Seminário ESTADO, POLÍCIA E PERSEGUIÇÃO POLÍTICA NA HISTÓRIA

Na UNIRIO, AV. Pasteur, 458 Urca RIO DE JANEIRO dia 17/11 das 10 às 17 horas

cartazseminário

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“Para Mudar Tudo”, um projeto anarquista

A p r e s e n t a ç ã o:

Mudanças climáticas, escassez de água, crises econômicas que ameaçam nossos empregos já instáveis e precários, bem como nosso acesso a alimento, saúde e moradia: a ordem dominante é insustentável em todas as suas formas. Até mesmo os seus maiores representantes, como a mídia, políticos e empresários, admitem que são necessárias mudanças radicais. Mas por que deveríamos pedir ou esperar que essas autoridades tomem a iniciativa?

O que seria, realmente, mudar tudo? Como escolheremos caminhos diferentes?

O projeto “Para Mudar Tudo” tem como objetivo a propaganda dos pensamentos e valores libertários e radicais para pessoas que ainda não tiveram contato com essas ideias ou práticas mas que mesmo assim sentem que precisamos resistir à ordem política vigente. Ele conta com um texto introdutório ao pensamento anarquista e em linguagem acessível, levado ao público por diferentes formatos: 4 mil cópias de uma revista impressa com cerca de 50 páginas, uma versão em pdf para download, uma versão em vídeo do mesmo texto com cerca de 8 minutos para circulação na internet, posters e adesivos para serem difundidos nas ruas, espaços libertários, centros sociais, ou mesmo pregado nos quartos de jovens rebeldes. Tudo isso reunido em um site para download gratuito e livre difusão.

Todo o projeto – vídeo, texto, site – foi produzido e adaptado para cerca de 14 idiomas por coletivos locais de cada país para ser lançado ao mesmo tempo nos 5 continentes e propagar o caráter sem fronteiras e cooperativo do anarquismo. Cada versão foi também devidamente adaptada ou reescrita pelos coletivos locais para ser usada como plataforma de diálogo com indivíduos e iniciativas de cada região. Então, com exemplos, contextos, imagens e linguagens, tentamos falar da nossa realidade e propor formas de resistir às opressões existentes nela.

Nosso site tem como proposta servir de introdução a pensamentos e ações libertárias e te colocar em contato com grupos e pessoas agindo – ou que aspiram agir – para resistir e transformar a realidade em que vivemos.

Aproveite o conteúdo e fique à vontade para entrar em contato!

Conheça o projeto evisite nossa página em português: paramudartudo.com

Agradecemos pela contribuição à agência de notícias anarquistas-ana

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Parque Estadual Pedra Branca – Núcleo Camorim

Dia 25 de outubro, vésperas de segundo turno das eleições, a disciplina de História e Meio Ambiente do curso de História da UNIRIO promoveu uma visitação ao Parque Estadual Pedra Branca, núcleo Camorim, um dos últimos redutos florestais dentro da Guanabara. A visita percorreu a trilha do açúde chegando ao topo a 435 m. de altura, onde se encontra a represa que abastece a água de parte da baixada de Jacarepaguá. A construção iniciada em em 1908 demonstrava, já naquela época, o empenho de alguns conservacionistas em preservar as nascentes de água do município. Em vão, desde então, muito pouco foi feito nsse sentido e a água consumida no Rio tende a vir cada vez de mais longe. Na visita foi possível observar a transformação da paisagem da floresta secundária, à medida que íamos subindo percebe-se sua recomposição de modo mais cosnistente, tornando-se mais espessa. A área do Pedra Branca, cuja transformação em parque data e 1974, sofreu no decorrer da história com diversos ciclos de apropriação de seus recursos naturais. Pensando desde a época colonial, com o engenho do Camorim da família de Gonçalo de Sá, ainda no final do século XVI, cuja mata de encosta servia à extração da madeira necessária, principalmente, às atividades de transporte da cana por carros de boi. Fora do Parque, a capela de São Gonçalo do Amarante pertencente ao antigo engenho, de 1625, restaurada, é um bom início da visita. Num segundo momento, já sob controle dos frades beneditinos, a área passa a ter ação das culturas de subsistência de escravos e libertos, no que com o tempo foi assumindo um caráter de quilombo disperso durante o XIX e começo do XX. Bananeiras e outra plantas exóticas atestam a presença modificadora do homem non meio. No século XX a pressão sobre a mata foi principalmente feita pelos carvoeiros que produziam carvão à lenha, base do abastecimento dos fogões das casas cariocas da priemira metade do XX, quando ainda não havia a proliferação dos fogões a gás.

