Arquivo do mês: setembro 2010

Por que os Anarquistas não votam?

Em época de eleições é sempre bom lembrar o texto clássico de Elisee Reclus, escrito ao final do século XIX mas VIVO, muito VIVO nos dias de hoje. Vamos fazer a DEMOCRACIA DIRETA com autonomia e poder popular.

TUDO o que pode ser dito a respeito do sufrágio pode ser resumido em uma frase:

Votar significa abrir mão do próprio poder.

Eleger um senhor, ou muitos senhores, seja por longo ou curto prazo, significa entregar a uma outra pessoa a própria liberdade.

Chamado monarca absoluto, rei constitucional ou simplesmente primeiro ministro, o candidato que levamos ao trono, ao gabinete ou ao parlamento sempre será o nosso senhor. São pessoas que colocamos “acima” de todas as leis, já que são elas que as fazem, cabendo-lhes, nesta condição, a tarefa de verificar se estão sendo obedecidas.

Votar é uma idiotice.

É tão tolo quanto acreditar que os homens comuns como nós, sejam capazes, de uma hora para outra, num piscar de olhos, de adquirir todo o conhecimento e a compreensão a respeito de tudo. E é exatamente isso que acontece. As pessoas que elegemos são obrigadas a legislar a respeito de tudo o que se passa na face da terra: como uma caixa de fósforos deve ou não ser feita, ou mesmo se o país deve ou não guerrear; como melhorar a agricultura, ou qual deve ser a melhor maneira para matar alguns árabes ou negros. É muito provável que se acredite que a inteligência destas pessoas cresça na mesma proporção em que aumenta a variedade dos assuntos com os quais elas são obrigadas a tratar.

Porém, a história e a experiência mostram-nos o contrário.

O poder exerce uma influência enlouquecedora sobre quem o detém e os parlamentos só disseminam a infelicidade.

Nas assembléias acaba sempre prevalecendo a vontade daqueles que estão, moral e intelectualmente, abaixo da média.

Votar significa formar traidores, fomentar o pior tipo de deslealdade.

Certamente os eleitores acreditam na honestidade dos candidatos e isto perdura enquanto durar o fervor e a paixão pela disputa.

Todo dia tem seu amanhã. Da mesma forma que as condições se modificam, o homem também se modifica. Hoje seu candidato se curva à sua presença; amanhã ele o esnoba. Aquele que vivia pedindo votos, transforma-se em seu senhor.

Como pode um trabalhador, que você colocou na classe dirigente, ser o mesmo que era antes já que agora ele fala de igual para igual com os opressores? Repare na subserviência tão evidente em cada um deles depois que visitam um importante industrial, ou mesmo o Rei em sua ante-sala na corte!

A atmosfera do governo não é de harmonia, mas de corrupção. Se um de nós for enviado para um lugar tão sujo, não será surpreendente regressarmos em condições deploráveis.

Por isso, não abandone sua liberdade.

Não vote!

Em vez de incumbir os outros pela defesa de seus próprios interesses, decida-se. Em vez de tentar escolher mentores que guiem suas ações futuras, seja seu próprio condutor. E faça isso agora! Homens convictos não esperam muito por uma oportunidade.

Colocar nos ombros dos outros a responsabilidade pelas suas ações é covardia.

Não vote!

Elisee Reclus.

Tradução de Mario Bresighello



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Arquivado em Anarquismo, eleicoes, VOTO NULO

Belo Monte, o governo e o velho crescimento insustentavel

Esta entrevista reproduzida abaixo tem a indicacao da companheira Cristina Dunaeva.

Neste momento em que recomendamos a todos o VOTO NULO, a entrevista de Dion Márcio C. Monteiro, economista e membro do comitê metropolitano do Movimento Xingu Vivo para Sempre  evidencia a continuidade no governo do PT da mesma politica de cessao da terra e do bem publico para interesses economicos retrogrados, sanguessugas de uma forma de crescimento capitalista que amplia a destruicao do planeta.

IHU On-Line – O senhor afirma que a Usina Hidrelétrica de Belo Monte será construída para atender com energia barata as empresas do eixo centro-sul do país. Que empresas são essas? O que elas produzem?

