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Sustentabilidade: a escolha libertária II

Um mundo ambientalmente sustentável é possível. Não essa sustentabilidade da Cosipa, da Carbocloro, da Cubatão verde, das montadoras de veículos, da Petrobrás, da Bandeira azul do Tombo, do Porto de Santos, da fabricação de ISO 14.000, de EIA-Rimas falsificados, de IBAMA e CETESB que nada tem de ambientais, assim como os cursos de Ciências Ambientais de onde saem esses pseudo técnicos. Não estamos falando desse BESTEIROL verde a que um conluio de capitalistas, arrivistas, falsos defensores do meio ambiente, a serviço de seu próprio enriquecimento submergiram toda a luta ambientalista das décadas de 1970 e 1980. Sustentabilidade é autogestão, controle da vida pelos próprios indivíduos, luta contínua contras as corporações, repensar completamente a existência, torná-la menos individualista mais coletiva. A sustentabilidade não é uma palavra do vocabulário capitalista pois ela implica em coletividade, comunidade, cooperação, controle dos recursos pela população. De A a Z apresentaremos as pautas para a verdadeira sustentabilidade:

Adaptação às mudanças climáticas

A compreensão de que as mudanças climáticas em curso determinam profundas transformações aos ecossistemas naturais evidenciam a necessidade de se adaptar o uso às novas condições do planeta. A tomada de consciência das mudanças e das causas antrópicas que as determinaram deveria implicar na revisão dos modos de uso e não na privatização dos sistemas para obter a mesma produtividade. O uso intensivo dos sistemas naturais é acompanhado de uma condição de desequilíbrio do sistema e portanto de um incremento do risco de colapso. As adequações, quer dizer, as intervenções capazes de reduzir os efeitos das mudanças climáticas, podem ser positivas se comportam consigo um repensar sobre os erros cometidos e se não forem meros paliativos, sem a remoção das causas que determinaram as modificações climáticas.

Adequação dos espaços urbanos

Os habitantes adequam o espaço de suas habitações e teriam direito de adaptar às suas modalidades de vida os espaços de seus assentamentos. Atualmente os habitantes sofrem um tipo de organização urbana definida pela especulação imobiliária e, eventualmente, por um tipo de planejamento urbano em que não está previsto a ação ativa e direta do cidadão. Retomar essa delegação que a sociedade industrializada inicialmente e aquela de consumo atualmente cederam aos técnicos, recuperando a possibilidade de intervenção do cidadão e da comunidade, sem causar danos ao meio ambiente e incomodo às pessoas, deveria ser um aspecto positivo da cultura de uma nova sociedade.

Artesanato

O trabalho artesanal permite uma gestão melhor do processo produtivo pelo indivíduo. Além de tudo, é uma modalidade que permite a permanência de uma capacitação técnica no interior da comunidade. Essa capacitação possibilita a construção e a manutenção de manufaturados em modo mais autônomo. O artesanato é caraterístico dos lugares e portanto está em harmonia com os recursos e as culturas locais, adaptando as transformações técnicas ao modelo do lugar. A difusão de uma cultura artesanal permite a redução da penetração do comércio corporativo global.

Autoprodução energética

Os megaprojetos de geração de energia, mesmo aqueles de fontes renováveis, concentram a produção, e portanto, o lucro, e retiram as comunidades locais da gestão de um aspecto fundamental da própria existência. Permitem o monopólio, a predefinição dos preços, mas principalmente implicam em um enorme desperdício de energia na distribuição e sobreprodução (que existe ainda que recolocada na rede). Realizar projetos locais, mesmo que individuais, (mini hidrelétricas, mini eólicas, biomassas, térmicas, solares, etc.) torna possível a redução dos impactos ambientais, o controle dos empreendimentos, a gestão direta dos custos e dos consumos pela própria comunidade.

Autoprodução de alimentos

Produzir diretamente o próprio alimento ou dirigir-se a quem o produz localmente reduz o mercado da alimentação industrializada, torna possível a autonomia alimentar dos territórios e comunidades, aumenta a possibilidade de controlar diretamente a qualidade dos produtos, gera trabalhos. Constitui uma forte ligação entre as comunidades e as áreas produtoras a ajuda a compreender a centralidade do equilíbrio entre o uso e a conservação das potencialidades naturais. Sustentar a autoprodução agrícola, participar e utilizar circuitos comerciais autogestionados.

Autoconstrução

A capacidade de construir e adaptar os espaços onde morar é inerente ao ser humano. Delegar totalmente esta prática a terceiros, não participar da construção e manutenção do próprio meio ambiente limita as potencialidades humanas e inibe a qualidade de vida. Os indivíduos podem contribuir diretamente ou indiretamente na definição do espaço físico onde moram, conscientes da necessidade de se trabalhar de modo a reduzir os efeitos negativos e diminuir o dano causado ao meio ambiente devido ao uso e à transformação do mesmo. Participar de processos de autoconstrução, construir a casa por si próprios ou ainda reformar as autoconstruções já existentes.

