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Cubatão: estância climática para curar doenças respiratórias!!!

Cubatão é uma estância climática para curar doenças respiratórias?

 “Observem o verde na paisagem. Respirem o ar puro, a plenos pulmões, e anotem mais esse inesperado argumento de vendas. Conheçam as oportunidades únicas na Baixada que Cubatão oferece aos bons empreendedores”.

Essas palavras são da prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), pronunciadas no início de junho durante um discurso em Barcelona, na Espanha, quando ela tentava vender a “imagem” da cidade para empresários europeus investirem no município.

Em Cubatão, como nos médios e grandes centros urbanos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, é praticamente impossível escapar dos poluentes, do trânsito carregado quase todos os dias nas estradas que cortam a cidade, das micropartículas liberadas pela queima dos combustíveis (principalmente do óleo diesel com alta concentração de enxofre), das substâncias químicas despejadas no ar pelas indústrias e atividades portuárias, entre outras fontes poluidoras.

Na Baixada Santista é muito raro não termos um parente ou conhecido que não sofre de patologias respiratórias, que resultam da poluição do ar. E na maioria das vezes quem paga o preço da má qualidade do ar são as crianças e idosos. Inclusive com a morte.

Estudos da USP (Universidade de São Paulo), estimam que a poluição do ar na região metropolitana de São Paulo provoque a morte prematura de 3.000 pessoas por ano. Alguém duvida que o mesmo não aconteça na Baixada Santista?

A prefeita de Cubatão, assim como outros políticos e grandes empresários, ainda não entendeu e percebeu que o município está saturado de indústrias pesadas, de grandes empreendimentos. Que a cidade tem que ser feita para os seres humanos, e não para as indústrias, que continuam “roubando” espaços vitais das pessoas e dos animais.

No dia 13 de julho, “A Tribuna On-line” divulgou um texto sob o título “Nível da poluição do ar em Cubatão é péssimo, segundo Respirômetro”, http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=103583&idDepartamento=5&idCategoria=5).

Que a qualidade do ar na cidade não é dos melhores não é nenhuma novidade, somente a prefeita, seus assessores e os empresários que não moram em Cubatão dizem o contrário. Nos dias mais crônicos, secos, é possível sentir a poeira no rosto e perceber as fuligens nos carros, nas folhas e outras superfícies. E se isso não bastasse, ainda tem o cheiro de produtos químicos que exalam das indústrias.

O “curioso” é que o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) da cidade costuma afirmar que 99% das fontes poluidoras estão atualmente “sob controle”. A prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), também com freqüência cita esta porcentagem. Ora, se quase 100% das fontes poluidoras estão “sob controle”, então porque é comum encontrarmos o ar de Cubatão saturado, acima do aceitável?

No dia 21 de julho, o portal da internet da Cetesb (agência ambiental estadual) apontava que o índice de qualidade do ar medido em Cubatão no Centro era “regular” e “inadequada” na Vila Industrial. Um detalhe: sabemos que os índices de medição da conivente Cetesb não são rigorosos como o dos institutos ambientais dos Estados Unidos e Europa.

A CIESP, a CETESB e a Prefeitura deveriam internalizar o passivo ambiental distribuindo máscaras antipoluição para os seres humanos que habitam e visitam Cubatão, a começar pelos futuros doentes de tuberculose catalães em busca da cura na cidade.

Edição de texto original de Moésio Rebouças por Carlo Romani.

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Cubatão!!! Verde no marketing e no outdoor; Preta e cinza no ar e na agua.

Vídeo mostra flagrante de indústria em Cubatão lançando no ar fumaça preta

Nesta terça-feira, 5 de abril, às 17 horas, a Companhia Brasileiro de Estireno, instalada na Avenida Nove de Abril, ao lado do Rio Cubatão, lançou por mais de 20 minutos uma fumaça preta no ar de Cubatão. Um forte odor químico também exalava da indústria. Assistir o flagrante no video abaixo:

Esse vídeo foi gravado de um celular, desde o Poliesportivo Roberto Dick, no centro de Cubatão. As imagens não são de boa qualidade, contudo, explicitam a emissão de gases tóxicos na atmosfera do município. A seguir, a foto da torre de onde partiu a emissão da fumaça negra.

Companhia Brasileira de Estireno - fumaca preta

A Companhia Brasileiro de Estireno está na lista das 100 maiores indústrias emissoras de CO2 no Estado de São Paulo.

Reportagem enviada por Moésio Rebouças.

ATE QUANDO A CETESB VAI CONTINUAR AFIRMANDO QUE A QUALIDADE DO AR EM CUBATAO ‘E BOA?

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CETESB: para que interesses voce trabalha?

Com certeza nao ‘e para a povo, para a cidadania, para o meio ambiente ou para o saneamento. Entao, atende ao interesse de quem? Sera o interesse das corporacoes poluidoras, do estado corrupto e conivente, da expansao do mercado ao custo da poluicao da terra, dos rios, das aguas, do mar… Lembramos que na decada de 1990, quando aumentou a consciencia ambiental no pais e as leis combateram os conglomerados poluidores mais poderosos, ate que a CETESB, em alguns momentos, se posicionou a favor da populacao e dos interesses da maioria da sociedade. Mas, nos ultimos dez anos, a CETESB e os demais orgaos pseudoambientais do Estado, ja nao tem o menor pudor. E o pior de tudo nesse retrocesso ambiental em andamento e que o custo a ser pago por todos nos sera absurdamente maior do que as esmolas de multinhas cobradas e sonegadas. Leiam a seguir a noticia enviada pelo Moesio

Petrobras recebe multa irrisória por vazamento de óleo no Rio Cubatão

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) aplicou  no último dia 21 de janeiro uma multa irrisória à RPBC (Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão), da Petrobras, em cerca de R$ 140 mil, por um vazamento de óleo na estação de tratamento de efluentes da RPBC  no Rio Cubatão, Baixada Santista. O acidente aconteceu provavelmente por falta de manutenção e limpeza do reservatório de decantação de resíduos oleosos.

Com isso, dezenas de petroleiros passaram a trabalhar na contenção do vazamento com o uso de quatro caminhões-vácuo, barreiras absorventes e outros equipamentos e materiais. Técnicos da Cetesb também foram acionados, mas não informaram quanto óleo vazou da RPBC. Mistério.

A Petrobras já havia sido multada por episódios idênticos ocorridos em setembro e no final de dezembro de 2010. Portanto, é reincidente.

Nas três ocasiões, o acidente ocorreu por lançamento de efluente líquido oleoso proveniente do sistema de efluentes líquidos da refinaria, vindo a atingir o Rio Cubatão. Nesta última ocorrência, principalmente nos dias 15 e 16 de janeiro, películas e manchas de óleo eram vistas no corpo d’água na altura da Ponte da Avenida 9 de Abril, no centro da cidade.

Além da multa baixíssima aplicada para a Petrobras, técnicos da Cetesb de Cubatão afirmaram à imprensa: “Não é um vazamento grave nem trouxe danos à flora e à fauna”. Ou seja, mais uma vez, “autoridades ambientais” dizem que “o vazamento foi superficial e não chegou a causar danos ambientais”. Risível.

