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MANIFESTO eKológico-Kultural

1º. MANIFESTO eKológico-Kultural

oikos – do grego casa, habitat, por extensão meio ambiente

kultur – do germânico, o produzido por um povo

O 1º. Manifesto eKológico-Kultural será realizado no dia 4 de junho, que antecede o Dia Mundial do Meio Ambiente – 5 de Junho, na sede do Sindicatos dos Metalúrgicos da Baixada Santista, av. Ana Costa, no. 55, Santos.

* Um dia para BOTAR A BOCA NO TROMBONE , e lutar vigorosamente e sem descanso contra o aumento dos ataques ao Meio Ambiente e à Vida!!!

* Num momento CRUCIAL, em que, mais que nunca, os (des)Governos Federal , Estadual e municipal transformaram-se em gabinetes de despacho e filiais dos INTERESSES COMERCIAIS dos destruidores da natureza, das comunidades humanas e da saúde em geral!

Estes são os Eixos de Lutas dos movimentos ecológicos, sociais e populares:

1 – Contra o novo CÓDIGO FLORESTAL proposto pelo deputado Aldo Rebello, do “PC do Dem”… É a legalização da destruição dos últimos recursos florestais e hídricos!

2 – Contra a REPRESA DE BELO MONTE, que destruirá um amplo território do Amazonas, com seus recursos naturais, aldeamentos indígenas e população ribeirinha – e que foi um dos motivos da realização da Eco-92 no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro.

3 – Contra a perseguição e GENOCÍDIO DOS ÍNDIOS GUARANI-KAIOWÁS, no Mato Grosso do Sul, que já é considerado o mais massivo atentado permanente à vida indígena nas Américas, superando inclusive o dos Mapuche no Chile e dos Zapatistas no sul do México…

4 – Contra o criminoso DESMATAMENTO do Amazonas, que aumentou 23% nas últimas semanas…

5 – Contra os planos do Governo de construir VÁRIAS USINAS NUCLEARES NO BRASIL, mesmo depois do desastre de Fukushima, no Japão. Pelo fechamento das usinas de Angra.

6 – Contra a permissividade dos TRANSGÊNICOS E AGROTÓXICOS NA AGRICULTURA E PECUÁRIA brasileira, cujos componentes cancerígenos estão proibidos em boa parte dos países, principalmente na Europa.

7 – Contra a especulação desmedida e desmensurada das construtoras em conluio com prefeituras “caixa dois”, que estão DEVASTANDO O LITORAL E MATA ATLÂNTICA! Pela defesa dos MANGUEZAIS e reversão da POLUIÇÃO DA ÁGUA!

8 –  Contra a verticalisação da cidade de Santos e o avanço dos interesses economicos em direção `a area continental e `as areas de proteção ambiental da cidade.

Estes são os GRITOS que legitimam a convocação do 1º. Manifesto eKológico-Kultural da Baixada Santista!

– auto-convocado em “Rede Rolante” – em reuniões físicas e virtuais – pela Verde-América, Aliança pela Ecologia Social (A.Eko-Sol), CAVE (Coletivo Alternativa Verde) , entre outros, incluindo artistas e ativistas. Com o apoio do Sindicato dos Metalúrgicos de Santos e Região, Centro de Estudantes de Santos e Baixada .

      O QUE ROLA NO DIA 4 DE JUNHO:

–  a partir das 13:00 hrs., até as 22:30 hrs., apresentação das bandas e violeiros: Antonio do Pinho e banda Pau-a-Pique, Vicente Lapa e os Globalmente Aquecidos, Marcel Moai e os Pícaros, Chiapas Livre, Esquadrão Preto Velho, Maracatu Quiloa, Casa de Ervas, Vapaa, Trid e Futuráfrica.

– RADIO-ATIVIDADE: coordena Maryana, estudantes da FACOS e outros cursos de jornalismo. Também Rádio da Juventude de S.Vicente.

