitantes, não consigo nem colher assinatura de todos, pois fico aqui sozinho. O que me motiva é ler as mensagens que as pessoas que aqui passam deixam para nós.” Conta Lúcio.

Durante a noite, o irmão de Lúcio, Ubirajara, reveza a rotina de cuidados com a exposição, que é a menina dos olhos deles. “Meu irmão vem à noite, pois não podemos deixar o local sozinho. Infelizmente tem pessoas que não entendem o nosso objetivo e causam danos à estrutura por nós montada”, lamentou.

O Sr. Lúcio tem autorização da prefeitura para utilizar a área. Ele recebeu uma declaração da Secretária do Meio Ambiente, em 2007, quando a prefeitura recebeu uma denúncia de que a área estaria sendo utilizada de forma irregular. A declaração afirma ainda que o trabalho de conscientização ali realizado é de vital importância para a manutenção dos padrões de qualidade da praia do Tombo.

Sr. Lúcio tem ainda um longo caminho pela frente. Além da exposição, colorida e lúdica, Lúcio planeja criar naquele canto da praia o Centro Ambiental de Integração e Orientação (CAIO), que consiste na criação de um local, com técnicas e material ecologicamente corretos e sustentáveis, para receber crianças, de escolas locais a princípio, que fariam um passeio na praia de sensibilização e chegariam na exposição, finalizando o passeio com educação ambiental dentro da estrutura futuramente implementada ao lado da exposição. Além disso, ainda f az parte do projeto dos irmãos Vasconcelos o mapeamento e reflorestamento do morro das galhetas, formando um parque ecológico levando a orientação e informação a nível universitário.

Mas, como se observa em muitos lugares do Brasil, atitudes como a dos irmãos Vasconcelos não recebem méritos. E a dificuldade em se manter um projeto deste nível, vai da falta de apoio voluntário aos cuidados com a integridade da instalação (segurança).“Temos algumas pessoas tentando nos ajudar. Porém precisamos criar uma OSCIP para profissionalizar o trabalho. Eu sou mecânico e apesar da minha boa vontade me falta formação. Preciso de um presidente para a organização e depois de formada poderemos disputar recursos para o projeto ‘É só reciclar’ continuar seu caminho.” Afirmou Lúcio.

A matéria da Christina mostra toda uma outra história sobre o Lúcio Natureza. Teríamos então um raro caso mundial de um velhinho barbudo ambientalista que EFETIVAMENTE põe a mão no lixo para fazer alguma coisa ambientalmente produtiva na cidade, transformado em perigoso traficante de drogas, uma caso de polícia!!! Qual a posição da Secretaria de Meio Ambiente de Guarujá nesta história? Nenhuma, o Sr. Élio Lopes não se posiciona, está doente. Enquanto isso, a certificação artificialmente construída da Bandeira Azul, serve aos interesses dos empreendedores na Praia do Tombo, as imobiliárias e construtoras, e os proprietários esperançosos de que seus imóveis valorizem. Reduziram o Meio Ambiente a mais uma variável monetária, um artifício para gerar mais lucro. E prenderam o Lúcio, prenderam a Natureza, assassinaram a Ecologia. Foi nisso que se transformou o ambientalismo e a ecologia quando fizeram da sustentabilidade apenas mais um artifício de retórica a ser usado para gerar mais lucro para o mercado. 

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Carbocloro greenwashing! E o mercurio onde fica?

PROTESTE: Telefone, mande um fax, escreva para a Carbocloro / Meio Ambiente

tel – (13) 3362-8032 / fax – (13) 3362-818
contato: http://www.carbocloro.com.br/html/contato_6_2.aspx?idioma=1&id=8&void=992124

Nesta matéria sobre o lançamento de mercúrio, abrimos novamente espaço ao companheiro Moésio Rebouças, de Cubatão. O Moésio, tao odiado pelas autoridades e poderosos de todos os calibres porque ele fala, ou melhor, escreve aquilo que todos vêem e cheiram, o odor ruim, mas não têm coragem de dizer. Desta vez, o jornalista desmistifica o marketing ambiental da CARBOCLORO, conhecida pelos ambientalistas de todo o mundo pela sua descarada prática de greenwash. Mas, para não dizer que é perseguição somente do Moésio, vamos começar pelas duas notícias transcritas a seguir:

A primeira publicada em

http://albertomarques.blogspot.com/2009_11_15_archive.html

terça-feira, 17 de novembro de 2009 – BAIXADA URGENTE

MP ENCONTRA TONELADAS DE LIXO TÓXICO EM BELFORD ROXO

lixo tóxico da Carbocloro em Belford Roxo

O Ministério Público Federal através da Procuradoria da República no Município de São João do Meriti, acaba de propor uma Ação Civil Pública para investigar a ação da empresa TRIBEL – Tratamento de resíduos Industriais de Belford Roxo S.A., com base em denúncias da existência nas dependências da empresa, em Belford Roxo, de resíduos da produção de cloro-soda contendo mercúrio, em desacordo com a legislação. Os resíduos seriam oriundos da CARBOCLORO S/A – Indústrias Químicas empresa sediada em Cubatão, São Paulo. Na Ação também são réus o IBAMA e o INEA – Instituto Estadual do Meio Ambiente, vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

Nota do editor: E a CARBOCLORO, cinicamente, disse que não é problema dela, é da empresa que trata seu lixo, a Tribel. KKKKKKK. Assim até o Sugismundo, o desenho greenwash da ditadura, e o Cascão viram limpinhos.

A outra noticia vem de uma tese de doutorado IO/USP publicada em

http://www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira31/noticias/noticia3.htm

Indústrias utilizam processos antiquados

As análises realizadas por Wanzeller no Laboratório de Nutrientes, Macronutrientes e Traços no Oceano, do Instituto Oceanográfico da USP, e as que enviou para a Universidade de Sorbonne, em Paris, indicaram que os problemas antrópicos observados no estuário de Santos são causados pelos processos obsoletos de produção das indústrias locais. “Uma medida que pode mitigar o problema é a troca do processo industrial”, afirma. Mas essa é uma medida de alto custo, reconhece. A indústria Carbocloro, por exemplo, em pleno século XXI, para fabricar soda e cloro, utiliza células de mercúrio, muito embora tal tecnologia já esteja superada, há décadas, por agredir violentamente o meio ambiente. Se trocasse por um processo mais atual, o uso de células de membrana, o nível de poluição ambiental no estuário seria reduzido drasticamente, afirma Wanzeller. No entanto, além de caro, a troca provocaria uma pausa no processo de produção, algo impensável, mesmo que temporária, para qualquer indústria.

SIQUEIRA, Gilmar Wanzeller. Estudo dos teores de metais pesados e de outros elementos em sedimentos superficiais do Sistema Estuarino de Santos(Baixada Santista – São Paulo) e da Plataforma Continental do Amazonas (Margem Continental Norte). 2003. Tese (Doutorado em Oceanografia Química e Geológica) – Instituto Oceanográfico da USP, CNPq

O ARTIGO DO MOESIO SOBRE A CARBOCLORO:

Carbocloro, uma empresa que se afirma “verde”, mas…

Nas últimas décadas, principalmente quando a questão ambiental entrou na moda, a maioria das indústrias com passivo ambiental – poluidoras e agressoras da natureza – reagiram investindo não na limpeza dos seus métodos produtivos ou de exploração dos recursos naturais, mas em propaganda de limpeza de imagem. A prática tornou-se de tal forma tão agressiva e generalizada no mundo todo que foi criado o termo “greenwash” para nomeá-la.

No conceito de “greenwash” cabem todas as práticas pelas quais uma empresa transmite a idéia de que está preocupada com o bem-estar do planeta quando na realidade faz muito pouco ou nada para reduzir o seu impacto na natureza. A forma mais óbvia de “greenwash” é o investimento em propaganda enganosa ou tendenciosa, incluindo a falsa rotulagem de produtos como “amigos do ambiente”, “ecologicamente corretos”, “verdes”.

Exemplos correntes incluem uma empresa apresentar-se como consciente ambientalmente por tomar medidas que reduzem a sua pegada ecológica, impacto ambiental, quando essas medidas foram tomadas por imposição legal ou para reduzir custos ou por criar um produto “verde” sem mudar nada no processo de fabricação dos outros produtos. Mas também se pode incluir neste conceito a elaboração de relatórios ambientais (EIA/RIMA), o patrocínio de eventos ou de ONGs ambientalistas, a distribuição de materiais de educação ambiental ou até a criação de fundações e associações supostamente ecologistas etc.

