Sustentabilidade: a escolha libertária I.

Antídoto para um modelo incapaz de fornecer soluções positivas para o futuro.

Idéias para entender, viver e opor-se ao novo modelo de lucro.

Muita gente tem nos perguntado, ah vocês são anarquistas, que legal, mas o que vocês pretendem para o mundo, quais as suas propostas, que soluções vocês têm?

Com isso na cabeça, conversamos no CAVE sobre o que poderíamos apresentar de ideias que sintetizassem as nossas preocupações e, ao mesmo tempo, apontassem para uma nova direção no futuro. Encontramos a melhor resposta no dossiê Sustentabilidade organizado por Adriano Paolella e Zelinda Carloni e publicado na Revista A no. 337, de julho de 2008, Milão (Itália).

Nós vamos traduzir essa matéria e publicá-la  em uma série de posts seguidos.

Quem quiser pode ler o texto na íntegra em italiano ou em inglês no link:

http://www.anarca-bolo.ch/a-rivista/337/dossier_sostenibilita.htm

Premissa

A piora contínua das condições ambientais do planeta baliza, sem sombra de dúvida, que neste momento a humanidade não se encontra em condições de receitar uma política apta a inverter as tendências em curso. Apesar de haver uma consciência difundida e um profundo conhecimento científico das modalidades com as quais o homem altera o meio ambiente e sobre como essas variações comportam efeitos negativos, imediatos e duradouros para a saúde da Terra, apesar de haver todo o instrumental técnico necessário para modificar as causas, não é efetuada nenhuma ação abrangente que possa reduzir os fenômenos de degradação existentes.

Há uma dezena de anos o termo sustentabilidade tornou-se parte da linguagem cotidiana, indicando com isso a pesquisa e a prática de soluções que possam não piorar ainda mais as condições do planeta. Dessa maneira, apesar de a definição do termo parecer aleatória, mesmo assim, indica-se com ele a possibilidade de que existam escolhas concretas a serem perseguidas.

Atualmente é possível fazer um balanço sobre o quanto foi feito nesse sentido nos últimos trinta anos por várias dezenas de países, e por quase todas as organizações internacionais onde se enfrenta o problema da sustentabilidade, pode-se concluir que o modelo praticado piorou de modo significativo a já grave situação. E isso, apesar da imprecisão que gera o termo sustentabilidade, apesar da grande confusão terminológica criada pelos gestores ambientais para mistificar as próprias ações e apresentá-las como ambientalmente qualificadas. Os sucessos alcançados são parciais, específicos, locais e contribuíram para demonstrar não somente que outros percursos são possíveis de serem seguidos como mostrar que, mesmo existindo a capacidade técnica ela não é perseguida de modo consistente.

A grande confusão gerada interessa às modalidades com as quais vem sendo atribuído o adjetivo sustentável ou ambiental, aos projetos, às mercadorias, aos manufaturados, isso evidencia como a cultura deste modelo tenha uma má consciência. A má consciência de saber perfeitamente que um percurso de sustentabilidade muda profundamente a estrutura cultural, social e produtiva de uma sociedade e a vontade de não querer absolutamente mudá-la, mesmo com o risco da saúde de toda a população planetária. A sustentabilidade é incompatível com esse modelo, é alternativa. Porque fala uma outra língua. Se quisermos adotá-la, em primeiro lugar não é possível falar em crescimento, devemos reduzir as quantidades, redistribuir a riqueza para permitir uma melhoria do bem estar de muitos, eliminar a cultura competitiva do espelho que é a razão da corrida ao enriquecimento, eliminar a acumulação, aumentar a autonomia e o poder da comunidade.

Para bloquear a piora contínua das condições do planeta, não são suficientes os passos de lesma dos governos, é necessário receitar um processo amplo de requalificação e conservação ambiental que limite os interesses daqueles que são os motores desse modelo, que reeduque os lucros, que modifique a cultura alienada das pequenas vantagens de uma sociedade danosa para o meio ambiente e nociva para os humanos. Para fazer isso entendemos que devam ser adquiridos comportamentos individuais e coletivos que permitam sair da armadilha letal do cotidiano, da escravidão das mercadorias, da servidão a hábitos errados, do autoritarismo das decisões, da determinação dos poderes econômicos. Isso somente pode ser feito no âmbito da cultura libertária. Em seguida traçaremos pequenas reflexões voltadas para apresentar o quanto de insustentável existe no modelo praticado, o quanto é importante ter clareza sobre comportamentos aparentemente sustentáveis e quão facilmente praticáveis são outras formas de vida social no planeta.

(traducao Carlo Romani)

1 comentário

Arquivado em Agricultura familiar, Anarquismo, anti-globalizacao, Autonomismo, cooperativismo, Desenvolvimento sustentavel, Ecologia Social, Politica, relacao ser humano / natureza

Uma resposta para “Sustentabilidade: a escolha libertária I.

  1. Iniciativas sustentáveis vêm crescendo e a consciência da população mundial se inclinando cada vez mais para as questões ambientais.
    Existe um lugar onde agrupar e discutir essas questões e principalmente converter em ações reais essas discussões. http://www.repensarbrasil.org.

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