– poetas, pintura mural coletiva (ao estilo naif chiapaneco), intervenções artística, Guerrilha Sound System

– STANDS: Guaranis do litoral, Verde-América (gravuras zapatistas e de Barcelona), Projeto Banho Quente na Vila dos Pescadores (Luciana e grupo de estudos Chico Mendes, da Federal do Jardim Casqueiro, Cubatão), Instituto Kaa Oby, Reserva Bertioga (Agenda 21), Instituto Taffarello de Terapias Holísticas e Apicultura, produtos orgânicos da terra, Concidadania, ACPO (Assoc. de Combate aos Produtos Organoclorados – pó-da-China), estudantes de Biologia Marinha da UNISANTA,  fotografias, etc.

– VIDEOS NO TELÃO: flashs do evento, Agro-ecologia no Amazonas, Aldeia Piaçaguera (Peruíbe), México Rebelde, A Outra Campanha (zapatistas), 4ª. Guerra Mundial (do Fórum Social Mundial), A Última Hora (Leonardo Di Caprio), Amazonas em Chamas (a vida de Chico Mendes), A Floresta das Esmeraldas (John Boorman), Brincando nos Campos do Senhor (Hector Babenco), Terra

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SOS Mata Atlantica desconvida representante caiçara de encontro na Jureia

Um dos representantes caicaras da Juréia foi “desconvidado” ao encontro da TEDX de Vila Madá que ocorreu ontem dia 26. Esta nos parece ser uma noticia alarmante e uma reclamacao pertinente do representante. Leiam sua nota contraria e a suspeita do dedo da SOS Mata Atlantica ness articulacao para fragilizar as comunidades regionais em detrimento do poder economico. O representante da Natura continua com assento cativo

Meus Car@s,

Somente hoje tive acesso a internet e para minha surpresa ainda não tive e não tivemos maiores esclarecimentos sobre essa desconfortável atitude do programa TEDX Vila Madá, em nos desconvidar para participar do próximo programa no dia 26 de maio.

Assim que recebi o telefonema do desconvite, questionei se os demais participantes também seriam desconvidados, a resposta foi que somente eu deixaria de participar do programa, os demais como Ailton Krenak, o professor da UNICAMP, representante da NATURA e o Voluntário da SOS permaneceriam, confesso que fiquei um tanto confuso, mas este fato só veio confirmar o que já sabíamos e agora temos certeza que foi intervenção da SOS Mata Atlântica.  Então entendemos que continuam boicotando nossas comunidades, é muita visibilidade para quem eles querem que viva na escuridão, esquecidos, a margem. Esse tipo de boicote vem ocorrendo a mais de 20 anos, o discurso é um, mas a prática é outra, como sabemos essa entidade vive de mentira e tem medo, quando quem fala a verdade pode estar no mesmo espaço de visibilidade. Nossa luta é por justiça social,queremos nosso território de volta, cometeram um erro e não reconhecem esse erro, não sentam juntos para dialogar com nossas comunidades e chegar num consenso, nem reconhecem que erraram para tentar corrigir .

A SOS Mata Atlântica nasceu na década de 80, exatamente  quando criaram a Estação Ecológica de Juréia Itatins, sempre foi contra as comunidades da Juréia, este é um dos motivos de não avançarmos na conquista do nosso território, pois defendem a Mata Atlântica e pra eles, nós  somos uma ameaça, só que como bem sabemos  para plantar pinus e eucalipto é necessário retirar a vegetação primaria, é assim que age,  o presidente da SOS mata Atlântica, sendo o maior Plantador de eucalipto do Estado do Paraná. A sustentabilidade que pregam é para eles mesmos.

Não desistiremos de contar nossa história e sempre que tivermos oportunidade denunciaremos essa farsa que vive a SOS e outras ONGs que se utilizam da vulnerabilidade das comunidades e do meio ambiente, para se promoverem e enriquecerem.

 Dauro Marcos do Prado, Caiçara.

