Arquivo do mês: novembro 2010

A pistolagem, os lambaris e os tubarões de Guarujá.

. Uma praia (Pitangueiras) repleta de arranha-céus que escondem o sol às duas horas da tarde! (estudo de caso de como não se deve ocupar a orla difundido em todo o mundo)

. Verticalização inconsequente de novas praias (Enseada) para atender a especulação imobiliária.

. Corrupção no poder público para atender os interesses dos especuladores.

. Ocupação irregular de áreas públicas em praias por quiosques e restaurantes.

. Ocupação irregular de condomínios em morros e áreas de mananciais.

. Ocupação irregular de áreas de mangues por marinas e estaleiros.

. Expansão desordenada da atividade portuária

. Absoluta falta de saneamento básico, com ligações clandestinas provindas dos condomínios de veraneio que visivelmente fazem aumentar o fluxo de esgoto nas praias durante a temporada.

. Distribuição desordenada de água potável (bem público): falta água na maioria dos bairros enquanto que os condomínios na orla despejam 20, 50 e até 100 mil litros de água na rua para limparem seus piscinões de reserva.

. Colapso da saúde pública.

. Inchamento populacional em uma ilha que não comporta o adensamento urbano.

. Favelização crescente ocupando as encostas, cursos d’água e manguezais.

Infelizmente, enquanto os verdadeiros problemas que afligem há dezenas de anos a ex-Pérola do Atlântico das fotografias de Oswaldo Cáfaro – vejam as imagens no link –

http://www.novomilenio.inf.br/guaruja/gfoto010b.htm

não começarem (porque vai levar muito tempo) a serem resolvidos, os poucos que tentam fazer alguma coisa são assassinados.

Nossa amiga Elizabeth (ex-aluna do Romazzini) enviou a notícia escrita por Erik e publicada no blog do Luis Nassif (esse não é comunista, nem utópico e outros nomes mais que nos chamam), sexta 26/11/2010 às 16:32

“Assassinaram na madrugada de hoje o vereador Luís Carlos Romazzini (PT) no Guarujá, litoral de SP. Eu conhecia o vereador pessoalmente, ele foi professor de alguns amigos meus no ensino fundamental e era um dos poucos a fazer oposição a uma situação política que mais lembra uma máfia.

A política no Guarujá é complicada. Eu morei lá bastante anos e o que mais a população sente é o descaso seguidos com a cidade.

  • Mais de 50% da população mora em favelas;
  • O transporte público é horroroso;
  • A saúde vai mal e a educação é péssima.
  • É um reduto dos ricaços de SP e cidade veraneio de boa parte da classe média paulista (a cidade chega a ter 1,4 milhão de pessoas na alta temporada).
  • É um Rio de Janeiro em escala (de beleza e de violência também).
  • Uma pequena casta de comerciantes e empresários da cidade se revezam a anos na câmara e,
  • a atual prefeita conseguiu a proeza de ser pior que o prefeito anterior.

Já fazia alguns anos que Romazzini fazia uma oposição mais “discreta” pois recebia ameaças de morte desde o primeiro mandato (2005-2008). Para completar o caldeirão político, a atual prefeita foi um dos principais nomes do mesmo PT até migrar para o PMDB nas últimas eleições municipais. Espero que Romazzini descanse em paz. Ele foi grande!”

Publicado na Folha: http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/836493-vereador-e-assassinado-no-guaruja-sp.shtml

Saiu na televisao: http://www.band.com.br/jornaldaband/conteudo.asp?ID=100000372618

Blog do Romazzini: http://prof-romazzini.blogspot.com

Quanto ganham os políticos, donos de imobiliárias, construtoras, cartórios, etc… com a modificação da lei que permite edifícios de mais de 20 andares na Enseada? Por que a ação movida pela ex-promotora Juliana Andrade contra esse absurdo foi arquivada?

Se quiserem que alguma coisa mude de fato, deverão deixar os lambaris de lado e atacar os tubarões (e também os defensores de tubarão).

O resto é nhenhenhem, conversa mole pra boi dormir. Minha homenagem sincera ao Romazzini, meu colega de aulas na  Faculdade Don Domenico.

Carlo Romani.