No Brasil, raramente as multas ambientais são pagas. Nos últimos dez anos, menos de 1% do valor total de multas aplicadas pelos órgãos ambientais estaduais foi pago. A “indústria dos recursos judiciais” funciona muito bem em todo território nacional.

Por outro lado, como relata alguns petroleiros, “estes casos ilustram de maneira cristalina que a excelência em Responsabilidade Social da Petrobras, além de questionável, está se transformando numa peça publicitária demagógica, convincente apenas para os institutos estrangeiros que premiam empresas que são referência em sustentabilidade com base em índices e critérios cada vez mais subjetivos e distantes da realidade”.

E acidentes como estes também explicitam que em Cubatão há pouca consciência ecológica da população, de defesa efetiva do meio ambiente. Afinal estes episódios tristes (e mais ou menos corriqueiros) são vistos com naturalidade pela sociedade, não há reação. Nesta cidade, infelizmente, ecologia é vestir uma camiseta verde, organizar um passeio no mangue, promover um cursinho de “educação ambiental” ou plantar mudas de árvores em datas pontuais. Tudo incentivado pela Prefeitura e as indústrias, dentro da conexão demagógica e marqueteira “verde”.

É incrível como as grandes empresas do pólo industrial de Cubatão continuam mandando e desmandando na cidade, cometendo crimes ambientais e saindo “bem na foto”.

Será que a prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), teria a coragem de tomar banho no Rio Cubatão, na altura da refinaria da Petrobras?

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Sustentabilidade: a escolha libertária VI (fim)

Concluimos com a lista a seguir, a analise dos problemas trazidos ao meio ambiente pela economia capitalista contemporanea e as acoes que podemos fazer para mudar o sistema (a verdadeira sustentabilidade). Uma pequena receita do que voce pode fazer ja.

Compre menos e nao compre descartaveis

Nao compre em grandes redes de hipermercados

Compre no pequeno comercio local

Ande a pe, de bicicleta, de transporte coletivo

Conheca o fornecedor dos produtos alimenticios

Assim que for possivel mude para uma cidade menor e se fixe nela

Procure lazer na natureza e no convivio com as pessoas, poupe seu dinheiro

Poupando mais pode-se trabalhar menos

Trabalhando menos temos mais tempo para levar uma vida sustentavel

Fuja dos espacos privados ocupe os espacos publicos

Nao caia no conto da tecnologia use seus equipamentos ate o limite

Nao reclame dos outros e nao diga que nao tem jeito. Sua acao e importante.

Informe-se, propague estas ideias, desperte e liberte quem esta viciado na teia do consumo

Recursos

Apesar do termo, a palavra “recursos” indica uma visão do meio ambiente voltada para sua transformação ou utilização, desde que observada do ponto de vista utilitário para a espécie humana: é possível um uso dos recursos que não comprometa nem degrade o meio ambiente. O modelo atual os usa enquanto têm viabilidade econômica e, portanto, muito além do limite de uso que permitiria manter as potencialidades desses recursos. Isso é favorecido pela falta de controle das comunidades locais sobre seus próprios recursos e da gestão empresarial deles. A gestão dos recursos no mundo atual é delicada. Eles estão em contínua redução, em estado de alteração, insuficientes para garantir o consumo e a sobrevivência de uma população mundial em contínuo crescimento. Colocar os recursos existentes em relação direta com as comunidades locais, desenvolvendo uma gestão coletiva e definindo o consumo em função de sua disponibilidade, mostra-se, não somente um modo de manter a diversidade cultural e ambiental como permite também seu uso de modo sustentável.

Reutilização

Para permitir a manutenção da cota de mercado inútil e super-dimensionada em relação às necessidades este modelo sustentou, através da comunicação de marketing, técnica e científica, a vantagem do novo sobre o usado. Objetos e materiais usados assumiram um valor menor, de reuso; são rapidamente considerados obsoletos e tornam-se resíduos. Essa é uma incrível perda de riqueza e energia e a criação de um problema, aquele do descarte. Da mobília doméstica ao vestuário, passando por automóveis e apetrechos, os objetos respondem a uma imaginação abstrata estimulada pelo mercado. Reusar, recuperar quer dizer adaptar o novo projeto ao existente, quer dizer condicionar o futuro ao presente.

Resíduos

A quantidade de resíduos a serem descartados deveria ser mínima. Os objetos deveriam ser usados, recuperados, reusados até serem reciclados. Sus quantidade deveria ser reduzida às reais necessidades e somente uma pequena parte deveria tornar-se resíduo e dos resíduos somente uma pequena parte seria descartada definitivamente.

Sustentabilidade

As alterações no meio ambiente começaram a ser percebidas de modo alargado desde o começo dos anos setenta, as políticas internacionais, comunitárias e frequentemente as nacionais indicaram as prioridades para sua solução desde a passagem dos oitenta para os noventa, o termo sustentabilidade aparece constantemente na mídia, mas as condições ambientais pioraram exponencialmente. As condições ambientais e sociais do planeta mostram que o modelo atualmente praticado não tem a capacidade de resolver os problemas encontrados. As soluções sustentáveis são aquelas que conservam e recuperam o meio ambiente, reduzindo os desperdícios e o consumo dos recursos naturais, reduzindo os descartes de resíduos. Isso é sustentabilidade.

Supermercados-hipermercados-shoppings

Instrumento para a venda de coisas inúteis a baixo preço. Em alguns casos os produtos são assim descartáveis que eles deveriam pagar para os clientes o custo do despejo do resíduo. A concentração das vendas está conectada à concentração da distribuição e da produção. São instrumentos para a concentração de riquezas e aumento do poder no embate com a comunidade onde eles impõem suas atividades. Isso desestrutura o tecido social tornando-o dependente dos macro-investimentos das corporações. A verdadeira economia não é comprar tantos produtos descartáveis, mas comprar menos, comprar de quem a gente já conhece, de quem tem capacidade para produzir aquela mercadoria, de quem trabalha nas proximidades.

O Capitalismo mata!!!

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Sustentabilidade: a escolha libertária V

Mais uma série de ações e medidas para reverter a degradação ambiental planetária e promover uma real sustentabilidade. Mostramos as falsas bases em que se construiu o discurso ambiental atual e a gestão ambiental corporativa.

Luxo

A sociedade de consumo induz à aquisição de mercadorias inúteis e cujos efeitos negativos no meio ambiente são gravíssimos e desnecessários. O luxo é um agravante a esta já insustentável condição. O luxo é vulgar porque é inútil. O luxo pé vulgar porque traz efeitos ambientais negativos que degradam os ecossistemas e trazem danos à saúde das pessoas. O luxo é vulgar porque demonstra, com a ignorância de quem o prático, como o mercado consegue extrair lucro de qualquer um: se os ricos não tivesse o luxo como fariam para gastar seu dinheiro?

Mercado

O mercado dos pequenos produtores, dos artesãos, das capacidades técnicas locais é bem vindo. O custo reduzido dos produtos industrializados pode ter um preço altíssimo em termos sociais e ambientais. O mercado analisa quanto que os indivíduos podem gastar desde seu nascimento e cria produtos vendáveis para todas as demandas da vida, desde os indispensáveis e necessários até as mercadorias inúteis, hiperdimensionadas e supérfluas. As corporações globais tem compreendido que talvez nunca consigam vender um automóvel ou um eletrodoméstico a todos os habitantes do planeta e portanto, trabalham para comercializar bens primários (água,grãos, etc.) ampliando assim os mercados dos produtos e dos processos industrializados e monopolísticos também sobre os mais pobres. Procurar ficar o quanto possível longe desse mercado.

