Arquivo do mês: novembro 2011

Massacre de indígenas em acampamento em Amambai

Carta de Protesto

Estudantes Guarani e Kaiowá dos cursos de Ciências Sociais e História e moradores da aldeia de Amambaí.

Por volta das seis horas chegaram os pistoleiros. Os homens entraram em fila já chamando pelo Nísio. Eles falavam segura o Nísio, segura o Nísio. Quando Nísio é visto, recebe o primeiro tiro na garganta e com isso seu corpo começou tremer. Em seguida levou mais um tiro no peito e na perna. O neto pequeno de Nísio viu o avô no chão e correu para agarrar o avô. Com isso um pistoleiro veio e começou a bater no rosto de Nísio com a arma. Mais duas pessoas foram assassinadas. Alguns outros receberam tiros mas sobreviveram. Atiraram com balas de borracha também. As pessoas gritavam e corriam de um lado para o outro tentando fugir e se esconder no mato. As pessoas se jogavam de um barranco que tem no acampamento. Um rapaz que foi atingido por um tiro de borracha se jogou no barranco e quebrou a perna. Ele não conseguiu fugir junto com os outros então tiveram que esconder ele embaixo de galhos de árvore para que ele não fosse morto.Outro rapaz se escondeu em cima de uma árvore e foi ele que me ligou para me contar o que tinha acontecido. Ele contou logo em seguida. Ele ligou chorando muito. Ele contou que chutaram o corpo de Nísio para ver se ele estava morto e ainda deram mais um tiro para garantir que a liderança estava morta. Ergueram o corpo dele e jogaram na caçamba da caminhonete levando o corpo dele embora.Nós estamos aqui reunidos para pedir união e justiça neste momento. Afinal, o que é o índio para a sociedade brasileira? Vemos hoje os direitos humanos, a defesa do meio ambiente, dos animais. Mas e as populações indígenas, como vem sendo tratadas? As pessoas que fizeram isso conhecem as leis, sabem de direitos, sabem como deve ser feita a demarcação da terra indígena, sabem que isso é feito na justiça. Então porque eles fazem isso? Eles estão acima da lei? O estado do Mato Grosso do Sul é um dos últimos estados do Brasil mas é o primeiro em violência contra os povos indígenas. É o estado que mais mata a população indígena. Parece que o nazismo está presente aqui. Parece que o Mato Grosso do Sul se tornou um campo de fuzilamento dos povos indígenas. Prova disso é a execução do Nísio. Quando não matam assim matam por atropelamento. Nós podemos dizer que o estado, os políticos e a sociedade são cúmplices dessa violência quando eles não falam nada, quando não fazem nada para isso mudar. Os índios se tornaram os novos judeus. E onde estão nossos direitos, os direitos humanos, a própria constituição? E nós estamos aí sujeito a essa violência. Os índios vivem com medo, medo de morrer. Mas isso não aquieta a luta pela demarcação das terras indígenas. Porque Ñandejara está do lado do bom e com certeza quem faz a justiça final é ele. Se a justiça da terra não funcionar a justiça de deus vai funcionar.

Abraço fraterno,

Giva

blog:http://infanciaurgente.blogspot.com/

Penso que não cegámos, penso que estamos cegos, Cegos que veem, Cegos que, vendo, não veem  – J. Saramago

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Tribunal Popular da Terra

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O Tribunal Popular é uma iniciativa que surge em 2008, com o aniversário de 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, quando uma série de entidades passou a discutir e refletir acerca das constantes violações aos direitos humanos cometidas pelo Estado brasileiro, reforçando seu modelo opressor e a serviço do capital, que tem como alvo principal as parcelas mais pobres da população brasileira, em especial a população negra e indígena.

É com este objetivo, de denúncia à violação de direitos humanos, que estamos construindo o Seminário Popular da Terra na Baixada Santista, pois as populações indígenas locais estão sofrendo constantes ameaças de serem retiradas dos locais onde vivem, falta de condições para subsistência, perseguição, criminalização e vários outros direitos feridos pelo Estado. Além destes, vemos as populações mais pobres também sofrerem com despejos e a falta de projetos para moradias dignas, fruto de uma especulação imobiliária atrelada a exploração na camada do pré-sal da Bacia de Santos, a ampliação do Porto e a Copa do Mundo.
Com o Seminário Popular da Baixada Santista, pretendemos apresentar aos diversos grupos atingidos pelo processo de desenvolvimento e discutir assuntos que, apesar de parecerem distintos, são todos referentes a mesma questão: o direito à terra.

PROGRAMAÇÃO:

Sábado dia 05 de novembro.

7h- Café da Manhã.

8h- Abertura Tribunal Popular e lançamento do livro (Givanildo e Sassá)

9h – Mesa com os três eixos – questão indígena, questão urbana e megaeventos.

12h às 14h- Almoço

14h – Brigadas (dividiremos em duas brigadas temáticas (urbana e indigena), para possibilitar maiores discussões, com facilitadores para os temas e relatores em cada brigada, caso alguma brigada fique com muita gente será subdividida).
18h- Janta e Noite cultural com o ritual indigena e sarau.

Domingo 06 de novembro.

7h- Alvorada.
7h30min – Café da manhã.
8h30min – Brigada.
11h até 13h- Almoço.
13h até 16h- Plenária final, encaminhamentos das brigadas e socialização das discussões.

16h- Encerramento com uma apresentação cultural.

LOCAL: Rua General Câmara, 410, Centro, Santos – http://bit.ly/tplOsM (link para o mapa)

Inscreva-se através do link http://bit.ly/seminariopopular11

Evento no facebook -> https://www.facebook.com/event.php?eid=230997306962596

 

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