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Prenderam o Lucio Natureza, querem livrar o Tombo da Natureza.

Foto de Lucio Natureza por Christina Apolinario

O Lúcio Natureza, ambientalista notório da Praia do Tombo, foi preso por um tenente e mais dois soldados há mais ou menos duas semanas atrás sob a acusação de tráfico de drogas. Até a redação deste texto, segundo as informações passadas pelo José Antônio, ele continuava na carceragem de Vicente de Carvalho. Coincidentemente, a prisão do Lúcio ocorre no mesmo momento em que a Praia do Tombo está para receber a certificação ambiental da Bandeira Azul (o que significa dizer que, alem de outras coisas, a praia teria 100 % de esgoto tratado, nada é lançado ao mar: será verdade isso?). Curiosamente, o Lúcio Natureza mantêm o projeto de educação ambiental “É só reciclar” nessa praia, catando lixo e utilizando anti-degradantes. Fotografias do projeto podem ser vistas no endereço:

http://liberteseupensamento.blogspot.com/

Reproduzimos abaixo a matéria escrita por Christina Apolinário em abril de 2009.

A praia do Tombo, mais especificamente o canto chamado pelos locais de ‘Bostrô’, abriga um projeto de grande relevância para a cidade, porém ainda carente de apoio das instituições públicas e privadas. O projeto ‘É só reciclar’ surpreende turistas e moradores da cidade do Guarujá e vem de encontro com as necessidades educacionais na área de meio ambiente. No ano de 2002 algumas pessoas, moradores da cidade e profissionais de vários segmentos da sociedade santamarense, sentiram a necessidade de transformar o canto da praia – na época freqüentado por marginais, delinqüentes que praticavam atos ilícitos e usuários de drogas – em um lugar viável à visitação turística. Foi ali criado o museu, pelos esforços pessoais dos senhores Lúcio Vasconcelos e Ubiratan Vasconcelos, moradores e freqüentadores da praia do Tombo.

Naquele canto onde hoje está instalada a primeira exposição a céu aberto de anti degradantes lançados ao mar – diga-se de passagem, primeira do mundo – havia uma moradia que foi demolida. Por muito tempo os destroços de tais casas ficaram entulhados, esquecidos na praia, causando transtorno a moradores e freqüentadores que se viam diante do escancarado consumo de drogas e da presença de meliantes a fim de praticar atos criminosos, e que utilizavam o local, abandonado, para tal objetivo. “Cansei de ver crianças muito pequenas consumindo drogas nesse canto, por causa do abandono, lugares abandonados são propícios às atividades ilícitas.” Afirmou Lúcio. Angustiados com a situação e presenciando sempre cenas chocantes e constrangedoras, os senhores Lúcio e Ubiratan tiveram a idéia de transformar o abandono em oportunidade. Grande parte de areia foi colocada sobre os destroços urbanos e ali, sobre a destruição, iniciou-se um trabalho de preservação da vida. “O que pudemos fazer sem dinheiro, nós fizemos.” Lembrou Lúcio, figura lúdica com suas longas barbas brancas.

Todos os dias pela manhã Lúcio caminha pela praia recolhendo o lixo trazido pelas marés: papel de doces, cigarros, latas, escovas de dente, roupas, sacolas, tampinhas de garrafas, sapatos, capacetes, e tudo mais que é lançado ao mar e vai parar nas praias do nosso litoral. Uma infinidade de coisas que, quem freqüenta praia, se pasma ao ver no mar.

A singela exposição criada sem recursos, mas com muita criatividade, atraiu a curiosidade das pessoas e principalmente das crianças, que visitam constantemente o local gratuitamente. Todos os dias, o Sr. Lúcio recebe os visitantes e durante a temporada de verão, cerca de 800 pessoas passam lá por dia, número registrado em livro de assinatura. “Arrumo todos os dias, pois o vento e a chuva acabam desarrumando o posicionamento dos artigos expostos. Abro as 10 para visitas e sempre nesse horário tem gente esperando na entrada. Principalmente as crianças, mas muitas vezes, com o grande número de visitantes, não consigo nem colher assinatura de todos, pois fico aqui sozinho. O que me motiva é ler as mensagens que as pessoas que aqui passam deixam para nós.” Conta Lúcio.

