Arquivo da categoria: Agricultura organica

Projeto Ciclovida: em busca das sementes naturais.

Projeto Ciclovida: uma aventura de Inacio e Ivania, dois caboclos brasileiros que desvelam o crime cometido pelas grandes corporacoes de alimentos e agrotoxicos e pelos laboratorios de pesquisa de transgenicos contra a producao de alimentos.
Lifecycle é um documentário narrativo que segue um grupo de pequenos agricultores de Ceará numa viagem atravessando o continente da América do Sul de bicicleta, na campanha de resgate das sementes naturais. Os viajantes documentam a dominação dos agrocombustíveis no campo e o deslocamento de milhões de pequenos agricultores e comunidades indígenas.

www.Ciclovida.org

O Brasil é responsável por 12% das lavouras geneticamente modificadas no mundo. É o que mostra estudo divulgado pelo Serviço Internacional para a Agrobiotecnologia. Os viajantes documentam a dominação dos agrocombustíveis no campo e o deslocamento de milhões de pequenos agricultores e comunidades indígenas. Cultivos e matas nativas estão sendo substituídos por desertos verdes de monoculturas transgênicas onde nada mais, planta ou animal, pode sobreviver aos agrotóxicos. O documentário faz parte do projeto Ciclovida e foi produzido por Matt Feinstein e Loren Feinstein com colaborações de ativistas brasileiros.

Lifecycle foi escolhido melhor documentário na categoria conservação do Green Screen Environmental Festival Film/2010 e selecionado para o Blue Planet Film Fest em Los Angeles, EUA e Byron Bay Film Festival em Australia.

Acompanhe o blog do CAVE, em breve Lifecycle sera exibido aqui em Santos.

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KIWICHA: a planta sagrada dos Incas desafia a gigante Monsanto!

Nossa companheira Guadalupe traduziu do espanhol esta noticia que esta se espalhando pelo mundo.

Panico entre agricultores dos Estados Unidos. A transnacional de sementes transgênicas não sabe o que fazer com o amaranto (kiwicha) que vem acabando com seus cultivos de soja.

Nos Estados Unidos os agricultores estão tendo que abandonar cinco mil hectares de soja transgênica e outras cinquenta mil estão sendo gravemente ameaçadas. Esse panico se deve a uma “erva daninha”, o amaranto (conhecida no Peru como kiwicha) que decidiu opor-se a transnacional Monsanto, tristemente célebre por sua produção e comercialização de sementes transgênicas.  Em 2004 um agricultor de Atlanta comprovou que alguns brotos de amaranto resistiam ao poderoso herbicida Roundup. Os campos vítimas desta invasora “erva daninha” haviam sido semeados com grãos Roundup Ready, que continham uma semente que havia recebido um gene de resistência ao herbicida.  Desde então a situação piorou e o fenômeno se estendeu a Carolina do Sul e do Norte, Arkansas, Tennessee e Missouri. Segundo um grupo de cientistas britânicos do Centro para a Ecologia e Hidrologia, se produziu uma transferência de genes entre a planta modificada geneticamente e algumas ervas indesejáveis como o amaranto. Esta constatação contradiz as afirmacões dos defensores dos organismos geneticamente modificados(OMG): uma hibridação entre uma planta modificada geneticamente e uma planta não modificada e simplesmente “impossível”.  Segundo o genetista britânico Brian Johnson, “basta um só cruzamento  entre várias milhões de possibilidades. Uma vez criada, a nova planta possuí uma enorme vantagem seletiva e se multiplica rapidamente. O potente herbicida que se utiliza aqui, Roundup, a base de glifosato e de amônio, exerceu uma pressão enorme sobre as plantas, as quais tem aumentado ainda mais a velocidade de adaptação”. Assim, aparentemente um gene de resistência aos herbicidas deu nascimento a uma planta híbrida surgida de um salto entre um grão que se supõe que a protege e o humilde amaranto, que se torna impossível de eliminar.    A única solução e arrancar a mão as ervas daninhas, como se fazia antigamente, porem isto já não e possível dadas as enormes dimensões dos cultivos. Alem, de estar profundamente arraigadas, estas ervas são muito difíceis de arrancar por isso, simplesmente, as terras foram abandonadas.