Dion Monteiro – São indústrias, algumas trabalham na produção de bens duráveis, e outras, na produção de bens de consumo. Na região norte, são as empresas eletrointensivas, aquelas que precisam de muita energia para mover sua atividade produtiva, em especial as mineradoras que trabalham com exploração de recursos minerais, como a Vale, a Alcoa. Há algumas que extraem, mas se beneficiam desses recursos, como metalúrgicas e siderúrgicas. Em suma, são empresas que desenvolvem a atividade produtiva pautada na extração e industrialização dos recursos. Temos visto que o desenvolvimento de suas atividades tem trazido consequências muito graves em relação à questão ambiental. É o aprofundamento de um modelo de desenvolvimento pautado no fator econômico. É um modelo atrasado, antigo e que não dá conta das necessidades do mundo na atualidade.

IHU On-Line – Os 11 mil megawatts de potência dessa usina só serão gerados durante quatro meses no ano. O que significa deixar “parada” essa potência nos outros meses?

Dion Monteiro – Os estudos mostram que, devido ao fluxo do Rio Xingu, só durante três ou quatro meses, e em alguns momentos até dois, os 11 mil megawatts serão gerados. Em outros quatro meses, será gerada uma quantidade entre 30 e 40%, e nos outros meses, muito menos do que isso, no máximo mil megawatts. Isso implica diretamente na viabilidade econômica da obra, porque vão se gastar 20 bilhões de reais para construí-la, segundo o governo; 30 bilhões de reais, segundo as empresas; e 40 bilhões, segundo outros analistas. Isso para uma obra que só irá gerar grande quantidade de energia durante quatro meses.

“Como a usina irá trabalhar com menos de 50% da sua capacidade máxima de viabilização, isso quer dizer que, economicamente, a obra não se sustenta”

Como a usina irá trabalhar com menos de 50% da sua capacidade máxima de viabilização, isso quer dizer que, economicamente, a obra não se sustenta. Isso sem levar em consideração as questões ambientais que estão sendo tratadas por especialistas independentes, pelo Ministério Público Federal, por organizações de movimentos sociais e pelas comunidades indígenas, ribeirinhas, quilombolas e agrícolas da região. Essa situação ambiental e social é séria, mas, se olharmos somente pelo aspecto econômico, é uma situação que inviabiliza a obra.

IHU On-Line – Em função de Belo Monte, Altamira espera por dez mil empregos. Que impacto isso causará na cidade depois de finalizada as obras?

Dion Monteiro – Primeiro, é interessante ver a situação de Altamira e da região do entorno. A cidade de Altamira tem aproximadamente 100 mil habitantes. O relatório de impacto ambiental, feito pela empresa contratada pelo governo, fala que cerca de 100 mil pessoas migrarão para a região. Isso significa que a população da cidade irá dobrar. Como cidade-pólo, a maioria irá se concentrar na cidade entorno de Altamira. Mesmo no pico da obra, serão gerados 40 mil empregos, entre empregos diretos e indiretos, durante dois anos, segundo o governo.

Isso quer dizer que 160 mil não terão emprego na região. Na região da Amazônia, a taxa de desemprego é muito elevada, atinge, muitas vezes, 30 ou 40% da população economicamente ativa. Se a população de Altamira tem 100 mil habitantes, muito mais de 10 mil pessoas em idade produtiva estão desempregadas. Isso quer dizer que esta estimativa de 11 mil empregos para a região, mesmo que seja verdadeira, não atenderia a taxa de desemprego que já existe.

“Segundo o relatório de impacto ambiental, mais de 32 mil pessoas ficarão na região depois que a obra for concluída”

Junte a isso a migração das 100 mil pessoas. Esse argumento, que é utilizado pelos interessados em construir a obra, é facilmente desconstruído quando avaliamos aprofundadamente os elementos. Outro dado interessante é que, no final da obra, só ficarão cerca de 700 empregos diretos e serão empregos de qualificação mais elevada. Segundo o relatório de impacto ambiental, mais de 32 mil pessoas ficarão na região depois que a obra for concluída. Esta relação entre quantidade de emprego gerados, migração e taxa de desemprego existente da região amazônica, mostra que os empregos prometidos de forma alguma atenderão a população da região conforme sua necessidade. Pelo contrário, aumentará os desempregos com o aumento de pessoas e não servirão para desenvolver socialmente e para garantir uma vida melhor ao pessoal da região.

IHU On-Line – Que análise o senhor faz da atuação do grupo Bertin, vencedor do leilão?

Dion Monteiro – Temos informações que são muito complicadas em relação à questão do grupo Bertin. Sabemos que o grupo responde a processos ambientais, trabalhistas e outros em quatro estados diferentes. Se não me engano, responde a processos no Pará, no Tocantins, em São Paulo e no Mato Grosso do Sul. Por si só essa já é uma informação muito preocupante. Fora a própria capacidade do grupo de dar conta de um projeto de tamanha envergadura.

