Arquivo do mês: agosto 2010

Maus tratos de animais em zoológico de Cubatão

Maus tratos no Parque Cotia-Pará

Sou professora do ensino secundário em Portugal e acabo de regressar do Brasil, país que muito amo, após um período de férias, na região de São Paulo e Santos. Através de informações do Santos e Região Convention & Visitors Bureau fui visitar o Parque Ecológico Cotia-Pará, em Cubatão, e em particular o zoológico. Agora, já regressada a Portugal, aquelas imagens perseguem-me. Fiquei muito incomodada, com pena daqueles pobres animais. É escandaloso o que lá se passa. O zoológico do Parque é um lugar onde nunca levaria os meus alunos, pelo contrário, os levaria lá para lhes mostrar como não devíamos tratar os animais. Vi, e senti, animais debilitados, em habitats degradantes, mal cuidados, sem qualquer relação com as suas condições naturais. Fiquei, também, abismada quando soube que o local era visitado por alunos das escolas da região, acompanhados pelos seus professores. Resolvi, assim, protestar contra esta situação, acreditando que chegará a bom porto esta denúncia. Os animais agradecem e as crianças também!

Maria Celeste Rodrigues Oliveira, Lisboa, Portugal

(publicado orginalmente em A Tribuna, de Santos, em 22/08/2010)

O IBAMA sabe disto? O que o IBAMA pretende fazer?

Incomode o IBAMA:

IBAMA (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) – Escritorio Regional em Santos:

Ingred Maria Furlan Oberg
Chefe do Escritório Regional de Santos

Av. Cel Joaquim Montenegro, Nº 297 Canal 06, Aparecida
11035-001 Santos – SP
Tel: (13) 3227-5775 e 3227-5776
Fax:(13) 3227-4649

e-mail: ingrid.oberg@ibama.gov.br ou ingfurlan@gmail.com

Superintendencia do IBAMA em Sao Paulo: http://www.ibama.gov.br/sp/

Analice de Novais Pereira
Superindentende do Ibama em São Paulo

Alameda Tietê, nº 637 Jardim Cerqueira César
01417-020  São Paulo – SP
Tel: (11) 3066-2633
Fax: (11) 3066-2675
e-mail: analice.pereira@ibama.gov.br

Pagina do IBAMA em Brasilia: http://www.ibama.gov.br/

O jornalista Moesio Reboucas esteve no Parque Cotia-Para:

Segundo a Secretaria do Meio Ambiente de Cubatão, existe um “mini-sítio” no Parque Ecológico Cotia-Pará. Mas, quando vamos lá não é bem isso que encontramos. Nas imagens em anexo eu mostro isso. As primeiras fotos são do local onde sobrevivia um cavalo e uma vaca (morreu no começo deste ano), e ao lado algumas cabras. Isto era o “mini-sítio”!

Como podemos ver o local é pequeno, improvisado e, incrível, todo a superfície do recinto do cavalo e da vaca concretado! Estes animais sobreviveram ali por anos, nas piores condições. Por diversas vezes “quebrei o pau” com o Secretário do Meio Ambiente da época (gestão Clermont), que foi o mentor deste absurdo. Até os 15 pavões azuis que viviam soltos no parque este secretário, um ex-militar, confinou num espaço reduzido, sem verde, ao lado do “mini-sítio”.

As outras imagens mostram o novo espaço do cavalo (o aspecto físico dele não é dos melhores, mas já foi muito pior) e das cabras, o atual “mini-sítio”. Aliás, este local se chama Centro de Equoterapia de Cubatão, mas nunca funcionou, é outro “mar de lamas” da municipalidade, os animais estão ali porque o lugar estava sem uso, desde 2008, quando foi “inaugurado” pelo Prefeito de Cubatão Clermont Castor, o Secretário do Meio Ambiente, coronel Eduardo Silveira Bello e o Presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e a Presidente da APAE.

Aqui tenho que abrir um parêntesis, pois, no começo do governo da prefeita Marcia Rosa, eu cruzei por acaso, no Parque Ecológico do Perequê, o novo Secretário do Meio Ambiente da cidade, então “expliquei” para ele e outras pessoas que o acompanhavam, inclusive o senhor Rolando Roebellen, que aquele “mini-sítio” era um tremendo absurdo e que no parque existia um espaço sem uso onde aqueles animais poderiam ser “soltos”. E não é que este secretário, Daniel Ravanelli Losada, “soltou” os bichos em poucos dias? Mas este secretário não ficou nem cinco meses no cargo, foi substituído, por outros motivos.

