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Cubatão: estância climática para curar doenças respiratórias!!!

Cubatão é uma estância climática para curar doenças respiratórias?

 “Observem o verde na paisagem. Respirem o ar puro, a plenos pulmões, e anotem mais esse inesperado argumento de vendas. Conheçam as oportunidades únicas na Baixada que Cubatão oferece aos bons empreendedores”.

Essas palavras são da prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), pronunciadas no início de junho durante um discurso em Barcelona, na Espanha, quando ela tentava vender a “imagem” da cidade para empresários europeus investirem no município.

Em Cubatão, como nos médios e grandes centros urbanos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, é praticamente impossível escapar dos poluentes, do trânsito carregado quase todos os dias nas estradas que cortam a cidade, das micropartículas liberadas pela queima dos combustíveis (principalmente do óleo diesel com alta concentração de enxofre), das substâncias químicas despejadas no ar pelas indústrias e atividades portuárias, entre outras fontes poluidoras.

Na Baixada Santista é muito raro não termos um parente ou conhecido que não sofre de patologias respiratórias, que resultam da poluição do ar. E na maioria das vezes quem paga o preço da má qualidade do ar são as crianças e idosos. Inclusive com a morte.

Estudos da USP (Universidade de São Paulo), estimam que a poluição do ar na região metropolitana de São Paulo provoque a morte prematura de 3.000 pessoas por ano. Alguém duvida que o mesmo não aconteça na Baixada Santista?

A prefeita de Cubatão, assim como outros políticos e grandes empresários, ainda não entendeu e percebeu que o município está saturado de indústrias pesadas, de grandes empreendimentos. Que a cidade tem que ser feita para os seres humanos, e não para as indústrias, que continuam “roubando” espaços vitais das pessoas e dos animais.

No dia 13 de julho, “A Tribuna On-line” divulgou um texto sob o título “Nível da poluição do ar em Cubatão é péssimo, segundo Respirômetro”, http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=103583&idDepartamento=5&idCategoria=5).

Que a qualidade do ar na cidade não é dos melhores não é nenhuma novidade, somente a prefeita, seus assessores e os empresários que não moram em Cubatão dizem o contrário. Nos dias mais crônicos, secos, é possível sentir a poeira no rosto e perceber as fuligens nos carros, nas folhas e outras superfícies. E se isso não bastasse, ainda tem o cheiro de produtos químicos que exalam das indústrias.

O “curioso” é que o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) da cidade costuma afirmar que 99% das fontes poluidoras estão atualmente “sob controle”. A prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), também com freqüência cita esta porcentagem. Ora, se quase 100% das fontes poluidoras estão “sob controle”, então porque é comum encontrarmos o ar de Cubatão saturado, acima do aceitável?

No dia 21 de julho, o portal da internet da Cetesb (agência ambiental estadual) apontava que o índice de qualidade do ar medido em Cubatão no Centro era “regular” e “inadequada” na Vila Industrial. Um detalhe: sabemos que os índices de medição da conivente Cetesb não são rigorosos como o dos institutos ambientais dos Estados Unidos e Europa.

A CIESP, a CETESB e a Prefeitura deveriam internalizar o passivo ambiental distribuindo máscaras antipoluição para os seres humanos que habitam e visitam Cubatão, a começar pelos futuros doentes de tuberculose catalães em busca da cura na cidade.

Edição de texto original de Moésio Rebouças por Carlo Romani.

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Cubatão!!! Verde no marketing e no outdoor; Preta e cinza no ar e na agua.

Vídeo mostra flagrante de indústria em Cubatão lançando no ar fumaça preta

Nesta terça-feira, 5 de abril, às 17 horas, a Companhia Brasileiro de Estireno, instalada na Avenida Nove de Abril, ao lado do Rio Cubatão, lançou por mais de 20 minutos uma fumaça preta no ar de Cubatão. Um forte odor químico também exalava da indústria. Assistir o flagrante no video abaixo:

Esse vídeo foi gravado de um celular, desde o Poliesportivo Roberto Dick, no centro de Cubatão. As imagens não são de boa qualidade, contudo, explicitam a emissão de gases tóxicos na atmosfera do município. A seguir, a foto da torre de onde partiu a emissão da fumaça negra.

Companhia Brasileira de Estireno - fumaca preta

A Companhia Brasileiro de Estireno está na lista das 100 maiores indústrias emissoras de CO2 no Estado de São Paulo.

Reportagem enviada por Moésio Rebouças.

ATE QUANDO A CETESB VAI CONTINUAR AFIRMANDO QUE A QUALIDADE DO AR EM CUBATAO ‘E BOA?

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CETESB: para que interesses voce trabalha?

Com certeza nao ‘e para a povo, para a cidadania, para o meio ambiente ou para o saneamento. Entao, atende ao interesse de quem? Sera o interesse das corporacoes poluidoras, do estado corrupto e conivente, da expansao do mercado ao custo da poluicao da terra, dos rios, das aguas, do mar… Lembramos que na decada de 1990, quando aumentou a consciencia ambiental no pais e as leis combateram os conglomerados poluidores mais poderosos, ate que a CETESB, em alguns momentos, se posicionou a favor da populacao e dos interesses da maioria da sociedade. Mas, nos ultimos dez anos, a CETESB e os demais orgaos pseudoambientais do Estado, ja nao tem o menor pudor. E o pior de tudo nesse retrocesso ambiental em andamento e que o custo a ser pago por todos nos sera absurdamente maior do que as esmolas de multinhas cobradas e sonegadas. Leiam a seguir a noticia enviada pelo Moesio

Petrobras recebe multa irrisória por vazamento de óleo no Rio Cubatão

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) aplicou  no último dia 21 de janeiro uma multa irrisória à RPBC (Refinaria Presidente Bernardes de Cubatão), da Petrobras, em cerca de R$ 140 mil, por um vazamento de óleo na estação de tratamento de efluentes da RPBC  no Rio Cubatão, Baixada Santista. O acidente aconteceu provavelmente por falta de manutenção e limpeza do reservatório de decantação de resíduos oleosos.

Com isso, dezenas de petroleiros passaram a trabalhar na contenção do vazamento com o uso de quatro caminhões-vácuo, barreiras absorventes e outros equipamentos e materiais. Técnicos da Cetesb também foram acionados, mas não informaram quanto óleo vazou da RPBC. Mistério.

A Petrobras já havia sido multada por episódios idênticos ocorridos em setembro e no final de dezembro de 2010. Portanto, é reincidente.

Nas três ocasiões, o acidente ocorreu por lançamento de efluente líquido oleoso proveniente do sistema de efluentes líquidos da refinaria, vindo a atingir o Rio Cubatão. Nesta última ocorrência, principalmente nos dias 15 e 16 de janeiro, películas e manchas de óleo eram vistas no corpo d’água na altura da Ponte da Avenida 9 de Abril, no centro da cidade.