Primeiro a competência técnica, financeira e econômica do grupo já levanta uma questão preocupante, mas, principalmente, a grande quantidade de processos que esse grupo responde no Brasil, em dois Estados do norte, um do centro-oeste e outro do sudeste. A questão ambiental é algo mais complicado ainda. A empresa responde processos por questões ambientais e trabalhistas e estará em uma obra que vai afetar, evidentemente, o meio ambiente, que vai impactá-lo de forma intensa. Isso além da quantidade de trabalhadores que serão deslocados para as atividades. Para nós, essa empresa é muito preocupante, especialmente por seu conjunto.

IHU On-Line – Em sua opinião, quais serão os próximos capítulos de Belo Monte?

Dion Monteiro – Depois da realização do leilão, o governo vai tentar validar as empresas, vai emitir posteriormente a licença de instalação e de operação. Porém, para nós, seja dos movimentos sociais, dos pesquisadores que têm desenvolvido trabalhos importantíssimos, quanto para o MPF, que já se manifestou em relação a essa questão, esses processos mais burocráticos e administrativos não definem a resistência, a forma de atuação e os passos que vamos dar. Independente da realização do leilão, da emissão das licenças, nossa luta política de denúncia, de divulgação dos problemas no Brasil e fora dele e as nossas ações judiciais levando para os tribunais internacionais, seja para a ONU, para a OEA, OIT e para outros tribunais, vão continuar.

Na minha avaliação, os próprios passos serão uma continuação do processo que já vem sendo desenvolvido, ou seja, de denúncias, manifestações, atos políticos e públicos, realizados pelos movimentos sociais, comunidades, povos indígenas, ribeirinhos e quilombolas. No campo jurídico, acompanhando e apoiando as ações do MPF, que já recorreu da suspensão das liminares, outros processos estarão sendo julgados pela justiça de Altamira, implementadas tanto pelo MPF quanto por entidades a resistência indígena vai se acentuar.

A resistência indígena também vai se acentuar. Os indígenas já deixaram claro que não aceitarão a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Os movimentos sociais estarão junto com as comunidades tradicionais, com os povos originários, com o MPF, os pesquisadores da academia que compreenderem que é importante desenvolver um outro modelo para a região amazônica. Acreditamos que o governo incorre um erro gravíssimo de compreensão sobre modelos de desenvolvimento. O governo ainda insiste em um modelo atrasado, considerado no mundo todo como responsável pelos graves problemas ambientais e sociais, não consegue ver além do componente econômico, e desta forma só acentua os desastres climáticos, ambientais e o ataque ao planeta.

“O governo ainda insiste em um modelo atrasado, considerado no mundo todo como responsável pelos graves problemas ambientais e sociais”

Vamos continuar com nossas ações políticas, também no campo jurídico, porque defendemos outros modelos de desenvolvimento, que levam em consideração as questões ambientais, sociais, culturais, econômicas, mas que não estejam acima dos outros componentes, e sim trabalhando com eles. Vamos nos contrapor a Belo Monte, às hidrelétricas do Tapajós, que serão as outras hidrelétricas que o governo quer implementar. Acreditamos que esse modelo é ultrapassado e não serve para o planeta.

Acho que minha fala explicita nossa posição em relação a Belo Monte, que não é puramente ideológica e dogmatizada. É uma posição a partir de uma ampla reflexão, feita há dezenas de anos, não começa agora. São elementos que vêm das reflexões coletivas dos moradores da região, dos movimentos sociais, da academia, e que nos mostra que, se continuarmos seguindo neste rumo, chegaremos à insustentabilidade do planeta. O que está por trás de toda essa questão, na qual Belo Monte se mostra como o projeto que explicita essa situação, é a concepção de vida de modelos de desenvolvimento e relações econômicas, sociais, políticas, culturais e ambientais que existem onde o econômico se destaca.

Acreditamos que o modelo que tenha a possibilidade de garantir a vida na Terra, em conjunto com o meio ambiente, precisa estar pautado em outra concepção de relações sociais, de produção e ambientais, onde o meio ambiente esteja no mesmo patamar das necessidades humanas. Isso é possível ser feito. Algumas experiências a partir das comunidades dos povos tradicionais e de pesquisas acadêmicas mostram que podemos superar esse modelo de desenvolvimento vigente e que podemos garantir a vida no planeta, para esta e todas as outras gerações.