Transgênicos suportam um efeito bumerangue

O diário inglês The Guardian publicou uma matéria de Paul Brown que revelou que os genes modificados de cereais haviam passado para plantas selvagens e criado um “super-grão” resistente aos herbicidas, algo “inconcebível” para os defensores das sementes transgênicas. Resulta divertido constatar que o amaranto, o kiwicha, considerado agora uma planta “diabólica” para a agricultura transgênica, era uma planta sagrada para os incas. E um dos alimentos mais antigos do mundo. Cada planta produz uma media de 12.000 grãos ao ano e as folhas, mais ricas em proteínas que a soja, contem vitaminas A, C e sais minerais.  Assim esse bumerangue, devolvido pela natureza a transnacional Monsanto, não só neutraliza este predador, comocoloca em seus domínios uma planta que poderia alimentar a humanidade em caso de fome. Suporta a maioria dos climas, tanto em regiões secas como nas zonas de monções e nas terras altas tropicais, e no tem problemas nem com os insetos nem com as enfermidades por isto nunca necessitará de produtos químicos.

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Sustentabilidade: a escolha libertária VI (fim)

Concluimos com a lista a seguir, a analise dos problemas trazidos ao meio ambiente pela economia capitalista contemporanea e as acoes que podemos fazer para mudar o sistema (a verdadeira sustentabilidade). Uma pequena receita do que voce pode fazer ja.

Compre menos e nao compre descartaveis

Nao compre em grandes redes de hipermercados

Compre no pequeno comercio local

Ande a pe, de bicicleta, de transporte coletivo

Conheca o fornecedor dos produtos alimenticios

Assim que for possivel mude para uma cidade menor e se fixe nela

Procure lazer na natureza e no convivio com as pessoas, poupe seu dinheiro

Poupando mais pode-se trabalhar menos

Trabalhando menos temos mais tempo para levar uma vida sustentavel

Fuja dos espacos privados ocupe os espacos publicos

Nao caia no conto da tecnologia use seus equipamentos ate o limite

Nao reclame dos outros e nao diga que nao tem jeito. Sua acao e importante.

Informe-se, propague estas ideias, desperte e liberte quem esta viciado na teia do consumo

Recursos

Apesar do termo, a palavra “recursos” indica uma visão do meio ambiente voltada para sua transformação ou utilização, desde que observada do ponto de vista utilitário para a espécie humana: é possível um uso dos recursos que não comprometa nem degrade o meio ambiente. O modelo atual os usa enquanto têm viabilidade econômica e, portanto, muito além do limite de uso que permitiria manter as potencialidades desses recursos. Isso é favorecido pela falta de controle das comunidades locais sobre seus próprios recursos e da gestão empresarial deles. A gestão dos recursos no mundo atual é delicada. Eles estão em contínua redução, em estado de alteração, insuficientes para garantir o consumo e a sobrevivência de uma população mundial em contínuo crescimento. Colocar os recursos existentes em relação direta com as comunidades locais, desenvolvendo uma gestão coletiva e definindo o consumo em função de sua disponibilidade, mostra-se, não somente um modo de manter a diversidade cultural e ambiental como permite também seu uso de modo sustentável.

Reutilização

Para permitir a manutenção da cota de mercado inútil e super-dimensionada em relação às necessidades este modelo sustentou, através da comunicação de marketing, técnica e científica, a vantagem do novo sobre o usado. Objetos e materiais usados assumiram um valor menor, de reuso; são rapidamente considerados obsoletos e tornam-se resíduos. Essa é uma incrível perda de riqueza e energia e a criação de um problema, aquele do descarte. Da mobília doméstica ao vestuário, passando por automóveis e apetrechos, os objetos respondem a uma imaginação abstrata estimulada pelo mercado. Reusar, recuperar quer dizer adaptar o novo projeto ao existente, quer dizer condicionar o futuro ao presente.

Resíduos

A quantidade de resíduos a serem descartados deveria ser mínima. Os objetos deveriam ser usados, recuperados, reusados até serem reciclados. Sus quantidade deveria ser reduzida às reais necessidades e somente uma pequena parte deveria tornar-se resíduo e dos resíduos somente uma pequena parte seria descartada definitivamente.