Agradecemos ao companheiro residente em Cubatao pela reportagem e exig:imos que

O IBAMA INVESTIGUE AS DENUNCIAS E TOME AS PROVIDENCIAIS NECESSARIAS!!!!

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Cubatão além da poluição

Recebemos recentemente algumas notícias de Cubatão enviadas pelo companheiro Moésio e que foram colocadas em nosso Painel do Leitor. Nelas são comentados alguns atos praticados pela Secretaria de Meio Ambiente daquele município que em nenhuma circunstância podem ser considerados como atitudes de quem tem como objeto de trabalho cuidar da manutenção e da recuperação de um meio ambiente saudável para a vida urbana. A começar pelas podas indiscriminadas de árvores na cidade, algumas no percurso da ciclovia. Depois o descaso com o Parque Ecológico Cotia-Pará em cujo mini-zoológico temos claros maus tratos aos animais. Moesio reclama da falta de postura do IBAMA para verificar o que está ocorrendo. Mas infelizmente, o IBAMA, principalmente desde o Lula desenvolvimentista na presidência (aquele dos bagres atrapalhando o progresso), transformou-se em nosso OBAMA, ou seja, faz muito barulho por nada!!! O IBAMA somente tem dito amém ao Executivo em todas as suas instâncias. Todas essas matérias sobre Cubatão feitas pelo correspondente da ANA, a Agência de Notícias Anarquistas, não tiveram como pauta a notória poluição e contaminação ambiental de sempre da cidade, fato bastante  positivo a se registrar.

Cubatão, internacionalmente conhecida pela contaminação química emanada de seu polo petro-químico e siderúrgico, tem um outro lado. Grande parte do município encontra-se em área do Parque Estadual da Serra do Mar, cujo núcleo Pilões tem cachoeiras belíssimas. Além dele há outros parques municipais que tembastante atrativos. Fora da área de preservação legalizada em forma de parques, Cubatão registra grande quantidade de manguezais, restingas e vegetação variada de mata atlântica, que serve de abrigo para uma fauna muito rica especialmente de pássaros: guará-vermelho, colhereiro, martim-pescador,  garça branca, garça azul, biguatinga, socó-dorminhoco, quero-quero, gavião asa de telha, entre outros animais que podem ser observados em passeios náuticos. Portanto, Cubatão tem um lado da cidade muito propenso para o eco-turismo e que não somente não necessita do crescimento industrial insustentável e irracional que muitos querem como deveria iniciar um processo de retirada das indústrias e desmonte de seu complexo parque poluidor. Há dez anos já estamos noticiando esse potencial turístico sub-explorado. Leiam a matéria a seguir publicada originalmente no ano 2000:

O percurso acima descrito pode ser percorrido seguindo a linha preta destacada no mapa  a seguir sobre a vegetacao da Baixada Santista elaborado pelo CAVE (o mapa completa da vegetacao da Baixada Santista pode ser obtido na pagina MAPAS deste blog). Nele temos um detalhe da area demanguezais entre Santos e Cubatao. As areas pintadas em vermelho sao as areas urbanizadas e os desflorestamentos, as pintadas em marrom correspondem aos manguezais remanescentes, as pintadas em cor ocre ao que restou de restinga e as aereas verdes aos remanecsentes de mata atlantica. O percurso que se inicia no Jardim Casqueiro e atravessa toda a area de manguezais de Cubatao, alcanca o rio Quilombo, ninhal dos guaras-vermelhos. Quem quiser fazer o percurso, precisa somente de um barco com motor de popa e um barqueiro experiente. Bom passeio.

AINDA EM TEMPO, ALERTA!!!! Recebemos uma última notícia vinda de Cubatão sobre o Parque Anilinas que levanta novas suspeitas sobre o uso do dinheiro público nesse município. Assim, abrimos espaço para alertar a comunidade cubatense sobre mais esse projeto “ambiental”.

Mega reforma do Parque Anilinas ou um projeto megalomaníaco?