Presidente da União dos Moradores da Juréia

Sócio Fundador da Associação dos Jovens da Juréia

Representante das comunidades Caiçaras- Comissão Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais

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Mil visitas

Hoje atingimos a casa dos Mil visitantes. Agradecemos a todos aqueles que neste pouco tempo que estamos on-line, de uma forma ou de outra, mais ou menos proximos a nos, tem acessado o blog do CAVE, lido o conteudo, comentado e debatido conosco. Lentamente, iremos adicionando mais material de compartilhamento nas paginas Biblioteca, Videos, Imagens. Sera criada uma nova secao de noticias e reportagens onde reproduziremos textos importantes que nos chegam por outros meios. Queremos que o blog se transforme em um canal de comunicacao e um forum de debates sobre os graves problemas ambientais, sociais e economicos que afetam a Baixada Santista e o planeta como um todo. O Painel do Leitor, mais do que um espaco para o leitor escrever a ideia, deve funcionar como um canal para o compartilhamento e o confronto de ideias entre aqueles que como nos nao concordam com a mercantilizacao total da vida na Terra.

Para esta semana indicamos a sugestao abaixo enviada pelo biologo Wilson Moreira.

NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA, DIA 11 DE AGOSTO ÀS 12H20, COM REPRISE NO DOMINGO ÀS 13H00, VAI AO AR O PROGRAMA VOZES DA PESCA, ESPECIAL CULINÁRIA CAIÇARA. ESCUTE E SABOREIE DIFERENTE!

http://www.radio.ufscar.br

(na cidade de Sao Carlos 95.3 FM)

O programa apresenta a cultura caiçara através de sua cozinha. Quando essa cultura se formou, os recursos alimentares eram obtidos em diferentes habitats, como mar, manguezal, rios, mata, roças e parcas criações, principalmente, de pequenos animais. Os recursos eram explorados durante todo ano, num complexo calendário agrícola, pesqueiro e de extração de produtos da mata. Também havia comércio com os centros urbanos, onde os caiçaras vendiam e trocavam o pouco excedente agrícola e pesqueiro e adquiriam aqueles produtos que não eram produzidos localmente, como sal, carne seca e pólvora para a caça.

Esse complexo calendário influenciava as relações sociais, de trabalho, festas, tradições, tabus e todo universo de manifestações materiais e imateriais de sua cultura. Os caiçaras têm um amplo repertório de pratos e combinações, que propiciam receitas simples e muito saborosas.

A Rádio UFSCar e o Programa Vozes da Pesca aproveitam a data de 06 de agosto, quando se comemora o dia de Bom Jesus de Iguape – importante festa religiosa para os caiçaras – para homenageá-los e levar aos ouvintes informações sobre esse segmento da nossa sociedade. A cultura caiçara estará em foco por meio de sua culinária, que é herdeira das tradições indígenas, européias e apresenta contribuições africanas e nipônicas.

Conversaremos com o Professor Antonio Carlos Diegues, coordenador do Núcleo de Estudos de Populações de Áreas Úmidas Brasileiras, da Universidade de São Paulo, e com as caiçaras Irene Pimenta Paes, de Caraguatatuba e Neide Palumbo, de São Sebastião.

Serão apresentadas receitas típicas e poesias que representam o universo caiçara. Também, estará presente o fandango, música característica desse grupo social que se reacende nos últimos anos, quando diferentes grupos estão gravando CDs e difundindo essa bela manifestação musical.

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Caiçaras ameaçados. Ilha Diana x Embraport

Desde o ano de 2006 o CAVE, COLETIVO ALTERNATIVA VERDE, vem realizando encontros com representantes da tradicional comunidade moradora da Ilha Diana através de sua associação de moradores e percebeu a preocupação existente na maior parte da comunidade com os impactos que serão causados pela construção do terminal portuário da EMBRAPORT em área adjacente à vila caiçara. Basicamente, os moradores têm dois grandes receios em relação ao que poderá ocorrer com a vila a partir do início dos trabalhos de construção, cuja previsão é de que se estendam por até sete anos.