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SALVE NAÇÃO CAIÇARA!

Ola amigos e amigas do CAVE. O evento JUNGLE DUB 3 contribuirá para a campanha de arrecadação de alimentos para os índios GUARANI

Convidamos todos a participarem neste domingo, 26 de setembro, das 16 às 23 horas, da festa organizada pela FUTURÁFRICA, na Rua General Câmara 236, Centro – Santos.

Entrada: 5 Reais + 1 quilo de alimento não perecível

A FUTURÁFRICA Produções segue com o propósito, cada vez maior, de trazer à Santos tudo o que rola no universo da música negra, seja através do Rap underground, AfroBeat, Samba de Raiz, Reggae, Dub, Maracatu, Funk Soul e de todas as outras vertentes musicais que saíram da mãe África e se espalharam pelos quatro cantos do planeta.

E dentro desse universo no qual mergulhamos de corpo e alma, no próximo domingo, realizaremos a festa JUNGLE DUB 3 no centro de Santos. Nesta edição da FUTURÁFRICA, serão utilizados os elementos de uma verdadeira festa jamaicana, com ferramentas do sound system (rimas feitas sobre a discotecagem) para celebrar a Música, a Arte e o Amor .

Muito Dub, Dancehall, Reggae, Rub a Dub com os djs da FUTURÁFRICA e a convidada especial Sistah Ceci (SP). E para completar, desta vez, a atração principal será BUGUINHA DUB (PE – Nação Zumbi) + NEGUEDMUNDO (RN), que realizará um show baseado no seu cd “VITROLA ADUBADA “. Pra conhecer o som deles acesse:

www.myspace.com/buguinhadub

www.myspace.com/neguedmundo

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Bando de burocratas sentados nos gabinetes.

A sequencia de slides apresentada no link a seguir sao fotografias tiradas de barco por um percurso  que passa por dentro dos mangues e canais do estuario de Santos na area do municipio de Cubatao. O contraste entre a beleza da natureza ,sua flora e fauna ,e a tristeza da poluicao das aguas pelo lixo domestico e pelos dejetos industriais. Convidamos todos os burocratas a sairem de seus gabinetes onde tomam sentados suas aguas de coco e falam besteiras, a se dedicarem a FAZER UMA POLITICA AMBIENTAL QUE ACABE COM A IDEIA DE QUE A INDUSTRIA TRAZ PROGRESSO. INDUSTRIA NOS LEGA SOMENTE POLUICAO E MISERIA!!!

Ouça a versão eletrônica do Pelego Verde:

http://www.4shared.com/audio/2ThyGZtY/EsquadraoDoPretoVelho-PelegoVe.html

Mais sobre o Esquadrao do Preto Velho –

http://www.myspace.com/esquadraodopretovelho

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Carbocloro greenwashing! E o mercurio onde fica?

PROTESTE: Telefone, mande um fax, escreva para a Carbocloro / Meio Ambiente

tel – (13) 3362-8032 / fax – (13) 3362-818
contato: http://www.carbocloro.com.br/html/contato_6_2.aspx?idioma=1&id=8&void=992124

Nesta matéria sobre o lançamento de mercúrio, abrimos novamente espaço ao companheiro Moésio Rebouças, de Cubatão. O Moésio, tao odiado pelas autoridades e poderosos de todos os calibres porque ele fala, ou melhor, escreve aquilo que todos vêem e cheiram, o odor ruim, mas não têm coragem de dizer. Desta vez, o jornalista desmistifica o marketing ambiental da CARBOCLORO, conhecida pelos ambientalistas de todo o mundo pela sua descarada prática de greenwash. Mas, para não dizer que é perseguição somente do Moésio, vamos começar pelas duas notícias transcritas a seguir:

A primeira publicada em

http://albertomarques.blogspot.com/2009_11_15_archive.html

terça-feira, 17 de novembro de 2009 – BAIXADA URGENTE

MP ENCONTRA TONELADAS DE LIXO TÓXICO EM BELFORD ROXO

lixo tóxico da Carbocloro em Belford Roxo

O Ministério Público Federal através da Procuradoria da República no Município de São João do Meriti, acaba de propor uma Ação Civil Pública para investigar a ação da empresa TRIBEL – Tratamento de resíduos Industriais de Belford Roxo S.A., com base em denúncias da existência nas dependências da empresa, em Belford Roxo, de resíduos da produção de cloro-soda contendo mercúrio, em desacordo com a legislação. Os resíduos seriam oriundos da CARBOCLORO S/A – Indústrias Químicas empresa sediada em Cubatão, São Paulo. Na Ação também são réus o IBAMA e o INEA – Instituto Estadual do Meio Ambiente, vinculada à Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Rio de Janeiro.