Há poucos dias a prefeita de Cubatão, Marcia Rosa, apresentou o projeto de mega reforma do Parque Anilinas, com gastos previstos de quase 30 milhões de reais. O prazo para a execução da obra é 20 meses, dividida em três fases, com a primeira etapa a ser entregue ainda neste ano.

Segundo a prefeita, o complexo contará com espaço multimídia, cinema e teatro, galeria de artes, academia, praça de alimentação, quadras poliesportivas, pistas de esportes radicais, pista de cooper, jardins, espelho d’água, um parque aquático, áreas para a prática de arborismo, ciclovia, e até um teleférico.

A prefeita disse também que a “Maria Fumaça” (uma locomotiva fabricada em 1916), em exposição há anos no parque, será restaurada e recolocada em funcionamento para percurso turístico.

“Transportando os passageiros em uma verdadeira viagem que terá como ponto de partida o passado histórico do Município, a nossa memória, com destino ao futuro que nos aguarda e que já está em construção, com a participação de todos os cubatenses”, palavras da prefeita Marcia Rosa.

Para quem não conhece, o Parque Anilinas foi criado em 1979 e fica no centro de Cubatão, numa área de 54 mil metros quadrados (um pouquinho mais que dois orquidários de Santos, ou 5, 6 campos de futebol). É o local mais arborizado nesta região da cidade, com área gramada; e já conta com quadras poliesportivas (parcialmente deterioradas), pistas de esportes radicais (deterioradas), playground (deteriorado), espaços abertos para exposições (parcialmente deteriorado) e espetáculos (deteriorado), casarões históricos (bem preservados) e outras infraestruturas. Eu acho o local já densamente ocupado.

Depois desta breve apresentação do mega projeto da prefeita cubatense, é necessário fazer algumas perguntinhas para ela: 1) Aonde foi parar o dinheiro (quase dois milhões) da reforma “engana que eu gosto” do Anilinas no último ano, 2008, do governo Clermont Castor? 2) Se o seu governo é transparente, participativo, blábláblá, por que não houve nenhuma audiência pública para discutir este mega projeto? 3) Este mega projeto tem licença ambiental? 4) Foi feito algum estudo de impacto de vizinhança para a edificação deste mega projeto? 5) Quantas árvores serão derrubadas para a execução desta mega obra? 6) O que vai acontecer com as dezenas (quase 100, ou mais) de cotias que ocupam o Anilinas há anos? 7) E o que acontecerá com os gambás e lagartos teíus que costumam aparecer naquela área? 8) Este mega projeto impermeabilizará quantos metros de área verde?  9) Por quê nas imagens do mega projeto a gente vê mais concreto, aço, do que áreas verdes? 10) Este mega projeto não vai acabar com o aspecto bucólico e sereno do parque? 11) Pra quê um parque aquático naquele local se Cubatão tem várias cachoeiras e rios próximos do centro da cidade? 12) É realmente necessário um teatro e um cinema ali, sendo que a pouquíssimos metros do Anilinas existe um “elefante branco” chamado teatro municipal esperando por uma reforma decente há anos? 13) A população terá que pagar para usufruir das novas instalações no Anilinas? 14) A área do parque não é tão grande, assim, como harmonizar num mesmo lugar pista de cooper, ciclovia, espelho d´água, parque aquático, teleférico e linha de trem que será construída? 15) Quantos metros e qual será o traçado da linha do trem? 16) É possível realmente botar aquele trem para funcionar? 17) Quem fará isso? 18) Quem desenhou este mega projeto conhece realmente o Parque Anilinas? 17) Seu secretário de ação de governo, o jovem Fernando Alberto Henriques Júnior (que sempre morou em Santos), que também anunciou este mega projeto na mídia da região de forma esfuziante, antes de assumir esta pasta indicado pela ex-prefeita de Santos Telma de Souza, conhecia ou freqüentava o Anilinas? 16) No que consiste a primeira etapa do mega projeto a ser entregue ainda neste ano, pois as obras ainda não começaram e estamos a quatro meses do final do ano?

Teria outras perguntas para elaborar sobre alguns aspectos estruturais, técnicos, paisagísticos, ambientais, de densidade e de custos a respeito deste mega projeto, mas deixemos para outra oportunidade.

O Parque Anilinas precisa sim de uma reforma, alguns atrativos, mas, a meu ver, do jeito que esta mega reconstrução foi apresentada não passa de megalomania, com traços fortíssimos de pirotecnia da prefeita e seu clã.

