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Carbocloro greenwashing! E o mercurio onde fica?

PROTESTE: Telefone, mande um fax, escreva para a Carbocloro / Meio Ambiente

tel – (13) 3362-8032 / fax – (13) 3362-818
contato: http://www.carbocloro.com.br/html/contato_6_2.aspx?idioma=1&id=8&void=992124

Nesta matéria sobre o lançamento de mercúrio, abrimos novamente espaço ao companheiro Moésio Rebouças, de Cubatão. O Moésio, tao odiado pelas autoridades e poderosos de todos os calibres porque ele fala, ou melhor, escreve aquilo que todos vêem e cheiram, o odor ruim, mas não têm coragem de dizer. Desta vez, o jornalista desmistifica o marketing ambiental da CARBOCLORO, conhecida pelos ambientalistas de todo o mundo pela sua descarada prática de greenwash. Mas, para não dizer que é perseguição somente do Moésio, vamos começar pelas duas notícias transcritas a seguir:

A primeira publicada em

http://albertomarques.blogspot.com/2009_11_15_archive.html

terça-feira, 17 de novembro de 2009 – BAIXADA URGENTE

MP ENCONTRA TONELADAS DE LIXO TÓXICO EM BELFORD ROXO

lixo tóxico da Carbocloro em Belford Roxo

O Ministério Público Federal através da Procuradoria da República no Município de São João do Meriti, acaba de propor uma Ação Civil Pública para investigar a ação da empresa TRIBEL – Tratamento de resíduos Industriais de Belford Roxo S.A., com base em denúncias da existência nas dependências da empresa, em Belford Roxo, de resíduos da produção de cloro-soda contendo mercúrio, em desacordo com a legislação. Os resíduos seriam oriundos da CARBOCLORO S/A – Indústrias Químicas empresa sediada em Cubatão, São Paulo. Na Ação também são réus o IBAMA e o INEA – Instituto Estadual do Meio Ambiente, vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

Nota do editor: E a CARBOCLORO, cinicamente, disse que não é problema dela, é da empresa que trata seu lixo, a Tribel. KKKKKKK. Assim até o Sugismundo, o desenho greenwash da ditadura, e o Cascão viram limpinhos.

A outra noticia vem de uma tese de doutorado IO/USP publicada em

http://www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira31/noticias/noticia3.htm

Indústrias utilizam processos antiquados

As análises realizadas por Wanzeller no Laboratório de Nutrientes, Macronutrientes e Traços no Oceano, do Instituto Oceanográfico da USP, e as que enviou para a Universidade de Sorbonne, em Paris, indicaram que os problemas antrópicos observados no estuário de Santos são causados pelos processos obsoletos de produção das indústrias locais. “Uma medida que pode mitigar o problema é a troca do processo industrial”, afirma. Mas essa é uma medida de alto custo, reconhece. A indústria Carbocloro, por exemplo, em pleno século XXI, para fabricar soda e cloro, utiliza células de mercúrio, muito embora tal tecnologia já esteja superada, há décadas, por agredir violentamente o meio ambiente. Se trocasse por um processo mais atual, o uso de células de membrana, o nível de poluição ambiental no estuário seria reduzido drasticamente, afirma Wanzeller. No entanto, além de caro, a troca provocaria uma pausa no processo de produção, algo impensável, mesmo que temporária, para qualquer indústria.

SIQUEIRA, Gilmar Wanzeller. Estudo dos teores de metais pesados e de outros elementos em sedimentos superficiais do Sistema Estuarino de Santos(Baixada Santista – São Paulo) e da Plataforma Continental do Amazonas (Margem Continental Norte). 2003. Tese (Doutorado em Oceanografia Química e Geológica) – Instituto Oceanográfico da USP, CNPq

O ARTIGO DO MOESIO SOBRE A CARBOCLORO:

Carbocloro, uma empresa que se afirma “verde”, mas…

Nas últimas décadas, principalmente quando a questão ambiental entrou na moda, a maioria das indústrias com passivo ambiental – poluidoras e agressoras da natureza – reagiram investindo não na limpeza dos seus métodos produtivos ou de exploração dos recursos naturais, mas em propaganda de limpeza de imagem. A prática tornou-se de tal forma tão agressiva e generalizada no mundo todo que foi criado o termo “greenwash” para nomeá-la.

No conceito de “greenwash” cabem todas as práticas pelas quais uma empresa transmite a idéia de que está preocupada com o bem-estar do planeta quando na realidade faz muito pouco ou nada para reduzir o seu impacto na natureza. A forma mais óbvia de “greenwash” é o investimento em propaganda enganosa ou tendenciosa, incluindo a falsa rotulagem de produtos como “amigos do ambiente”, “ecologicamente corretos”, “verdes”.