Além da multa baixíssima aplicada para a Petrobras, técnicos da Cetesb de Cubatão afirmaram à imprensa: “Não é um vazamento grave nem trouxe danos à flora e à fauna”. Ou seja, mais uma vez, “autoridades ambientais” dizem que “o vazamento foi superficial e não chegou a causar danos ambientais”. Risível.

No Brasil, raramente as multas ambientais são pagas. Nos últimos dez anos, menos de 1% do valor total de multas aplicadas pelos órgãos ambientais estaduais foi pago. A “indústria dos recursos judiciais” funciona muito bem em todo território nacional.

Por outro lado, como relata alguns petroleiros, “estes casos ilustram de maneira cristalina que a excelência em Responsabilidade Social da Petrobras, além de questionável, está se transformando numa peça publicitária demagógica, convincente apenas para os institutos estrangeiros que premiam empresas que são referência em sustentabilidade com base em índices e critérios cada vez mais subjetivos e distantes da realidade”.

E acidentes como estes também explicitam que em Cubatão há pouca consciência ecológica da população, de defesa efetiva do meio ambiente. Afinal estes episódios tristes (e mais ou menos corriqueiros) são vistos com naturalidade pela sociedade, não há reação. Nesta cidade, infelizmente, ecologia é vestir uma camiseta verde, organizar um passeio no mangue, promover um cursinho de “educação ambiental” ou plantar mudas de árvores em datas pontuais. Tudo incentivado pela Prefeitura e as indústrias, dentro da conexão demagógica e marqueteira “verde”.

É incrível como as grandes empresas do pólo industrial de Cubatão continuam mandando e desmandando na cidade, cometendo crimes ambientais e saindo “bem na foto”.

Será que a prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), teria a coragem de tomar banho no Rio Cubatão, na altura da refinaria da Petrobras?

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Sustentabilidade: a escolha libertária VI (fim)

Concluimos com a lista a seguir, a analise dos problemas trazidos ao meio ambiente pela economia capitalista contemporanea e as acoes que podemos fazer para mudar o sistema (a verdadeira sustentabilidade). Uma pequena receita do que voce pode fazer ja.

Compre menos e nao compre descartaveis

Nao compre em grandes redes de hipermercados

Compre no pequeno comercio local

Ande a pe, de bicicleta, de transporte coletivo

Conheca o fornecedor dos produtos alimenticios

Assim que for possivel mude para uma cidade menor e se fixe nela

Procure lazer na natureza e no convivio com as pessoas, poupe seu dinheiro

Poupando mais pode-se trabalhar menos

Trabalhando menos temos mais tempo para levar uma vida sustentavel

Fuja dos espacos privados ocupe os espacos publicos

Nao caia no conto da tecnologia use seus equipamentos ate o limite

Nao reclame dos outros e nao diga que nao tem jeito. Sua acao e importante.

Informe-se, propague estas ideias, desperte e liberte quem esta viciado na teia do consumo

Recursos

Apesar do termo, a palavra “recursos” indica uma visão do meio ambiente voltada para sua transformação ou utilização, desde que observada do ponto de vista utilitário para a espécie humana: é possível um uso dos recursos que não comprometa nem degrade o meio ambiente. O modelo atual os usa enquanto têm viabilidade econômica e, portanto, muito além do limite de uso que permitiria manter as potencialidades desses recursos. Isso é favorecido pela falta de controle das comunidades locais sobre seus próprios recursos e da gestão empresarial deles. A gestão dos recursos no mundo atual é delicada. Eles estão em contínua redução, em estado de alteração, insuficientes para garantir o consumo e a sobrevivência de uma população mundial em contínuo crescimento. Colocar os recursos existentes em relação direta com as comunidades locais, desenvolvendo uma gestão coletiva e definindo o consumo em função de sua disponibilidade, mostra-se, não somente um modo de manter a diversidade cultural e ambiental como permite também seu uso de modo sustentável.

Reutilização

Para permitir a manutenção da cota de mercado inútil e super-dimensionada em relação às necessidades este modelo sustentou, através da comunicação de marketing, técnica e científica, a vantagem do novo sobre o usado. Objetos e materiais usados assumiram um valor menor, de reuso; são rapidamente considerados obsoletos e tornam-se resíduos. Essa é uma incrível perda de riqueza e energia e a criação de um problema, aquele do descarte. Da mobília doméstica ao vestuário, passando por automóveis e apetrechos, os objetos respondem a uma imaginação abstrata estimulada pelo mercado. Reusar, recuperar quer dizer adaptar o novo projeto ao existente, quer dizer condicionar o futuro ao presente.

Resíduos

A quantidade de resíduos a serem descartados deveria ser mínima. Os objetos deveriam ser usados, recuperados, reusados até serem reciclados. Sus quantidade deveria ser reduzida às reais necessidades e somente uma pequena parte deveria tornar-se resíduo e dos resíduos somente uma pequena parte seria descartada definitivamente.

Sustentabilidade

As alterações no meio ambiente começaram a ser percebidas de modo alargado desde o começo dos anos setenta, as políticas internacionais, comunitárias e frequentemente as nacionais indicaram as prioridades para sua solução desde a passagem dos oitenta para os noventa, o termo sustentabilidade aparece constantemente na mídia, mas as condições ambientais pioraram exponencialmente. As condições ambientais e sociais do planeta mostram que o modelo atualmente praticado não tem a capacidade de resolver os problemas encontrados. As soluções sustentáveis são aquelas que conservam e recuperam o meio ambiente, reduzindo os desperdícios e o consumo dos recursos naturais, reduzindo os descartes de resíduos. Isso é sustentabilidade.

Supermercados-hipermercados-shoppings

Instrumento para a venda de coisas inúteis a baixo preço. Em alguns casos os produtos são assim descartáveis que eles deveriam pagar para os clientes o custo do despejo do resíduo. A concentração das vendas está conectada à concentração da distribuição e da produção. São instrumentos para a concentração de riquezas e aumento do poder no embate com a comunidade onde eles impõem suas atividades. Isso desestrutura o tecido social tornando-o dependente dos macro-investimentos das corporações. A verdadeira economia não é comprar tantos produtos descartáveis, mas comprar menos, comprar de quem a gente já conhece, de quem tem capacidade para produzir aquela mercadoria, de quem trabalha nas proximidades.

O Capitalismo mata!!!

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Sustentabilidade: a escolha libertária V

Mais uma série de ações e medidas para reverter a degradação ambiental planetária e promover uma real sustentabilidade. Mostramos as falsas bases em que se construiu o discurso ambiental atual e a gestão ambiental corporativa.

Luxo

A sociedade de consumo induz à aquisição de mercadorias inúteis e cujos efeitos negativos no meio ambiente são gravíssimos e desnecessários. O luxo é um agravante a esta já insustentável condição. O luxo é vulgar porque é inútil. O luxo pé vulgar porque traz efeitos ambientais negativos que degradam os ecossistemas e trazem danos à saúde das pessoas. O luxo é vulgar porque demonstra, com a ignorância de quem o prático, como o mercado consegue extrair lucro de qualquer um: se os ricos não tivesse o luxo como fariam para gastar seu dinheiro?