Os vestígios deixados pelo homem na floresta são visíveis durante a caminhada, ainda mais se o passeio for acompanhado da excelente leitura do livro As Marcas do Homem na Floresta, organizado por  Rogério Ribeiro de Oliveira, disponível em pdf: http://www.editora.vrc.puc-rio.br/docs/ebook_marcas_homem_na_floresta.pdf

 

Mais informações sobre o Pedra Branca encontram-se no guia de parques: http://www.inea.rj.gov.br/cs/groups/public/documents/document/zwew/mdi2/~edisp/inea0026328.pdf

E nas páginas do inea e da associação de amigos: http://www.parquepedrabranca.com/p/nucleo-camorim.html

Quem ainda não conhece, precisa de conhecer.

Boia visita

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Santos (SP): 1ª Feira Anarquista da Baixada Santista acontece em 23 de agosto, das 10h às 18h

C o m u n i c a d o:
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Informamos que no dia 23 de agosto de 2014 (na mesma data onde se recorda os 87 anos do assassinato legalizado dos anarquistas Nicola Sacco & Bartolomeo Vanzetti), será realizada a 1ª Feira Anarquista da Baixada Santista, na Vila do Teatro, na Praça dos Andradas, 95 (ao lado da rodoviária), Centro, Santos (SP), das 10h às 18h.
 
O evento pretende reunir várias editoras e coletivos para exporem suas publicações (livros, jornais, revistas, zines e outros materiais libertários), promovendo uma experiência associativa entre os grupos e as pessoas envolvidas, difundindo as ideias libertárias através de sua prática. Haverá venda, troca e distribuição gratuita de diversos materiais libertários.
 
Até o momento, temos as seguintes presenças confirmadas: Im/prensa Marginal (São Paulo), Ativismo Abc (Santo André-SP), Coletiva Marana (São Paulo), Biblioteca Terra Livre (São Paulo), Centro de Cultura Social (São Paulo), Editora Faísca (São Paulo), Editora Imaginário (São Paulo), Movimento Anarco-Punk (São Paulo), Laboratório de Educação Anarquista (São Paulo), De Bike No Velô Distro (São Paulo), Estrella Negra (Santiago/Chile), No Gods, No Masters (Itanhaém-SP), Hângü Cozinha Livre (Ilhabela-SP), 100% Vegetal (Guarujá-SP), Mães de Maio (Santos-SP), Santa Rosa Breakers (Guarujá-SP), Marcha da Maconha Santos (Santos-SP), Rádio da Juventude (São Vicente-SP), Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri (Guarujá-SP).
 
Editoras de localidades distantes, que não poderão participar presencialmente da Feira, vão enviar suas publicações para a exposição.
 
Paralelamente à mostra editorial haverá palestras e debates, assim como diversas atividades culturais, como exposições (murais), oficinas, apresentações teatrais, espaço recreativo para crianças, musicais, poesias e outras atividades.
 
O cronograma de atividades para a 1ª Feira Anarquista da Baixada Santista até o momento está assim:
10h – Exibição do documentário “Libertários”;
11h – Debate: “Editoras Anarquistas”;
12h – Oficina de Produção de Livros (Marina Knup – Imprensa Marginal);
13h – Contador de História para Crianças (Laboratório de Educação Anarquista);
13h – Roda de Conversa Sobre Gênero;
14h – Teatro: “Uma Palhaçada Federal” com Os Panthanas;
15h – Debate: “As Eleições Numa Perspectiva Anarquista”;
16h30 – Debate: “Presos Políticos no Chile” (Coletivo Estrella Negra) & “Terrorismo de Estado”, por Débora (Mães de Maio);
18h – Encerramento com os grupos musicais: Mano Shabba, Ktarse, Revolta Popular, Pânico Brutal, entre outros à confirmar.
A 1º Feira Anarquista da Baixada Santista está sendo organizada num esforço conjunto entre grupos e indivíduos envolvidos com o Movimento Libertário da Baixada Santista.
 