Durante a noite, o irmão de Lúcio, Ubirajara, reveza a rotina de cuidados com a exposição, que é a menina dos olhos deles. “Meu irmão vem à noite, pois não podemos deixar o local sozinho. Infelizmente tem pessoas que não entendem o nosso objetivo e causam danos à estrutura por nós montada”, lamentou.

O Sr. Lúcio tem autorização da prefeitura para utilizar a área. Ele recebeu uma declaração da Secretária do Meio Ambiente, em 2007, quando a prefeitura recebeu uma denúncia de que a área estaria sendo utilizada de forma irregular. A declaração afirma ainda que o trabalho de conscientização ali realizado é de vital importância para a manutenção dos padrões de qualidade da praia do Tombo.

Sr. Lúcio tem ainda um longo caminho pela frente. Além da exposição, colorida e lúdica, Lúcio planeja criar naquele canto da praia o Centro Ambiental de Integração e Orientação (CAIO), que consiste na criação de um local, com técnicas e material ecologicamente corretos e sustentáveis, para receber crianças, de escolas locais a princípio, que fariam um passeio na praia de sensibilização e chegariam na exposição, finalizando o passeio com educação ambiental dentro da estrutura futuramente implementada ao lado da exposição. Além disso, ainda f az parte do projeto dos irmãos Vasconcelos o mapeamento e reflorestamento do morro das galhetas, formando um parque ecológico levando a orientação e informação a nível universitário.

Mas, como se observa em muitos lugares do Brasil, atitudes como a dos irmãos Vasconcelos não recebem méritos. E a dificuldade em se manter um projeto deste nível, vai da falta de apoio voluntário aos cuidados com a integridade da instalação (segurança).“Temos algumas pessoas tentando nos ajudar. Porém precisamos criar uma OSCIP para profissionalizar o trabalho. Eu sou mecânico e apesar da minha boa vontade me falta formação. Preciso de um presidente para a organização e depois de formada poderemos disputar recursos para o projeto ‘É só reciclar’ continuar seu caminho.” Afirmou Lúcio.

A matéria da Christina mostra toda uma outra história sobre o Lúcio Natureza. Teríamos então um raro caso mundial de um velhinho barbudo ambientalista que EFETIVAMENTE põe a mão no lixo para fazer alguma coisa ambientalmente produtiva na cidade, transformado em perigoso traficante de drogas, uma caso de polícia!!! Qual a posição da Secretaria de Meio Ambiente de Guarujá nesta história? Nenhuma, o Sr. Élio Lopes não se posiciona, está doente. Enquanto isso, a certificação artificialmente construída da Bandeira Azul, serve aos interesses dos empreendedores na Praia do Tombo, as imobiliárias e construtoras, e os proprietários esperançosos de que seus imóveis valorizem. Reduziram o Meio Ambiente a mais uma variável monetária, um artifício para gerar mais lucro. E prenderam o Lúcio, prenderam a Natureza, assassinaram a Ecologia. Foi nisso que se transformou o ambientalismo e a ecologia quando fizeram da sustentabilidade apenas mais um artifício de retórica a ser usado para gerar mais lucro para o mercado. 

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Urgente: Povo Guarani Kaiowa de Ypo’i precisa de nossa ajuda!

O Povo Guarani Kaiowá, na região do rio Ypo’í, município de Paranhos, no Mato Grosso do Sul, pode ser despejado a qualquer momento, com toda força e aparato policial.

ESCREVAM À JUÍZA ELIANA BORGES DE MELLO MARCELO PEDINDO QUE:

* Garanta a permanência dos indígenas Guarani Kaiowá do Ypo’í na área, a segurança da comunidade, além do acesso à comida, água, cuidados de saúde e que eles possam se deslocar livremente.

* Garanta o cumprimento pleno das obrigações das autoridades brasileiras sob a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, a Declaração da ONU sobre os Direitos dos Povos Indígenas e a Constituição Brasileira, finalizando a demarcação de todas as terras indígenas.