Mercado

O mercado dos pequenos produtores, dos artesãos, das capacidades técnicas locais é bem vindo. O custo reduzido dos produtos industrializados pode ter um preço altíssimo em termos sociais e ambientais. O mercado analisa quanto que os indivíduos podem gastar desde seu nascimento e cria produtos vendáveis para todas as demandas da vida, desde os indispensáveis e necessários até as mercadorias inúteis, hiperdimensionadas e supérfluas. As corporações globais tem compreendido que talvez nunca consigam vender um automóvel ou um eletrodoméstico a todos os habitantes do planeta e portanto, trabalham para comercializar bens primários (água,grãos, etc.) ampliando assim os mercados dos produtos e dos processos industrializados e monopolísticos também sobre os mais pobres. Procurar ficar o quanto possível longe desse mercado.

Mobilidade

É um dos setores que mais contribui para as alterações climáticas do planeta e prejudica a saúde dos cidadãos. A mobilidade apresentada como sendo um elemento fundamental da liberdade individual é, ao contrário, a maior limitadora dela. O crescimento da mobilidade leva a uma configuração de assentamentos populacionais de baixa densidade e ao aumento da distância entre os lugares de residência , de trabalha, de passeio. A “liberdade” torna-se um dever: não é possível usar os serviços e os equipamentos sem se mover. Somos obrigados a nos mover. Começar a mover-se menos quando tivermos o poder da escolha (nas horas vagas), a mover-se menos para o trabalho (reduzindo os deslocamentos, otimizando os empregos), e procurar soluções de moradia coligadas às relações pessoais e o trabalho.

Meio Ambiente (natureza e sociedade)

As condições do meio ambiente estão diretamente ligadas à organização social da comunidade do entorno. As comunidades de coletores e de caçadores tem uma relação muito leve com os ecossistemas, não levam a produtividade ao colapso, mantem reduzidos o número da população, não acumulam. Uma sociedade que exalta a propriedade privada ou estatal dificilmente conseguirá garantir o uso comum dos bens e uma relação de não exploração dos ecossistemas. Uma sociedade global mercantil, autoritária, artificial, alienada como aquela definida pelo modelo econômico atualmente praticado, tem o acinte através de seus intelectuais de afirmar que a natureza é uma invenção social, valorizando-a como paisagem, domesticando-o como jardim, mas tornando-o em qualquer lugar dependendo da ação humana e valorizada somente se capaz de gerar lucro.

Normas

Nem sempre as normas ajudam a reduzir o impacto ambiental do ser humano. Ao contrário, frequentemente motivado pelas lógicas da produção definem comportamentos que são absolutamente contrários aos objetivos da qualidade ambiental. Fazem anos que se trabalha para reduzir a embalagens e contudo existem sérias normas sanitárias que obrigam os estabelecimentos a usarem embalagens descartáveis, ou, nos supermercados, previamente embalados. É essa normatização que facilita a difusão dos produtos descartáveis não penalizando-os pelos custos sociais e ambientais do descarte; é essa normatização que agilizam a industrialização definindo procedimentos para o controle de qualidade e modos de fabricação impraticáveis para os pequenos produtores e artesãos; é essa normatização que define os financiamentos para cultivos agrícolas estranhos ao meio (a soja), que regula o fornecimento de combustíveis para os veículos particulares, etc. As normas na sociedade de consumo não são criadas pelos cidadãos, nem pelos seus “representantes”, mas pelos grandes interesses corporativos cujas demandas não são pautadas pela bondade mas pela ampliação do mercado e dos lucros (privatização da água, da energia, do solo). Tenham cuidado com as normas para o meio ambiente.

OVM (Transgênicos)

Criados com a justificativa de responder às necessidades alimentares, respondem na realidade à exigência das grandes corporações produtoras em aumentarem a sua produtividade por hectare e de penetrarem no interior do mercado de sementes que atualmente é um segmento, em grande parte, ainda administrado diretamente pelos pequenos produtores. O aumento da produtividade por hectare, como sabido, não melhora as condições da alimentação do planeta, na medida em que o problema da alimentação está ligado à distribuição da produção (muitos países produzem excedentes que jogam fora), à concorrência (muitos países subsidiam os seus produtores o preço dos alimentos produzidos), à estrutura social no uso dos terrenos e portanto depende da produtividade local (as grandes urbanizações tronam as populações mais dependentes de alimentos externos). Os transgênicos não são úteis, podem ser danosos ao meio ambiente, são nocivos para as comunidades locais e para a biodiversidade natural.

Pesquisa

A maior parte da pesquisa é conduzida por entidades privadas que tem um interesse específico na definição de novas mercadorias. Da medicina até os equipamentos militares (que são os setores que mais empregam fundos de pesquisa) passando pelos cosméticos, aos transportes, à química fina e á construção civil, os sujeitos que têm maior disponibilidade econômica investem em pesquisa, não querendo esclarecer necessidades, mas somente os interesses específicos dos financiadores. Os êxitos da pesquisa não são respostas às exigências da população – mesmo porque a pesquisa se desenvolve segundo os mesmo critérios econômicos que regulam o modelo atual e definem seus limites – mas resultados que respondem ao máximo proveito do mercado promotor. Esta pesquisa é socialmente e ambientalmente útil somente em sua mínima parte. Se a pesquisa é capaz de resolver problemas então ela não pode deixar de considerar que a solução se encontra não em inventar mercadorias, mas em modificar sistemas sociais. A pesquisa qualitativa deve ser ligada aos interesses da sociedade, e em seu benefício, desenvolvendo não somente temas específicos mas trabalhando a interação entre a ciência e as formas como a sociedade vive.

Plásticos

Não existem materiais demonizáveis mas existem materiais cuja utilizarão é muita crítica do ponto de vista ambiental e social e o plástico é um destes. O plástico é derivado do petróleo que é seguramente o recurso cujo controle conduziu ao maior número de conflitos armados no último século; é um recurso em vias de se esgotar, altamente poluidor. É, portanto, um recurso social e ambiental muito negativo. O plástico é difundidíssimo pelas suas características que lhe rendem a produção muito simples, e a sua venda, devido aos custos de produção reduzidíssimos, permite a realização de lucros gigantescos. Abusamos do plástico: na construção civil, na decoração de interiores, nos objetos, nos instrumentos. Aonde se vai tem plástico em um número elevadíssimo de componentes diferentes, com aditivos de todos os tipos, tantos e tantos que nem nos é possível reconhecer o conjunto de substâncias presentes neles. Isso traz um gravíssimo problema na fase de produção (lançamento de resíduos contaminantes, risco de incêndio) e também em sua fase de descarte. O plástico além de tudo permite que grande parte dessa produção seja do tipo use e jogue fora, o que aumenta exponencialmente a quantidade de resíduos recicláveis. Reduzir a presença do plástico, assim como de todos os materiais poluidores, somente para suas funções absolutamente necessárias e indispensáveis leva à libertação de uma submissão, à retomada de soluções técnicas locais, à eliminação de uma grande quantidade de dejetos.

