Arquivo do mês: outubro 2010

Reação capitalista contra as conquistas indígenas e ambientais

Carta aberta `a população da Baixada Santista

Estamos inciando aqui na Baixada Santista um debate sobre a reação estatal e capitalista que esta sendo dirigida contra as conquistas dos povos indígenas e demais comunidades tradicionais, obtidas desde a Constituição de 1988. O que se percebe atualmente é que após um breve período que vai de 1988 (a partir de quando se torna politicamente correta a questão do meio ambiente, dos índios e das comunidades tradicionais) em que as populações tradicionais e a preservação ambiental ganharam considerável espaço na agenda nacional, com a demarcação de terras indígenas e de quilombolas e o avanço da legislação ambientalista, neste início de século XXI assistimos a um grave retrocesso nessas políticas públicas. A votação do novo e devastador Código Florestal na Câmara este ano, a corrupção que envolve o IBAMA, os ataques sistemáticos às reservas indígenas, por exemplo, dentro do Parque Nacional do Xingú, ou os ataques de fazendeiros à população Kaiowaa literalmente morrendo à beira da estrada em Dourados no Mato Grosso do Sul, a destruição da FUNAI que vem sendo denunciada pelo acampamento dos povos indígenas em Brasília, o avanço dramático do desmatamento sobre as últimas áreas remanescentes de cerrado e a invasao de  madeireiras e pecuaristas dentro da Amazônia, a política energética do governo federal para quem “não serão alguns bagrezinhos e indiozinhos que irão impedir o pogreso (sic) da nação”, são somente o início de uma retomada do crescimento capitalista a qualquer preço, exterminando as últimas áreas comuns da natureza e as populações que se negam a entrar como novos favelados dentro do sistema. Aqui na Baixada Santista isto também está ocorrendo com a expansão portuária (Embraport, Barnabé-Bagres, Alemoa, Largo Santa Rita, retro-porto em Guarujá), e industrial (expansão do pólo em Cubatão), destruindo as últimas áreas de manguezais e restinga existentes, e com o avanço da especulação imobiliária sobre as últimas praias ainda preservadas (vejam o caso de Itaguaré em Bertioga) ante a prostracao dos orgaos fiscalizadores do IBAMA e da CETESB. Também a população indígena local, os Guaranis, tanto na aldeia Rio Branco em Itanhaém (ameaçada pela mineração) como no aldeamento de Paranapua, no Xixova-Japuí (com risco de retirada) sofrem com essa jurassica reação conservadora e troglodita contra o direito à vida (humana e a natureza como um todo), aprofundando a politica de exterminio de uma tipo de modernidade caduco e ultrapassado. Tudo isto pautado numa forma de desenvolvimento que é insustentável, pois continua baseando-se exclusivamente no crescimento econômico sem se preocupar com a manutencao nem a qualidade da vida.

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Todo apoio para a causa indigena

Queremos denunciar e alertar para a reacao estatal e capitalista que esta sendo dirigida contra as conquistas dos povos indigenas desde a Constituicao de 1988. O que se percebe e que apos um longo periodo em que as populacoes tradicionais e a questao ambiental ganhou consideravel espaco na agenda nacional, com a demarcao de terras para indios e quilombolas, agora assistimos a um retrocesso acentuado nessas politicas publicas. Esse e o caso do desmonte em curso da instituicao historica  da FUNAI e da luta dos povos indigenas acampados em Brasilia com a qual nos solidarizamos. Agradecemos Amanda Medeiros pela link da noticia:

http://acampamentorevolucionarioindigena.blogspot.com/2010/10/carta-resposta-de-carlos-pankararu.html

Representantes indígenas de várias etnias brasileiras aguardam,acampados na Esplanada dos Ministérios, defronte ao Ministério da Justiça, uma posição do Ministro da Justiça, Luiz Paulo Barreto, sobre o pedido de audiência e sobre o pedido de revogação do decreto presidencial 7.056, que “privatiza” a Funai, extinguindo Postos e Administrações do órgão e retirando direitos adquiridos de indígenas e servidores. A seguir a carta aberta do AIR – Acampamento Revolucionario Indigena:

O decreto, que extingue os Postos Indígenas e fecha as Administrações Regionais do Brasil, foi redigido longe do conhecimento de qualquer liderança indígena. O decreto, criado de forma autoritária, é calculado com objetivos capitalistas e nocivos ao meio ambiente.  Nós somos um grupo multiétnico, acampados na Esplanada dos Ministérios, defronte ao Ministério da Justiça, e apoiados e solidarizados por representantes indígenas do Paraguai, Equador, México, Panamá, Argentina, Uruguai, Peru e Suriname – e apoiados pelo representante do Estado Indígena da Bolívia – declaramos que nossas reivindicações são legítimas e estão em consonância com as legislações nativas e internacionais, como a Resolução 169 da OIT e Declaração Universal dos Povos Indígenas.
Nós, indígenas acampados na Esplanada dos Ministérios, lutamos pela revogação do decreto 7.056/09 (Reestruturação da FUNAI), de 28 de dezembro de 2009, que afronta todos os princípios jurídicos consagrados pelas normas internacionais mencionadas.  Nós, indígenas acampados na Esplanada dos Ministérios, viemos para Brasília para unificar as forças e temos a consciência que representamos a população indígena nacional. Aqui, no acampamento instalado defronte o Congresso Nacional e o Ministério da Justiça, nos tornamos uma etnia única para proteger os nossos direitos como seres humanos.  Nós, indígenas instalados na Esplanada dos Ministérios, assim como,representantes indígenas da América Latina, repudiamos todo projeto de hidrelétrica que atingir Terras Indígenas e a invasão diuturna de nossas áreas. Reiteramos ainda todo apoio ao representante indicado para a presidência da FUNAI pelo acampamento.

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A Ecologia Social dos camponeses mexicanos

“Prêmio Nobel de Ecologia para agricultor mexicano”: esta a materia que nos foi enviada pela companheira Guadalupe Barcena e nos faz refletir e perguntar: Por que fatos como este nao sao noticiados pela grande midia. Este, mais um exemplo de que os trabalhadores quando podem, sabem se organizar e produzir por eles mesmos.

Poucos sabem, mas existe um prêmio “Nobel” de Ecologia. Este ano quem o ganhou foi Jesús León Santos, de 42 anos, um camponês indígena mexicano que realizou nos últimos 25 anos um excepcional trabalho de reflorestamento em sua região de Oaxaca, México. O nome da recompensa é “Prêmio Ambiental Goldman” (www.goldmanprize.org/theprize/about_espanol)

Até agora foi outorgado a defensores do meio ambiente de 72 países. Em 1991, o ganhou a africana Wangari Maathai, que logo depois obteve o Prêmio Nobel da Paz, em 2004.

Para Jésus, foi dado porque, quando ele tinha 18 anos, decidiu mudar a paisagem onde vivia na Mixteca alta, a “terra do sol”. Aquele parecia um panorama lunar: campos ermos e poeirentos, desprovidos de arvoredo, sem água e sem frutos. Tinha-se que percorrer grandes distâncias em busca de água e de lenha. Quase todos os jovens emigravam para nunca mais voltar, fugindo de semelhantes paragens e dessa vida tão dura. Com outros companheiros do lugar, Jésus León fixou-se o objetivo de reverdejar os campos. E decidiu recorrer a umas técnicas agrícolas pré-colombianas que lhe ensinaram alguns indígenas guatemaltecos para converter terras áridas em zonas de cultivo e matas.

Como levar esse projeto adiante? Fazendo reviver uma ferramenta indígena também esquecida: o tequio, o trabalho comunitário remunerado. Reuniu umas 400 famílias de 12 municípios, criou o Centro de Desenvolvimento Integral Camponês da Mixteca (Cedicam), e juntos, com recursos econômicos limitadíssimos, lançaram-se na grande batalha contra o principal culpado da deterioração: a erosão.

Nessa região Mixteca existem mais de 50.000 hectares que perderam uns cinco metros de altura de solo desde o século XVI. A criação intensiva de cabras, o sobre-pastoreio e a indústria de produção de cal que havia estabelecido a Colônia deterioram a zona. O uso do arado de ferro e o corte intensivo de árvores para a construção dos imponentes templos dominicanos contribuíram definitivamente para a desertificação. Jésus León e seus amigos impulsionaram um programa de reflorestamento. A pá e picareta cavaram valetas-trincheiras para reter água das escassas chuvas, semearam árvores em pequenos viveiros, trouxeram adubo e plantaram barreiras vivas para impedir a fuga da terra fértil.

Tudo isso favoreceu a recarga do aquífero. Logo, em um esforço titânico, plantaram ao redor de quatro milhões de árvores em espécies nativas, aclimatadas ao calor e parcas em absorção de água. Depois se fixaram na meta de conseguir, pra as comunidades indígenas e camponesas, a soberania alimentar. Eles desenvolveram um sistema de agricultura sustentável e orgânica, sem uso de pesticidas, graças ao resgate e conservação das sementes nativas de milho, cereal originário dessa região. Semeando, sobretudo uma variedade muito própria da zona, o cajete, que é uma das mais resistentes à seca. Planta-se entre fevereiro e março, que é a época mais seca do ano, com muito pouca umidade no solo, porém quando chegam as chuvas crescem rapidamente.