Todxs estão convidadxs!
A entrada é gratuita!

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Viva o bairro do Macuco: o tunel é a morte do bairro.

 

Novamente se projeta na cidade de Santos mais uma intervenção urbana com obejtivo de valorizar para empreendimentos imobiliários uma área histórica da cidade na região portuária com uma imensa memória cultural. Trata-se do mais que centenário bairro do Macuco reduto de uma população trabalhadora ligada à atividade portuária da cidade. A ganância sem limites do Capital, que não respeita a vida, a memória, as culturas locais, e tem como único objetivo promover a especulação imobilíaria para o enriqueciemnto de poucos (dos não moradores) no que se atrevem chamar de remodelação urbana. Vamos repetir aqui as palavras do companheiro Giulius Ferreira, morador do bairro. Por que não fazem o tunel sair na Ponta da Praia? Vejam uma prévia do documentário sobre o bairro e a resistência popular à construção do tunel.

 

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Earth First! Encontro 2014 nos EUA

Earth First! Encontro 2014 de Round River já começou, está acontecendo entre os dias 1 e 7 de Julho. Este ano o encontro será em Klamath-Siskiyou, região da Cascadia do Sul, perto da fronteira entre Oregon e Califórnia. As instruções são as seguintes.
O Encontro de Round River é o encontro anual da EarthFirst!, que acontece geralmente na primeira semana de Julho. A cada verão, esta semana de acampamento atrai centenas de “EarthFirst!ers” do mundo inteiro. O encontro é coordenado por um comitê voluntário e inclui workshop, técnicas de ações, debates sobre campanhas, histórias contadas, música na fogueira e reuniões com artistas e palestrantes. Este é um evento autogestionado, turbulento, coletivo e periférico. 
O site está atualizado com informações sobre workshops: http://www.earthfirst.org/
Existem dois pontos importantes atualizados pelo comitê de organização:
Sobre a cozinha:
 
A cozinha será organizada pelos nossos amigos da Semente da Paz (“Seeds of Peace”) – com algumas mudanças. A Semente irá cozinhar deliciosos e calorosos cafés de manhã e jantares. Todos os que vierem serão responsáveis pelo próprio almoço e petiscos. Os companheiros também devem trazer suas xícaras e utensílios. Isso deixará nossos chefs livres para participar das atividades durante o dia. Com o tempo livre deles, a Sementes da Paz irá realizar uma pequena série de exposições sobre logística de acampamentos e sobre como cozinhar para multidões. Nós esperamos continuar receptivos, encher a barriga das pessoas, e ainda criar mais espaço para pensar sobre comida, autossuficiência, e o que significa viver em locais selvagens.
Sobre o cuidado de crianças:
 
O evento terá um local para crianças de quinta-feira (3 de Julho), até domingo, 6 de julho, de graça, por um período de 6h entre o almoço e a janta (de meio-dia até as 18h,dependendo da agenda do workshop). Nós temos um coordenador que irá revezar os voluntários três vezes por dia. O local de crianças será voltado para pessoas entre 4 e 12 anos de idade. Pessoas mais novas serão bem vindas com os pais ou responsáveis.

Encontro Earth First 2014

Encontro Earth First 2014

Earth First! Encontro 2014 – Comitê externo
 

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“Relatos sobre Experiências Anarcafeministas no Brasil”

Ocorreu na cidade de Santos (SP) no dia 29 de março de 2014, a palestra e debate “Relatos sobre Experiências Anarcafeministas no Brasil”, a atividade contou com a fala das companheiras Elaine Campos (Coletivo Marana e Rede Informal de Apoio e Solidariedade a Mumia Abu-Jamal), Maria Helena Bonifácio (ex-Coletivo Anarco Feminista), Mahu Lima (Comuna Aurora Negra e Coletivo Marana) e Liana Ferreira (Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri).
Em suas falas foram expostos relatos de suas experiências na militância anarquista, a trajetória histórica do anarcofeminismo em terras brasileiras, apontando os problemas, desafios, conquistas, preocupações e ações realizadas, além das perspectivas para esta bandeira de luta do movimento libertário.  Após a fala das companheiras, teve um debate em que houve reflexões sobre as lutas anarquistas contemporâneas, sempre num tom crítico e autocrítico, atividade esta que felicitou os presentes.
A atividade foi organizada pelo Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri e foi realizada na Vila do Teatro, sendo este mais um espaço aberto para as atividades libertárias que vem sendo desenvolvidas na Baixada Santista. Com isso prossegue a difusão e propaganda da cultura e sociabilidade anárquica no território litorâneo. Para o segundo semestre de 2014, estamos trabalhando para a realização da Primeira Feira Anarquista da Baixada Santista, e se possível será no espaço mencionado.
Para quem não pode comparecer segue abaixo link com áudio desta atividade, com as vozes capturadas e compartilhadas pelos companheiros da Rádio da Juventude:
Contatos e informes com o Núcleo de Estudos Libertários Carlo Aldegheri:
Por agência de notícias anarquistas-ana