Produtos descartáveis

Uma das maiores aberrações da atualidade. Injustificada e incompreensível. Qual a vantagem que temos individualmente com um produto descartável? A possibilidade de não lavar louça, toalhas? E para os aparelhos de barbear? E para os isqueiros? Simplifica a ação? Mas qual é a dificuldade em recarregar um isqueiro? E que incomodo traz ir ao mercado com a nossa própria sacola? É ao contrário a busca pelo desapego em relação ao objeto e a redução de sua identidade específica que está na base da sociedade de consumo. Todos os objetos devem ser equivalentes de modo a poderem ser jogados fora e recomprados, geralmente o mesmo produto, para aumentar o mercado. O enorme custo em termos ambientais e econômicos do descarte desses materiais não justifica as frágeis vantagens de seu uso. Não usar produtos descartáveis.

População

O número de pessoas sobre a terra está em contínuo aumento. O aumento da população altera as relações com os recursos naturais. Em muitas áreas do planeta os habitantes são em quantidade muito superior às potencialidades dos lugares o que provoca limitações na produtividade alimentar dos territórios aráveis. A densidade aumenta, o espaço individual diminui, os espaços naturais começam a escassear tanto em quantidade como em qualidade, os comportamentos são sempre mais regulamentados, a produção torna-se industrializada. Uma demagogia política incentiva a reprodução sem necessidade, haja vista a quantidade de pessoas já existentes, e altera as relações entre as escolhas individuais, o prazer, o bem estar e a consciência coletiva. Podemos apontar alguns fatores que levaram ao aumento populacional desenfreado: o modelo econômico que quer a ampliação do mercado, as religiões que aumentam seus adeptos, as nações que engrandecem com o número de habitantes. Interesses, dogmas, medos, nada disto está ligado ao bem individual e coletivo.

Poupança

O dinheiro poupado tem um impacto ambiental menor do que aquele gerado pelo acúmulo de mercadorias. Enquanto a economia anterior à sociedade de consumo era baseada na poupança, a atual está empenhando todas as disponibilidades dos indivíduos na aquisição de bens, mesmo que se endividando para o futuro e comprando mercadorias inúteis. As mercadorias por um lado tornaram-se instrumento para extrair riqueza e por outro para acumulá-la: as duas são um desastre para o meio ambiente.

Qualidade/quantidade

Faz tempo que se tende a reduzir a estratégia de sustentabilidade ao aumento da eficiência das ações praticadas. A razão em curso diz que se um automóvel atual polui significativamente menos do que um carro de quarenta anos atrás, as condições do planeta tendem a melhorar. Mas ,um automóvel de quarenta anos atrás andava muito menos quilômetros por ano do que um atual, tinha uma vida muito mais longa (e, portanto, usava ao máximo a energia que lhe foi gasta durante a construção), e fazia parte de um parque automotivo que era uma parcela mínima do atual. O aumento da qualidade das mercadorias é condição necessária mas não suficiente para a solução de nossos problemas. A ela tem que ser aplicada uma significativa redução da quantidade de mercadorias.

Tradução de Carlo Romani.

Leia na íntegra em http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

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Sustentabilidade: a escolha libertária III

Para aqueles que acham que os anarquistas somente fazem críticas, continuamos com nossa série de ações de A a Z a serem empreendidas para garantir um mundo equilibrado, responsável, igualitário, livre e sustentável.

Carne e combustíveis

É um dado conhecido que em cada passagem da cadeia alimentar grande parte da energia não é transferida para o elo seguinte: por exemplo, cada porco produz cinquenta quilogramas de proteínas consumindo setecentos e cinquenta quilogramas de proteínas vegetais. Resumindo,para produzir carne nas quantidades consumidas atualmente é utilizada uma quantidade de alimentos vegetais que sozinhos serviriam com folga às necessidades alimentícias de todos os habitantes do planeta. O aumento do consumo de carne portanto tem implicado , além das modificações do panorama agroflorestal e social de muitos países, o desperdício de potencialidades nutritivas enormes. A produção de combustíveis vegetais, caso mais recente, segue pelo mesmo caminho: além de aumentar o preço dos cereais em todos os mercados, colocando em dificuldade os consumidores mais pobres e somente trazendo vantagens para os produtores mais ricos, implica no uso de alimentos para a combustão, perdendo nessa transformação uma enorme quantidade de energia. Usar a produção agrícola somente para alimentação, reduzir a cadeia proteica, é a garantia de utilizar ao máximo as potencialidades dos ecossistemas naturais e da energia nelas existente.

Casas nos subúrbios

Modelo de urbanização que prevê a residência em locais afastados com uma casa de dimensões maiores do que o necessário, jardim, com todas as estruturas que as possibilidades econômicas permitem, e o trabalho na cidade. Um desperdício ambiental enorme, em termos de consumo de recursos, e de consumo energético para os deslocamentos. Para respirar um ar mais puro se percorre dezenas de quilômetros de carro, poluindo, uma das causas das alterações na atmosfera, diretamente provocadas pelo afastamento dos centros urbanos. Frequentemente não é uma escolha (as casas custam menos quanto mais distantes estão do centro) mas se fosse uma escolha seria ambientalmente e socialmente nociva. Deveríamos trabalhar no lugar e na comunidade em que se reside e permanecermos ali.

Causa-efeito

O modelo econômico e social praticado intervêm somente sobre os efeitos; dessa maneira, não faz autocrítica, nem modifica os comportamentos já consolidados criando novas mercadorias e ampliando o mercado existente; intervir nas causas obrigaria ao contrário, a uma mudança das práticas comuns e a uma redução na oferta de mercadorias. Cada ação eficaz voltada para a sustentabilidade trabalha sobre as causas e no caso, simultaneamente, para a redução dos efeitos.

Comunidade

Restabelecer as relações diretas entre os indivíduos e os recursos locais é o meio para reequilibrar a relação entre a população e o meio ambiente. Os indivíduos não tem consciência dos efeitos negativos que o seu comportamento produz em outros lugares; nem compreendem a importância da gestão adequada dos recursos existentes em seu território. Para refazer as relações deve-se sustentar a economia local, não sucumbir ao mercado global, e ampliar o espaço para a capacidade técnica e criativa dos indivíduos. O lugar social onde isso pode ocorrer são as comunidades de indivíduos, entendo isso como comunidades geográficas ou territoriais, autogestionadas, culturalmente homogêneas, mas não fechadas, economicamente e socialmente autônomas, capazes de administrar diretamente, em comum acordo, e de modo sustentável os recursos e o meio ambiente.