O primeiro, é a preocupação de que as obras a serem realizadas, em particular a grande área de aterro sobre o manguezal existente entre os rios Sândi e Diana, possam provocar uma elevação dos níveis da maré enchente e que isso venha a causar inundações em suas residências.

O segundo, é em relação ao impacto direto que será sentido na principal atividade econômica da comunidade que é a pesca do camarão e também de outros peixes. A principal área de pesca da comunidade atualmente é aquela situada no encontro dos rios citados e do canal de Bertioga com o estuário, uma área em que há fartura de pescado em função de bancos de areia que se formam nesse local. O projeto de implantação do terminal prevê a dragagem de uma imensa área lateral do estuário, contígua a essa área de pesca e a construção de atracadouros para navios de grande porte. Uma provável redução do volume de peixes nessa área, principal fonte de renda e de alimento das famílias moradoras, levará a busca pelo sustento para áreas mais distantes encarecendo os custos da exploração do recurso e inviabilizando economicamente a atividade.

Com a crise de 2008, houve um atraso na execução das obras que agora se encontram quase que paralisadas à espera de investimentos. Mas isto foi por pouco tempo, a retomada do crescimento econômico fatalmente levará toda o estuário de Santos, desde a Ponta da Praia ate Cubatão, a ser tomado por mega-empreendimentos portuários. Na esteira do Embraport vislumbra-se o complexo Barnabé-Bagres, ensejando uma ampliação desordenada da Cloaca Máxima brasileira. E a isso chamam de desenvolvimento e de progresso!!!!!!!!!

Em 2007 quando se iniciaram as obras de desmatamento e aterramento na área da Embraport, em várias oportunidades a imprensa foi convidada a noticiar o problema, mas a comunidade obteve pouco sucesso na tentativa de paralisar a construção. No link abaixo reproduzimos uma das poucas notícias publicadas naquele ano num blog de pequena divulgação. Convidamos os leitores a acompanhar a notícia da época e perceber nos comentários que seguem no mesmo blog, a opinião e os argumntos daqueles que não concordam com a manutenção da comunidade de pesacadores da Ilha Diana nesse local.

http://www.ilhadianaresistindo.blogspot.com/

Os argumentos geralmente usados por advogados, biólogos e outros técnicos que se manifestam contrariamente à permanência dela são os de que a comunidade não é caiçara, que está instalada há pouco tempo (esse assentamento data de 1940 quando da transferência de pescadores que habitavam a atual área da Base Aérea), e de que eles também estão desconformes com a legislação ambiental, pois ocupam uma área de preservação permanente. E ainda por cima são pobres, atrapalhando a estética do lugar, se fossem gente de bem com suntuosas mansões, marinas, iates e luxuosos edifícios de mais de 20 andares vá lá, não é? Santa hipocrisia travestida de discurso técnico e jurídico. Estranho, porém, que os mesmos críticos da permanência da comunidade da Ilha Diana nesse lugar não comentem nada sobre impacto infinitamente maior que será causado pela implantação de mais um porto agro-exportador, o que parece ser a única inteligência possível que resta a um país de apedeutas. Vejam a imagem da maquete do novo porto da Embraport e comparem o seu tamanho ao tamanho da comunidade à direita. Por aí já é possível perceber o imenso impacto que será causado com danos sócio-ambientais irreparáveis.

Afinal será que essa deve ser a nossa sina, a de carregar nas costas como uma mula e exportar para o estrangeiro o resultado da destruição de nossas florestas: pau-brasil, açúcar, minérios, café e agora SOJA! Qual a monocultura que virá depois… será que haverá um depois!!!

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Carne: a floresta sangra na carne!