Email da juiza: emarcelo@trf3.jus.br

Tel. Fax: (011) 3012-1373

O Povo Guarani Kaiowá foi expulso de seu território tradicional no Mato Grosso do Sul há décadas. Na região do rio Ypo’í, no município de Paranhos, fronteira com o Paraguai, a comunidade Kaiowá foi expulsa pela ação de fazendeiros daquela região há 27 anos. Desde então, lutam incessantemente pela reconquista do espaço usurpado. Em novembro de 2009, a comunidade Kaiowá do Ypo’í retornou ao seu “tekohá” (terra tradicional, que é sagrada). Três dias depois, foram violenta e covardemente atacados por fazendeiros e seus pistoleiros. Na ocasião, vários indígenas foram feridos a tiros e torturados. Dois professores, Genivaldo Vera e Rolindo Vera, foram levados e assassinados. O corpo de Genivaldo foi encontrado alguns dias depois com muitas marcas e ferimentos. O corpo de Rolindo, no entanto, ainda não foi localizado. Em agosto de 2010, os Guarani voltaram a este “tekohá”, no intuito de encontrarem o corpo de Rolindo – busca abandonada tanto pela Polícia Federal como pelo governo do estado. desde então, tem sido vítima de ataques e vive cercada por pistoleiros fortemente armados, que impedem o acesso da comunidade a comida e à assistência à saúde por parte dos órgãos públicos competentes – Funai e Funasa. Trata-se de uma centena de pessoas mantidas numa espécie de “cativeiro privado”, ao mesmo tempo em que a Funai está realizando estudos de identificação destas terras, cumprindo sua função constitucional.

Esta situação ficou mais complicada após a decisão judicial (liminar) proferida pela Juíza Federal Lisa Taubenblatt, da 1º Vara Federal de Ponta Porã – MS, no dia 20 de outubro, que determinou a desocupação da área pelo referido povo indígena. Agravando a situação, no último dia 10, o Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª. Região negou provimento ao recurso (agravo de instrumento) apresentado na tentativa de derrubar a decisão de primeira instância, confirmando, portanto, a decisão de retirada dos indígenas da área.

A Funai ingressou com pedido de reconsideração junto à Juíza Convocada Eliana Marcelo, relatora do recurso (agravo de instrumento) no TRF da 3ª Região. Este novo recurso está sendo analisado pela Juíza Eliana – que está substituindo o Desembargador Nelton dos Santos – que pode decidir a respeito a qualquer hora.

Fonte: Cimi SP (Conselho Indigenista Missionario)

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Índios Guarani de São Vicente na Virada Caiçara

Domingo passado dia 7/11 houve a apresentação dos índios Guarani da aldeia Paranapuã (dentro do Parque Xixová-Japuí que consideram sua morada) de São Vicente no evento da Virada Cultural Caiçara organizado pelo município. No palco montado no calçadão da praia em frente à biquinha, os jovens Guarani fizeram sua apresentação musical com a dança Nhamandu Mirim ao som do violão, da rabeca e dos tambores. Depois as crianças desceram do palco e deram continuidade às suas brincadeiras dançando e jogando livremente.

O mundo dos Guarani é um mundo lúdico, minimalista, organizado numa forma de vida que se contenta com pouco, no sentido de que a vida dos Guarani precisa de pouca materialidade para ser bem vivida. Algo muito difícil para nós ocidentais entendermos, acostumados que estamos com uma enormidade de estímulos que nos impomos continuamente. Como se essa fonte inesgotável de desejos artificiais que inventamos para consumir todo nosso insaciável fogo interior pudesse nos suprir as ausências, sublimar os recalques, nos tirar das neuroses, nos curar da insanidade que nos domina e alucina. Tamanha diferença entre as duas civilizações tornou o convívio incompatível. “Os índios são preguiçosos, vagabundos, dormem, bebem, não querem saber de nada” – é isso que foi dito e repetido durante séculos de matança e genocídio desse outro que nos incomoda. E nos incomoda porque ao querer muito pouco, somente o que lhe basta, o pouco que lhe é suficiente, ele encontra-se em liberdade. Ele é livre, e por isso não morre, ressuscita, renasce, resiste de dentro do Parque de onde querem tirá-lo. O índio não é prisioneiro de sua ânsia. É isso que nos incomoda: a liberdade que tanto almejamos, mas nunca teremos!