Comunidade aberta e identidade

O modelo econômico contemporâneo, para permitir a comercialização das mercadorias globalmente e de modo padronizado, desestrutura as comunidades locais. A cultura local é estreitamente ligada aos lugares, no sentido de que se alimenta da estreita relação existente entre o indivíduo e o meio ambiente em que ele está inserido. O distanciamento dessa relação aumenta o impacto ambiental na comunidade no lugar onde ela está estabelecida. A manutenção de uma cultura local é a única garantia par a permanência da comunidade e das relações entre essa e o meio ambiente. Isso não implica na criação de comunidades fechadas, nem na reorganização de antigas limitações sociais para a circulação de pessoas, implica exclusivamente na oportunidade de reencontrar um equilíbrio local, de sair do mercado capitalista e de suas imposições culturais, de conservar uma identidade; e tudo isso é possível através de uma contínua e positiva, mas autônoma, troca com as comunidades externas.

Concorrência/mercado livre

O desastre ambiental é detonado por uma hiperprodução que tenta reduzir os custos e ocupar segmentos de mercado sobre outros produtores. Desse modo, se produzem mercadorias desnecessárias (como o são grande parte daquelas produzidas na sociedade de consumo) que não satisfazem os consumidores (como grande parte daquelas da sociedade de consumo) e em quantidades muitas vezes superiores ás demandas do mercado (já inchado) em razão da grande quantidade de produtores. Essa condição é uma aberração no mercado global mas poderia não o ser em níveis locais onde os produtores produzem basicamente para as comunidades onde residem em função de suas demandas (limitando dessa forma o desperdício de energia para a fabricação, distribuição e comercialização).

Consumidores

A diferença entre um indivíduo e um consumidor é definida pelo nível de crítica apresentada em relação às promoções comerciais e à quantidade de mercadorias adquiridas. Na sociedade contemporânea não ser um consumidor é muito difícil mas a mudança de comportamento é a primeira garantia para a limitação do mercado global e para a redução do “peso ambiental” de nossa presença no planeta.

Consumo

Na sociedade de consumo as mercadorias não se consomem: são reduzidas a dejetos sem serem usadas completamente. A sociedade é portanto uma sociedade de resíduos, de descarte rápido das mercadorias, de desapego sentimental em relação aos bens utilizados. Os objetos são todos diferentes mas tornam-se indiferentes a quem os usa, e vem substituídos rapidamente sem deixar memória, somente uma profunda herança física (aquela do resíduo). Reduzir as compras, reduzir o consumo de mercadorias, manter os objetos por mais tempos, reutilizar objetos, gastá-los até seu fim, consertá-los, torna-se indispensável para frear uma produtividade que não nos traz nenhum bem estar.

Crescimento

O perseguição do crescimento é substancial para este modelo econômico e cultural. A riqueza dos países e das corporações é medida em quantidade de produto bruto e pela capacidade de aumentá-lo ano após ano. Mas os mesmos critérios governam a vida dos indivíduos. O crescimento individual advém quando a condição sucessiva é quantitativamente superior àquela precedente; quando existe a possibilidade econômica são substituídas as condições materiais por outras de maior quantidade (a casa de tamanho maior, o automóvel de maior cilindrada, o computador mais potente, etc.) Pois, o ilimitado crescimento material apesar de todos os esforços tecnológicos que possam ser feitos, não é praticável pelo fato de que, ao contrário, os recursos naturais, são limitados. Além da evidente inutilidade do crescimento quantitativo é oportuno considerar que não é possível perseguir o objetivo do crescimento; existe um limite que, por mais distante, que o queiramos colocar (mas que nós aqui o entendemos como estando muito, muito próximo), ele existe e ao ser alcançado implicará no bloqueio do crescimento. É, portanto, fundamental transformar o comportamento cultural repensando não somente a vida dos indivíduos mas também aquela da produção que deveria retirar as suas vantagens da qualidade da produção e não de sua quantidade, na continuidade temporal das atividades, na manutenção de uma quantidade de produtos conectada com as reais necessidades da comunidade a que esses eles são dirigidos.

Comércio ambulante

O meio mais ecológico para permitir a distribuição das mercadorias: um número limitado de mercadorias, em um meio de transporte alcança uma população parada. A movimentação pode ser de até duas toneladas. O modelo de centros comerciais está baseado nos deslocamentos dos indivíduos em quantidades médias de uma tonelada e meia per capita (além dos deslocamentos das mercadorias para os centros comerciais) o que torna evidente ser uma modalidade de alto consumo energético, além do que socialmente seletiva (quem não tem carro, quem não quer se deslocar, quem não pode se deslocar está excluído). Agilizar o pequeno comércio ambulante porta a porta tem um alto valor ambiental.

Demolição

Uma prática de construção civil em crescente difusão prevê a demolição de edifícios, mesmo que eles ainda estejam em boas condições, e a sua substituição por edifícios novos. Através disso conseguem dar formas mais contemporâneas às construções, aumentar o valor imobiliário dos edifícios, aumentar os empréstimos, obter mais lucros. Se do ponto de vista econômico é um negócio, do ponto de vista ambiental é um dano grave. A construção necessita de energia para a produção e transporte dos materiais e para a construção dos manufaturados; essa energia é guardada pelo edifício. No momento em que ele é derrubado toda essa energia é perdida. A ela soma-se a energia para a demolição, aquela para a limpeza e aquela necessária à construção de um novo edifício. Um prática profundamente insustentável que causa efeitos deletérios e também sociais: os novos residentes raramente são os mesmos que antes lá moravam nas antigas habitações (o aumento do valor imobiliário exige preços de aluguel e de venda superiores), e no caso de serem ainda os mesmos, se encontrariam em um contexto de moradia diferente aquele conhecido por eles. Existem muitas maneiras para intervir com o fim de de aumentar a qualidade dos edifícios, a demolição deles não é uma delas.

Distribuição

A mobilidade das mercadorias é uma das características do modelo do mercado global. As produções concentradas substituem as produções locais através de um custo menor obtido com o incremento da quantidade produzida e pela localização das unidades produtivas em territórios onde os controles ambientais são reduzidos e o custo da mão de obra é barato. Os custos ambientais e sociais conexos são enormes para o consumo de energia e as emissões relativas à hiperprodução e ao transporte, sem contar a total desestruturação do antigo aparelho produtivo local. Esta condição torna-se ainda mais grave quando é realizada no setor do agronegócio. Comer alimentos produzidos em territórios próximos, além de evitar o deslocamento das mercadorias e reduzir os consumos energéticos, fortalece economicamente as comunidades locais.

Desenvolvimento

O único desenvolvimento possível não é o econômico, é o cultural que não consome mercadorias nem polui a natureza.