Mobilidade

É um dos setores que mais contribui para as alterações climáticas do planeta e prejudica a saúde dos cidadãos. A mobilidade apresentada como sendo um elemento fundamental da liberdade individual é, ao contrário, a maior limitadora dela. O crescimento da mobilidade leva a uma configuração de assentamentos populacionais de baixa densidade e ao aumento da distância entre os lugares de residência , de trabalha, de passeio. A “liberdade” torna-se um dever: não é possível usar os serviços e os equipamentos sem se mover. Somos obrigados a nos mover. Começar a mover-se menos quando tivermos o poder da escolha (nas horas vagas), a mover-se menos para o trabalho (reduzindo os deslocamentos, otimizando os empregos), e procurar soluções de moradia coligadas às relações pessoais e o trabalho.

Meio Ambiente (natureza e sociedade)

As condições do meio ambiente estão diretamente ligadas à organização social da comunidade do entorno. As comunidades de coletores e de caçadores tem uma relação muito leve com os ecossistemas, não levam a produtividade ao colapso, mantem reduzidos o número da população, não acumulam. Uma sociedade que exalta a propriedade privada ou estatal dificilmente conseguirá garantir o uso comum dos bens e uma relação de não exploração dos ecossistemas. Uma sociedade global mercantil, autoritária, artificial, alienada como aquela definida pelo modelo econômico atualmente praticado, tem o acinte através de seus intelectuais de afirmar que a natureza é uma invenção social, valorizando-a como paisagem, domesticando-o como jardim, mas tornando-o em qualquer lugar dependendo da ação humana e valorizada somente se capaz de gerar lucro.

Normas

Nem sempre as normas ajudam a reduzir o impacto ambiental do ser humano. Ao contrário, frequentemente motivado pelas lógicas da produção definem comportamentos que são absolutamente contrários aos objetivos da qualidade ambiental. Fazem anos que se trabalha para reduzir a embalagens e contudo existem sérias normas sanitárias que obrigam os estabelecimentos a usarem embalagens descartáveis, ou, nos supermercados, previamente embalados. É essa normatização que facilita a difusão dos produtos descartáveis não penalizando-os pelos custos sociais e ambientais do descarte; é essa normatização que agilizam a industrialização definindo procedimentos para o controle de qualidade e modos de fabricação impraticáveis para os pequenos produtores e artesãos; é essa normatização que define os financiamentos para cultivos agrícolas estranhos ao meio (a soja), que regula o fornecimento de combustíveis para os veículos particulares, etc. As normas na sociedade de consumo não são criadas pelos cidadãos, nem pelos seus “representantes”, mas pelos grandes interesses corporativos cujas demandas não são pautadas pela bondade mas pela ampliação do mercado e dos lucros (privatização da água, da energia, do solo). Tenham cuidado com as normas para o meio ambiente.

OVM (Transgênicos)

Criados com a justificativa de responder às necessidades alimentares, respondem na realidade à exigência das grandes corporações produtoras em aumentarem a sua produtividade por hectare e de penetrarem no interior do mercado de sementes que atualmente é um segmento, em grande parte, ainda administrado diretamente pelos pequenos produtores. O aumento da produtividade por hectare, como sabido, não melhora as condições da alimentação do planeta, na medida em que o problema da alimentação está ligado à distribuição da produção (muitos países produzem excedentes que jogam fora), à concorrência (muitos países subsidiam os seus produtores o preço dos alimentos produzidos), à estrutura social no uso dos terrenos e portanto depende da produtividade local (as grandes urbanizações tronam as populações mais dependentes de alimentos externos). Os transgênicos não são úteis, podem ser danosos ao meio ambiente, são nocivos para as comunidades locais e para a biodiversidade natural.

Pesquisa

A maior parte da pesquisa é conduzida por entidades privadas que tem um interesse específico na definição de novas mercadorias. Da medicina até os equipamentos militares (que são os setores que mais empregam fundos de pesquisa) passando pelos cosméticos, aos transportes, à química fina e á construção civil, os sujeitos que têm maior disponibilidade econômica investem em pesquisa, não querendo esclarecer necessidades, mas somente os interesses específicos dos financiadores. Os êxitos da pesquisa não são respostas às exigências da população – mesmo porque a pesquisa se desenvolve segundo os mesmo critérios econômicos que regulam o modelo atual e definem seus limites – mas resultados que respondem ao máximo proveito do mercado promotor. Esta pesquisa é socialmente e ambientalmente útil somente em sua mínima parte. Se a pesquisa é capaz de resolver problemas então ela não pode deixar de considerar que a solução se encontra não em inventar mercadorias, mas em modificar sistemas sociais. A pesquisa qualitativa deve ser ligada aos interesses da sociedade, e em seu benefício, desenvolvendo não somente temas específicos mas trabalhando a interação entre a ciência e as formas como a sociedade vive.

Plásticos

Não existem materiais demonizáveis mas existem materiais cuja utilizarão é muita crítica do ponto de vista ambiental e social e o plástico é um destes. O plástico é derivado do petróleo que é seguramente o recurso cujo controle conduziu ao maior número de conflitos armados no último século; é um recurso em vias de se esgotar, altamente poluidor. É, portanto, um recurso social e ambiental muito negativo. O plástico é difundidíssimo pelas suas características que lhe rendem a produção muito simples, e a sua venda, devido aos custos de produção reduzidíssimos, permite a realização de lucros gigantescos. Abusamos do plástico: na construção civil, na decoração de interiores, nos objetos, nos instrumentos. Aonde se vai tem plástico em um número elevadíssimo de componentes diferentes, com aditivos de todos os tipos, tantos e tantos que nem nos é possível reconhecer o conjunto de substâncias presentes neles. Isso traz um gravíssimo problema na fase de produção (lançamento de resíduos contaminantes, risco de incêndio) e também em sua fase de descarte. O plástico além de tudo permite que grande parte dessa produção seja do tipo use e jogue fora, o que aumenta exponencialmente a quantidade de resíduos recicláveis. Reduzir a presença do plástico, assim como de todos os materiais poluidores, somente para suas funções absolutamente necessárias e indispensáveis leva à libertação de uma submissão, à retomada de soluções técnicas locais, à eliminação de uma grande quantidade de dejetos.

Produtos descartáveis

Uma das maiores aberrações da atualidade. Injustificada e incompreensível. Qual a vantagem que temos individualmente com um produto descartável? A possibilidade de não lavar louça, toalhas? E para os aparelhos de barbear? E para os isqueiros? Simplifica a ação? Mas qual é a dificuldade em recarregar um isqueiro? E que incomodo traz ir ao mercado com a nossa própria sacola? É ao contrário a busca pelo desapego em relação ao objeto e a redução de sua identidade específica que está na base da sociedade de consumo. Todos os objetos devem ser equivalentes de modo a poderem ser jogados fora e recomprados, geralmente o mesmo produto, para aumentar o mercado. O enorme custo em termos ambientais e econômicos do descarte desses materiais não justifica as frágeis vantagens de seu uso. Não usar produtos descartáveis.