Sustentabilidade

As alterações no meio ambiente começaram a ser percebidas de modo alargado desde o começo dos anos setenta, as políticas internacionais, comunitárias e frequentemente as nacionais indicaram as prioridades para sua solução desde a passagem dos oitenta para os noventa, o termo sustentabilidade aparece constantemente na mídia, mas as condições ambientais pioraram exponencialmente. As condições ambientais e sociais do planeta mostram que o modelo atualmente praticado não tem a capacidade de resolver os problemas encontrados. As soluções sustentáveis são aquelas que conservam e recuperam o meio ambiente, reduzindo os desperdícios e o consumo dos recursos naturais, reduzindo os descartes de resíduos. Isso é sustentabilidade.

Supermercados-hipermercados-shoppings

Instrumento para a venda de coisas inúteis a baixo preço. Em alguns casos os produtos são assim descartáveis que eles deveriam pagar para os clientes o custo do despejo do resíduo. A concentração das vendas está conectada à concentração da distribuição e da produção. São instrumentos para a concentração de riquezas e aumento do poder no embate com a comunidade onde eles impõem suas atividades. Isso desestrutura o tecido social tornando-o dependente dos macro-investimentos das corporações. A verdadeira economia não é comprar tantos produtos descartáveis, mas comprar menos, comprar de quem a gente já conhece, de quem tem capacidade para produzir aquela mercadoria, de quem trabalha nas proximidades.

O Capitalismo mata!!!

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Sustentabilidade: a escolha libertária III

Para aqueles que acham que os anarquistas somente fazem críticas, continuamos com nossa série de ações de A a Z a serem empreendidas para garantir um mundo equilibrado, responsável, igualitário, livre e sustentável.

Carne e combustíveis

É um dado conhecido que em cada passagem da cadeia alimentar grande parte da energia não é transferida para o elo seguinte: por exemplo, cada porco produz cinquenta quilogramas de proteínas consumindo setecentos e cinquenta quilogramas de proteínas vegetais. Resumindo,para produzir carne nas quantidades consumidas atualmente é utilizada uma quantidade de alimentos vegetais que sozinhos serviriam com folga às necessidades alimentícias de todos os habitantes do planeta. O aumento do consumo de carne portanto tem implicado , além das modificações do panorama agroflorestal e social de muitos países, o desperdício de potencialidades nutritivas enormes. A produção de combustíveis vegetais, caso mais recente, segue pelo mesmo caminho: além de aumentar o preço dos cereais em todos os mercados, colocando em dificuldade os consumidores mais pobres e somente trazendo vantagens para os produtores mais ricos, implica no uso de alimentos para a combustão, perdendo nessa transformação uma enorme quantidade de energia. Usar a produção agrícola somente para alimentação, reduzir a cadeia proteica, é a garantia de utilizar ao máximo as potencialidades dos ecossistemas naturais e da energia nelas existente.

Casas nos subúrbios

Modelo de urbanização que prevê a residência em locais afastados com uma casa de dimensões maiores do que o necessário, jardim, com todas as estruturas que as possibilidades econômicas permitem, e o trabalho na cidade. Um desperdício ambiental enorme, em termos de consumo de recursos, e de consumo energético para os deslocamentos. Para respirar um ar mais puro se percorre dezenas de quilômetros de carro, poluindo, uma das causas das alterações na atmosfera, diretamente provocadas pelo afastamento dos centros urbanos. Frequentemente não é uma escolha (as casas custam menos quanto mais distantes estão do centro) mas se fosse uma escolha seria ambientalmente e socialmente nociva. Deveríamos trabalhar no lugar e na comunidade em que se reside e permanecermos ali.

Causa-efeito

O modelo econômico e social praticado intervêm somente sobre os efeitos; dessa maneira, não faz autocrítica, nem modifica os comportamentos já consolidados criando novas mercadorias e ampliando o mercado existente; intervir nas causas obrigaria ao contrário, a uma mudança das práticas comuns e a uma redução na oferta de mercadorias. Cada ação eficaz voltada para a sustentabilidade trabalha sobre as causas e no caso, simultaneamente, para a redução dos efeitos.