Extraído de http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

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Sustentabilidade: a escolha libertária II

Um mundo ambientalmente sustentável é possível. Não essa sustentabilidade da Cosipa, da Carbocloro, da Cubatão verde, das montadoras de veículos, da Petrobrás, da Bandeira azul do Tombo, do Porto de Santos, da fabricação de ISO 14.000, de EIA-Rimas falsificados, de IBAMA e CETESB que nada tem de ambientais, assim como os cursos de Ciências Ambientais de onde saem esses pseudo técnicos. Não estamos falando desse BESTEIROL verde a que um conluio de capitalistas, arrivistas, falsos defensores do meio ambiente, a serviço de seu próprio enriquecimento submergiram toda a luta ambientalista das décadas de 1970 e 1980. Sustentabilidade é autogestão, controle da vida pelos próprios indivíduos, luta contínua contras as corporações, repensar completamente a existência, torná-la menos individualista mais coletiva. A sustentabilidade não é uma palavra do vocabulário capitalista pois ela implica em coletividade, comunidade, cooperação, controle dos recursos pela população. De A a Z apresentaremos as pautas para a verdadeira sustentabilidade:

Adaptação às mudanças climáticas

A compreensão de que as mudanças climáticas em curso determinam profundas transformações aos ecossistemas naturais evidenciam a necessidade de se adaptar o uso às novas condições do planeta. A tomada de consciência das mudanças e das causas antrópicas que as determinaram deveria implicar na revisão dos modos de uso e não na privatização dos sistemas para obter a mesma produtividade. O uso intensivo dos sistemas naturais é acompanhado de uma condição de desequilíbrio do sistema e portanto de um incremento do risco de colapso. As adequações, quer dizer, as intervenções capazes de reduzir os efeitos das mudanças climáticas, podem ser positivas se comportam consigo um repensar sobre os erros cometidos e se não forem meros paliativos, sem a remoção das causas que determinaram as modificações climáticas.

Adequação dos espaços urbanos

Os habitantes adequam o espaço de suas habitações e teriam direito de adaptar às suas modalidades de vida os espaços de seus assentamentos. Atualmente os habitantes sofrem um tipo de organização urbana definida pela especulação imobiliária e, eventualmente, por um tipo de planejamento urbano em que não está previsto a ação ativa e direta do cidadão. Retomar essa delegação que a sociedade industrializada inicialmente e aquela de consumo atualmente cederam aos técnicos, recuperando a possibilidade de intervenção do cidadão e da comunidade, sem causar danos ao meio ambiente e incomodo às pessoas, deveria ser um aspecto positivo da cultura de uma nova sociedade.

Artesanato

O trabalho artesanal permite uma gestão melhor do processo produtivo pelo indivíduo. Além de tudo, é uma modalidade que permite a permanência de uma capacitação técnica no interior da comunidade. Essa capacitação possibilita a construção e a manutenção de manufaturados em modo mais autônomo. O artesanato é caraterístico dos lugares e portanto está em harmonia com os recursos e as culturas locais, adaptando as transformações técnicas ao modelo do lugar. A difusão de uma cultura artesanal permite a redução da penetração do comércio corporativo global.

Autoprodução energética

Os megaprojetos de geração de energia, mesmo aqueles de fontes renováveis, concentram a produção, e portanto, o lucro, e retiram as comunidades locais da gestão de um aspecto fundamental da própria existência. Permitem o monopólio, a predefinição dos preços, mas principalmente implicam em um enorme desperdício de energia na distribuição e sobreprodução (que existe ainda que recolocada na rede). Realizar projetos locais, mesmo que individuais, (mini hidrelétricas, mini eólicas, biomassas, térmicas, solares, etc.) torna possível a redução dos impactos ambientais, o controle dos empreendimentos, a gestão direta dos custos e dos consumos pela própria comunidade.

Autoprodução de alimentos

Produzir diretamente o próprio alimento ou dirigir-se a quem o produz localmente reduz o mercado da alimentação industrializada, torna possível a autonomia alimentar dos territórios e comunidades, aumenta a possibilidade de controlar diretamente a qualidade dos produtos, gera trabalhos. Constitui uma forte ligação entre as comunidades e as áreas produtoras a ajuda a compreender a centralidade do equilíbrio entre o uso e a conservação das potencialidades naturais. Sustentar a autoprodução agrícola, participar e utilizar circuitos comerciais autogestionados.

Autoconstrução

A capacidade de construir e adaptar os espaços onde morar é inerente ao ser humano. Delegar totalmente esta prática a terceiros, não participar da construção e manutenção do próprio meio ambiente limita as potencialidades humanas e inibe a qualidade de vida. Os indivíduos podem contribuir diretamente ou indiretamente na definição do espaço físico onde moram, conscientes da necessidade de se trabalhar de modo a reduzir os efeitos negativos e diminuir o dano causado ao meio ambiente devido ao uso e à transformação do mesmo. Participar de processos de autoconstrução, construir a casa por si próprios ou ainda reformar as autoconstruções já existentes.

Automóveis

A cada dia grande parte dos cidadãos do mundo e entupida com uma obsessiva publicidade de veículos particulares sobre rodas. Se não existisse essa publicidade constante quase que certamente seriam vendidos muito menos automóveis, a nossa sociedade não seria automóvel-cêntrica, não teríamos problemas de poluição urbana, etc. etc. No modelo atual a mobilidade individual sobre rodas aparece para muitos territórios como algo indispensável e insubstituível (se pensarmos aos assentamentos distantes de casas espalhados por todos os lados). Mas não é assim. Podem ser organizadas muitas outras modalidades de transporte a partir daquele individual a motor (motocicletas de pequena cilindrada) bicicletas ou outros que possam ser usados em percursos de menor distancia ou recorrer a carros de uso comum, de menor cilindrada e de dimensões menores. Pode-se fazer isso já, sem muito sacrifício, sem mudar as regras que existem: quem não que fazer individualmente essa mudança, quem possui como escolha de vida ter carros de grande cilindrada, de grande dimensão, novos é um indivíduo dono de uma cultura autoritária, poluidora e socialmente danosa.

Extraído de: http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm



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Bando de burocratas sentados nos gabinetes.

A sequencia de slides apresentada no link a seguir sao fotografias tiradas de barco por um percurso  que passa por dentro dos mangues e canais do estuario de Santos na area do municipio de Cubatao. O contraste entre a beleza da natureza ,sua flora e fauna ,e a tristeza da poluicao das aguas pelo lixo domestico e pelos dejetos industriais. Convidamos todos os burocratas a sairem de seus gabinetes onde tomam sentados suas aguas de coco e falam besteiras, a se dedicarem a FAZER UMA POLITICA AMBIENTAL QUE ACABE COM A IDEIA DE QUE A INDUSTRIA TRAZ PROGRESSO. INDUSTRIA NOS LEGA SOMENTE POLUICAO E MISERIA!!!

Ouça a versão eletrônica do Pelego Verde:

http://www.4shared.com/audio/2ThyGZtY/EsquadraoDoPretoVelho-PelegoVe.html

Mais sobre o Esquadrao do Preto Velho –

http://www.myspace.com/esquadraodopretovelho

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Carbocloro greenwashing! E o mercurio onde fica?

