Arquivo do mês: julho 2011

Manifestação Pública – Xingu Vivo

Manifesto Público – Xingu Vivo

Todos estão convidados a fazer o seu papel em defesa da vida na região do XINGU.

Estamos convocado a todos para comparecer a uma manifestação de protesto que o Cadeia promoverá.

Esta Manifestação Pública de Protesto é inteiramente desvinculada de aspectos político-partidários, constituindo-se num movimento de protesto de cidadãos brasileiros, em solidariedade aos povos atingidos pela mega construção de Belo Monte, cheia de irregularidades e violações aos direitos humanos, com prejuízo irreparável aos animais e à flora da região afetada.

A convocação foi feita inicialmente através do seguinte link do Facebook:
http://www.facebook.com/event.php?eid=248199255191179

Rio de Janeiro/RJ
Dia 31/07 – Domingo
Local: Em frente ao Hotel Copacabana Palace, Praia de Copacabana, no RJ.
Horário: 14 horas

São Paulo/SP
Neste mesmo dia e horário
acontecerá em Manifestação com objetivo idêntico em São Paulo, Capital.
Local: Vão do Masp, Avenida Paulista
Horário: 14:00 às 18:30 hs

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Cubatão: estância climática para curar doenças respiratórias!!!

Cubatão é uma estância climática para curar doenças respiratórias?

 “Observem o verde na paisagem. Respirem o ar puro, a plenos pulmões, e anotem mais esse inesperado argumento de vendas. Conheçam as oportunidades únicas na Baixada que Cubatão oferece aos bons empreendedores”.

Essas palavras são da prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), pronunciadas no início de junho durante um discurso em Barcelona, na Espanha, quando ela tentava vender a “imagem” da cidade para empresários europeus investirem no município.

Em Cubatão, como nos médios e grandes centros urbanos dos países desenvolvidos e em desenvolvimento, é praticamente impossível escapar dos poluentes, do trânsito carregado quase todos os dias nas estradas que cortam a cidade, das micropartículas liberadas pela queima dos combustíveis (principalmente do óleo diesel com alta concentração de enxofre), das substâncias químicas despejadas no ar pelas indústrias e atividades portuárias, entre outras fontes poluidoras.

Na Baixada Santista é muito raro não termos um parente ou conhecido que não sofre de patologias respiratórias, que resultam da poluição do ar. E na maioria das vezes quem paga o preço da má qualidade do ar são as crianças e idosos. Inclusive com a morte.

Estudos da USP (Universidade de São Paulo), estimam que a poluição do ar na região metropolitana de São Paulo provoque a morte prematura de 3.000 pessoas por ano. Alguém duvida que o mesmo não aconteça na Baixada Santista?

A prefeita de Cubatão, assim como outros políticos e grandes empresários, ainda não entendeu e percebeu que o município está saturado de indústrias pesadas, de grandes empreendimentos. Que a cidade tem que ser feita para os seres humanos, e não para as indústrias, que continuam “roubando” espaços vitais das pessoas e dos animais.

No dia 13 de julho, “A Tribuna On-line” divulgou um texto sob o título “Nível da poluição do ar em Cubatão é péssimo, segundo Respirômetro”, http://www.atribuna.com.br/noticias.asp?idnoticia=103583&idDepartamento=5&idCategoria=5).

Que a qualidade do ar na cidade não é dos melhores não é nenhuma novidade, somente a prefeita, seus assessores e os empresários que não moram em Cubatão dizem o contrário. Nos dias mais crônicos, secos, é possível sentir a poeira no rosto e perceber as fuligens nos carros, nas folhas e outras superfícies. E se isso não bastasse, ainda tem o cheiro de produtos químicos que exalam das indústrias.

O “curioso” é que o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) da cidade costuma afirmar que 99% das fontes poluidoras estão atualmente “sob controle”. A prefeita de Cubatão, Marcia Rosa (PT), também com freqüência cita esta porcentagem. Ora, se quase 100% das fontes poluidoras estão “sob controle”, então porque é comum encontrarmos o ar de Cubatão saturado, acima do aceitável?