Automóveis

A cada dia grande parte dos cidadãos do mundo e entupida com uma obsessiva publicidade de veículos particulares sobre rodas. Se não existisse essa publicidade constante quase que certamente seriam vendidos muito menos automóveis, a nossa sociedade não seria automóvel-cêntrica, não teríamos problemas de poluição urbana, etc. etc. No modelo atual a mobilidade individual sobre rodas aparece para muitos territórios como algo indispensável e insubstituível (se pensarmos aos assentamentos distantes de casas espalhados por todos os lados). Mas não é assim. Podem ser organizadas muitas outras modalidades de transporte a partir daquele individual a motor (motocicletas de pequena cilindrada) bicicletas ou outros que possam ser usados em percursos de menor distancia ou recorrer a carros de uso comum, de menor cilindrada e de dimensões menores. Pode-se fazer isso já, sem muito sacrifício, sem mudar as regras que existem: quem não que fazer individualmente essa mudança, quem possui como escolha de vida ter carros de grande cilindrada, de grande dimensão, novos é um indivíduo dono de uma cultura autoritária, poluidora e socialmente danosa.

Extraído de: http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm



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Mil visitas

Hoje atingimos a casa dos Mil visitantes. Agradecemos a todos aqueles que neste pouco tempo que estamos on-line, de uma forma ou de outra, mais ou menos proximos a nos, tem acessado o blog do CAVE, lido o conteudo, comentado e debatido conosco. Lentamente, iremos adicionando mais material de compartilhamento nas paginas Biblioteca, Videos, Imagens. Sera criada uma nova secao de noticias e reportagens onde reproduziremos textos importantes que nos chegam por outros meios. Queremos que o blog se transforme em um canal de comunicacao e um forum de debates sobre os graves problemas ambientais, sociais e economicos que afetam a Baixada Santista e o planeta como um todo. O Painel do Leitor, mais do que um espaco para o leitor escrever a ideia, deve funcionar como um canal para o compartilhamento e o confronto de ideias entre aqueles que como nos nao concordam com a mercantilizacao total da vida na Terra.

Para esta semana indicamos a sugestao abaixo enviada pelo biologo Wilson Moreira.

NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA, DIA 11 DE AGOSTO ÀS 12H20, COM REPRISE NO DOMINGO ÀS 13H00, VAI AO AR O PROGRAMA VOZES DA PESCA, ESPECIAL CULINÁRIA CAIÇARA. ESCUTE E SABOREIE DIFERENTE!

http://www.radio.ufscar.br

(na cidade de Sao Carlos 95.3 FM)

O programa apresenta a cultura caiçara através de sua cozinha. Quando essa cultura se formou, os recursos alimentares eram obtidos em diferentes habitats, como mar, manguezal, rios, mata, roças e parcas criações, principalmente, de pequenos animais. Os recursos eram explorados durante todo ano, num complexo calendário agrícola, pesqueiro e de extração de produtos da mata. Também havia comércio com os centros urbanos, onde os caiçaras vendiam e trocavam o pouco excedente agrícola e pesqueiro e adquiriam aqueles produtos que não eram produzidos localmente, como sal, carne seca e pólvora para a caça.

Esse complexo calendário influenciava as relações sociais, de trabalho, festas, tradições, tabus e todo universo de manifestações materiais e imateriais de sua cultura. Os caiçaras têm um amplo repertório de pratos e combinações, que propiciam receitas simples e muito saborosas.

A Rádio UFSCar e o Programa Vozes da Pesca aproveitam a data de 06 de agosto, quando se comemora o dia de Bom Jesus de Iguape – importante festa religiosa para os caiçaras – para homenageá-los e levar aos ouvintes informações sobre esse segmento da nossa sociedade. A cultura caiçara estará em foco por meio de sua culinária, que é herdeira das tradições indígenas, européias e apresenta contribuições africanas e nipônicas.

Conversaremos com o Professor Antonio Carlos Diegues, coordenador do Núcleo de Estudos de Populações de Áreas Úmidas Brasileiras, da Universidade de São Paulo, e com as caiçaras Irene Pimenta Paes, de Caraguatatuba e Neide Palumbo, de São Sebastião.

Serão apresentadas receitas típicas e poesias que representam o universo caiçara. Também, estará presente o fandango, música característica desse grupo social que se reacende nos últimos anos, quando diferentes grupos estão gravando CDs e difundindo essa bela manifestação musical.

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