PROTESTE: Telefone, mande um fax, escreva para a Carbocloro / Meio Ambiente

tel – (13) 3362-8032 / fax – (13) 3362-818
contato: http://www.carbocloro.com.br/html/contato_6_2.aspx?idioma=1&id=8&void=992124

Nesta matéria sobre o lançamento de mercúrio, abrimos novamente espaço ao companheiro Moésio Rebouças, de Cubatão. O Moésio, tao odiado pelas autoridades e poderosos de todos os calibres porque ele fala, ou melhor, escreve aquilo que todos vêem e cheiram, o odor ruim, mas não têm coragem de dizer. Desta vez, o jornalista desmistifica o marketing ambiental da CARBOCLORO, conhecida pelos ambientalistas de todo o mundo pela sua descarada prática de greenwash. Mas, para não dizer que é perseguição somente do Moésio, vamos começar pelas duas notícias transcritas a seguir:

A primeira publicada em

http://albertomarques.blogspot.com/2009_11_15_archive.html

terça-feira, 17 de novembro de 2009 – BAIXADA URGENTE

MP ENCONTRA TONELADAS DE LIXO TÓXICO EM BELFORD ROXO

lixo tóxico da Carbocloro em Belford Roxo

O Ministério Público Federal através da Procuradoria da República no Município de São João do Meriti, acaba de propor uma Ação Civil Pública para investigar a ação da empresa TRIBEL – Tratamento de resíduos Industriais de Belford Roxo S.A., com base em denúncias da existência nas dependências da empresa, em Belford Roxo, de resíduos da produção de cloro-soda contendo mercúrio, em desacordo com a legislação. Os resíduos seriam oriundos da CARBOCLORO S/A – Indústrias Químicas empresa sediada em Cubatão, São Paulo. Na Ação também são réus o IBAMA e o INEA – Instituto Estadual do Meio Ambiente, vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

Nota do editor: E a CARBOCLORO, cinicamente, disse que não é problema dela, é da empresa que trata seu lixo, a Tribel. KKKKKKK. Assim até o Sugismundo, o desenho greenwash da ditadura, e o Cascão viram limpinhos.

A outra noticia vem de uma tese de doutorado IO/USP publicada em

http://www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira31/noticias/noticia3.htm

Indústrias utilizam processos antiquados

As análises realizadas por Wanzeller no Laboratório de Nutrientes, Macronutrientes e Traços no Oceano, do Instituto Oceanográfico da USP, e as que enviou para a Universidade de Sorbonne, em Paris, indicaram que os problemas antrópicos observados no estuário de Santos são causados pelos processos obsoletos de produção das indústrias locais. “Uma medida que pode mitigar o problema é a troca do processo industrial”, afirma. Mas essa é uma medida de alto custo, reconhece. A indústria Carbocloro, por exemplo, em pleno século XXI, para fabricar soda e cloro, utiliza células de mercúrio, muito embora tal tecnologia já esteja superada, há décadas, por agredir violentamente o meio ambiente. Se trocasse por um processo mais atual, o uso de células de membrana, o nível de poluição ambiental no estuário seria reduzido drasticamente, afirma Wanzeller. No entanto, além de caro, a troca provocaria uma pausa no processo de produção, algo impensável, mesmo que temporária, para qualquer indústria.

SIQUEIRA, Gilmar Wanzeller. Estudo dos teores de metais pesados e de outros elementos em sedimentos superficiais do Sistema Estuarino de Santos(Baixada Santista – São Paulo) e da Plataforma Continental do Amazonas (Margem Continental Norte). 2003. Tese (Doutorado em Oceanografia Química e Geológica) – Instituto Oceanográfico da USP, CNPq

O ARTIGO DO MOESIO SOBRE A CARBOCLORO:

Carbocloro, uma empresa que se afirma “verde”, mas…

Nas últimas décadas, principalmente quando a questão ambiental entrou na moda, a maioria das indústrias com passivo ambiental – poluidoras e agressoras da natureza – reagiram investindo não na limpeza dos seus métodos produtivos ou de exploração dos recursos naturais, mas em propaganda de limpeza de imagem. A prática tornou-se de tal forma tão agressiva e generalizada no mundo todo que foi criado o termo “greenwash” para nomeá-la.

No conceito de “greenwash” cabem todas as práticas pelas quais uma empresa transmite a idéia de que está preocupada com o bem-estar do planeta quando na realidade faz muito pouco ou nada para reduzir o seu impacto na natureza. A forma mais óbvia de “greenwash” é o investimento em propaganda enganosa ou tendenciosa, incluindo a falsa rotulagem de produtos como “amigos do ambiente”, “ecologicamente corretos”, “verdes”.

Exemplos correntes incluem uma empresa apresentar-se como consciente ambientalmente por tomar medidas que reduzem a sua pegada ecológica, impacto ambiental, quando essas medidas foram tomadas por imposição legal ou para reduzir custos ou por criar um produto “verde” sem mudar nada no processo de fabricação dos outros produtos. Mas também se pode incluir neste conceito a elaboração de relatórios ambientais (EIA/RIMA), o patrocínio de eventos ou de ONGs ambientalistas, a distribuição de materiais de educação ambiental ou até a criação de fundações e associações supostamente ecologistas etc.

O mito da “responsabilidade ambiental” das empresas atinge hoje proporções alarmantes, com as empresas a gastar mais dinheiro em práticas de “esverdeamento” ou “lavagem verde” da imagem que em medidas de combate à poluição. Todos querem ocupar o pódio da empresa mais “verde”, mais “sustentável”, mas poucos se esforçam para merecê-lo.

Hoje, toda a empresa se pode tornar “verde”, com o apoio de agências de publicidade e relações públicas e de ONGs que cumprem o mesmo papel destas agências, mesmo que o seu negócio central seja, pela sua natureza, anti-ecológico.

Em Cubatão existem vários exemplos de “greenwash”. A Carbocloro, com um histórico de poluição na região, é uma das grandes empresas do Pólo Industrial de Cubatão que usa de todo os meios ao seu dispor para tornar a sua imagem mais “verde”, alimentando o mito da “responsabilidade ambiental”, ou seja, do “greenwash”.

Poucas pessoas sabem (em Cubatão certas barbaridades passam em branco, sem ninguém questionar nada), mas a Carbocloro esquematiza para meados de 2011 transformar o Rio Cubatão numa hidrovia industrial, onde os navios carregados com sal percorrerão um trajeto de 11 quilômetros, pelos rios Cubatão (a unidade local da empresa fica às margens deste rio), Cascalho, Casqueiro, estuário santista, até chegar ao Porto de Santos.

E o incrível, a Carbocloro chama este projeto de “ecológico”, que trará um ganho “ambiental”, que a hidrovia aumentará a taxa de renovação das águas dos rios, que as viagens de caminhões diminuirão etc.