No dia 21 de julho, o portal da internet da Cetesb (agência ambiental estadual) apontava que o índice de qualidade do ar medido em Cubatão no Centro era “regular” e “inadequada” na Vila Industrial. Um detalhe: sabemos que os índices de medição da conivente Cetesb não são rigorosos como o dos institutos ambientais dos Estados Unidos e Europa.

A CIESP, a CETESB e a Prefeitura deveriam internalizar o passivo ambiental distribuindo máscaras antipoluição para os seres humanos que habitam e visitam Cubatão, a começar pelos futuros doentes de tuberculose catalães em busca da cura na cidade.

Edição de texto original de Moésio Rebouças por Carlo Romani.

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Marãiwatsede é dos Xavante!!!

No texto a seguir, o antropólogo Estevão Rafael Fernandes, professor da Universidade Federal de Rondonia, conta um pouco da história da Tribo Indigena Xavante de Marãiwatesede, que luta pela ocupação de sua morada histórica em meio aos interesses comerciais do agro-negócio e do estado brasileiro que banca o avanço do capitalismo na Amazônia.

É uma honra para mim dizer que conheço os Xavante de Marãiwatsede. Sua história e trajetória, ao longo das últimas décadas é uma pequena mostra de seu caráter e, mais que isso, de como um Estado passa por cima de suas leis em nome do interesse econômico de alguns, e de modelos muito suspeitos de “desenvolvimento econômico”…

Em agosto de 1966, cerca de duzentos e cinqüenta índios Xavante foram deslocados por meio de aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) da região de Marãiwatsede para a Missão Salesiana na aldeia Xavante de São Marcos, 400 km ao sul. Cerca de duas semanas depois, quase cem deles morrem de sarampo. Em agosto de 2004, trinta e oito anos depois, duzentos e oitenta índios Xavante, remanescentes do grupo deslocado pela FAB, retornam à Marãiwatsede. O que se sabe sobre esse grupo específico, na etnologia sobre os Xavante, é relativamente pouco. Lopes da Silva aponta que por volta dos anos 1920, os Xavante fundam, na região da Serra do Roncador, a aldeia de Isorepré (“Pedra Vermelha”), de onde virão a partir em diferentes direções e em vários momentos, facções diversas que fundarão novas aldeias. Uma dessas aldeias é Marãiwatsede, na região do rio Suiá-Missu, cerca de 100 km ao norte.

Em 1961, um fazendeiro paulista chamado Ariosto da Riva adquire uma área de 1,8 milhão de hectares, compreendendo a região de Marãiwatsede. Aos poucos, fazendo uso de brindes, consegue atrair os grupos da região, convencendo-os a formar sua aldeia (chamada de Wede’omo’re ) próximo ao acampamento dos “mateiros” contratados por Ariosto. Como a presença indígena se mostrava um inconveniente para a ocupação da área, os donos da fazenda procuraram a FAB, os Salesianos da missão de São Marcos e o Serviço de Proteção ao Índio para proceder a transferência dos índios de Marãiwatsede para a aldeia de São Marcos.

Dessa transferência, entre outras coisas, algumas se destacam na memória dos Xavante sobreviventes: (1) a epidemia de sarampo que matou cerca de 100 índios nas duas primeiras semanas em São Marcos; (2) o choque causado pela mudança de ambiente nesse processo – Marãiwatsede fica em área de mata de transição, um ecossistema diferente dos campos de cerrado os quais tradicionalmente esses índios ocupam; e (3) ao chegarem à Missão, contam os mais velhos que as crianças foram separadas de seus pais e levadas a internatos salesianos, onde eram obrigados a desempenhar tarefas como lavagem de roupas e proibidos de falar na língua xavante.

Em 1972 o grupo sobrevivente sai da aldeia São Marcos e se desloca para a região de Couto Magalhães (atual T.I. Parabubure) e de lá para a T.I. Areões, em 1982. Três anos depois, em 1985, migram para outra Terra Indígena (Pimentel Barbosa), onde fundam a aldeia Água Branca.

Em 1992 a fazenda Suiá-Missu encontrava-se sob controle da Liquifarm S/A, braço brasileiro da multinacional italiana Agip Petroli. Durante a Eco 92, a empresa se compromete verbalmente a devolver parte da área original aos Xavante. Em abril de 1992 o Grupo de Trabalho responsável pelos estudos de identificação da área conclui seus trabalhos, sendo que em dezembro de 1998 é homologada a T.I. Marãiwatsede, com 165.241 ha.