O mito da “responsabilidade ambiental” das empresas atinge hoje proporções alarmantes, com as empresas a gastar mais dinheiro em práticas de “esverdeamento” ou “lavagem verde” da imagem que em medidas de combate à poluição. Todos querem ocupar o pódio da empresa mais “verde”, mais “sustentável”, mas poucos se esforçam para merecê-lo.

Hoje, toda a empresa se pode tornar “verde”, com o apoio de agências de publicidade e relações públicas e de ONGs que cumprem o mesmo papel destas agências, mesmo que o seu negócio central seja, pela sua natureza, anti-ecológico.

Em Cubatão existem vários exemplos de “greenwash”. A Carbocloro, com um histórico de poluição na região, é uma das grandes empresas do Pólo Industrial de Cubatão que usa de todo os meios ao seu dispor para tornar a sua imagem mais “verde”, alimentando o mito da “responsabilidade ambiental”, ou seja, do “greenwash”.

Poucas pessoas sabem (em Cubatão certas barbaridades passam em branco, sem ninguém questionar nada), mas a Carbocloro esquematiza para meados de 2011 transformar o Rio Cubatão numa hidrovia industrial, onde os navios carregados com sal percorrerão um trajeto de 11 quilômetros, pelos rios Cubatão (a unidade local da empresa fica às margens deste rio), Cascalho, Casqueiro, estuário santista, até chegar ao Porto de Santos.

E o incrível, a Carbocloro chama este projeto de “ecológico”, que trará um ganho “ambiental”, que a hidrovia aumentará a taxa de renovação das águas dos rios, que as viagens de caminhões diminuirão etc.

Mas o que a propaganda da Carbocloro não diz, é que a implantação deste plano trará impactos ambientais ao eco-sistema aquático; que aprofundar trechos dos rios em pelo menos 3 metros provocará a ressuspensão dos sedimentos aquáticos; que a circulação dos navios afetará os manguezais através da movimentação das águas; comprometerá a biodiversidade, as avifaunas presentes no trajeto; empobrecerá o aspecto paisagístico, bucólico e sereno dos rios com tanta movimentação de barcaças; afetará a comunidade pesqueira artesanal; que outras empresas poderão transportar cargas por esta hidrovia até o Porto de Santos; que esta hidrovia poderá se transformar num futuro não muito distante numa espécie de rodovia dos Imigrantes ou Anchieta aquática, engarrafada de embarcações; que do lado da empresa tem uma linha de trem que poderia ser usada por ela para transporte de sal até o Porto de Santos e deixar em paz os rios de Cubatão, para passeios de natureza, contemplação; etc.

Então, por vergonha na cara, a Carbocloro deveria dizer explicitamente, e deixar de lado o “greenwash”, é que a hidrovia, em termos econômicos e de produtividade, transporta mais cargas com um custo bem inferior aos outros modais. E que vai implantar a hidrovia industrial por dinheiro, lucro, e não por um pretenso “ganho ambiental”, “consciência ecológica”.

Vale lembrar que a Carbocloro tem “indiretamente” um ventríloquo, um testa de ferro, e uma das maiores falcatruas ambientais da região instalado na Prefeitura de Cubatão, o diretor da secretaria municipal de Meio Ambiente, Rolando Roebellen, cúmplice e endossador deste projeto anti-ecológico, e que recentemente lançou um livro de fotografias luxuosíssimo chamado “Anilinas”, bancado pela Carbocloro através das leis de incentivos fiscais (Lei Rouanet). Obviamente, ele também é o coordenador do Conselho Comunitário Consultivo da Carbocloro, criado justamente quando esta indústria realizou em 2008 uma única audiência “pública” sobre o projeto “Hidrovia do Sal”, aprovado por unanimidade e com “fogos de artifício”.

É uma pena que em Cubatão não exista um movimento ambientalista com conteúdo, sério e independente para defender os rios, a natureza. Leiamos o que a Carbocloro nem o “ambientalista” Rolando Roebellen nos contam.

Relatorio Green”Crimes ambientais corporativos no Brasil – junho/2002″

Instalada em Cubatão (SP), na Baixada Santista, desde 1964, a Carbocloro é uma joint-venture da grupo nacional Unipar, que atua nas áreas química e petroquímica, e da norte-americana Occidental Chemical Corporation (maior fornecedor de cloro-soda dos Estados Unidos). Ela é responsável por 49% do mercado nacional de cloro líquido e 17% do de soda cáustica. Seu faturamento, em 2000, foi de R$ 314 milhões.