Comunidade

Restabelecer as relações diretas entre os indivíduos e os recursos locais é o meio para reequilibrar a relação entre a população e o meio ambiente. Os indivíduos não tem consciência dos efeitos negativos que o seu comportamento produz em outros lugares; nem compreendem a importância da gestão adequada dos recursos existentes em seu território. Para refazer as relações deve-se sustentar a economia local, não sucumbir ao mercado global, e ampliar o espaço para a capacidade técnica e criativa dos indivíduos. O lugar social onde isso pode ocorrer são as comunidades de indivíduos, entendo isso como comunidades geográficas ou territoriais, autogestionadas, culturalmente homogêneas, mas não fechadas, economicamente e socialmente autônomas, capazes de administrar diretamente, em comum acordo, e de modo sustentável os recursos e o meio ambiente.

Comunidade aberta e identidade

O modelo econômico contemporâneo, para permitir a comercialização das mercadorias globalmente e de modo padronizado, desestrutura as comunidades locais. A cultura local é estreitamente ligada aos lugares, no sentido de que se alimenta da estreita relação existente entre o indivíduo e o meio ambiente em que ele está inserido. O distanciamento dessa relação aumenta o impacto ambiental na comunidade no lugar onde ela está estabelecida. A manutenção de uma cultura local é a única garantia par a permanência da comunidade e das relações entre essa e o meio ambiente. Isso não implica na criação de comunidades fechadas, nem na reorganização de antigas limitações sociais para a circulação de pessoas, implica exclusivamente na oportunidade de reencontrar um equilíbrio local, de sair do mercado capitalista e de suas imposições culturais, de conservar uma identidade; e tudo isso é possível através de uma contínua e positiva, mas autônoma, troca com as comunidades externas.

Concorrência/mercado livre

O desastre ambiental é detonado por uma hiperprodução que tenta reduzir os custos e ocupar segmentos de mercado sobre outros produtores. Desse modo, se produzem mercadorias desnecessárias (como o são grande parte daquelas produzidas na sociedade de consumo) que não satisfazem os consumidores (como grande parte daquelas da sociedade de consumo) e em quantidades muitas vezes superiores ás demandas do mercado (já inchado) em razão da grande quantidade de produtores. Essa condição é uma aberração no mercado global mas poderia não o ser em níveis locais onde os produtores produzem basicamente para as comunidades onde residem em função de suas demandas (limitando dessa forma o desperdício de energia para a fabricação, distribuição e comercialização).

Consumidores

A diferença entre um indivíduo e um consumidor é definida pelo nível de crítica apresentada em relação às promoções comerciais e à quantidade de mercadorias adquiridas. Na sociedade contemporânea não ser um consumidor é muito difícil mas a mudança de comportamento é a primeira garantia para a limitação do mercado global e para a redução do “peso ambiental” de nossa presença no planeta.

Consumo

Na sociedade de consumo as mercadorias não se consomem: são reduzidas a dejetos sem serem usadas completamente. A sociedade é portanto uma sociedade de resíduos, de descarte rápido das mercadorias, de desapego sentimental em relação aos bens utilizados. Os objetos são todos diferentes mas tornam-se indiferentes a quem os usa, e vem substituídos rapidamente sem deixar memória, somente uma profunda herança física (aquela do resíduo). Reduzir as compras, reduzir o consumo de mercadorias, manter os objetos por mais tempos, reutilizar objetos, gastá-los até seu fim, consertá-los, torna-se indispensável para frear uma produtividade que não nos traz nenhum bem estar.