Esta semana que passou fomos brindados com a aprovação do novo Código Florestal brasileiro que permite, em linhas gerais, a significativa diminuição da reserva de mata legal nas propriedades agrícolas e o aumento do desmatamento (leia a noticia no Painel do Leitor) 

 http://eziobazzo.blogspot.com/2010/07/reforma-do-codigo-florestal-ou-uma-ode.html

Muitos argumentaram que o governo tenta legalizar e manter sob controle algo que vinha sendo feito ilegalmente pelos empreendedores contrariados em seus interesses e quase sem nenhuma fiscalização. Bom, mas pensando desse modo, poderíamos usar o mesmo argumento para permitir o assassinato de mulheres. Afinal o Bruno, o Misael e tantos outros homens contrariados em seus interesses mataram brutalmente suas amantes porque o governo não tornou legal a morte das mulheres; se já o tivesse feito, pelo menos elas teriam tido uma morte mais tranquila.

No centro do interesse corporativo brasileiro encontra-se o agro-negócio . Um negócio global gigantesco que envolve os produtores da monocultura, da criação intensiva, dos agrotóxicos, das sementes transgênicas, das indústrias químicas, das grandes redes de supermercado, da logística internacional de distribuição (ferroviária, rodoviária e naval) e dos mega-portos, entre o que lembramos aqui. Afinal com tanto crescimento econômico no Brasil trazido pelas exportações de commodities, a comitiva Lula e cia. não pode fazer por menos: vamos retribuir aos grandes capitalistas, afinal já dizia o Cardosão do troca-troca, é dando que se recebe. Escrever isto hoje em dia, num tempo de absoluta prostração da maior parte da sociedade capturada em quase todos os seus segmentos pelo BURROCRACIA, tornou-se jogar palavras ao vento. Porém, o registro se faz necessário para a posteridade.

No vídeo Carne, nossa companheira Cristina Dunaeva registrou imagens aéreas da devastação em Rondônia causada pela pecuária e em Mato Grosso pela soja. O desmatamento não impacta somente a floresta. A erosão destrói as nascentes, a poluição atinge as comunidades indígenas e o resultado final dessas atividades nos alcança também aqui. As imagens da EMBRAPORT iniciando as obras de seu terminal portuário no estuário de Santos, destruindo o pouco mangue que resta e transformando radicalmente a vida da comunidade de pescadores da Ilha Diana, que será engolida pelo empreendimento. Por trás do EMBRAPORT, o grupo COIMEX, um dos maiores conglomerados de distribuição de exportação de grãos pelo mundo afora. Assistam e vejam como tudo está interligado.

http://www.youtube.com/watch?v=7UK51K_m09I

 

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Marketing ambiental: Aqui não!

Quando no nosso primeiro post propusemos debater uma forma de desenvolvimento econômico que consideramos insustentável o fizemos porque entendemos que o momento atual da luta ambientalista é de profunda paralisia. Há uma anestesia geral da população com a captura da maior parte dos técnicos (biólogos, advogados, engenheiros, sociólogos) e, também, de grande parte dos ativistas, para atuar em modelos de gestão esquizofrênicos que partem do princípio paradoxal de aumentar os danos ambientais no futuro em troca de minimizar aqueles já causados no passado e chegam no marketing ambiental como meio de solução dos problemas.

As empresas instaladas na Baixada Santista abusam desse mecanismo de propaganda. Por exemplo, o outdoor da Fósfértil é verde enfatizando a cor de seu compromisso ambiental com a vida (mas, ela nos lega em forma de dejeto montanhas  amarelas de enxofre e fósforo).

A Cosipa fez propaganda de seu parque em Cubatão com os guarás-vermelhos voando felizes (mas, se alimentando de material orgânico contaminado com o benzo-a-pireno dejeto de seu processo de fabricação). A Dow, diz sua placa de publicidade, cuida dos jardins de Guarujá (mas mantêm enterrados em sua planta resíduos do ultra-tóxico agente laranja usado na Guerra do Vietnã). Olhando a publicidade, quem não conhece, pensa que Cubatão, que já recebeu o título de cidade mais poluída do mundo, realmente tornou-se uma cidade verde, o paraíso ecológico para o tratamento de asmáticos e tuberculosos (mas, quem a atravessa vê, respira, e sente o ar pesado que impregna o vale da morte). Leiam a matéria sobre Cubatão na Novo Milênio.