Exemplos correntes incluem uma empresa apresentar-se como consciente ambientalmente por tomar medidas que reduzem a sua pegada ecológica, impacto ambiental, quando essas medidas foram tomadas por imposição legal ou para reduzir custos ou por criar um produto “verde” sem mudar nada no processo de fabricação dos outros produtos. Mas também se pode incluir neste conceito a elaboração de relatórios ambientais (EIA/RIMA), o patrocínio de eventos ou de ONGs ambientalistas, a distribuição de materiais de educação ambiental ou até a criação de fundações e associações supostamente ecologistas etc.

O mito da “responsabilidade ambiental” das empresas atinge hoje proporções alarmantes, com as empresas a gastar mais dinheiro em práticas de “esverdeamento” ou “lavagem verde” da imagem que em medidas de combate à poluição. Todos querem ocupar o pódio da empresa mais “verde”, mais “sustentável”, mas poucos se esforçam para merecê-lo.

Hoje, toda a empresa se pode tornar “verde”, com o apoio de agências de publicidade e relações públicas e de ONGs que cumprem o mesmo papel destas agências, mesmo que o seu negócio central seja, pela sua natureza, anti-ecológico.

Em Cubatão existem vários exemplos de “greenwash”. A Carbocloro, com um histórico de poluição na região, é uma das grandes empresas do Pólo Industrial de Cubatão que usa de todo os meios ao seu dispor para tornar a sua imagem mais “verde”, alimentando o mito da “responsabilidade ambiental”, ou seja, do “greenwash”.

Poucas pessoas sabem (em Cubatão certas barbaridades passam em branco, sem ninguém questionar nada), mas a Carbocloro esquematiza para meados de 2011 transformar o Rio Cubatão numa hidrovia industrial, onde os navios carregados com sal percorrerão um trajeto de 11 quilômetros, pelos rios Cubatão (a unidade local da empresa fica às margens deste rio), Cascalho, Casqueiro, estuário santista, até chegar ao Porto de Santos.

E o incrível, a Carbocloro chama este projeto de “ecológico”, que trará um ganho “ambiental”, que a hidrovia aumentará a taxa de renovação das águas dos rios, que as viagens de caminhões diminuirão etc.

Mas o que a propaganda da Carbocloro não diz, é que a implantação deste plano trará impactos ambientais ao eco-sistema aquático; que aprofundar trechos dos rios em pelo menos 3 metros provocará a ressuspensão dos sedimentos aquáticos; que a circulação dos navios afetará os manguezais através da movimentação das águas; comprometerá a biodiversidade, as avifaunas presentes no trajeto; empobrecerá o aspecto paisagístico, bucólico e sereno dos rios com tanta movimentação de barcaças; afetará a comunidade pesqueira artesanal; que outras empresas poderão transportar cargas por esta hidrovia até o Porto de Santos; que esta hidrovia poderá se transformar num futuro não muito distante numa espécie de rodovia dos Imigrantes ou Anchieta aquática, engarrafada de embarcações; que do lado da empresa tem uma linha de trem que poderia ser usada por ela para transporte de sal até o Porto de Santos e deixar em paz os rios de Cubatão, para passeios de natureza, contemplação; etc.

Então, por vergonha na cara, a Carbocloro deveria dizer explicitamente, e deixar de lado o “greenwash”, é que a hidrovia, em termos econômicos e de produtividade, transporta mais cargas com um custo bem inferior aos outros modais. E que vai implantar a hidrovia industrial por dinheiro, lucro, e não por um pretenso “ganho ambiental”, “consciência ecológica”.

Vale lembrar que a Carbocloro tem “indiretamente” um ventríloquo, um testa de ferro, e uma das maiores falcatruas ambientais da região instalado na Prefeitura de Cubatão, o diretor da secretaria municipal de Meio Ambiente, Rolando Roebellen, cúmplice e endossador deste projeto anti-ecológico, e que recentemente lançou um livro de fotografias luxuosíssimo chamado “Anilinas”, bancado pela Carbocloro através das leis de incentivos fiscais (Lei Rouanet). Obviamente, ele também é o coordenador do Conselho Comunitário Consultivo da Carbocloro, criado justamente quando esta indústria realizou em 2008 uma única audiência “pública” sobre o projeto “Hidrovia do Sal”, aprovado por unanimidade e com “fogos de artifício”.

É uma pena que em Cubatão não exista um movimento ambientalista com conteúdo, sério e independente para defender os rios, a natureza. Leiamos o que a Carbocloro nem o “ambientalista” Rolando Roebellen nos contam.

