Adeus, Vicente de Carvalho!

Ontem, cinco de novembro, houve outra audiência pública em Guarujá com os temas Retroporto, Pré-sal e desenvolvimento econômico. Como em outras oportunidades, a divulgação foi restrita e o local distante (UNAERP) levou poucos presentes, além dos alunos da instituição. Acompanhamos a fala da prefeita e dos outros integrantes da mesa e assistimos à exposição do plano de parceria público-privada que o executivo municipal propõe. Ainda não temos acesso ao mapa das intervenções, mas, resumindo, trata-se de uma enorme expansão da área retro-portuária, ocupando quase toda a margem direita da rodovia Domênico Rangoni, numa extensão de 4.000.000 km2. A área que foi declarada de utilidade pública em 2007 por ocasião do plano diretor elaborado pela gestão passada, cujo relatório técnico feito pelo CAVE instruiu a ação civil movida pelo MP de Guarujá que acabou arquivada, é definida como macro-zona de proteção ambiental, mas destinada a ações de desenvolvimento compatível e ocupação dirigida. Ver o relatório:

http://www.slideshare.net/coletivocave/plano-diretor-guaruja

Com esse artifício, uma área de restinga lindeira a maguezais pode ser completamente desmatada em nome do interesse público (quem é esse público?). Mas esse nem é o maior dos problemas. Essa área enorme destinada a pátio de containers e estacionamento de caminhões será utilizada por todos os terminais portuários atuais e futuros de Guarujá e de Santos (Embraport, Barnabé-Bagres, etc.). Isso acarretará um aumento brutal de tráfego pela Domênico Rangoni, tanto em sua extensão na ilha de Santo Amaro como no trecho anterior, na área continental de Santos. A esse quadro devemos acrescentar o aeroporto para aviões cargueiros que faz parte do projeto de integração modal. Dessa forma, Vicente de Carvalho que já se encontra sufocada entre o porto no canal e a rodovia, será totalmente circundada por atividades portuárias, retro-portuárias, aeroportuárias e industriais, que agregam poluição atmosférica, sonora, visual, aquática, evidentemente, diminuindo a qualidade de vida. Além de tudo isso, a própria prefeitura estima que com esses projetos a população do município alcance os 465 mil habitantes daqui a dez anos. Até agora, a proposta de desenvolvimento somente aponta para o crescimento econômico das atividades citadas e o aumento dos impactos sociais e ambientais sobre a população moradora, a vegetação nativa e a qualidade de vida. Há um plano para concessão da área, mas não há nenhum estudo sobre como ampliar a infra-estrutura de oferta de água e de esgoto e como ficará o trafego externo à área concedida. A própria Ecovias se manifestou temerosa quanto ao aumento de tráfego pesado num complexo rodoviário que já está novamente saturado. Aparentemente, o que a proposta anuncia é: primeiro uma concessão de uso comercial em uma área pública, ainda sem infra-estrutura compatível com o aumento de demanda que ocorrerá em todos os níveis; só num segundo momento, com os recursos gerados aos cofres públicos com a concessão, é que um provável investimento para dar sustentação ao agravamento dos problemas coletivos será feito. Ou somos todos loucos ou entendemos errado a premissa fundamental da sustentabilidade: “O CRESCIMENTO ECONÔMICO DEVE ESTAR SUBORDINADO A CONDIÇÕES ADEQUADAS DE INFRA-ESTRUTRA PARA GARANTIR A QUALIDADE DE VIDA EM TODOS OS NÍVEIS”.

A seguir mostramos de modo grosseiro numa fotografia aérea antiga de Vicente de Carvalho a localização da área de concessão com a zona de amortecimento de impacto (em vermelho) e o projeto da perimetral urbana para retirar o tráfego pesado das ruas dos bairros (em amarelo). Contudo, não há nenhum projeto de suporte ao aumento do tráfego nas rodovias administradas pela Ecovias (em azul). O distrito ficará completamente envolvido pela expansão do porto (roxo) e pelo aeroporto (rosa). Esperamos em breve obter o mapa da Prefeitura para fazermos um estudo detalhado dos impactos a serem causados.

5 Comentários

Arquivado em Baixada Santista, poluiçao ambiental, Porto de Santos

5 Respostas para “Adeus, Vicente de Carvalho!

  1. Parabens Carlo, parabéns CAVE. Já postei nos dois.
    http://blogjaeamigos.blogspot.com
    http://sobassombras.blogspot.com
    Mas ainda falta terminar o meu, que será o (II). “No lo perdona el palomo, no lo perdona su madre” (Tarancon). Não perdoemos a católica discípula da chupa-cabras, ex-depi federal…
    Essa é a nossa luta e deve ser de todos os ambientalistas!
    NÃO À EXPANSÃO PORTUÁRIA. NÃO AO CAPITALISMO. NÃO AO DESENVOLVIMENTISMO!
    – No passaran los tiranos, corruptos, desalmados…

    • Beleza Ze. Vc viu o tamanho da encrenca! E depois que tomarem conta de toda a restinga, com a historia do pre-sal e o precendente na prefeitura de Bertioga, vao querer ocupar a margem de Guaruja do Canal de Bertioga (presta atencao). Acho que a prefeita nao tem nocao de que, na ansia de gerar recursos para resolver os problemas sociais ela vai multiplica-los. Pelo primeira vez alguem falou publicamente do tamanho dos impactos a serem gerados. So que fui voz unica: eu e a claque de alguns moradores do Itapema que serao prejudicados. Te aguardamos na proxima e vamos gerar um link pro teu post. Abc Romani

  2. daiane

    quero achar o telefone de proteçao ao animal e nao consigo eu moro no guaruja me ajuda

    • Ola Daiane, nos usamos o servico do Canil Municipal que e um servico que funciona direitinho no Guaruja 33877197 (de seg a sexta a partir das 8:00) A UIPA, a Uniao Protetora dos Animais fica na capital, aqui no Guaruja a Clinica Macote em Vicente de Carvalho e filiada a ela, tel. 3352-1082 . A Ines pode te dar ajuda tambem

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