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Arquivado em Anarquismo, Baixada Santista, Feminismo

A JUSTIÇA, A PROPRIEDADE DOS HOMENS DE BEM E OS PÉS DESCALÇOS

Não vamos entrar no mérito legal da desocupação do prédio da Telerj, nem sobre as suspeitas de comércio de lotes feitas pela mídia corporativa e pelo governo para legitimar essa ação. O fato, este é o único fato, é que 5.000 pessoas foram desalojadas da noite para o dia de suas moradias repetindo o ocorrido anos atrás no Pinheirinho de São José dos Campos. O prefeito em Paes alega que cumpriu ordens judiciais, fez exercer seu Estado de polícia, herdado da ditadura, Estado que segundo os dados da Human Rights mata pelo menos dez mil pessoas por ano no país (números subestimados). A juíza alega a reintegração com base no direito de propriedade. Um direito de propriedade que não investiga a origem fraudulenta dessa propriedade. O mesmo direito brasileiro que não quer debater a utilização ou não da propriedade em geral, mesmo quando o interesse social deve prevalecer, neste caso da Telerj, para piorar, uma posse apenas, resultante de uma concessão com prazo para retornar à União. Mídia corporativa e sociedade conservadora (leia-se os homens de bem cariocas e até uma boa parte daquela que se julga de esquerda, assustada com o empoderamento da população no país) criminalizaram a ocupação, a resistência à perda da moradia, e a luta desigual feita por jovens de pés descalços atirando pedras contra um robocópico aparato militar. Qualquer semelhança com a Intifada palestina não é mera coincidência. Tanto lá (Israel) quanto cá (Brasil) dois estados policiais militares servem para defender (com as armas, com o Direito e com a concessão à mídia) a vida de desperdícios dos mais abonados. Vive-se num país anacrônico, em parte moderno, em parte ainda escravocrata, convivendo em áreas diferentes que frequentemente coincidem e se sobrepõem. Um direito arcaico à base de recursos criados para defender os mais poderosos, uma jurisprudência que muda vagarosamente como a nossa abertura do golpe de 64, legislação que penaliza o ladrão pobre e empossa no Senado o ladrão rico. Uma sociedade violenta, e não falo dos meninos de pés descalços, fala do ódio e do rancor desses que aplaudem nos comentários online os torturadores, alguns até tem a “coragem” de torturar, falo da violência impregnada no rancor e o ódio desses homens de bem que não querem enxergar a miserabilidade do país em que vivem, mas querem ter o direito de pagar caro para assistir em paz ao jogo dos jogadores brasileiros pretos na Copa – que contradição. “É o meu direito” muitos proclamam, defender minha propriedade. Enquanto isso a violência só aumenta, os assassinatos anuais também, e hoje, o Estado somente consegue controlar uma cidade como o Rio com o exército na rua. É apenas o começo. Lá fora, todos já sabem de qual Estado e sociedade de antigo regime ainda se trata a brasileira. Até nas letras de um jornal conservador como El País as notícias ganham mais credibilidade. Invasores são “okupas”, vândalos são “manifestantes”, a especulação imobiliária carioca é voraz, e o Rio, cartão postal de fachada em ano de Copa, já não cola mais. O futuro não parece promissor e ninguém quer discuti-lo.

http://internacional.elpais.com/internacional/2014/04/11/actualidad/1397242755_574959.html

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CAVE – Nova fase

Prezados leitores e prezadas leitoras do blog do CAVE.