População

O número de pessoas sobre a terra está em contínuo aumento. O aumento da população altera as relações com os recursos naturais. Em muitas áreas do planeta os habitantes são em quantidade muito superior às potencialidades dos lugares o que provoca limitações na produtividade alimentar dos territórios aráveis. A densidade aumenta, o espaço individual diminui, os espaços naturais começam a escassear tanto em quantidade como em qualidade, os comportamentos são sempre mais regulamentados, a produção torna-se industrializada. Uma demagogia política incentiva a reprodução sem necessidade, haja vista a quantidade de pessoas já existentes, e altera as relações entre as escolhas individuais, o prazer, o bem estar e a consciência coletiva. Podemos apontar alguns fatores que levaram ao aumento populacional desenfreado: o modelo econômico que quer a ampliação do mercado, as religiões que aumentam seus adeptos, as nações que engrandecem com o número de habitantes. Interesses, dogmas, medos, nada disto está ligado ao bem individual e coletivo.

Poupança

O dinheiro poupado tem um impacto ambiental menor do que aquele gerado pelo acúmulo de mercadorias. Enquanto a economia anterior à sociedade de consumo era baseada na poupança, a atual está empenhando todas as disponibilidades dos indivíduos na aquisição de bens, mesmo que se endividando para o futuro e comprando mercadorias inúteis. As mercadorias por um lado tornaram-se instrumento para extrair riqueza e por outro para acumulá-la: as duas são um desastre para o meio ambiente.

Qualidade/quantidade

Faz tempo que se tende a reduzir a estratégia de sustentabilidade ao aumento da eficiência das ações praticadas. A razão em curso diz que se um automóvel atual polui significativamente menos do que um carro de quarenta anos atrás, as condições do planeta tendem a melhorar. Mas ,um automóvel de quarenta anos atrás andava muito menos quilômetros por ano do que um atual, tinha uma vida muito mais longa (e, portanto, usava ao máximo a energia que lhe foi gasta durante a construção), e fazia parte de um parque automotivo que era uma parcela mínima do atual. O aumento da qualidade das mercadorias é condição necessária mas não suficiente para a solução de nossos problemas. A ela tem que ser aplicada uma significativa redução da quantidade de mercadorias.

Tradução de Carlo Romani.

Leia na íntegra em http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

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Sustentabilidade: a escolha libertária IV

Continuamos nossa série para um mundo verdadeiramente sustentável. Não se preocupe, isso não é para já, mas se quisermos num futuro não tão distante continuar vivendo na Terra sem ter que exterminar alguns bilhões de habitantes (como os tecno-fascistas do poder global já planejam) estas práticas devem ser adotadas. Nos chamam de loucos, utópicos, que queremos voltar a ser índios. Não. As propostas apresentadas são o resultado da mais ampla capacidade humana de convívio ambientalmente harmônico. Por isso junte-se a nós: PARA SALVAR O PLANETA É PRECISO DESTRUIR O CAPITALISMO.

Eficiência (aumento da)

Termo definido em âmbito industrial com base na demanda de parte da sociedade para reduzir os efeitos negativos da produção e em relação à crise do petróleo dos anos setenta e da consequente necessidade de reduzir o consumo de energia. A eficiência prevê que as mercadorias sejam substituídas por outras em um contínuo melhoramento da eficiência (requisitada também pelas regras de qualidade dos produtos). Dessa maneira, “novas” mercadorias substituem “velhas” mercadorias, com a mesma função e com as antigas ainda funcionando. O uso instrumental desse conceito permitiu o aumento de novos segmentos de mercado (as pessoas compram mais vezes o mesmo produto em níveis de eficiência sempre superiores) demandando, porém, uma enorme quantidade de energia e produzindo paralelamente uma enorme quantidade de resíduos e dejetos. Dado que o aumento da eficiência vem qualificado sobre cada unidade de produto, a vantagem da melhor eficiência alcançada com o melhoramento do produto, é absorvido e ultrapassado pela desvantagem do aumento da quantidade de produtos em uso. Não cair na armadilha da pseudo eficiência, nem nos juízos de qualidade sobre as mercadorias nem em sua aquisição; manter as mercadorias pelo tempo mais longo possível verificando sua efetiva funcionalidade em função de suas necessidades. A melhor eficiência é a redução do consumo de mercadorias.

Equilíbrio

A quase totalidade dos assentamentos humanos não está em equilíbrio com o meio ambiente; consomem uma quantidade de energia superior àquela disponível localmente, emitem contaminantes de diferentes tipos e em quantidades superiores à capacidade de recuperação dos ecossistemas. O conjunto dos assentamentos humanos e da atividade planetária consome recursos e produz emissões em quantidades superiores à capacidade de suporte do planeta. A situação encontra-se em total desiquilíbrio tanto localmente quanto globalmente. O futuro dos ecossistemas naturais está comprometido ,mas também o futuro da vida humana que depende da natureza para viver. O risco de colapso aumenta com o tempo e com a manutenção das características do modelo econômico e social praticado e o crescimento exponencial dele. Recolocar em equilíbrio os assentamentos humanos com os recursos utilizados em escala local, conectando os consumos aos recursos naturais realmente disponíveis, diversificando-os em função das características dos lugares e, portanto, de sua produtividade, surge como um elemento indispensável para pensar em um futuro planeta sustentável.

Esgotamento dos solos

Assentamentos agropecuários e infraestruturas agrícolas se expandem ocupando todos os terrenos. As áreas ocupadas perdem suas potencialidades ecológicas, não são biologicamente produtivas. As áreas ocupadas tornam-se desertos dentro de ecossistemas que tem todo outro tipo de capacidades, áreas de difícil recuperação natural, que permanecem desflorestadas no tempo e são diretamente responsáveis pelo aquecimento global. Essa condição agrava-se quando ocorre nos territórios que tenham maior produtividade agrícola. As grandes quantidades de solo.

Especialização dos espaços

Os espaços físicos do planeta são utilizados para a produção de alimentos, sob gestão das grandes corporações de produção e distribuição do agronegócio de modo especializado. Em um lugar se produz soja, no outro trigo. A monocultura destrói as comunidades locais criando um mercado que elas não podem controlar, limitam sua autonomia alimentar, as empobrecem tecnicamente e culturalmente, fazendo com que desapareçam nessa reconfiguração do processo distributivo global. A recusa das áreas especializadas de produção é a garantia da autonomia das comunidades locais. As multiculturas, a manutenção das capacidades técnicas gerais e das produções específicas de cada lugar, não somente ajudam a sociedade, como também conservam a diversidade biológica e a qualidade ambiental.

Fontes renováveis

O uso da energia de fontes renováveis deve ser acompanhado da contínua diminuição das emissões das fontes não renováveis e de uma significativa redução do consumo.

Frear a velocidade

Fazer menos coisas, diminuir a velocidade da vida pode ajudar a aumentar a consciência do que se faz. Provavelmente aumentaria a possibilidade de que os processos decisórios sejam participativos, com certeza reduziria o consumo de recursos e a quantidade de emissões.