Crescimento

O perseguição do crescimento é substancial para este modelo econômico e cultural. A riqueza dos países e das corporações é medida em quantidade de produto bruto e pela capacidade de aumentá-lo ano após ano. Mas os mesmos critérios governam a vida dos indivíduos. O crescimento individual advém quando a condição sucessiva é quantitativamente superior àquela precedente; quando existe a possibilidade econômica são substituídas as condições materiais por outras de maior quantidade (a casa de tamanho maior, o automóvel de maior cilindrada, o computador mais potente, etc.) Pois, o ilimitado crescimento material apesar de todos os esforços tecnológicos que possam ser feitos, não é praticável pelo fato de que, ao contrário, os recursos naturais, são limitados. Além da evidente inutilidade do crescimento quantitativo é oportuno considerar que não é possível perseguir o objetivo do crescimento; existe um limite que, por mais distante, que o queiramos colocar (mas que nós aqui o entendemos como estando muito, muito próximo), ele existe e ao ser alcançado implicará no bloqueio do crescimento. É, portanto, fundamental transformar o comportamento cultural repensando não somente a vida dos indivíduos mas também aquela da produção que deveria retirar as suas vantagens da qualidade da produção e não de sua quantidade, na continuidade temporal das atividades, na manutenção de uma quantidade de produtos conectada com as reais necessidades da comunidade a que esses eles são dirigidos.

Comércio ambulante

O meio mais ecológico para permitir a distribuição das mercadorias: um número limitado de mercadorias, em um meio de transporte alcança uma população parada. A movimentação pode ser de até duas toneladas. O modelo de centros comerciais está baseado nos deslocamentos dos indivíduos em quantidades médias de uma tonelada e meia per capita (além dos deslocamentos das mercadorias para os centros comerciais) o que torna evidente ser uma modalidade de alto consumo energético, além do que socialmente seletiva (quem não tem carro, quem não quer se deslocar, quem não pode se deslocar está excluído). Agilizar o pequeno comércio ambulante porta a porta tem um alto valor ambiental.

Demolição

Uma prática de construção civil em crescente difusão prevê a demolição de edifícios, mesmo que eles ainda estejam em boas condições, e a sua substituição por edifícios novos. Através disso conseguem dar formas mais contemporâneas às construções, aumentar o valor imobiliário dos edifícios, aumentar os empréstimos, obter mais lucros. Se do ponto de vista econômico é um negócio, do ponto de vista ambiental é um dano grave. A construção necessita de energia para a produção e transporte dos materiais e para a construção dos manufaturados; essa energia é guardada pelo edifício. No momento em que ele é derrubado toda essa energia é perdida. A ela soma-se a energia para a demolição, aquela para a limpeza e aquela necessária à construção de um novo edifício. Um prática profundamente insustentável que causa efeitos deletérios e também sociais: os novos residentes raramente são os mesmos que antes lá moravam nas antigas habitações (o aumento do valor imobiliário exige preços de aluguel e de venda superiores), e no caso de serem ainda os mesmos, se encontrariam em um contexto de moradia diferente aquele conhecido por eles. Existem muitas maneiras para intervir com o fim de de aumentar a qualidade dos edifícios, a demolição deles não é uma delas.

Distribuição

A mobilidade das mercadorias é uma das características do modelo do mercado global. As produções concentradas substituem as produções locais através de um custo menor obtido com o incremento da quantidade produzida e pela localização das unidades produtivas em territórios onde os controles ambientais são reduzidos e o custo da mão de obra é barato. Os custos ambientais e sociais conexos são enormes para o consumo de energia e as emissões relativas à hiperprodução e ao transporte, sem contar a total desestruturação do antigo aparelho produtivo local. Esta condição torna-se ainda mais grave quando é realizada no setor do agronegócio. Comer alimentos produzidos em territórios próximos, além de evitar o deslocamento das mercadorias e reduzir os consumos energéticos, fortalece economicamente as comunidades locais.

Desenvolvimento

O único desenvolvimento possível não é o econômico, é o cultural que não consome mercadorias nem polui a natureza.

Extraído de http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

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A Ecologia Social dos camponeses mexicanos

“Prêmio Nobel de Ecologia para agricultor mexicano”: esta a materia que nos foi enviada pela companheira Guadalupe Barcena e nos faz refletir e perguntar: Por que fatos como este nao sao noticiados pela grande midia. Este, mais um exemplo de que os trabalhadores quando podem, sabem se organizar e produzir por eles mesmos.