Mas o que a propaganda da Carbocloro não diz, é que a implantação deste plano trará impactos ambientais ao eco-sistema aquático; que aprofundar trechos dos rios em pelo menos 3 metros provocará a ressuspensão dos sedimentos aquáticos; que a circulação dos navios afetará os manguezais através da movimentação das águas; comprometerá a biodiversidade, as avifaunas presentes no trajeto; empobrecerá o aspecto paisagístico, bucólico e sereno dos rios com tanta movimentação de barcaças; afetará a comunidade pesqueira artesanal; que outras empresas poderão transportar cargas por esta hidrovia até o Porto de Santos; que esta hidrovia poderá se transformar num futuro não muito distante numa espécie de rodovia dos Imigrantes ou Anchieta aquática, engarrafada de embarcações; que do lado da empresa tem uma linha de trem que poderia ser usada por ela para transporte de sal até o Porto de Santos e deixar em paz os rios de Cubatão, para passeios de natureza, contemplação; etc.

Então, por vergonha na cara, a Carbocloro deveria dizer explicitamente, e deixar de lado o “greenwash”, é que a hidrovia, em termos econômicos e de produtividade, transporta mais cargas com um custo bem inferior aos outros modais. E que vai implantar a hidrovia industrial por dinheiro, lucro, e não por um pretenso “ganho ambiental”, “consciência ecológica”.

Vale lembrar que a Carbocloro tem “indiretamente” um ventríloquo, um testa de ferro, e uma das maiores falcatruas ambientais da região instalado na Prefeitura de Cubatão, o diretor da secretaria municipal de Meio Ambiente, Rolando Roebellen, cúmplice e endossador deste projeto anti-ecológico, e que recentemente lançou um livro de fotografias luxuosíssimo chamado “Anilinas”, bancado pela Carbocloro através das leis de incentivos fiscais (Lei Rouanet). Obviamente, ele também é o coordenador do Conselho Comunitário Consultivo da Carbocloro, criado justamente quando esta indústria realizou em 2008 uma única audiência “pública” sobre o projeto “Hidrovia do Sal”, aprovado por unanimidade e com “fogos de artifício”.

É uma pena que em Cubatão não exista um movimento ambientalista com conteúdo, sério e independente para defender os rios, a natureza. Leiamos o que a Carbocloro nem o “ambientalista” Rolando Roebellen nos contam.

Relatorio Green”Crimes ambientais corporativos no Brasil – junho/2002″

Instalada em Cubatão (SP), na Baixada Santista, desde 1964, a Carbocloro é uma joint-venture da grupo nacional Unipar, que atua nas áreas química e petroquímica, e da norte-americana Occidental Chemical Corporation (maior fornecedor de cloro-soda dos Estados Unidos). Ela é responsável por 49% do mercado nacional de cloro líquido e 17% do de soda cáustica. Seu faturamento, em 2000, foi de R$ 314 milhões.

Parte da produção de cloro-soda da Carbocloro é feita através de células de mercúrio. Ao longo dos anos, a empresa acumulou 3 mil toneladas de resíduos mercuriais, provenientes dessas células. Em 1975, a empresa chegou a consumir 440 gramas de mercúrio por tonelada de cloro produzido. Só naquele ano, teriam sido perdidos cerca de 40 toneladas do metal.

Em 1990, a agência ambiental paulista, a Cetesb, publicou um documento baseado na análise da contaminação das águas, dos sedimentos e dos organismos aquáticos no rio Cubatão, que margeia a empresa. Segundo o estudo “a Carbocloro continua sendo uma das fontes desse metal [mercúrio] para o ecossistema aquático, explicando, provavelmente, os maiores valores de mercúrio verificados no sedimento no ponto localizado a jusante da referida indústria”.

A Cetesb multou a unidade da Carbocloro em Cubatão pelo menos quatro vezes por eliminar no rio Cubatão efluentes com concentrações de mercúrio acima do limite permitido pela legislação vigente (0,01 miligrama de mercúrio por litro de efluente): em abril de 1989, setembro de 1992, novembro de 1993 e julho de 1994.

A empresa também recebeu multas por outros motivos. Nos anos 80, por exemplo, ela foi multada por emitir fumaça preta e por dispor resíduos sólidos domésticos no Lixão de Pilões. Em setembro de 1997, por sua vez, foi por lançar óleo no rio Cubatão.

O Greenpeace realizou análises de sedimentos do rio Cubatão e de efluentes industriais da Carbocloro em seu laboratório, em Exeter, na Inglaterra. Foram encontradas evidencias de presença de mercúrio e grande número de organoclorados.

As amostras do Greenpeace variaram de 1,8 a 21,4 ppm. A concentração de mercúrio num solo ou sedimento típico não contaminado é inferior a 0,5 ppm.

Em abril de 1998, dez meses após o levantamento feito pelo Greenpeace, a Cetesb iniciou estudos sobre a contaminação do estuário da Baixada Santista. A agência recolheu sedimentos perto dos pontos de coleta da não-governamental.

Entretanto, eles apresentaram índices de contaminação por mercúrio mais reduzidos, na faixa de 0,015 a 0,93 ppm de mercúrio. A disparidade parece associada às dragagens que ocorriam em área próxima à Carbocloro, na época da coleta feita pelo Greenpeace. Parte do material dragado teria sido usado para aterrar a área onde seria construído um shopping center na cidade vizinha de Praia Grande.

Em depoimento dado ao Ministério Público do Estado de São Paulo em 1998, Márcio Pedroso, que trabalhou na empresa entre 1975 e 1991 e se aposentou por invalidez associada à contaminação por mercúrio, declarou ter testemunhado vários vazamentos do metal na unidade de Cubatão. Em 1991, foram identificados dez casos de intoxicação crônica por mercúrio metálico na Carbocloro.

Em outubro de 2001, o Ministério Público de São José dos Campos instaurou inquérito para apurar responsabilidades na deposição de lixo tóxico contendo mercúrio da fábrica da Carbocloro em Cubatão num aterro de São José. Seu transporte foi feito através do Parque Estadual da Serra do Mar e várias cidades.

Segundo a assessoria de imprensa da Carbocloro, tais resíduos foram mantidos durante 15 anos em oito silos impermeáveis subterrâneos, que nunca contaminaram o solo ou o lençol freático com mercúrio. A decisão de enviá-los a São José seria resultado de longos estudos técnicos.

A empresa também argumenta que a amostra de água analisada pelo Greenpeace em 1988 foi colhida acima da indústria, e portanto a contaminação por mercúrio não poderia vir da empresa. A Carbocloro afirma, também, que estudo produzido pela Cetesb em 2001 no estuário de Santos evidencia que a contaminação por mercúrio dos sedimentos é de origem difusa, sendo impossível destacar suas fontes. Para a empresa, a principal origem da contaminação é a represa Billings.

Fonte: http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/corporate_crimes_port.pdf (Confira na nossa Biblioteca)

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