Globalização

É um mecanismo inventado e sustentado pelas maiores corporações econômicas para aumentar as trocas, concentrar a produção e a gestão do mercado, e fazer crescer exponencialmente os lucros. A globalização é defendida por intelectuais que, ignorando a condição de desastre em curso, a consideram como o modelo de crescimento cultural e social do planeta. Globalização é o não lugar, onde o indivíduo não tem peso, onde o indivíduo, padronizado, interpreta o papel de máquina, onde a comunidade não existe, onde existe um governo econômico que dita as regras sociais. Não comprar produtos globalizados, não utilizar soluções globalizadas, prestar atenção às capacidades produtivas locais, às características sociais das mercadorias , às comunidades.

Habitar

A cultura contemporânea desestruturou o sentido desta palavra parcelando a atividade que compõem uma jornada: uma zona onde se dorme, uma onde se trabalha, outra onde nos divertimos, etc.: a completude da habitação se perdeu com o desenvolvimento das ações produtivas e comerciais (aquisição e consumo). Os territórios são ignorados, não há ligação com eles, desconhecemos o meio ambiente e as pessoas que nos cercam, nem ao menos aquela consciência simples e eficaz do próprio lugar que tinham as culturas tradicionais. Os lugares são pré-fabricados pelos interesses econômicos (vejam os centros comerciais, os hipermercados, as salas multiuso, etc.) e são padronizados à imagem do comércio da atualidade. Neles os indivíduos tem somente a função de compradores d mercadorias, mas não podem contribuir para sua construção e para o seu uso. Desse modo não moramos mais nos lugares porque não existe mais uma relação com o espaço em que vivemos. Participar ativamente da definição dos espaços construídos, recusar as compras nos centros comerciais, nos hipermercados, recusar a cadeia produtiva que uniformiza a alimentação, a arquitetura dos espaços, o próprio espaço de vida, é a luta a ser empreendida.

Iluminação

O planeta é muito iluminado de modo artificial; a noite desapareceu nas cidades. Reduzir a iluminação, (re)escurecer a noite.

Indústria

Sistema produtivo que precisa de uma profunda revisão ambiental e social. A partir da redefinição da real necessidade das mercadorias, da relação geográfica entre os lugares de produção e de uso, da redução do deslocamento das mercadorias. A indústria é uma modalidade produtiva que não precisamos abandonar, desde que suas finalidades sejam realocadas do domínio econômico para o domínio social e ambiental.

Industrialização

O objetivo da industrialização não é o de produzir mercadorias, mas o de gerar lucros: as mercadorias são excedentes, os processos produtivos poluidores e socialmente desestruturados, a qualidade dos produtos é reduzida, a duração predefinida é limitada. A industrialização é o principal fundamento do mercado global e produz resíduos como se fossem mercadorias. A industrialização da sociedade levou a modelos de organização social da vida que seguem os mesmos critérios estabelecidos pela produção na indústria: divisão por etapas, fraccionamento das contribuições individuais, desconhecimento do processo como um todo, controles de qualidade auto-referenciados e setoriais. Precisamos desindustrializar as nossas mentes e utilizar somente os produtos industriais que sirvam e garantam a qualidade ambiental e social desejadas sem sermos reféns da cultura industrial.

Infraestrutura

Se quisermos aumentar a mobilidade das mercadorias e das pessoas, privilegiando os deslocamentos, não é necessário discutir o aumento da infraestrutura. Dado que não existe um limite estabelecido para a satisfação humana, nem para quão rápido se façam os percursos, nem para a quantidade de deslocamentos feitos, torna-se evidente que, perseguindo este modelo, as infraestruturas nunca serão suficientes. A cada aumento da infraestrutura existente corresponde sempre uma maior dependência delas. Por exemplo, a construção de rodovias facilita o uso de automóveis e portanto leva ao contínuo aumento da mobilidade sobre rodas (particular e de carga), das emissões de poluentes, dos consumos de energia, das alterações no meio ambiente, dos danos à saúde dos cidadãos e favorecerá o parcelamento dos assentamentos humanos e a concentração da produção. A atual mobilidade humana é exagerada e é gerada pela especulação imobiliária (que obriga as pessoas de menor renda a distanciarem-se das cidades já consolidadas) e pelo deslocamento das mercadorias (cuja produção sendo concentrada necessita de ser transportada para os locais onde os monopólios levaram à falência os pequenos produtores locais). Opor-se ao aumento da infraestrutura (em particular àquela rodoviária e aeroportuária, além dos trens de alta velocidade) quer dizer opor-se ao modelo econômico produtivo e de ocupação, limitando seu desenvolvimento.

Inovações tecnológicas

O novo assumiu um valor positivo absoluto. No marketing das mercadorias tornou-se um valor favorável independentemente da real qualidade do produto. A consideração positiva sobre o que é novo aplica-se indistintamente a todas as ações e produtos da sociedade contemporânea com tal intensidade que inovação tornou-se um tema de interesse prioritário. A inovação útil é aquela que melhora a qualidade ambiental e social das ações, dos processos, dos produtos valorizando não somente os efeitos com a totalidade da ação efetuada. É necessário enfrentar o tema da inovação com toda a crítica disponível para se verificar quais as reais vantagens que um modelo novo tem, sem sermos entusiastas per si da novidade, conscientes de que atrás desse entusiasmo induzido se escondem os problemas que a inovação tecnológica traz.

Extraído de http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

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Adeus, Vicente de Carvalho!

Ontem, cinco de novembro, houve outra audiência pública em Guarujá com os temas Retroporto, Pré-sal e desenvolvimento econômico. Como em outras oportunidades, a divulgação foi restrita e o local distante (UNAERP) levou poucos presentes, além dos alunos da instituição. Acompanhamos a fala da prefeita e dos outros integrantes da mesa e assistimos à exposição do plano de parceria público-privada que o executivo municipal propõe. Ainda não temos acesso ao mapa das intervenções, mas, resumindo, trata-se de uma enorme expansão da área retro-portuária, ocupando quase toda a margem direita da rodovia Domênico Rangoni, numa extensão de 4.000.000 km2. A área que foi declarada de utilidade pública em 2007 por ocasião do plano diretor elaborado pela gestão passada, cujo relatório técnico feito pelo CAVE instruiu a ação civil movida pelo MP de Guarujá que acabou arquivada, é definida como macro-zona de proteção ambiental, mas destinada a ações de desenvolvimento compatível e ocupação dirigida. Ver o relatório:

http://www.slideshare.net/coletivocave/plano-diretor-guaruja

Com esse artifício, uma área de restinga lindeira a maguezais pode ser completamente desmatada em nome do interesse público (quem é esse público?). Mas esse nem é o maior dos problemas. Essa área enorme destinada a pátio de containers e estacionamento de caminhões será utilizada por todos os terminais portuários atuais e futuros de Guarujá e de Santos (Embraport, Barnabé-Bagres, etc.). Isso acarretará um aumento brutal de tráfego pela Domênico Rangoni, tanto em sua extensão na ilha de Santo Amaro como no trecho anterior, na área continental de Santos. A esse quadro devemos acrescentar o aeroporto para aviões cargueiros que faz parte do projeto de integração modal. Dessa forma, Vicente de Carvalho que já se encontra sufocada entre o porto no canal e a rodovia, será totalmente circundada por atividades portuárias, retro-portuárias, aeroportuárias e industriais, que agregam poluição atmosférica, sonora, visual, aquática, evidentemente, diminuindo a qualidade de vida. Além de tudo isso, a própria prefeitura estima que com esses projetos a população do município alcance os 465 mil habitantes daqui a dez anos. Até agora, a proposta de desenvolvimento somente aponta para o crescimento econômico das atividades citadas e o aumento dos impactos sociais e ambientais sobre a população moradora, a vegetação nativa e a qualidade de vida. Há um plano para concessão da área, mas não há nenhum estudo sobre como ampliar a infra-estrutura de oferta de água e de esgoto e como ficará o trafego externo à área concedida. A própria Ecovias se manifestou temerosa quanto ao aumento de tráfego pesado num complexo rodoviário que já está novamente saturado. Aparentemente, o que a proposta anuncia é: primeiro uma concessão de uso comercial em uma área pública, ainda sem infra-estrutura compatível com o aumento de demanda que ocorrerá em todos os níveis; só num segundo momento, com os recursos gerados aos cofres públicos com a concessão, é que um provável investimento para dar sustentação ao agravamento dos problemas coletivos será feito. Ou somos todos loucos ou entendemos errado a premissa fundamental da sustentabilidade: “O CRESCIMENTO ECONÔMICO DEVE ESTAR SUBORDINADO A CONDIÇÕES ADEQUADAS DE INFRA-ESTRUTRA PARA GARANTIR A QUALIDADE DE VIDA EM TODOS OS NÍVEIS”.

A seguir mostramos de modo grosseiro numa fotografia aérea antiga de Vicente de Carvalho a localização da área de concessão com a zona de amortecimento de impacto (em vermelho) e o projeto da perimetral urbana para retirar o tráfego pesado das ruas dos bairros (em amarelo). Contudo, não há nenhum projeto de suporte ao aumento do tráfego nas rodovias administradas pela Ecovias (em azul). O distrito ficará completamente envolvido pela expansão do porto (roxo) e pelo aeroporto (rosa). Esperamos em breve obter o mapa da Prefeitura para fazermos um estudo detalhado dos impactos a serem causados.

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Bando de burocratas sentados nos gabinetes.

A sequencia de slides apresentada no link a seguir sao fotografias tiradas de barco por um percurso  que passa por dentro dos mangues e canais do estuario de Santos na area do municipio de Cubatao. O contraste entre a beleza da natureza ,sua flora e fauna ,e a tristeza da poluicao das aguas pelo lixo domestico e pelos dejetos industriais. Convidamos todos os burocratas a sairem de seus gabinetes onde tomam sentados suas aguas de coco e falam besteiras, a se dedicarem a FAZER UMA POLITICA AMBIENTAL QUE ACABE COM A IDEIA DE QUE A INDUSTRIA TRAZ PROGRESSO. INDUSTRIA NOS LEGA SOMENTE POLUICAO E MISERIA!!!

Ouça a versão eletrônica do Pelego Verde:

http://www.4shared.com/audio/2ThyGZtY/EsquadraoDoPretoVelho-PelegoVe.html

Mais sobre o Esquadrao do Preto Velho –

http://www.myspace.com/esquadraodopretovelho

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Carbocloro greenwashing! E o mercurio onde fica?

PROTESTE: Telefone, mande um fax, escreva para a Carbocloro / Meio Ambiente

tel – (13) 3362-8032 / fax – (13) 3362-818
contato: http://www.carbocloro.com.br/html/contato_6_2.aspx?idioma=1&id=8&void=992124

Nesta matéria sobre o lançamento de mercúrio, abrimos novamente espaço ao companheiro Moésio Rebouças, de Cubatão. O Moésio, tao odiado pelas autoridades e poderosos de todos os calibres porque ele fala, ou melhor, escreve aquilo que todos vêem e cheiram, o odor ruim, mas não têm coragem de dizer. Desta vez, o jornalista desmistifica o marketing ambiental da CARBOCLORO, conhecida pelos ambientalistas de todo o mundo pela sua descarada prática de greenwash. Mas, para não dizer que é perseguição somente do Moésio, vamos começar pelas duas notícias transcritas a seguir:

A primeira publicada em

http://albertomarques.blogspot.com/2009_11_15_archive.html

terça-feira, 17 de novembro de 2009 – BAIXADA URGENTE

MP ENCONTRA TONELADAS DE LIXO TÓXICO EM BELFORD ROXO

lixo tóxico da Carbocloro em Belford Roxo

O Ministério Público Federal através da Procuradoria da República no Município de São João do Meriti, acaba de propor uma Ação Civil Pública para investigar a ação da empresa TRIBEL – Tratamento de resíduos Industriais de Belford Roxo S.A., com base em denúncias da existência nas dependências da empresa, em Belford Roxo, de resíduos da produção de cloro-soda contendo mercúrio, em desacordo com a legislação. Os resíduos seriam oriundos da CARBOCLORO S/A – Indústrias Químicas empresa sediada em Cubatão, São Paulo. Na Ação também são réus o IBAMA e o INEA – Instituto Estadual do Meio Ambiente, vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

Nota do editor: E a CARBOCLORO, cinicamente, disse que não é problema dela, é da empresa que trata seu lixo, a Tribel. KKKKKKK. Assim até o Sugismundo, o desenho greenwash da ditadura, e o Cascão viram limpinhos.

A outra noticia vem de uma tese de doutorado IO/USP publicada em

http://www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira31/noticias/noticia3.htm

Indústrias utilizam processos antiquados

As análises realizadas por Wanzeller no Laboratório de Nutrientes, Macronutrientes e Traços no Oceano, do Instituto Oceanográfico da USP, e as que enviou para a Universidade de Sorbonne, em Paris, indicaram que os problemas antrópicos observados no estuário de Santos são causados pelos processos obsoletos de produção das indústrias locais. “Uma medida que pode mitigar o problema é a troca do processo industrial”, afirma. Mas essa é uma medida de alto custo, reconhece. A indústria Carbocloro, por exemplo, em pleno século XXI, para fabricar soda e cloro, utiliza células de mercúrio, muito embora tal tecnologia já esteja superada, há décadas, por agredir violentamente o meio ambiente. Se trocasse por um processo mais atual, o uso de células de membrana, o nível de poluição ambiental no estuário seria reduzido drasticamente, afirma Wanzeller. No entanto, além de caro, a troca provocaria uma pausa no processo de produção, algo impensável, mesmo que temporária, para qualquer indústria.

SIQUEIRA, Gilmar Wanzeller. Estudo dos teores de metais pesados e de outros elementos em sedimentos superficiais do Sistema Estuarino de Santos(Baixada Santista – São Paulo) e da Plataforma Continental do Amazonas (Margem Continental Norte). 2003. Tese (Doutorado em Oceanografia Química e Geológica) – Instituto Oceanográfico da USP, CNPq

O ARTIGO DO MOESIO SOBRE A CARBOCLORO:

Carbocloro, uma empresa que se afirma “verde”, mas…

Nas últimas décadas, principalmente quando a questão ambiental entrou na moda, a maioria das indústrias com passivo ambiental – poluidoras e agressoras da natureza – reagiram investindo não na limpeza dos seus métodos produtivos ou de exploração dos recursos naturais, mas em propaganda de limpeza de imagem. A prática tornou-se de tal forma tão agressiva e generalizada no mundo todo que foi criado o termo “greenwash” para nomeá-la.