E a vocação portuária santista, símbolo do município, é martelada diariamente na imprensa pela propaganda dos terminais da Libra, da Coimex, entre outros (mas, os vazamentos de óleo, a dragagem do lodo contaminado, a destruição do pouco que resta dos manguezais e a poluição dos caminhões, não é noticiada). Por que?

A CETESB sabe do elevadíssimo grau de poluição atmosférica em Cubatão, sabe do elevadíssimo nível de contaminação por metais pesados do fundo do estuário de Santos e sabe os diferentes pontos onde estão enterrados os resíduos ultra-tóxicos, por exemplo, da Rodhia. Mas tem feito vista grossa nos últimos anos. O último trabalho de monitoramento desenvolvido pela CETESB e divulgado no ano de 2001, é categórico em afirmar que “alguns componentes encontrados nos sedimentos da região da Baixada Santista estão muitas vezes acima das concentrações que podem causar efeitos tóxicos aos organismos aquáticos”, apontando para áreas perigosas como “o rio Santo Amaro (ponto 8), próximo à indústria Dow Química, onde ocorrem concentrações de cádmio, chumbo, mercúrio, níquel, zinco, BHC, PAHs” (CETESB, 2001, Sistema estuarino de Santos e São Vicente: Programa de Controle de Poluição, p.168-70). De lá para cá a CETESB calou-se. Como num passe de mágica, parece que a contaminação existente no estuário evaporou-se devido ao aquecimento global. Mas, o mapa que vemos abaixo sobre a contaminação química na Baixada Santista elaborado pela CETESB não mente e indica os principais pontos de alto risco: portanto, cuidado ao passar por eles!

A população da Baixada Santista que vive encima de um verdadeiro lixão, não precisa que ele seja ampliado, pelo contrário, precisa que ele diminua. Precisamos gerar fontes de renda que não signifiquem trazer mais sujeira para um lugar que já está imundo. E precisamos de coragem para admitir e enfrentar isso ao invés de fazer como o avestruz que enterra a cara para fugir do perigo. A grande maioria da população não vive ou sobrevive das atividades econômicas que são ultra-poluentes. Podemos e devemos investir na transformação das atividades geradoras de renda na região. Precisamos urgentemente da ampliação das já existentes e da instalação de mais UNIVERSIDADES PÚBLICAS que permitam no futuro a criação de centros de pesquisa nas mais diversas áreas do conhecimento, geradores de inteligência e fonte de renda mais limpa para a população moradora. Precisamos manter aqui mesmo nossas melhores cabeças para criar o ambiente de reflexão crítica que nos falta. Precisamos urgentemente aumentar a capacidade de crítica e auto-crítica da população residente para se defender dos predadores que não vivem na região, somente a usam para exploração de seus negócios, acobertados por testas-de-ferro corruptos que agem na política, na imprensa e na pseudociência, sonegando as informações que não lhes interessam, comercializando reservas públicas da biosfera, e divulgando mentiras como se fossem verdade. Mais do que um crescimento econômico insustentável, que somente gerará mais estresse e violência, nós precisamos de meios para repensar a existência. É necessário abandonar a passividade, informar-se sobre a realidade e querer mudar o modo de viver. Interromper o processo de degradação da qualidade de vida que está em curso e que nos afeta diariamente. Inicie participando ativamente das reuniões públicas que querem nos vender a expansão portuária e industrial como um desenvolvimento positivo e sustentável. Acompanhe o blog do CAVE e permaneça informado.

Quem estiver interessado em ler o relatório de pesquisa “O mar nao ta pra peixe. Conflitos socio-ambientais na Baixada Santista”  sobre o impacto causado pelas atividades portuárias e industriais em cinco comunidades de pescadores da região a partir de um estudo do Zoneamento Ecológico-Econômico da Baixada Santista feito em 2006, clique no link a seguir http://www.4shared.com/document/HXHG5HOz/paperCarlo.html

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