Relatorio Green”Crimes ambientais corporativos no Brasil – junho/2002″

Instalada em Cubatão (SP), na Baixada Santista, desde 1964, a Carbocloro é uma joint-venture da grupo nacional Unipar, que atua nas áreas química e petroquímica, e da norte-americana Occidental Chemical Corporation (maior fornecedor de cloro-soda dos Estados Unidos). Ela é responsável por 49% do mercado nacional de cloro líquido e 17% do de soda cáustica. Seu faturamento, em 2000, foi de R$ 314 milhões.

Parte da produção de cloro-soda da Carbocloro é feita através de células de mercúrio. Ao longo dos anos, a empresa acumulou 3 mil toneladas de resíduos mercuriais, provenientes dessas células. Em 1975, a empresa chegou a consumir 440 gramas de mercúrio por tonelada de cloro produzido. Só naquele ano, teriam sido perdidos cerca de 40 toneladas do metal.

Em 1990, a agência ambiental paulista, a Cetesb, publicou um documento baseado na análise da contaminação das águas, dos sedimentos e dos organismos aquáticos no rio Cubatão, que margeia a empresa. Segundo o estudo “a Carbocloro continua sendo uma das fontes desse metal [mercúrio] para o ecossistema aquático, explicando, provavelmente, os maiores valores de mercúrio verificados no sedimento no ponto localizado a jusante da referida indústria”.

A Cetesb multou a unidade da Carbocloro em Cubatão pelo menos quatro vezes por eliminar no rio Cubatão efluentes com concentrações de mercúrio acima do limite permitido pela legislação vigente (0,01 miligrama de mercúrio por litro de efluente): em abril de 1989, setembro de 1992, novembro de 1993 e julho de 1994.

A empresa também recebeu multas por outros motivos. Nos anos 80, por exemplo, ela foi multada por emitir fumaça preta e por dispor resíduos sólidos domésticos no Lixão de Pilões. Em setembro de 1997, por sua vez, foi por lançar óleo no rio Cubatão.

O Greenpeace realizou análises de sedimentos do rio Cubatão e de efluentes industriais da Carbocloro em seu laboratório, em Exeter, na Inglaterra. Foram encontradas evidencias de presença de mercúrio e grande número de organoclorados.

As amostras do Greenpeace variaram de 1,8 a 21,4 ppm. A concentração de mercúrio num solo ou sedimento típico não contaminado é inferior a 0,5 ppm.

Em abril de 1998, dez meses após o levantamento feito pelo Greenpeace, a Cetesb iniciou estudos sobre a contaminação do estuário da Baixada Santista. A agência recolheu sedimentos perto dos pontos de coleta da não-governamental.

Entretanto, eles apresentaram índices de contaminação por mercúrio mais reduzidos, na faixa de 0,015 a 0,93 ppm de mercúrio. A disparidade parece associada às dragagens que ocorriam em área próxima à Carbocloro, na época da coleta feita pelo Greenpeace. Parte do material dragado teria sido usado para aterrar a área onde seria construído um shopping center na cidade vizinha de Praia Grande.

Em depoimento dado ao Ministério Público do Estado de São Paulo em 1998, Márcio Pedroso, que trabalhou na empresa entre 1975 e 1991 e se aposentou por invalidez associada à contaminação por mercúrio, declarou ter testemunhado vários vazamentos do metal na unidade de Cubatão. Em 1991, foram identificados dez casos de intoxicação crônica por mercúrio metálico na Carbocloro.

Em outubro de 2001, o Ministério Público de São José dos Campos instaurou inquérito para apurar responsabilidades na deposição de lixo tóxico contendo mercúrio da fábrica da Carbocloro em Cubatão num aterro de São José. Seu transporte foi feito através do Parque Estadual da Serra do Mar e várias cidades.

Segundo a assessoria de imprensa da Carbocloro, tais resíduos foram mantidos durante 15 anos em oito silos impermeáveis subterrâneos, que nunca contaminaram o solo ou o lençol freático com mercúrio. A decisão de enviá-los a São José seria resultado de longos estudos técnicos.

A empresa também argumenta que a amostra de água analisada pelo Greenpeace em 1988 foi colhida acima da indústria, e portanto a contaminação por mercúrio não poderia vir da empresa. A Carbocloro afirma, também, que estudo produzido pela Cetesb em 2001 no estuário de Santos evidencia que a contaminação por mercúrio dos sedimentos é de origem difusa, sendo impossível destacar suas fontes. Para a empresa, a principal origem da contaminação é a represa Billings.

Fonte: http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/corporate_crimes_port.pdf (Confira na nossa Biblioteca)

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