Nota do editor: E a CARBOCLORO, cinicamente, disse que não é problema dela, é da empresa que trata seu lixo, a Tribel. KKKKKKK. Assim até o Sugismundo, o desenho greenwash da ditadura, e o Cascão viram limpinhos.

A outra noticia vem de uma tese de doutorado IO/USP publicada em

http://www.ufpa.br/beiradorio/arquivo/beira31/noticias/noticia3.htm

Indústrias utilizam processos antiquados

As análises realizadas por Wanzeller no Laboratório de Nutrientes, Macronutrientes e Traços no Oceano, do Instituto Oceanográfico da USP, e as que enviou para a Universidade de Sorbonne, em Paris, indicaram que os problemas antrópicos observados no estuário de Santos são causados pelos processos obsoletos de produção das indústrias locais. “Uma medida que pode mitigar o problema é a troca do processo industrial”, afirma. Mas essa é uma medida de alto custo, reconhece. A indústria Carbocloro, por exemplo, em pleno século XXI, para fabricar soda e cloro, utiliza células de mercúrio, muito embora tal tecnologia já esteja superada, há décadas, por agredir violentamente o meio ambiente. Se trocasse por um processo mais atual, o uso de células de membrana, o nível de poluição ambiental no estuário seria reduzido drasticamente, afirma Wanzeller. No entanto, além de caro, a troca provocaria uma pausa no processo de produção, algo impensável, mesmo que temporária, para qualquer indústria.

SIQUEIRA, Gilmar Wanzeller. Estudo dos teores de metais pesados e de outros elementos em sedimentos superficiais do Sistema Estuarino de Santos(Baixada Santista – São Paulo) e da Plataforma Continental do Amazonas (Margem Continental Norte). 2003. Tese (Doutorado em Oceanografia Química e Geológica) – Instituto Oceanográfico da USP, CNPq

O ARTIGO DO MOESIO SOBRE A CARBOCLORO:

Carbocloro, uma empresa que se afirma “verde”, mas…

Nas últimas décadas, principalmente quando a questão ambiental entrou na moda, a maioria das indústrias com passivo ambiental – poluidoras e agressoras da natureza – reagiram investindo não na limpeza dos seus métodos produtivos ou de exploração dos recursos naturais, mas em propaganda de limpeza de imagem. A prática tornou-se de tal forma tão agressiva e generalizada no mundo todo que foi criado o termo “greenwash” para nomeá-la.

No conceito de “greenwash” cabem todas as práticas pelas quais uma empresa transmite a idéia de que está preocupada com o bem-estar do planeta quando na realidade faz muito pouco ou nada para reduzir o seu impacto na natureza. A forma mais óbvia de “greenwash” é o investimento em propaganda enganosa ou tendenciosa, incluindo a falsa rotulagem de produtos como “amigos do ambiente”, “ecologicamente corretos”, “verdes”.

Exemplos correntes incluem uma empresa apresentar-se como consciente ambientalmente por tomar medidas que reduzem a sua pegada ecológica, impacto ambiental, quando essas medidas foram tomadas por imposição legal ou para reduzir custos ou por criar um produto “verde” sem mudar nada no processo de fabricação dos outros produtos. Mas também se pode incluir neste conceito a elaboração de relatórios ambientais (EIA/RIMA), o patrocínio de eventos ou de ONGs ambientalistas, a distribuição de materiais de educação ambiental ou até a criação de fundações e associações supostamente ecologistas etc.

O mito da “responsabilidade ambiental” das empresas atinge hoje proporções alarmantes, com as empresas a gastar mais dinheiro em práticas de “esverdeamento” ou “lavagem verde” da imagem que em medidas de combate à poluição. Todos querem ocupar o pódio da empresa mais “verde”, mais “sustentável”, mas poucos se esforçam para merecê-lo.

Hoje, toda a empresa se pode tornar “verde”, com o apoio de agências de publicidade e relações públicas e de ONGs que cumprem o mesmo papel destas agências, mesmo que o seu negócio central seja, pela sua natureza, anti-ecológico.