Na prática, o CAVE não está mais funcionando, a não ser pela ação individual dos nossos bravos companheiros que continuam a militância ambientalista em alguma ação específica. Infelizmente, houve uma dispersão de alguns ativistas em função de mudanças de vida que os levaram a morar em outras regiões do país fora da Baixada Santista. O blog do CAVE durante um bom tempo ficou paralisado e agora será mantido com os relatos que nos forem enviados pelos companheiros dispersos no país e pelos amigos da Baixada Santista. O Rio de Janeiro será o local de onde centralizaremos as ações de redação do blog, por isso não estranhem se boa parte das informações for procedente daqui.

Abraços a todos e todas

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[FAG] Tomar as ruas por uma agenda contra a direita e o governismo. Avançar um programa de soluções populares!

Excelente análise de conjuntura dos companheiros anarquistas do RS

A larga noite das lutas de 17 de junho mudou a conjuntura brasileira e redimensionou os protestos sociais. A mobilização massiva de cerca de 1 milhão de manifestantes em dezenas de capitais e cidades do país e do mundo não acontecia em nossa história política desde o Fora Collor em 1992. Há um antes e um depois que põe na cena nacional um novo sujeito histórico coletivo que é catalisador de uma poderosa força social nas ruas.

Na gestação dessa nova correlação de forças a luta contra o aumento das tarifas do transporte coletivo é a expressão mais articulada de uma avalanche de sentimentos e demandas reprimidas que extrapolam os controles dominantes da sociedade brasileira. Há uma saturação do modelo capitalista aprofundado nos últimos 10 anos pela versão neo-desenvolvimentista dos governos do PT. Esse modelo prometeu um Brasil grande e moderno as custas de uma deterioração brutal do meio ambiente, dos espaços públicos e das condições de vida do povo trabalhador e da juventude.
O modelo dominante demandou um pacto social de classes que aumentou o poder dos grandes capitais sobre as cidades, os bens comuns e as fronteiras agrícolas. Todo o território foi redesenhado pelas representações do ideal produtivista de um lugar emergente no sistema mundial do poder e das riquezas. Mega-eventos, obras público-privadas de infra-estrutura, empresas do agronegócio estampam a ideologia do Brasil em crescimento. O neo-desenvolvimentismo se deve a uma variação do papel do Estado como fator de crescimento dos grandes capitais, integração relativa de setores populares e normatização social. Não quebra as estruturas dominantes do poder, da exploração e das desigualdades sociais, pelo contrário, a reformula e desata seus mecanismos através de uma ideologia sintonizada com certos desejos individuais de consumo e prosperidade.
A pretensa inclusão social por meio de bens particulares, associa a felicidade com o consumo, mas não é capaz de satisfazer demandas coletivas que formam a qualidade de vida nas cidades. A percepção de dias melhores pelo povo se esvai pelos efeitos insuportáveis de uma estrutura opressiva da vida social cotidiana. O desenvolvimento urbano acelera a desapropriação do direito dos setores populares sobre a cidade, restringe os espaços públicos e a mobilidade, deteriora a saúde e a educação, espalha o trabalho precário e flexível e negligencia o genocídio da juventude marginalizada das periferias. Para aqueles que não se integram em suas pautas de conduta e ao mundo da pobreza que não é assimilado por suas técnicas de poder, erige um Estado penal que abarrota o sistema penitenciário repleto de pobres e negros. Aos indesejados se desata uma agenda conservadora que reclama a redução da idade penal e a internação compulsória dos dependentes químicos.
Pelo interior do país este modelo é aplicado com força bruta sobre os direitos indígenas e quilombolas e contra uma reforma agrária e urbana que quebra os latifúndios revitalizados pelo agronegócio e a especulação imobiliária. Uma nova etapa da guerra de extermínio dos povos originários suprime a demarcação de terras e criminaliza a resistência, fazendo mortos e dizimando culturas.
O caráter nacional das lutas
Essa saturação do modo de vida ganhou expressão conflitiva pelas ruas de todo o país porque não se viu representada pelas instituições políticas burguesas ou pela voz da imprensa monopolista. No entanto, se num primeiro momento as mobilizações agitavam principalmente pautas relativas ao aumento das tarifas do transporte, temos visto serem agregadas um conjunto de bandeiras e reivindicações que dão contornos policlassistas às últimas mobilizações e em alguns casos, a exemplo de São Paulo, um caráter conservador e nacionalista e ufanista.