Poucos sabem, mas existe um prêmio “Nobel” de Ecologia. Este ano quem o ganhou foi Jesús León Santos, de 42 anos, um camponês indígena mexicano que realizou nos últimos 25 anos um excepcional trabalho de reflorestamento em sua região de Oaxaca, México. O nome da recompensa é “Prêmio Ambiental Goldman” (www.goldmanprize.org/theprize/about_espanol)

Até agora foi outorgado a defensores do meio ambiente de 72 países. Em 1991, o ganhou a africana Wangari Maathai, que logo depois obteve o Prêmio Nobel da Paz, em 2004.

Para Jésus, foi dado porque, quando ele tinha 18 anos, decidiu mudar a paisagem onde vivia na Mixteca alta, a “terra do sol”. Aquele parecia um panorama lunar: campos ermos e poeirentos, desprovidos de arvoredo, sem água e sem frutos. Tinha-se que percorrer grandes distâncias em busca de água e de lenha. Quase todos os jovens emigravam para nunca mais voltar, fugindo de semelhantes paragens e dessa vida tão dura. Com outros companheiros do lugar, Jésus León fixou-se o objetivo de reverdejar os campos. E decidiu recorrer a umas técnicas agrícolas pré-colombianas que lhe ensinaram alguns indígenas guatemaltecos para converter terras áridas em zonas de cultivo e matas.

Como levar esse projeto adiante? Fazendo reviver uma ferramenta indígena também esquecida: o tequio, o trabalho comunitário remunerado. Reuniu umas 400 famílias de 12 municípios, criou o Centro de Desenvolvimento Integral Camponês da Mixteca (Cedicam), e juntos, com recursos econômicos limitadíssimos, lançaram-se na grande batalha contra o principal culpado da deterioração: a erosão.

Nessa região Mixteca existem mais de 50.000 hectares que perderam uns cinco metros de altura de solo desde o século XVI. A criação intensiva de cabras, o sobre-pastoreio e a indústria de produção de cal que havia estabelecido a Colônia deterioram a zona. O uso do arado de ferro e o corte intensivo de árvores para a construção dos imponentes templos dominicanos contribuíram definitivamente para a desertificação. Jésus León e seus amigos impulsionaram um programa de reflorestamento. A pá e picareta cavaram valetas-trincheiras para reter água das escassas chuvas, semearam árvores em pequenos viveiros, trouxeram adubo e plantaram barreiras vivas para impedir a fuga da terra fértil.

Tudo isso favoreceu a recarga do aquífero. Logo, em um esforço titânico, plantaram ao redor de quatro milhões de árvores em espécies nativas, aclimatadas ao calor e parcas em absorção de água. Depois se fixaram na meta de conseguir, pra as comunidades indígenas e camponesas, a soberania alimentar. Eles desenvolveram um sistema de agricultura sustentável e orgânica, sem uso de pesticidas, graças ao resgate e conservação das sementes nativas de milho, cereal originário dessa região. Semeando, sobretudo uma variedade muito própria da zona, o cajete, que é uma das mais resistentes à seca. Planta-se entre fevereiro e março, que é a época mais seca do ano, com muito pouca umidade no solo, porém quando chegam as chuvas crescem rapidamente.

Ao cabo de um quarto de século, o milagre se produziu. Hoje a Mixteca alta est’a restaurada. Voltou a verdejar. Surgiram mananciais com mais água. H’a árvores e alimentos. E a gente já não emigra mais. Atualmente Jésus León e seus amigos lutam contra os transgênicos, e semeiam 200.000 árvores por ano. A cada dia eles fazem retroceder a linha da desertificação. Com a madeira das ‘arvores se pode resgatar uma atividade artesanal que estava desaparecendo: a elaboração, em oficinas familiares, de jogos de madeira e utensílios de uso cotidiano. Ademais, se enterraram em lugares estratégicos cisternas de concreto armado, de mais de 10.000 litros de capacidade, que também recolhem a água da chuva para regar as estufas familiares de orgânicos.

O exemplo de Jésus León é agora imitado por várias comunidades vizinhas, que também criaram viveiros comunitários e organizam temporariamente plantações maciças. Em um mundo onde as notícias, com frequência, são negativas e deprimentes, esta história exemplar passou despercebida.

AS REDES DE COMUNICAÇÃO SO INFORMAM O QUE INTERESSA AO CAPITAL!

Texto original em espanhol de Georgina Valdovinos Navarro

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