Em Cubatão existem vários exemplos de “greenwash”. A Carbocloro, com um histórico de poluição na região, é uma das grandes empresas do Pólo Industrial de Cubatão que usa de todo os meios ao seu dispor para tornar a sua imagem mais “verde”, alimentando o mito da “responsabilidade ambiental”, ou seja, do “greenwash”.

Poucas pessoas sabem (em Cubatão certas barbaridades passam em branco, sem ninguém questionar nada), mas a Carbocloro esquematiza para meados de 2011 transformar o Rio Cubatão numa hidrovia industrial, onde os navios carregados com sal percorrerão um trajeto de 11 quilômetros, pelos rios Cubatão (a unidade local da empresa fica às margens deste rio), Cascalho, Casqueiro, estuário santista, até chegar ao Porto de Santos.

E o incrível, a Carbocloro chama este projeto de “ecológico”, que trará um ganho “ambiental”, que a hidrovia aumentará a taxa de renovação das águas dos rios, que as viagens de caminhões diminuirão etc.

Mas o que a propaganda da Carbocloro não diz, é que a implantação deste plano trará impactos ambientais ao eco-sistema aquático; que aprofundar trechos dos rios em pelo menos 3 metros provocará a ressuspensão dos sedimentos aquáticos; que a circulação dos navios afetará os manguezais através da movimentação das águas; comprometerá a biodiversidade, as avifaunas presentes no trajeto; empobrecerá o aspecto paisagístico, bucólico e sereno dos rios com tanta movimentação de barcaças; afetará a comunidade pesqueira artesanal; que outras empresas poderão transportar cargas por esta hidrovia até o Porto de Santos; que esta hidrovia poderá se transformar num futuro não muito distante numa espécie de rodovia dos Imigrantes ou Anchieta aquática, engarrafada de embarcações; que do lado da empresa tem uma linha de trem que poderia ser usada por ela para transporte de sal até o Porto de Santos e deixar em paz os rios de Cubatão, para passeios de natureza, contemplação; etc.

Então, por vergonha na cara, a Carbocloro deveria dizer explicitamente, e deixar de lado o “greenwash”, é que a hidrovia, em termos econômicos e de produtividade, transporta mais cargas com um custo bem inferior aos outros modais. E que vai implantar a hidrovia industrial por dinheiro, lucro, e não por um pretenso “ganho ambiental”, “consciência ecológica”.

Vale lembrar que a Carbocloro tem “indiretamente” um ventríloquo, um testa de ferro, e uma das maiores falcatruas ambientais da região instalado na Prefeitura de Cubatão, o diretor da secretaria municipal de Meio Ambiente, Rolando Roebellen, cúmplice e endossador deste projeto anti-ecológico, e que recentemente lançou um livro de fotografias luxuosíssimo chamado “Anilinas”, bancado pela Carbocloro através das leis de incentivos fiscais (Lei Rouanet). Obviamente, ele também é o coordenador do Conselho Comunitário Consultivo da Carbocloro, criado justamente quando esta indústria realizou em 2008 uma única audiência “pública” sobre o projeto “Hidrovia do Sal”, aprovado por unanimidade e com “fogos de artifício”.

É uma pena que em Cubatão não exista um movimento ambientalista com conteúdo, sério e independente para defender os rios, a natureza. Leiamos o que a Carbocloro nem o “ambientalista” Rolando Roebellen nos contam.

Relatorio Green”Crimes ambientais corporativos no Brasil – junho/2002″

Instalada em Cubatão (SP), na Baixada Santista, desde 1964, a Carbocloro é uma joint-venture da grupo nacional Unipar, que atua nas áreas química e petroquímica, e da norte-americana Occidental Chemical Corporation (maior fornecedor de cloro-soda dos Estados Unidos). Ela é responsável por 49% do mercado nacional de cloro líquido e 17% do de soda cáustica. Seu faturamento, em 2000, foi de R$ 314 milhões.

Parte da produção de cloro-soda da Carbocloro é feita através de células de mercúrio. Ao longo dos anos, a empresa acumulou 3 mil toneladas de resíduos mercuriais, provenientes dessas células. Em 1975, a empresa chegou a consumir 440 gramas de mercúrio por tonelada de cloro produzido. Só naquele ano, teriam sido perdidos cerca de 40 toneladas do metal.