No conceito de “greenwash” cabem todas as práticas pelas quais uma empresa transmite a idéia de que está preocupada com o bem-estar do planeta quando na realidade faz muito pouco ou nada para reduzir o seu impacto na natureza. A forma mais óbvia de “greenwash” é o investimento em propaganda enganosa ou tendenciosa, incluindo a falsa rotulagem de produtos como “amigos do ambiente”, “ecologicamente corretos”, “verdes”.

Exemplos correntes incluem uma empresa apresentar-se como consciente ambientalmente por tomar medidas que reduzem a sua pegada ecológica, impacto ambiental, quando essas medidas foram tomadas por imposição legal ou para reduzir custos ou por criar um produto “verde” sem mudar nada no processo de fabricação dos outros produtos. Mas também se pode incluir neste conceito a elaboração de relatórios ambientais (EIA/RIMA), o patrocínio de eventos ou de ONGs ambientalistas, a distribuição de materiais de educação ambiental ou até a criação de fundações e associações supostamente ecologistas etc.

O mito da “responsabilidade ambiental” das empresas atinge hoje proporções alarmantes, com as empresas a gastar mais dinheiro em práticas de “esverdeamento” ou “lavagem verde” da imagem que em medidas de combate à poluição. Todos querem ocupar o pódio da empresa mais “verde”, mais “sustentável”, mas poucos se esforçam para merecê-lo.

Hoje, toda a empresa se pode tornar “verde”, com o apoio de agências de publicidade e relações públicas e de ONGs que cumprem o mesmo papel destas agências, mesmo que o seu negócio central seja, pela sua natureza, anti-ecológico.

Em Cubatão existem vários exemplos de “greenwash”. A Carbocloro, com um histórico de poluição na região, é uma das grandes empresas do Pólo Industrial de Cubatão que usa de todo os meios ao seu dispor para tornar a sua imagem mais “verde”, alimentando o mito da “responsabilidade ambiental”, ou seja, do “greenwash”.

Poucas pessoas sabem (em Cubatão certas barbaridades passam em branco, sem ninguém questionar nada), mas a Carbocloro esquematiza para meados de 2011 transformar o Rio Cubatão numa hidrovia industrial, onde os navios carregados com sal percorrerão um trajeto de 11 quilômetros, pelos rios Cubatão (a unidade local da empresa fica às margens deste rio), Cascalho, Casqueiro, estuário santista, até chegar ao Porto de Santos.

E o incrível, a Carbocloro chama este projeto de “ecológico”, que trará um ganho “ambiental”, que a hidrovia aumentará a taxa de renovação das águas dos rios, que as viagens de caminhões diminuirão etc.

Mas o que a propaganda da Carbocloro não diz, é que a implantação deste plano trará impactos ambientais ao eco-sistema aquático; que aprofundar trechos dos rios em pelo menos 3 metros provocará a ressuspensão dos sedimentos aquáticos; que a circulação dos navios afetará os manguezais através da movimentação das águas; comprometerá a biodiversidade, as avifaunas presentes no trajeto; empobrecerá o aspecto paisagístico, bucólico e sereno dos rios com tanta movimentação de barcaças; afetará a comunidade pesqueira artesanal; que outras empresas poderão transportar cargas por esta hidrovia até o Porto de Santos; que esta hidrovia poderá se transformar num futuro não muito distante numa espécie de rodovia dos Imigrantes ou Anchieta aquática, engarrafada de embarcações; que do lado da empresa tem uma linha de trem que poderia ser usada por ela para transporte de sal até o Porto de Santos e deixar em paz os rios de Cubatão, para passeios de natureza, contemplação; etc.

Então, por vergonha na cara, a Carbocloro deveria dizer explicitamente, e deixar de lado o “greenwash”, é que a hidrovia, em termos econômicos e de produtividade, transporta mais cargas com um custo bem inferior aos outros modais. E que vai implantar a hidrovia industrial por dinheiro, lucro, e não por um pretenso “ganho ambiental”, “consciência ecológica”.

Vale lembrar que a Carbocloro tem “indiretamente” um ventríloquo, um testa de ferro, e uma das maiores falcatruas ambientais da região instalado na Prefeitura de Cubatão, o diretor da secretaria municipal de Meio Ambiente, Rolando Roebellen, cúmplice e endossador deste projeto anti-ecológico, e que recentemente lançou um livro de fotografias luxuosíssimo chamado “Anilinas”, bancado pela Carbocloro através das leis de incentivos fiscais (Lei Rouanet). Obviamente, ele também é o coordenador do Conselho Comunitário Consultivo da Carbocloro, criado justamente quando esta indústria realizou em 2008 uma única audiência “pública” sobre o projeto “Hidrovia do Sal”, aprovado por unanimidade e com “fogos de artifício”.

É uma pena que em Cubatão não exista um movimento ambientalista com conteúdo, sério e independente para defender os rios, a natureza. Leiamos o que a Carbocloro nem o “ambientalista” Rolando Roebellen nos contam.

Relatorio Green”Crimes ambientais corporativos no Brasil – junho/2002″

Instalada em Cubatão (SP), na Baixada Santista, desde 1964, a Carbocloro é uma joint-venture da grupo nacional Unipar, que atua nas áreas química e petroquímica, e da norte-americana Occidental Chemical Corporation (maior fornecedor de cloro-soda dos Estados Unidos). Ela é responsável por 49% do mercado nacional de cloro líquido e 17% do de soda cáustica. Seu faturamento, em 2000, foi de R$ 314 milhões.

Parte da produção de cloro-soda da Carbocloro é feita através de células de mercúrio. Ao longo dos anos, a empresa acumulou 3 mil toneladas de resíduos mercuriais, provenientes dessas células. Em 1975, a empresa chegou a consumir 440 gramas de mercúrio por tonelada de cloro produzido. Só naquele ano, teriam sido perdidos cerca de 40 toneladas do metal.

Em 1990, a agência ambiental paulista, a Cetesb, publicou um documento baseado na análise da contaminação das águas, dos sedimentos e dos organismos aquáticos no rio Cubatão, que margeia a empresa. Segundo o estudo “a Carbocloro continua sendo uma das fontes desse metal [mercúrio] para o ecossistema aquático, explicando, provavelmente, os maiores valores de mercúrio verificados no sedimento no ponto localizado a jusante da referida indústria”.

A Cetesb multou a unidade da Carbocloro em Cubatão pelo menos quatro vezes por eliminar no rio Cubatão efluentes com concentrações de mercúrio acima do limite permitido pela legislação vigente (0,01 miligrama de mercúrio por litro de efluente): em abril de 1989, setembro de 1992, novembro de 1993 e julho de 1994.

A empresa também recebeu multas por outros motivos. Nos anos 80, por exemplo, ela foi multada por emitir fumaça preta e por dispor resíduos sólidos domésticos no Lixão de Pilões. Em setembro de 1997, por sua vez, foi por lançar óleo no rio Cubatão.

O Greenpeace realizou análises de sedimentos do rio Cubatão e de efluentes industriais da Carbocloro em seu laboratório, em Exeter, na Inglaterra. Foram encontradas evidencias de presença de mercúrio e grande número de organoclorados.

As amostras do Greenpeace variaram de 1,8 a 21,4 ppm. A concentração de mercúrio num solo ou sedimento típico não contaminado é inferior a 0,5 ppm.