Mas, quando o ego, o poder, o dinheiro, a mania de grandeza, a força e outras cositas mais se misturam, sai de baixo.

Moésio Reboucas

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Mil visitas

Hoje atingimos a casa dos Mil visitantes. Agradecemos a todos aqueles que neste pouco tempo que estamos on-line, de uma forma ou de outra, mais ou menos proximos a nos, tem acessado o blog do CAVE, lido o conteudo, comentado e debatido conosco. Lentamente, iremos adicionando mais material de compartilhamento nas paginas Biblioteca, Videos, Imagens. Sera criada uma nova secao de noticias e reportagens onde reproduziremos textos importantes que nos chegam por outros meios. Queremos que o blog se transforme em um canal de comunicacao e um forum de debates sobre os graves problemas ambientais, sociais e economicos que afetam a Baixada Santista e o planeta como um todo. O Painel do Leitor, mais do que um espaco para o leitor escrever a ideia, deve funcionar como um canal para o compartilhamento e o confronto de ideias entre aqueles que como nos nao concordam com a mercantilizacao total da vida na Terra.

Para esta semana indicamos a sugestao abaixo enviada pelo biologo Wilson Moreira.

NA PRÓXIMA QUARTA-FEIRA, DIA 11 DE AGOSTO ÀS 12H20, COM REPRISE NO DOMINGO ÀS 13H00, VAI AO AR O PROGRAMA VOZES DA PESCA, ESPECIAL CULINÁRIA CAIÇARA. ESCUTE E SABOREIE DIFERENTE!

http://www.radio.ufscar.br

(na cidade de Sao Carlos 95.3 FM)

O programa apresenta a cultura caiçara através de sua cozinha. Quando essa cultura se formou, os recursos alimentares eram obtidos em diferentes habitats, como mar, manguezal, rios, mata, roças e parcas criações, principalmente, de pequenos animais. Os recursos eram explorados durante todo ano, num complexo calendário agrícola, pesqueiro e de extração de produtos da mata. Também havia comércio com os centros urbanos, onde os caiçaras vendiam e trocavam o pouco excedente agrícola e pesqueiro e adquiriam aqueles produtos que não eram produzidos localmente, como sal, carne seca e pólvora para a caça.

Esse complexo calendário influenciava as relações sociais, de trabalho, festas, tradições, tabus e todo universo de manifestações materiais e imateriais de sua cultura. Os caiçaras têm um amplo repertório de pratos e combinações, que propiciam receitas simples e muito saborosas.

A Rádio UFSCar e o Programa Vozes da Pesca aproveitam a data de 06 de agosto, quando se comemora o dia de Bom Jesus de Iguape – importante festa religiosa para os caiçaras – para homenageá-los e levar aos ouvintes informações sobre esse segmento da nossa sociedade. A cultura caiçara estará em foco por meio de sua culinária, que é herdeira das tradições indígenas, européias e apresenta contribuições africanas e nipônicas.

Conversaremos com o Professor Antonio Carlos Diegues, coordenador do Núcleo de Estudos de Populações de Áreas Úmidas Brasileiras, da Universidade de São Paulo, e com as caiçaras Irene Pimenta Paes, de Caraguatatuba e Neide Palumbo, de São Sebastião.

Serão apresentadas receitas típicas e poesias que representam o universo caiçara. Também, estará presente o fandango, música característica desse grupo social que se reacende nos últimos anos, quando diferentes grupos estão gravando CDs e difundindo essa bela manifestação musical.

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Audiência pública, democracia direta e o inimigo do povo.

Desde meados da década de 1990, a recente democracia brasileira passou a ser brindada com alguns instrumentos de participação política direta da sociedade civil como os plebiscitos, o referedum, os conselhos municipais e as audiências públicas. Nada que já não estivesse previsto na Constituição Federal de 1988. A tendência de participação direta da sociedade civil na elaboração de políticas públicas não é nova. A Suécia e outros países nórdicos já faziam uso desse expediente desde o século XIX. Henrik Ibsen, em sua imortal peça Um inimigo do povo, apresentava no ano de 1882 justamente o caso de um médico sanitarista que queria alertar a população de um pequeno balneário norueguês para o problema da poluição da água por um curtume, fato que atrapalharia o turismo na cidade. O problema, de certa forma parecido com o da Baixada Santista (as indústrias e o porto já contaminaram quimicamente toda a água do estuário), foi debatido em uma assembléia popular e o Doutor Stockmann tornou-se um inimigo da cidade por defender, pasmem, o MEIO AMBIENTE, a COMUNIDADE, a VIDA!!!! Naquela assembléia popular ele foi taxado de louco e os políticos populistas e os empresários cobiçosos tornam-se os restauradores da ordem, os salvadores da pátria sob o manto acobertador e hipócrita de uma sociedade mesquinha, encimesmada em seus interesses particulares. Portanto, não há nada de novo no reino da Dinarmarca, por sinal, a terra natal de Ibsen.