Em 1990, a agência ambiental paulista, a Cetesb, publicou um documento baseado na análise da contaminação das águas, dos sedimentos e dos organismos aquáticos no rio Cubatão, que margeia a empresa. Segundo o estudo “a Carbocloro continua sendo uma das fontes desse metal [mercúrio] para o ecossistema aquático, explicando, provavelmente, os maiores valores de mercúrio verificados no sedimento no ponto localizado a jusante da referida indústria”.

A Cetesb multou a unidade da Carbocloro em Cubatão pelo menos quatro vezes por eliminar no rio Cubatão efluentes com concentrações de mercúrio acima do limite permitido pela legislação vigente (0,01 miligrama de mercúrio por litro de efluente): em abril de 1989, setembro de 1992, novembro de 1993 e julho de 1994.

A empresa também recebeu multas por outros motivos. Nos anos 80, por exemplo, ela foi multada por emitir fumaça preta e por dispor resíduos sólidos domésticos no Lixão de Pilões. Em setembro de 1997, por sua vez, foi por lançar óleo no rio Cubatão.

O Greenpeace realizou análises de sedimentos do rio Cubatão e de efluentes industriais da Carbocloro em seu laboratório, em Exeter, na Inglaterra. Foram encontradas evidencias de presença de mercúrio e grande número de organoclorados.

As amostras do Greenpeace variaram de 1,8 a 21,4 ppm. A concentração de mercúrio num solo ou sedimento típico não contaminado é inferior a 0,5 ppm.

Em abril de 1998, dez meses após o levantamento feito pelo Greenpeace, a Cetesb iniciou estudos sobre a contaminação do estuário da Baixada Santista. A agência recolheu sedimentos perto dos pontos de coleta da não-governamental.

Entretanto, eles apresentaram índices de contaminação por mercúrio mais reduzidos, na faixa de 0,015 a 0,93 ppm de mercúrio. A disparidade parece associada às dragagens que ocorriam em área próxima à Carbocloro, na época da coleta feita pelo Greenpeace. Parte do material dragado teria sido usado para aterrar a área onde seria construído um shopping center na cidade vizinha de Praia Grande.

Em depoimento dado ao Ministério Público do Estado de São Paulo em 1998, Márcio Pedroso, que trabalhou na empresa entre 1975 e 1991 e se aposentou por invalidez associada à contaminação por mercúrio, declarou ter testemunhado vários vazamentos do metal na unidade de Cubatão. Em 1991, foram identificados dez casos de intoxicação crônica por mercúrio metálico na Carbocloro.

Em outubro de 2001, o Ministério Público de São José dos Campos instaurou inquérito para apurar responsabilidades na deposição de lixo tóxico contendo mercúrio da fábrica da Carbocloro em Cubatão num aterro de São José. Seu transporte foi feito através do Parque Estadual da Serra do Mar e várias cidades.

Segundo a assessoria de imprensa da Carbocloro, tais resíduos foram mantidos durante 15 anos em oito silos impermeáveis subterrâneos, que nunca contaminaram o solo ou o lençol freático com mercúrio. A decisão de enviá-los a São José seria resultado de longos estudos técnicos.

A empresa também argumenta que a amostra de água analisada pelo Greenpeace em 1988 foi colhida acima da indústria, e portanto a contaminação por mercúrio não poderia vir da empresa. A Carbocloro afirma, também, que estudo produzido pela Cetesb em 2001 no estuário de Santos evidencia que a contaminação por mercúrio dos sedimentos é de origem difusa, sendo impossível destacar suas fontes. Para a empresa, a principal origem da contaminação é a represa Billings.

Fonte: http://www.greenpeace.org.br/toxicos/pdf/corporate_crimes_port.pdf (Confira na nossa Biblioteca)

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Arrecadacao de alimentos para os Indios GUARANI

11 de setembro o capitalismo mata (mas a nação Guarani continua viva)

Ola gente, companheiros e companheiras, atualizamos o convite ja feito no dia 03/09 passado:

Pedimos a colaboracao de todos trazendo ALIMENTOS NAO PERECIVEIS.

Estamos organizando uma COLETA DE ALIMENTOS para serem entregues para os indios da Aldeia GUARANI de Paranapua em Sao Vicente.

Contamos com todos. Leiam a programacao do evento no link a seguir:

https://coletivocave.wordpress.com/2010/09/03/o-capitalismo-mata/

Participem de mais essa atividade organizada pelo CAVE – Videos, debate, e discotecagem (11 de setembro, a partir das 17 horas)

na Casa de Familia, Rua Julio Conceicao, 241, Vila Mathias – Santos fone (13) 33261455

P.S. E também é o aniversário da MARCELA da Casa, então: VENHAM!!!!