Em abril de 1998, dez meses após o levantamento feito pelo Greenpeace, a Cetesb iniciou estudos sobre a contaminação do estuário da Baixada Santista. A agência recolheu sedimentos perto dos pontos de coleta da não-governamental.

Entretanto, eles apresentaram índices de contaminação por mercúrio mais reduzidos, na faixa de 0,015 a 0,93 ppm de mercúrio. A disparidade parece associada às dragagens que ocorriam em área próxima à Carbocloro, na época da coleta feita pelo Greenpeace. Parte do material dragado teria sido usado para aterrar a área onde seria construído um shopping center na cidade vizinha de Praia Grande.

Em depoimento dado ao Ministério Público do Estado de São Paulo em 1998, Márcio Pedroso, que trabalhou na empresa entre 1975 e 1991 e se aposentou por invalidez associada à contaminação por mercúrio, declarou ter testemunhado vários vazamentos do metal na unidade de Cubatão. Em 1991, foram identificados dez casos de intoxicação crônica por mercúrio metálico na Carbocloro.

Em outubro de 2001, o Ministério Público de São José dos Campos instaurou inquérito para apurar responsabilidades na deposição de lixo tóxico contendo mercúrio da fábrica da Carbocloro em Cubatão num aterro de São José. Seu transporte foi feito através do Parque Estadual da Serra do Mar e várias cidades.

Segundo a assessoria de imprensa da Carbocloro, tais resíduos foram mantidos durante 15 anos em oito silos impermeáveis subterrâneos, que nunca contaminaram o solo ou o lençol freático com mercúrio. A decisão de enviá-los a São José seria resultado de longos estudos técnicos.

A empresa também argumenta que a amostra de água analisada pelo Greenpeace em 1988 foi colhida acima da indústria, e portanto a contaminação por mercúrio não poderia vir da empresa. A Carbocloro afirma, também, que estudo produzido pela Cetesb em 2001 no estuário de Santos evidencia que a contaminação por mercúrio dos sedimentos é de origem difusa, sendo impossível destacar suas fontes. Para a empresa, a principal origem da contaminação é a represa Billings.

Fonte: http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/corporate_crimes_port.pdf (Confira na nossa Biblioteca)

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Audiência pública, democracia direta e o inimigo do povo.

Desde meados da década de 1990, a recente democracia brasileira passou a ser brindada com alguns instrumentos de participação política direta da sociedade civil como os plebiscitos, o referedum, os conselhos municipais e as audiências públicas. Nada que já não estivesse previsto na Constituição Federal de 1988. A tendência de participação direta da sociedade civil na elaboração de políticas públicas não é nova. A Suécia e outros países nórdicos já faziam uso desse expediente desde o século XIX. Henrik Ibsen, em sua imortal peça Um inimigo do povo, apresentava no ano de 1882 justamente o caso de um médico sanitarista que queria alertar a população de um pequeno balneário norueguês para o problema da poluição da água por um curtume, fato que atrapalharia o turismo na cidade. O problema, de certa forma parecido com o da Baixada Santista (as indústrias e o porto já contaminaram quimicamente toda a água do estuário), foi debatido em uma assembléia popular e o Doutor Stockmann tornou-se um inimigo da cidade por defender, pasmem, o MEIO AMBIENTE, a COMUNIDADE, a VIDA!!!! Naquela assembléia popular ele foi taxado de louco e os políticos populistas e os empresários cobiçosos tornam-se os restauradores da ordem, os salvadores da pátria sob o manto acobertador e hipócrita de uma sociedade mesquinha, encimesmada em seus interesses particulares. Portanto, não há nada de novo no reino da Dinarmarca, por sinal, a terra natal de Ibsen.

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Inimigo_do_Povo

Realizar uma audiência pública, versão atual brasileira daquela assembléia popular, seria, em teoria, uma maneira de democratizar a democracia. A democracia moderna – diferentemente da original antiga, a grega, cujo princípio da Pólis somente concebia a idéia da política com a participação de todos os cidadãos nas assembléias em praça pública, a Ágora – a democracia moderna é representativa, uma meia-democracia. Ou seja, significa dizer que na democracia moderna quem decide não são os cidadãos, mas sim seus hipotéticos representantes, que geralmente são profissionais a serviço de seu próprio enriquecimento e dos interesses loobistas dos empreendedores particulares que lhes financiam as campanhas. Por isso declaramos não se digne a dar um cheque em branco a eles: VOTE NULO ou NÃO VOTE.

Para minimizar a centralização decisória na mão de poucos, nossa progressista Constituição de 1988 OBRIGA, vejam bem não é um favorzinho feito ao povo, a Constituição OBRIGA que projetos polêmicos e complexos com forte impacto, social, ambiental e cultural sejam submetidos à apreciação e debate pelo conjunto da sociedade. E, mais ainda, a Constituição OBRIGA que o Executivo, em todas as suas instâncias, organize essas audiências de modo a permitir a mais ampla representatividade social possível, garantindo o direito à fala em igualdade de condições de qualquer cidadão. Isso não é FAVOR é a LEI!!!!!!!!

Na prática não funciona assim. Geralmente as prefeituras ou o governo do estado montam um circo em cuja mesa-picadeiro se movem os “experts” dos projetos, os bajuladores de sempre, e a corja de políticos regionais querendo aparecer nas colunas sociais. Numa inversão dos papéis, nós, os palhaços, ficamos sentados na platéia assistindo ao engodo, praticamente sem podermos executar nosso número. Como se pode observar em todas as audiências públicas, o espaço de tempo de palavra reservado à sociedade, à comunidade interessada nos danos dos projetos é mínimo. A audiência sempre atrasa, como todo baile à espera dos socialites. Depois, os politiqueiros abrem a mesa com o seu blá-blá-blá durante mais de uma hora. Segue-se mais de uma hora de um blá-blá-blá técnico dos experts do projeto, sobre o EIA-RIMA pago pelos empreendedores (é assim que funciona a isenção científica), mostrando a viabilidade do empreendimento. E dá-lhe discurso sustentável sobre a vantagem das trocas compensatórias (se vocês me deixarem sujar ainda mais no futuro eu limpo um pouquinho de tudo aquilo que já sujei no passado). Feito tudo isso, lá pelas dez, onze horas da noite, pouco antes do último trem partir, permite-se, não sem grande esforço e luta da parte do público interessado em falar, um breve e irrisório espaço de poucos minutos para quem ousar discordar da opinião do bem bolado discurso entre o Capital e o Estado. Infelizmente, a audiência pública no Brasil não é mecanismo de democracia direta. Trata-se de “conversa mole pra boi dormir” como se dizia antigamente. Mas nós, o rebanho, devemos berrar bem alto para  nos fazer ouvir. Afinal, o toureiro quase sempre leva a melhor nas touradas, mas, às vezes, o touro consegue mandar algum bonitinho para o cemitério.

Neste vídeo a seguir, assistam a última participação do CAVE em audiências públicas. Foi no ano passado na apresentação do projeto sobre o Terminal Alemoa.

Dia 26 de agosto próximo, os marketeiros de plantão do DESENVOLVIMENTO INSUSTENTÁVEL voltarão à carga querendo nos convencer de como são bonzinhos. PREPAREM-SE, as audiências públicas voltaram.

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