Nessa conjuntura de massificação das mobilizações, a grande mídia reorientou o seu discurso e se inicialmente atacava e criminalizava as manifestações, busca agora pautá-las fazendo um discurso que divide entre o que é o legítimo direito à manifestação e o que são atos de vandalismo realizados por uma minoria. Dessa forma, sai de cena o caráter classista e de esquerda das reivindicações por um transporte 100% público e entra em cena um discurso apolítico e muitas vezes de um nacionalismo extremamente ufanista, onde entram em cena gritos como o “jingle” da rede globo “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor!”.
Se a direita mais conservadora do país tenta agora surfar na onda que não só não criou, como fez de tudo para reprimir, logrando já alguns ganhos e com isso semeando uma certa confusão entre o campo popular e de esquerda, não podemos tirar uma conclusão precipitada de que essa direita “virou a mesa”. O jogo esta em aberto e cabe ao conjunto da esquerda classista deste país redobrar os esforços no sentido de capitalizarmos ao máximo o sentimento de indignação que hoje varre o país. Sem sectarismos e disputas mesquinhas que levam a calúnia como meio de autoconstrução, urge à esquerda a responsabilidade de cerrar um punho forte e fazer frente ao inimigo.
Se nos precipitarmos afirmando que a direita “virou o jogo” e/ou ao mesmo tempo não formos capaz de superar vícios sectários e, em unidade na luta, incidir com uma pauta classista nesse cenário estaremos, desgraçadamente, entregando o controle das ruas à direita mais reacionária do país, que busca desatar um “carnaval da reação”, agitando sua pauta que inclui desde a genérica e oportunista “luta contra a corrupção” (como se este setor não estivesse inserido na corrupção estrutural que há no país) à redução da maioridade penal,  luta contra as “bolsas miséria” dentre outras reivindicações que agitam seus instrumentos de luta ideológica, os grandes oligopólios da mídia.
Os limites das ruas e a necessidade de organização desde baixo
A dimensão tomada pelos protestos, aliado ao trabalho que a grande mídia e setores da direita tem feito para introduzir suas pautas nas mobilizações, mostra os limites que essa modalidade de luta possui quando não há organização de base que lhe dê sustentação e retaguarda em períodos de refluxo.
Os setores que vem participando dos protestos são, em sua maioria, de uma geração jovem que não possui as mesmas referências de organização e de luta daquela geração do final dos anos 80 e inicio dos anos 90 que lutou pelo fim da ditadura civil-militar e posteriormente contra o neoliberalismo  forjando instrumentos de organização como o PT, a CUT e o MST, além da reorganização da UNE. Trata-se de uma geração que possui novos referentes, muito vinculado às redes sociais da internet que acaba sendo o lugar em que despeja as idéias, as propostas, as críticas e as construções. Nesse contexto, as mobilizações de rua, quando muito massivas, demonstram limitações que em nossa opinião precisam ser superadas.
Para nós, anarquistas da FAG, se a força das ruas e da ação direta é decisiva ao expressar o poder dos oprimidos, ela tampouco é suficiente se esses mesmos oprimidos não possuem instrumentos de luta e de organização em que as pautas expressas nas ruas possam ser discutidas, elaboradas e coordenadas em outros espaços de organização. Sindicatos, Entidades Estudantis e Associações de Moradores são exemplos, mas coletivos por local de trabalho, comitês de discussão sobre temas que nos tocam como transporte, saúde e educação em bairros, escolas, etc. são outros exemplos de organização que devem ser implementadas para que as reivindicações que sentimos cotidianamente sejam discutidas, acordadas e lançadas de forma contundente nas ruas com nossas mobilizações.
Sem esses espaços de base, nos prendemos ao vai e vem da conjuntura, daqueles grupos organizados que possuem interesses bem definidos e que a todo momento tentarão pautar as mobilizações e não construiremos um projeto próprio, enquanto oprimidos e que seja capaz de fazer frente às classes dominantes e seus instrumentos que hoje tentam cooptar as mobilizações que, com muita força, organização e dedicação conseguimos desatar.
Abrir a caixa preta da patronal do transporte coletivo! Por um modelo 100% público!
Democratização da mídia!
Contra os gastos da Copa. Em defesa de saúde e educação pública e de qualidade. Protesto não é crime!
Contra o massacre da juventude pobre e negra das periferias!

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