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IWURAPITA!!! A naçao Guarani resiste.

As comunidades tradicionais têm como base de organização uma estreita relação com o ambiente. Esta relação é não predatória, baseada principalmente na sustentabilidade (no sentido mais profundo desta palavra); ou seja, as relações sócio-culturais, ou mesmo a sobrevivência física do grupo, depende de sua capacidade de se relacionar equilibradamente com o ambiente, deste retirar o que é necessário e ao mesmo tempo preservar o seu território.

A nossa sociedade não possui uma visão, um parâmetro, do que é o mundo indígena, pois o nosso paradigma de existência é mediado apenas pela idéia de lucro, o qual vem gerando uma profunda crise ecológica mundial. Nossos modelos de produção se baseiam principalmente numa forma de exploração, visando o interesse do mercado; isto é, um único produto explorado até a exaustão e em um determinado território (monoculturas, lavra de minérios, etc), favorecendo uma forma de vida individualista e consumista.

Em contraposição, a produção tradicional sempre visará a sobrevivência do grupo e a preservação de sua área. Pois utilizará um território maior, onde vários produtos serão utilizados de forma sazonal e em rodízio, por exemplo: um determinado território fornecerá a caça, o outro a horticultura, o outro ainda a coleta, nunca até a exaustão, pois há uma grande preocupação nesta visão de mundo indígena, no equilíbrio de todas as partes do território e da relação deste com a comunidade, temos então um método coerente na utilização dos recursos naturais, baseado num conhecimento milenar da observação dos fenômenos naturais e, portanto, científico.

Os Guaranis compõe uma etnia indígena, que por muito tempo ocupou uma vasta área da mata Atlântica, e, é parte de sua vivência cultural a perambulação e a reciprocidade, ou seja, em suas caminhadas os Guaranis vivenciam sua relação sócio-cultural e de sobrevivência, em uma troca igualitária com o seu território. É exatamente esta perambulação, que permite a preservação das áreas em que estes se encontram. Caminhando os guaranis plantam, caçam, pescam e protegem o seu território, é por isto mesmo, e não por nenhuma coincidência, que este povo se encontra nas últimas áreas preservadas da Mata Atlântica. Onde há populações tradicionais, há maior chance de haver Mata preservada, a não ser que os “civilizados” interfiram.

Após 500 anos de contato e de massacre desta população e ainda, de uma destruição sem precedentes da Mata Atlântica, este povo viu seu espaço cada vez ser mais reduzido. Atualmente pouquíssimos aldeamentos possuem uma área possível de perambulação. O aldeamento do Rio Branco é um destes.

A preservação da área do Rio Branco e de seu entorno é, portanto, imprescindível para a sobrevivência da população Guarani e daquele território da Mata Atlântica.

Faz-se, também, necessária uma ampliação da área demarcada da reserva, garantindo assim, aos guaranis um aumento de seu território e a preservação de seus valores sócio-culturais.

Vendo pegadas de capivara em uma das margens já quase sem cascalho, o cacique Alcides não se surpreende:

“Mesmo com toda essa devastação, ela ainda vem beber aqui. Todo mundo depende do rio – nós, a mata e os bichos-, assim como o rio depende de todos. Preservamos isso aqui pensando na reserva inteira, e mais ainda, nas outras aldeias e nas cidades cuja vida é abastecida pelo rio Branco e pela mata em torno dele”

O cacique Alcides nos faz refletir: ‘até que ponto nós estamos também preocupados com as conseqüências ambientais de tais atos’, pois não é apenas a população guarani que será atingida, como está comprovado pela ciência e pelo bom senso, os danos ambientais atingem a todos nós, direta ou indiretamente.

Giulius Césari Gomes Aprígio (Historiador / Etnólogo)

Vera Lúcia Pontes de Oliveira (Historiadora / Etnóloga)

A seguir um video sobre a Aldeia Guarani do Rio Branco em Itanhaem, com a FALA SAGRADA do cacique Alcides:

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O Capitalismo mata!!!

O CAVE convida a todos e todas para criar novas forma de fazer POLITICA

Dia 11 de setembro 17 horas


O documento a seguir é uma pequena contribuição do Coletivo Alternativa Verde (CAVE) no sentido de iniciar uma conversa com outras organizações e coletivos não só do movimento ecológico, como também no cenário maior dos movimentos sociais de nossa região, então vamos iniciar o nosso dialogo.

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