Entretanto, entre o final dos estudos e a homologação a área identificada como indígena foi fruto de invasões e grilagens sistemáticas, encabeçadas por grupos políticos locais e nacionais – processo que perdura até os dias de hoje. Sistematicamente os Xavante buscaram retornar a seu território pelas vias formais até que em 2003, já cansados e com a situação na T.I. Pimentel Barbosa insustentável, os anciãos resolvem retornar a aldeia de origem, antes de falecerem. Em novembro de 2003, um grupo formado por cerca de 280 indivíduos tenta reocupar a área homologada, sendo impedidos por um grupo de posseiros que bloqueavam a BR-158.

Foi neste contexto que conheci os Xavante de Marãiwatsede, quando concluía minha dissertação de Mestrado. A situação que encontrei na época era a seguinte: de um lado da rodovia de chão batido, algumas barracas de lona preta onde ficavam os homens (mulheres e crianças ainda não haviam chegado ao local) e as barracas dos funcionários da Funai. Separados por cerca de 50 metros, com um pequeno córrego entre os dois grupos, outro acampamento, feito de pequenas taperas de palha, onde ficavam os posseiros. Meses depois chegaram ao acampamento mulheres e crianças da aldeia Água Branca, ficando o grupo acampado, nessas condições, até agosto de 2004 (10 meses, no total). Pela total falta de saneamento e devido a precariedade das condições de saúde, dezenas de crianças foram hospitalizadas e algumas chegaram a falecer, sendo enterradas na beira da Rodovia ( http://www.brasiloeste.com.br/noticia/1088/ ).

As notícias chegaram então aos grandes veículos de imprensa e finalmente, em 10 de agosto de 2004, amparados por uma decisão do STF, é permitido aos Xavante ocuparem uma pequena área de uma fazenda vazia na região, onde permanecem até hoje ainda sob clima de tensão permanente – recentemente posseiros cercaram um ônibus que transportava jovens de Marãiwatsede para uma escola em um município vizinho, incendiando-o e ferindo gravemente dois jovens, e as cruzes que marcam os pequenos túmulos das crianças, enterradas a beira da estrada, são sistematicamente arrancadas pelos não-indígenas da região.

Nesses 13 anos trabalhando com os Xavante, posso dizer que meu coração está em Marãiwatsede: é onde está minha família xavante e onde furei minha orelha. Mais que isso, é a aldeia onde me sinto em casa, por mais que o poder público e o Estado tenham abandonado aqueles índios à própria sorte: como é possível a maior aldeia Xavante, com mais de 700 pessoas sobreviver em tão pouca terra, com quase nenhum curso d’água decente e sem ter o que plantar. Em 2006 circulou uma carta minha pela internet ( http://www.amazonia.org.br/noticias/print.cfm?id=226881 ) já denunciando que, enquanto o poder público dormia sobre o processo, os posseiros vilipediavam a área indígena. Também não é de hoje a denúncia de que se buscou negociar as obras na BR-158, tentando comprar os índios de Marãiwatsede com promessas de tratores e maquinário: promessas rechaçadas veementemente pelos indígenas, posto que a única coisa que eles sempre desejaram, desde que foram expulsos de sua área, em 1966, foi poder resgatar a dignidade que lhes havia sido retirada em troca de cabeças de gado.

Hoje o território indígena é alvo sistemático de contrabando de madeira e lidera as estatísticas nacionais de queimadas ( http://www.globoamazonia.com/Amazonia/0,,MUL1027947-16052,00-TERRA+INDIGENA+EM+MT+PERDE+IBIRAPUERAS+COM+DESMATAMENTO.html ), e, em um contexto em que relatos de indios isolados são desconsiderados nas proximidades da usina de Jirau (RO), bem como as demandas indígenas são totalmente desconsideradas na construção de Belo Monte (PA), não é de causar estranheza que, em pleno século XXI testemunhemos um descalabro como o que ocorre em Marãiwatsede.

Marãiwatsede é dos Xavante e não se fala mais disso

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