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Adeus, Vicente de Carvalho!

Ontem, cinco de novembro, houve outra audiência pública em Guarujá com os temas Retroporto, Pré-sal e desenvolvimento econômico. Como em outras oportunidades, a divulgação foi restrita e o local distante (UNAERP) levou poucos presentes, além dos alunos da instituição. Acompanhamos a fala da prefeita e dos outros integrantes da mesa e assistimos à exposição do plano de parceria público-privada que o executivo municipal propõe. Ainda não temos acesso ao mapa das intervenções, mas, resumindo, trata-se de uma enorme expansão da área retro-portuária, ocupando quase toda a margem direita da rodovia Domênico Rangoni, numa extensão de 4.000.000 km2. A área que foi declarada de utilidade pública em 2007 por ocasião do plano diretor elaborado pela gestão passada, cujo relatório técnico feito pelo CAVE instruiu a ação civil movida pelo MP de Guarujá que acabou arquivada, é definida como macro-zona de proteção ambiental, mas destinada a ações de desenvolvimento compatível e ocupação dirigida. Ver o relatório:

http://www.slideshare.net/coletivocave/plano-diretor-guaruja

Com esse artifício, uma área de restinga lindeira a maguezais pode ser completamente desmatada em nome do interesse público (quem é esse público?). Mas esse nem é o maior dos problemas. Essa área enorme destinada a pátio de containers e estacionamento de caminhões será utilizada por todos os terminais portuários atuais e futuros de Guarujá e de Santos (Embraport, Barnabé-Bagres, etc.). Isso acarretará um aumento brutal de tráfego pela Domênico Rangoni, tanto em sua extensão na ilha de Santo Amaro como no trecho anterior, na área continental de Santos. A esse quadro devemos acrescentar o aeroporto para aviões cargueiros que faz parte do projeto de integração modal. Dessa forma, Vicente de Carvalho que já se encontra sufocada entre o porto no canal e a rodovia, será totalmente circundada por atividades portuárias, retro-portuárias, aeroportuárias e industriais, que agregam poluição atmosférica, sonora, visual, aquática, evidentemente, diminuindo a qualidade de vida. Além de tudo isso, a própria prefeitura estima que com esses projetos a população do município alcance os 465 mil habitantes daqui a dez anos. Até agora, a proposta de desenvolvimento somente aponta para o crescimento econômico das atividades citadas e o aumento dos impactos sociais e ambientais sobre a população moradora, a vegetação nativa e a qualidade de vida. Há um plano para concessão da área, mas não há nenhum estudo sobre como ampliar a infra-estrutura de oferta de água e de esgoto e como ficará o trafego externo à área concedida. A própria Ecovias se manifestou temerosa quanto ao aumento de tráfego pesado num complexo rodoviário que já está novamente saturado. Aparentemente, o que a proposta anuncia é: primeiro uma concessão de uso comercial em uma área pública, ainda sem infra-estrutura compatível com o aumento de demanda que ocorrerá em todos os níveis; só num segundo momento, com os recursos gerados aos cofres públicos com a concessão, é que um provável investimento para dar sustentação ao agravamento dos problemas coletivos será feito. Ou somos todos loucos ou entendemos errado a premissa fundamental da sustentabilidade: “O CRESCIMENTO ECONÔMICO DEVE ESTAR SUBORDINADO A CONDIÇÕES ADEQUADAS DE INFRA-ESTRUTRA PARA GARANTIR A QUALIDADE DE VIDA EM TODOS OS NÍVEIS”.

A seguir mostramos de modo grosseiro numa fotografia aérea antiga de Vicente de Carvalho a localização da área de concessão com a zona de amortecimento de impacto (em vermelho) e o projeto da perimetral urbana para retirar o tráfego pesado das ruas dos bairros (em amarelo). Contudo, não há nenhum projeto de suporte ao aumento do tráfego nas rodovias administradas pela Ecovias (em azul). O distrito ficará completamente envolvido pela expansão do porto (roxo) e pelo aeroporto (rosa). Esperamos em breve obter o mapa da Prefeitura para fazermos um estudo detalhado dos impactos a serem causados.

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