Ao cabo de um quarto de século, o milagre se produziu. Hoje a Mixteca alta est’a restaurada. Voltou a verdejar. Surgiram mananciais com mais água. H’a árvores e alimentos. E a gente já não emigra mais. Atualmente Jésus León e seus amigos lutam contra os transgênicos, e semeiam 200.000 árvores por ano. A cada dia eles fazem retroceder a linha da desertificação. Com a madeira das ‘arvores se pode resgatar uma atividade artesanal que estava desaparecendo: a elaboração, em oficinas familiares, de jogos de madeira e utensílios de uso cotidiano. Ademais, se enterraram em lugares estratégicos cisternas de concreto armado, de mais de 10.000 litros de capacidade, que também recolhem a água da chuva para regar as estufas familiares de orgânicos.

O exemplo de Jésus León é agora imitado por várias comunidades vizinhas, que também criaram viveiros comunitários e organizam temporariamente plantações maciças. Em um mundo onde as notícias, com frequência, são negativas e deprimentes, esta história exemplar passou despercebida.

AS REDES DE COMUNICAÇÃO SO INFORMAM O QUE INTERESSA AO CAPITAL!

Texto original em espanhol de Georgina Valdovinos Navarro

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Salvemos Itaguare para os pescadores

Itaguare, uma das mais belas areas de Bertioga pode virar mais um condominio privado para usufruto somente aqueles que detestam pessoas e natureza. Para proteger Itaguare e outras areas de Bertioga existe o projeto da criacao do Parque Ecologico de Bertioga Itaguare-Guaratuba. Seria muito bom, nao fosse a errada ideia conservacionista de que pescadores e catadores de mangue destroem o ambiente. Fabricio Gandini vem combatendo essa ideia, para ele os pescadores atraves do manejo sustentavel dos recursos ajudaram a preservar o ambiente do ataque dos tubaroes travestidos de foquinhas verdes. O compa  Fabricio chama todos na mobilizacao em defesa da vida, dos pescadores, de Itaguare, do planeta.
Voce tambem  faz parte disso!!
Leiam abaixo….vamos la pra Bertioga juntos…assim nos todos agimos, que tal ?

As diferentes pessoas e organizações que colocarem suas idéias no nosso Blog (link a seguir) terá esse registro em um painel:

http://itaguare.shutterfly.com/

Vários painéis formarão um túnel a ser instalado dia 06 e 07 de outubro em Bertioga.

Audiencia Publica na Prefeitura Municipal, Rua Luiz Pereira de Campos, 901, dia 7 de outubro as 18 horas.

Precisamos de vocês cumpadi… vamos para BERTIOGA

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A piada da Política!

Depois da piada das eleições, recebemos esta contribuição de Gabriela Ribeiro, a blague da política, uma velha piada muito comum na França:

O menino chega em casa, vindo da escola e pergunta – Papai, o que é a política? O pai, pego de surpresa, titubeia, pensa um pouco, e responde:

– Pense em mim, que trabalho todo dia fora e trago o dinheiro para o sustento da casa e da família, eu sou o capitalismo. Agora, sua mãe, que tem a função de cuidar de tudo para que o lar esteja sempre em ordem, zelar pela educação dos filhos e das despesas da casa, ela é o Estado. Depois, nossa empregada doméstica, que fica com os serviços de limpeza e as tarefas mais duras e difíceis, mas menos valorizadas da casa, ela representa a massa de trabalhadores. E temos sua irmã pequena, ainda bebê, cheia de esperanças, ela será o nosso amanhã, o nosso futuro. E, por último, você, já crescido, estudante, futuro trabalhador, um brasileiro cidadão, representa toda a população. Certo filho, então você entendeu mais ou menos o que é a política?

O menino, confuso, faz um sim meio mocho com a cabeça e vai deitar. De noite, sente um cheiro fedido na cama ao lado e se depara com a irmãzinha que se havia cagado toda. Então ele levanta-se e vai até a mãe, que dorme um sono profundo. Ele a chacoalha, a remexe, mas ela, depois de tomar os calmantes, nem uma revolução consegue modificar seu estado deitada em berco esplendido. Então, ele procura o pai, que não estava na cama, e o encontra no quarto da empregada doméstica. Curioso, o menino espia pela fresta e vê o pai, mexendo-se freneticamente, montado encima da empregada agachada de joelhos e inclinada sobre a cama. O menino desiste de tudo, volta para o quarto e ele mesmo limpa sua irmãzinha.

No dia seguinte, de manhã, na hora do café, antes de sair o pai, sério, pergunta ao filho – Pensou bem esta noite sobre o significado da política? E o menino, orgulhoso, sem nenhuma dúvida responde – Sim pai, esta noite eu compreendi direitinho:

A política é a população pressionando inutilmente o Estado que não faz absolutamente nada em relação ao futuro que está se tornando uma merda, enquanto que o capitalismo fica só enfiando no rabo dos trabalhadores. A melhor política então é a população cuidar sozinha do amanhã.


Como se vê, até uma criança entende!!!!!

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