Parte da produção de cloro-soda da Carbocloro é feita através de células de mercúrio. Ao longo dos anos, a empresa acumulou 3 mil toneladas de resíduos mercuriais, provenientes dessas células. Em 1975, a empresa chegou a consumir 440 gramas de mercúrio por tonelada de cloro produzido. Só naquele ano, teriam sido perdidos cerca de 40 toneladas do metal.

Em 1990, a agência ambiental paulista, a Cetesb, publicou um documento baseado na análise da contaminação das águas, dos sedimentos e dos organismos aquáticos no rio Cubatão, que margeia a empresa. Segundo o estudo “a Carbocloro continua sendo uma das fontes desse metal [mercúrio] para o ecossistema aquático, explicando, provavelmente, os maiores valores de mercúrio verificados no sedimento no ponto localizado a jusante da referida indústria”.

A Cetesb multou a unidade da Carbocloro em Cubatão pelo menos quatro vezes por eliminar no rio Cubatão efluentes com concentrações de mercúrio acima do limite permitido pela legislação vigente (0,01 miligrama de mercúrio por litro de efluente): em abril de 1989, setembro de 1992, novembro de 1993 e julho de 1994.

A empresa também recebeu multas por outros motivos. Nos anos 80, por exemplo, ela foi multada por emitir fumaça preta e por dispor resíduos sólidos domésticos no Lixão de Pilões. Em setembro de 1997, por sua vez, foi por lançar óleo no rio Cubatão.

O Greenpeace realizou análises de sedimentos do rio Cubatão e de efluentes industriais da Carbocloro em seu laboratório, em Exeter, na Inglaterra. Foram encontradas evidencias de presença de mercúrio e grande número de organoclorados.

As amostras do Greenpeace variaram de 1,8 a 21,4 ppm. A concentração de mercúrio num solo ou sedimento típico não contaminado é inferior a 0,5 ppm.

Em abril de 1998, dez meses após o levantamento feito pelo Greenpeace, a Cetesb iniciou estudos sobre a contaminação do estuário da Baixada Santista. A agência recolheu sedimentos perto dos pontos de coleta da não-governamental.

Entretanto, eles apresentaram índices de contaminação por mercúrio mais reduzidos, na faixa de 0,015 a 0,93 ppm de mercúrio. A disparidade parece associada às dragagens que ocorriam em área próxima à Carbocloro, na época da coleta feita pelo Greenpeace. Parte do material dragado teria sido usado para aterrar a área onde seria construído um shopping center na cidade vizinha de Praia Grande.

Em depoimento dado ao Ministério Público do Estado de São Paulo em 1998, Márcio Pedroso, que trabalhou na empresa entre 1975 e 1991 e se aposentou por invalidez associada à contaminação por mercúrio, declarou ter testemunhado vários vazamentos do metal na unidade de Cubatão. Em 1991, foram identificados dez casos de intoxicação crônica por mercúrio metálico na Carbocloro.

Em outubro de 2001, o Ministério Público de São José dos Campos instaurou inquérito para apurar responsabilidades na deposição de lixo tóxico contendo mercúrio da fábrica da Carbocloro em Cubatão num aterro de São José. Seu transporte foi feito através do Parque Estadual da Serra do Mar e várias cidades.

Segundo a assessoria de imprensa da Carbocloro, tais resíduos foram mantidos durante 15 anos em oito silos impermeáveis subterrâneos, que nunca contaminaram o solo ou o lençol freático com mercúrio. A decisão de enviá-los a São José seria resultado de longos estudos técnicos.

A empresa também argumenta que a amostra de água analisada pelo Greenpeace em 1988 foi colhida acima da indústria, e portanto a contaminação por mercúrio não poderia vir da empresa. A Carbocloro afirma, também, que estudo produzido pela Cetesb em 2001 no estuário de Santos evidencia que a contaminação por mercúrio dos sedimentos é de origem difusa, sendo impossível destacar suas fontes. Para a empresa, a principal origem da contaminação é a represa Billings.

Fonte: http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/corporate_crimes_port.pdf (Confira na nossa Biblioteca)

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