http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Inimigo_do_Povo

Realizar uma audiência pública, versão atual brasileira daquela assembléia popular, seria, em teoria, uma maneira de democratizar a democracia. A democracia moderna – diferentemente da original antiga, a grega, cujo princípio da Pólis somente concebia a idéia da política com a participação de todos os cidadãos nas assembléias em praça pública, a Ágora – a democracia moderna é representativa, uma meia-democracia. Ou seja, significa dizer que na democracia moderna quem decide não são os cidadãos, mas sim seus hipotéticos representantes, que geralmente são profissionais a serviço de seu próprio enriquecimento e dos interesses loobistas dos empreendedores particulares que lhes financiam as campanhas. Por isso declaramos não se digne a dar um cheque em branco a eles: VOTE NULO ou NÃO VOTE.

Para minimizar a centralização decisória na mão de poucos, nossa progressista Constituição de 1988 OBRIGA, vejam bem não é um favorzinho feito ao povo, a Constituição OBRIGA que projetos polêmicos e complexos com forte impacto, social, ambiental e cultural sejam submetidos à apreciação e debate pelo conjunto da sociedade. E, mais ainda, a Constituição OBRIGA que o Executivo, em todas as suas instâncias, organize essas audiências de modo a permitir a mais ampla representatividade social possível, garantindo o direito à fala em igualdade de condições de qualquer cidadão. Isso não é FAVOR é a LEI!!!!!!!!

Na prática não funciona assim. Geralmente as prefeituras ou o governo do estado montam um circo em cuja mesa-picadeiro se movem os “experts” dos projetos, os bajuladores de sempre, e a corja de políticos regionais querendo aparecer nas colunas sociais. Numa inversão dos papéis, nós, os palhaços, ficamos sentados na platéia assistindo ao engodo, praticamente sem podermos executar nosso número. Como se pode observar em todas as audiências públicas, o espaço de tempo de palavra reservado à sociedade, à comunidade interessada nos danos dos projetos é mínimo. A audiência sempre atrasa, como todo baile à espera dos socialites. Depois, os politiqueiros abrem a mesa com o seu blá-blá-blá durante mais de uma hora. Segue-se mais de uma hora de um blá-blá-blá técnico dos experts do projeto, sobre o EIA-RIMA pago pelos empreendedores (é assim que funciona a isenção científica), mostrando a viabilidade do empreendimento. E dá-lhe discurso sustentável sobre a vantagem das trocas compensatórias (se vocês me deixarem sujar ainda mais no futuro eu limpo um pouquinho de tudo aquilo que já sujei no passado). Feito tudo isso, lá pelas dez, onze horas da noite, pouco antes do último trem partir, permite-se, não sem grande esforço e luta da parte do público interessado em falar, um breve e irrisório espaço de poucos minutos para quem ousar discordar da opinião do bem bolado discurso entre o Capital e o Estado. Infelizmente, a audiência pública no Brasil não é mecanismo de democracia direta. Trata-se de “conversa mole pra boi dormir” como se dizia antigamente. Mas nós, o rebanho, devemos berrar bem alto para  nos fazer ouvir. Afinal, o toureiro quase sempre leva a melhor nas touradas, mas, às vezes, o touro consegue mandar algum bonitinho para o cemitério.

Neste vídeo a seguir, assistam a última participação do CAVE em audiências públicas. Foi no ano passado na apresentação do projeto sobre o Terminal Alemoa.

Dia 26 de agosto próximo, os marketeiros de plantão do DESENVOLVIMENTO INSUSTENTÁVEL voltarão à carga querendo nos convencer de como são bonzinhos. PREPAREM-SE, as audiências públicas voltaram.

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